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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

27
Out18

FRANCISCA

Peter

 

RSCN5710[1].JPG

 A Francisca mora no Casal  Filomena , á saída da vila depois da reta do pontão na  rua da  Pampilhosa, no Luso.  No extremo de lá, onde a estrada vai acabar a rua chama-se o contrário, do Luso, na Pampilhosa e a recta ali é mais comprida. Há poucos anos colocaram-lhe do lado esquerdo de quem sai um passeio pedonal  apontado á Quinta do Valongo,  para uso das pessoas que ali construíram as suas casas. Por enquanto poucos, mas fizeram o que deviam fazer protegendo o cidadão  munícipe, o morador que paga os seus impostos , dos perigos da rodovia onde muitos utilizadores por motivos variados excedem  as normas de trânsito , principalmente  no que diz respeito á velocidade permitida .

Porém, na ponta de cá, no Luso, do Centro de Estágios para cima não há proteção nenhuma e a partir do Casal Filomena há muito mais gente a morar , seguramente meio milhar de munícipes utilizam a estrada para chegar ao centro da vila onde, ao contrario da Rua do Luso na vila da Pampilhosa, não há passeio para peões. O mesmo cidadão do município caminha entre a estrada e os veículos, utilizando valetas e muros para se proteger dos loucos do volante e da ineficácia autárquica.

A Francisca, que mora no Casal Filomena é um desses peões.  É pequena, loira, bonita e faladora e um dia destes seguia do mercado para casa acompanhada da avó quando cruzei com elas. Na recta do pontão. A recta do pontão é murada dum lado e doutro, é um canal fechado sem valetas nem bermas nem lugar para onde fugir e toda a espécie de viaturas ali passa com os poucos cuidados que são devidos a uma recta. Sabe-se hoje que no infinito não há retas, mas aqui, em pequenas distâncias as retas persistem em segmentos e os carros são ligeiros e pesados que nos passam tangentes ás pernas e aos corpos. Na sua inocência , a Francisca que tem dois anos e meio,  fala como papagaio e num constante mexer vai do muro branco dos lados ao negro alcatrão do piso na ingenuidade da idade,  alheia aos perigos que corre .Para complicar a situação a avó, tropeçando nas pernas e embrulhos que lhe ocupam as mãos e lhes vergam a coluna vertebral  só tem a voz para proteger a criança. Uma voz que não chega facilmente ao labirinto do seu ouvido interior nem a impede de saltar, de correr ou de algaraviar alegremente. Um dia será fatal para uma criança como esta, provavelmente a brutalidade dum desastre há-de esmigalhar uma Francisco contra os muros, contra a inépcia dos autarcas. Quando isso acontecer, hão-de desfazer-se em promessas e lágrimas de crocodilo a pensar nos votos das eleições que se seguem e das festas que hão-de fazer para as ganhar. As mortes não estão na agenda.

É um absurdo, para não dizer um crime , uma  Câmara ter trinta ou quarenta mil euros para contratar Carreiras ( há quem ganhe boas comissões) que andam por aí a plagiar cantigas de outros autores e não ter esse dinheiro para lançar sobre os largos pegões que sobressaem do pontão desde que foi construído, um passadiço pedonal para proteger as Franciscas deste município. As Franciscas, os Antónios, as Marias, os Josés, todo o cidadão ou pessoa que por ali é obrigada a passar, diariamente. A falta de respeito pela vida do cidadão e das famílias que os levaram ao poleiro com a sua votação, sublinhando crianças inocentes, potenciais vitimas prematuras da hipocrisia  dos políticos , é flagrante e insultuosa.

Salvaguardando a pequenez do meio mas não outras, faz-me lembrar  a recente preocupação do presidente Trump pelos emigrantes que chegam à Europa  quando aconselhou o ministro dos negócios estrangeiros de Espanha a construir um muro no deserto da Sara. O ministro agradeceu a sugestão dizendo-lhe que construir um muro com cinco mil quilómetros era coisa complicada e com ar  de admiração Trump perguntou se a sua fronteira era maior que a dele com o México, imaginando que fora da América é tudo em escala reduzida .Foi então que os conselheiros o informaram que o Sara não é na Europa e que Espanha tem apenas  na África  dois enclaves, Ceuta e Mellila, ao que Trump respondeu «night clubs ! », finalizando a conversa.

Esta historieta evidência a tragédia e o perfil de quem hoje se propõe remediar os destinos  dos outros,  gente vulgar que compreende perfeitamente os problemas da outra gente comum ,mas não desce da posição de sobas que assumiram onde perdem a noção de que  a terra é o único sitio onde se pode viver. Por enquanto !

É o drama dum mundo que se torce em lamas de off shores, Jêsetes e em agências de rating , onde os poderes actuais amealham os seus negócios de classe descendo ao baixo teor de fosforo solidário. Matar nas estradas ou com metralhadores deixa no ar a mesma irresponsabilidade.

Luso, Setembro, 2018                            Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

 

20
Set18

CINE TEATRO AVENIDA

Peter

cinema.jpg

 Esta é uma imagem do Cine Teatro Avenida original, um 

edificio construído de raiz para albergar  teatro e cinema no 

primeiro quartel do século XIX,  substituindo em definitivo

algumas salas provisórias onde os espectaculos se

realizavam. Como se pode observar, a varanda exterior que

dava acesso á zona da bilheteira foi posteriormente 

tranformada num átrio coberto que lhe alterou a traça 

original.

 

03
Set18

RUA EMIDIO NAVARRO

Peter

ruadoturismo.jpg

Uma fotografia da rua Emidio Navarro , no Luso, com as

escolas primárias á esquerda  e ainda sem o mercado

paroquial. No topo desenha-se a fachada dos azulejos

do Hotel dos Banhos á esquerda e em fundo a

continuação da rua com a barreira da quinta do Alberto

no seu limite. Ano da imagem?  Primeiro quartel do

século passado ?

30
Ago18

FALTA DE TANSPARÊNCIA

Peter

DSC_0752.JPG

 Como a Cãmara da Mealhada não cumpre as regras de transparência a que é obrigada no que diz respeito aos fundos que recebe do acordo com a Sociedade da Água de Luso , aqui trancrevo a respectiva lei.

Diz a dita  Lei nº 73 , de 03 de Setembro de 2013 :

Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais

Artº 7º  Principio da Transparência

1-A actividade  financeira das autarquias locais está sujeita ao principio da transparência que se traduz num dever de informação mutuo entre estas e o Estado, bem como no dever de divulgar aos cidadãos, de forma acessivel e rigorosa, a informação sobre a sua situação financeira.

2-O principio da transparência aplica-se igualmente á informação financeira respeitante às entidades participadas por autarquias locais e entidades intermunicipais que integram o sector local , bem como as concessões municipais  e parcerias publico-privadas.

 

Concretamente o municipe do concelho não sabe quanto recebe a Câmara da Sociedade da  Água do Luso da comparticipação anual por cada litro de água do Luso vendido por aquela empresa, na sequência  do contrato assinado entre a autarquia e aquela sociedade. Não se sabe excatamente o produto recebido nem o que é feito a essa verba , ainda que possamos calcular que estarão em jogo cerca de  cinco milhões euros  através dos vários anos de duração do acordo. Por uma questão de credibilidade e confiança entre a politica e o cidadão seria  bom que a autarquia usasse da clareza e transparência que determina a lei , acabando com o secretismo que parece existir na divulgação destes dados e com eventuais  dúvidas que se colaquem  aos cidadãos interessados,  sobre a quantia e destino destes fundos.Para além de cumprir  com rigor o que estipula a Lei nº 73 , de 03 de Setembro de 2013, como lhe compete.

12
Ago18

MULTIBANCO SEM DINHEIRO

Peter

 

multi.jpg

 A falta de dinheiro nas máquinas multibanco continua a ser mais um entrave  no turismo desta terra. As queixas multiplicam-se e claro, o Verão é a melhor época para não haver verbas nos cofres do multibanco, quando os visitantes chegam, podem deixar alguma coisa e se vão embora por falta deste generoso serviço e bem. Mais um ótimo pontapé no turismo concelhio que por mais que o empurrem estrada  abaixo não se desloca um passo deste local onde está. Talvez aqui a  autarquia câmara não tenha a maior culpa, mas comprometeu-se a tomar conta destas coisas quando , acabadas as Juntas de Turismo passou a ensacar também as verbas que estas recebiam directamente do Estado. Pelos vistos o responsavel politico não se apercebe, naturalmente porque não andando por cá não tem conhecimento do fenómeno nem sequer é informado pelos respectivos serviços e servidores. Eu digo o responsavel politico porque segundo leio nas actas da autarquia ele é o único que manda, os outros não mandam nada. Põe e dispõe democráticamente.

O Verão das termas, em termos de estruturas paralisadas é um desastre total, desastre que começa com a falta de estacionamentos e vai acabar na falta do dinheiro no multibanco depois duma passagem por buracos  de vários feitios e tamanhos. O mais ridiculo, o do estacionamento, assenta agora numa  aparente falk new , não se pode limpar a barreira porque os depósitos da água correm perigo de ruir. Se assim fosse, há muitos anos teria acontecido , uma vez que a dita barreira já nasceu exactamente na fonte e foi sucessivamente cortada até aos limites actuais e continuará a ser por imposição das intempéries e da geologia do solo local.No entanto,se  apesar de improvavel tal acontecer como acontece ao cinema, cabe á mesma autarquia a total responsabilidade pois foi ela que escolheu e mandou fazer nos respectivos locais os depósitos domiciliários.Esperemos que não estejam concebidos  como o lago ou o pavilhão para que não lhes aconteça o mesmo. O facto concreto e irreversivel é que apesar de todas as asneiras e anomalias desta geringonçada gestão camarária, o Luso-Buçaco tem turistas e mantem as potencialidades,enquanto  a freguesia sede não os tem, não lhe valendo de nada o "imaginário" posto de turismo ali  feito por cobiça, incompetência , até imbecilidade, não no interesse  do municipio mas de pirosas vontades indidividuais. Se uma cidade se fizesse assim, Lisboa , que  é uma cidade, era apenas a freguesia do Castelo rodeada de muralhas com muçulmanos em volta a lutar contra  cruzados!!!!! É uma pena !!!!! É uma pena que a autarquia seja incapaz de gerir politicamente o que são as Termas do Luso !!!!

PS. È claro que estes protestos ou comentários  não contam para nada, a consciência disso é plena. Não há  poder, nem gente, nem votos suficientes neste pre-interior para alguém ser ouvido e ter justiça, mas mesmo assim  a critica é a única via de manter vivas pretensões, velhas e novas, dentro duma democracia sonhada que por enquanto é utópica e cruel para as pessoas, excluindo essa classe politica, como é evidente. Mas a alternativa do  silêncio, do seguidismo , do carreirismo ou do populismo são os piores caminhos para nada acontecer. Só a consciência das coisas  e a sua  discussão podem abrir  os meios de mudança.Coisa que já se vai fazendo  mundo fora em muitos sítios com base na razão e no interesse do cidadão e da colectividade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Ago18

FONTE DO CASTANHEIRO

Peter

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 O Manel  rodeado pla selva

Q uando o governo acabou com os antigos orgãos de turismo, chamados então Juntas de Turismo, passou a transferir  a verba que estes orgãos recebiam para as Câmaras Municipais  e com a transferência da verba foi a competência sobre o respectivo território no âmbito da actividade turistica. No caso  presente das Termas do Luso, o fim da Junta de Turismo foi catastrófico para a freguesia e para a as termas , pois a Cãmara da Mealhada  abandonou pura e simplesmente os interesses da freguesia nunca sabendo nem querendo defender a estância  termal.  A obrigação que a lei lhe conferiu foi rapidamente esquecida e o resultado está patente no que é hoje o turismo neste municipio , com prejuizo evidente para todos os que viviam e vivem da actividade. A ação daqueles orgãos, pioneiros do turismo em Portugal, foi esquecido e a Câmara da Mealhada, rápida a fazer o seu ridiculo e abusivo posto de turismo, deixou morrer as Termas sem um unico gesto  em sua defesa , salvando-se hoje apenas o pequeno nicho de turismo no desporto, a última estratégia pensada e cozinhada na ex-Junta de Turismo ,ao tempo presidida pelo professor António Gonçalves, a quem se deve em boa parte o avanço do projecto . Mesmo assim, sem manutenção, o mesmo abandono abriu um tunel sob o pavilhão desportivo , deslocando esta oferta para a Freguesia de Ventosa do Bairro que, por muito respeito que se tenha por aquele local não tem qualquer vocação para turismo nem oferece as condições necessárias para estágios profissionais.

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 Uma bica quase invisivel

 

O Luso hoje é uma  pequena imagem do que foi, em termos de turismo a única freguesia vocacionada e com recursos  que continua a manter as suas potencialidas, mas abandonada e desprezada , como disse , pela autarquia Câmara, onde grassa a incompetência sobre o assunto. A traficância política tem feito calar as vozes mais atingidas perante  uma gestão paroquial e de defesa dos interesses partidários de quem tem governado o território rotinando  a actuação por interesses que não são os do municipio nem dos municipes.

A Avenida do  Castanheiro ,uma rua soberbamente aberta por Emidio Navarro juntamente com a estrada nacional até Bolfiar, foi uma obra com dezenos de anos de avanço em relação ao seu tempo e hoje continua a ser um local acolhedor, ameno, tranquilo e convidativo. Porém, o seu estado degradado é tal, que nem um vassouro  o municpio  ali manda para limpar a rua , a vegetação, as ervas ou manter dignamente a conservação do "boneco"

Deixo aqui duas fotografias lamentando que os eleitos desta terra na Assemleia Municipal não digam uma palavra do lugar onde nasceram, bem pelo contrário, estão ao serviço dos interesses municipais , apostados em destruir o que resta das  Termas do Luso e da Mata do Buçaco, um património nacional, continuo a repetir, inconscientemente entregue ao poder municipal.

boneco2.jpg

 A paisagem completamente tapada, o abandono total...

Cumpre-me lembrar, que quando há anos passei pela Câmara cumprindo um dever civico que me deu gosto cumprir, ali ficou um  projecto da autoria do arquiteto Sidónio Pardal que incluia o parque de estacionamente do Vale, junto á igreja , bem como a requalificação de todo o espaço superior entre a estrada de Viseu e a estrada do ex Hotel Serra que acabava junto ao cruzamento do Castanheiro com uma ligação pedonal em estudo para unir os dois espaços, ou seja, um parque desde a igreja até ao boneco que deitava água e agora  já nem deita. Quando a Cãmara optou por não ter vereadores do Luso, a terra mais importante , mais conhecida e com maiores potencialidades deste municipio, este ante projecto terá sido metido na gaveta  e até hoje, nem sequer a ligação do saneamento dessa zona traseira da estrada de Viseu foi feito, quanto mais o projecto de que falo !!! Tal como aconteceu a um estudo previo de autoria do mesmo arquiteto sobre o aproveitamento da Quinta do Alberto .

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Tudo o que a vista não alcança tapado pela vegetação

No meu modo de ver é pouco digno e vergonhoso para esta terra não haver ninguêm que a defenda desde que desapareceu Homero Serra, um homem que, apesar de ter eu próprio  algumas discordâncias políticas com ele, sempre defendeu com veemência os interesses locais , as obras necessárias , as termas e as pessoas.   Quanto ás responsabilidades da autarquia Câmara, o abandono a que votou o Luso e o turismo  é absolutamente inqualificavel. A legitimidade dos  votos tem limites na razoabilidade dos actos e do senso comum. 

 

06
Jul18

A ASSEMBLEIA

Peter

fonte11.jpg

Caros amigos, porque mo perguntaram, a política é assim, aprendam:

A Assembleia tinha uma ordem do dia ( ou da noite, suponho que foi de noite) e tinha ao mesmo tempo uma previsão  de assuntos fora da ordem do dia, ou seja, um periodo destinado a intervenções do cidadão . Como corria entre os oradores,  um cidadão,  um ou mais, prometiam colocar algumas questões publicas pertinentes que estão á vista de todos. Os políticos que seriam causticados, não muito porque são apenas dois minutos por cabeça sem direito a diálogo em termos democráticos regimentais, combinaram arranjar um torpedo para esvaziar os conteudos e fintar o direito do cidadão falar na sua Assembleia, que é o mesmo que dizer esvaziar o valor  da sua intervenção.O que é isto de torpedo afinal ? É um outro cidadão que, combinado com os politicos a atingir, vai amenizar e deturpar as críticas que julgam vão ser feitas tentando minimizar hipotéticos estragos.Tem que ser arregimentado e dispor dum estomago próprio para o efeito, uma espécie de yes man produto  duma rede de favores, por exemplo.

Na hora do inicio dos trabalhos os cidadãos que  estavam na assembleia  inscreveram-se para falar  mas o torpedo, que actua  dentro do sujo jogo partidário , deixou que se inscrevessem e inscreveu-se depois.  Mas quando se abre o periodo para  o publico dizer de sua justiça, ele, que foi o último a inscrever-se é o primeiro a questionar o orgão. De facto a ordem de inscrição foi manipulada pela mesa da assembleia que ,  se actuasse seriamente, deveria respeitar a ordem de inscrição dos oradores que pediram a palavra. Como a democracia á portuguesa é uma espécie de bagunça, o torpedo infiltra-se á papo seco, convencido, como os politicos que lhe facultam o tempo, da sua esperteza e sapiência,colocando as mesmas questões para obter as respostas que entretando haviam combinado  enquanto correlegionários. Quando chega a vez dos  autênticos oradores, o discurso dos mal contentes já obteve resposta anteriomente e o assunto está esgotado ou em vias disso.

Esta, como me perguntaram, a razão principal pelo não respeito da ordem de inscrição que deveria ser respeitada se a mesa fosse séria e não influênciada. Não pelo facto do ser engenheiro ou doutor o eventual torpedo, em termos de cidadania somos todos iguais, a todos é devido o mesmo respeito como as mesmas prioridades A razão porque ele é o último ou dos últimos a inscrever-se  tem  a ver com o facto de que se ninguém se inscrevesse para falar, ele também o não faria porque não era necessário, não haveria a assunto nem politico ou politicas a defender ou justificar. Se o torpedo funcionou foi porque o esquema funcionaria , e  assim foi  desviada na sua objectividade , peso e força de intervenção a intençáo ou intenções dos cidadãos. Esta é apenas uma maneira, não ilegal mas de pouca ética , para ultrapassar problemas ou incomodos e escapar a criticas que , exploradas por uma imprensa que esteja atenta e seja livre, pode causar prejuizos maiores.  Nesta matéria, a chamada "política" é uma caixinha de surpresas.

 

 

 

 

27
Jun18

TOTAL ABANDONO

Peter

esplanada.jpg

A Explanada

 Como se vê, e não é tudo, isto está ao abandono. Fechado, 

esquecido, destruído. Por mil e um buracos, desde um cinema

sem telhado a um pavilhão em risco. Estamos no Luso,

Termas do Luso , ainda se diz. Com saudade.

Por um acaso infeliz da divisão administrativa pertence a um 

municipio chamado Mealhada, uma cidade deslumbrante.

No entanto é nesta freguesia do Luso que caiem todos

os turistas que  chegam ao concelho. Então fizeram

um pomposo posto de turismo na Mealhada , a pomposa cidade

e o do Luso, velho, com  mais de uma centena de anos de idade

é para acabar . Está  ainda aberto por favor dum sujeito especial

a quem tiram o chapéu e dão votos não se sabe bem porquê.

Acho que veio atrás da música. O que não tem importância,

também meu pai veio atras dela.Se bem ou mal é que não sei.

Ah,diferença é que  este faz festas e festanças. E dança.

O samba, acho eu. No caso do meu progenitor ele apenas

trabalhava. E até ganhava pouco! Mal. Muito mal.

Hoje querem inverter a curvatura do circulo e por 

egoismo , ganância , estupidez ou ignorância, tudo termos

da moralidade política, devo acrescentar, metem rodas nas

termas e  na Mata Nacionaldo Buçaco coisas cá da freguesia.

Para encravar a cidade no  meio do diabólico trânsito que  tem?

lago ruina.jpg

O LAGO DOS CISNES

Não. Nada disso. É que não lhes chegando a administração

nem os milhares de euros que a venda de água do Luso lhes

dá todos os anos,uma espécie de limpeza do que

éticamente não lhes pertence, insistem nas rodas. 

Querem as rodas. Querem aquilo que tendo , não querem

ter. Ou por outra querem dormir com as coisas como a

Mata Nacional e outras, na cabeceira da cama, na deslumbrante

cidade. Não vá o diabo tecê-las e acordarem sem elas.

Só assim se pode  entender a destruição operada.

Mas por mais que lhes ponham rodas as coisas não saiem

do sítio. Tal e qual como a barreira do Largo do Casino,

que caiu há uns meses com a chuva e não volta ao sítio por

si só. Nem que se pintem. Dizem que já cá veio uma engenheira,

se calhar alguma espécie, mas nada.

Por acaso fico espantado e ás vezes até incomodado com

tanta inteligência que há na sede do concelho onde eu nasci. 

Época balnear avante, não há onde o turista ponha o carro.

Não me tinha passado pela cabeça sequer que será para

o encanar para a deslumbrante cidade !!!!De facto há cada 

excelente cabeça!!!!! Não é de fracas moitas que sai um

bom coelho??Gordo, anafado, importante...

repuxo.jpg

 O REPUXO  PARA CIMA

Para mim é esperteza a mais. De cabeças de alho xôxo e

umbigos bem tratados. E cabeças de nabo! Sou burriqueiro, 

não sou cego e por bem  ou por mal conheço algum mundo!

Um mundo onde tudo corre para baixo.

Esqueci-me de informar que isto é sempre a descer e a

gravidade ainda existe .Não, não foi abolida.

Aliás a gravidade é muito mais certinha do que as rodas.

Se confiassem nela nada disto acontecia.

Mas não me admiro nada que qualquer dia façam  uma

fundação socrática para pôr a coisa a subir.  São espertos

para tanto, afinados como o mestre. 

Com a idade que tenho já nada me admira. Até já vi uns alguns

burros em corridas de cavalos!!! Embora nenhum  vencedor!

Vá lá agente entender para que serve pensar!

Mas o que é certo é que nem  Termas nem o diabo da Mata

Nacional se mexem. E os buracos são tantos e por tanto lado

que o municipio um dia vai á falência. Era  bom para uns e

maus para ouros. Como tudo na vida. Na life, meu !!!!

Era mau para os politicos mas talvez bom para o cidadão que

poderia ele própria remar a barca deste inferno e ter 

melhores resultados. E não gastava tanto dinheiro com eles.

Porque assim, com timoneiros de excelência , quer a minha

freguesia quer o concelho, estão absolutamente garantidos.

Só que eles pensam que não.

Ficam as photos  e aos meus amigos mealhadenses,

vítimas como eu e como nós , burriqueiros, 

da chafurdice da politica, permito-me um conselho, abram os

olhos. E podem crer que apesar de tudo os burriqueiros são

os que enxotam com ramos de  jibardeira a gente que

vai de burro. Não é tudo a mesma coisa!!!

 

19
Jun18

FORA DE CENA, ALTO LÁ COM ISSO!!!!!

Peter

 

em cena.jpg

 C orria o ano de 1962  quando o nosso conterraneo João Abrantes teve uma pausa nos afazeres teatrais  que então ensaiava como vida , e veio passar o inverno á sua terra natal, o Luso, Era um homem  novo de idade e de ideias que trazia consigo  a dinâmica  do palco , por isso não perdeu tempo em ressuscitar o grupo do Ginásio, um clube da altura , hoje nuitos anos de morto lhe pesam  sobre a memória dos que a têm , esquecido  das novas gerações que dele não tem notícia .  Mas é ainda um resto de saudade para alguns, eu ou o Rocha entre esses, que passamos horas a relembrar os tempos  que não se extinguiram como estes tempos modernos em que um simples ministro declara pela própria lingua pátria que o tempo deixou de existir ou, mais  explicitamente, existe para essa remessa nova de vespas  da politiquice  cana de pesca onde se  vegeta a vida , mas não para professores que ensinam aos meninos e não só como será ou seria o futuro de um país. Vai daí o João Abrantes que depois veio a optar, melhor, a seguir a vida dos hoteis, tenho a certeza que não a de vocação mas de recurso , tal e qual como mais tarde se veio a sacramentalizar por  decretos  dando mais ou menos  por sorteio o futuro de cada um aquilo que lhe sai na rifa do imprevisto, sobretudo aos mais fragilizados que mal tem dinheiro para chegar ás universidades, quanto mais para investirem em exlicadores de ensino e de preparação de exames, fora  os dos domingos , feriados e dias santos, que essas costumam ir pelas vias de off-shores  e outras regalias a que o sacrificio de servir reinos e republicas dá direito absoluto.  Como ele , o João  Abrantes repito, para não perdemos o fio ao diabo da meada, trazia do Parque Mayer  uns ensinamentos actualizados para fazer revistas, não da crónica feminina nem da flama ou século ilustrado que era o que havia na  altura, mas revistas verdadeiras feitas no Parque Mayer ás escondidas do monstruoso Salazar que, comparado com os santinhos dos nossos dias era um herege mau cheiroso e só não "mamava" umas criancinhas ao pequeno almoço porque não autorizava comunistas nas repartições publicas. Eu próprio, pouco depois quando acabado  o meu curso de dia de semana, ao tempo não havia conhecimento dos cursos tirados aos domingos, feriados e dias santos de guarda, tive que declarar, apesar das minhas dúvidas sobre o que era coisa de comunismo, que o não era, nunca teria sido se tivesse conhecimento dele  e que no futuro o repudiaria com todas as minhas forças porque era assim que era, era assim que mandava a lei do Cerejeira e dele próprio, Salazar pai da Nação.Faço questão  de esclarecer que não estou a dizer que os mandantes de hoje são piores ou melhores que os de ontem, quanto muito serão a mesma coisa , em certas coisas melhores, em certas coisas piores , isto porque Portugal foi e será sempre  um país desiquilibrado, ou oito ou oitenta como diz o povo, mas  tal fenomeno dava-nos na altura assim como aos actores verdadeiros donde vinha afinal o João, um certo prazer ao fazer teatro e até ás vezes se pensava que a bem dizer até esclareciamos de certa maneira o povo com as piadas fora do carimbo da censura, pois neste mundo há e haverá sempre arte e magia para trocar as voltas ás palavras. Bom, fosse como fosse o João Manuel  mostrou o seu projecto e aderimos de imediato e entre umas ceias arranjadas no Ginásio, ou em casa dele,  exactamente do outro lado onde prenderam o Alvaro Cunhal,ou  na rua  Formosa à  Pia que ainda o não era na altura , mas que também servia de apoio ás peças , sobretudo porque escreviamos os quadros em cima dos pipos do pai do Rocha, e matavamos a sede no espicho para obter inspiração. Entre mim , a Fernanda Santos, o Federico de Brito, o António Rocha e o João , dito Manuel  ou Abrantes ou as duas coisas juntas, fizemos a prosa e adaptamos a musica da Corina Freire á versalhada que fui fazendo dia a dia.Arranjamos os artistas, às vezes com muitas dificuldades porque não se passava a libertinagem de então como se passa agora, o contexto era o da janela e o abraçar só nos bailes do  1º e Dezembro o outro clube da terra que ao sábado os organizava sempre com casa cheia.No fim,  ficou um único problema por resolver, o da censura, como diabo ia-mos fazer passar um texto inédito para uma revista provonciana na malha apertada das lapiseiras censórias que eram novidade na altura. Refiro-me ás lapiseiras, claro, porque a censura era velha, já estavamos  habituados a ela, o D.João !! utilizou-a e não esteve com meias medidas, cortou a cabeça a todos. e o Marquês de Pombal  fez o mesmo á tosse que veio de alguns. Ainda não havia tarrafal , apesar de tudo  uma coisa mais levezinha que as guilhotinas reais e qua ainda fazem falta em dose mais moderada.Deixamos o caso para pensar e começamos os ensaios, ora na sala do Casino, a mesma que agora os donos  não emprestan a ninguém , desde que levaram daqui o engarrafamento da água de Luso pelas estradas da Câmara da Mealhada abaixo,  e a sede para Cracóvia, na Polónia, onde os impostos da CEE estão a preços de saldo. A alternativa era o cine-teatro Avenida que estava  de porta aberta se não houvesse cinema , um espaço  sempre disponivel para ensaios  e  espectáculo desde os tempos da Sociedade Agricola do Valdoeiro do Messias Batista até a minha amiga a dona Hildegarda que adorava estes  artistas amadores que lhe levavam o teatro a casa. Ela morava sob a plateia do velho cineteatro e achava que a sala de espectáculos era um local de trabalho , ao contrário dos democratas de Abril que começaram a fazer cinemas novos com dinheiros da CEE  e entenderam que eram bons demais para o pagode dos palcos  e lá cediam a casa para o dia  do espectáculo porque hes dava jeito e popularidade, mas antes, que fossem ensaiar á cavalariça de algum vizinho  que não se podia estragar a sala, utilizando , ribalta , cadeiras estofadas e  camarins de primeira que ainda brilhavam á luz do sol  quando abriam de espanto  a cegueira dos olhos ou absorviam goela abaixo  orgulhosamente  as palmas que lhes não cabiam na barriga, uma pacovice portuguesa de arregalar a vista á ignorância activa,  Não sei se o inchar de sapo já foi de moda, mas  a minha amiga Hildegarda nunca teve esses preconceitos e se agente precisava  ensaiar ensaiva nem que fosse nas escadas da geral numerada ou no corredor dos camarotes velhos, algum tempo ainda forrados a setim vermelho que lhe dava um cheiro duma ópera de cidade , mas era apenas a ilusão do nosso desconhecimento que fabricava os sonhos mais espantosos!   Foi ainda o João Abrantes, dito também Manuel, manhoso como os sabidos de Lisboa , que foi buscar a Cascais para o pedido da licença  e para o cartaz da propaganda uma peça  já censurada ," Costa do Sol em Festa" com  a qual se obtiveram as autorizações necessárias para a subida á cena. Não com o  titulo emprestado como seria lógico supor, mas com o próprio nome de batismo que lhe deramos e respectivos textos que nada tinham a ver com o texto autorizado . Foi assim  que a revista se chamou "Alto Lá Com Isso ", uma obra  prima da nossa aventura e literatice que afinal  existindo,  não existiu. Não melhor nem pior que outra que se levou á cena mais tarde , o "Salve-se Quem Puder " com textos feitos no burgo , desta vez passando mesmo pelo aval da censura nas barbas do fiscal , comprado por umas palavras de bom gosto e inchaço de importância que lhe conseguimos dar como se fosse rei e senhor da pandega regional. Nem os textos ,senão em alguns fragamentos dfispersos , nem  gravação magnética ou digital, a segunda por não haver, a primeira pela raridade e custos do seu processamento ficaram de testemunho nesta biblia de engaços. Apenas fotografias, umas a preto outras a cores a relembrar gerações.  Portanto, postas as coisas neste pé, só o testemunho escrito bebido de oralidade e algumas saudosas fotografias não pode resistir ou impedir  a tentação  de registar aqui o nome de todos os participantes , com desculpas para a falta de alguém que, apesar de cuidadosa procura, pode escapar involuntáriamente á nossa boa vontade.

 

Iª parte      UM PEDIDO DE CASAMENTO, comedia em 1 acto de António Tchekhov, tradução de Correia Alves

Actores e personagens

Américo Leite :Stepan Stepanovitch Tchubukov

,Mário Penetra: Ivan Vassilyevitch Lomov

Maria Teresa Carvalho Natalya Stepanovna

 

 

IIª Parte Alto Lá Com Isso ,

Autores : Fernanda Santos,Frederido de Brito,Fernando Ferraz, António Rocha, João Abrantes.

Música de: Corina Freire

Actores:  António Santos:  ( Mr Bown, compere) João Malaguerra :( Zé dos Jornais,noivo,pescador,turista);  Manuel Figueiredo: ( Guarda do Lago,arrais,fadista) :Maria Aurora (camponesa,noiva,varina,) Maria S.José Leite: (camponesa,mãe,) Almira Pimenta: (camponesa,noiva,peixeira); Celsa Pimenta :(romeira,noiva,peixeira,) José Balau (romeiro,sacristão,pescador,director) , Graciete Leite :(noiva,cantadeira,fadista,peixeira,) Ernesto Santos: (noivo,lavadeira,guarda,director) Fernando Ferraz:( noivo ,caiador, lavadeira, candidata a actriz), António Rocha( Serafim, Delfim,Lavadeira,Candidata a actriz) Américo Leite:(Avô, ) João Abrantes (conta a história, como bate um coração),Maria Teresa Carvalho ( Micaela).  Alfama das Naus, quem vai na marcha :Maria de S.José,Graciete Leite,Celsa Pimenta,Almira Pimenta,José Balau,Ernesto Santos, Fernando Ferraz,António Rocha,Manuel Figueiredo,João Carlos,Fernando Rosa, João Malaguerra. Fonte de S.João , marcha final: Toda a companhia.

Autores: Como Bate um Coração : Nelson de Barros, e João Nobre , Na Rua dos Meus Ciumes : Fernando Santos e Frederico Valério, Fonte de S.João : Fernando Santos, Nelson de Barros, Frderico Valério.

 

Realização e direcção de cena de João Abrantes , Direção e execução musical de Alvaro Silva

Direção cenográfica e de montagem de Rogério Almeida , cenografia de Rogério Almeida, Fernando Rosa e João Carlos Santos,Assistência coreográfica de José Balau

Luminotécnica e sonoplastia de Joaquim ferreira e Manuel Figueiredo, jardins do 6º e 10º quadros executados por Francisco Carvalho, Ponto, Alberto Penetra,Contra Regra, Carlos de Castro, Maquinista Antero Maria, Carpinteiros de cena Plácido da Cruz e Albino Guedes,Materiais fornecidos pelas firmas ,Casa Zenith, Casa Triunfo, Farmácia Nova,Casa Ramalheira,Francisco Pereira Coelho, Manuel Abreu.  Os costumes folclóricos foram gentilmente cedidos pelos ranchos Tá-Mar da Nazaré e Tricanas de Aveiro . A realização deste espectaculo só foi possivel graças á gentil colaboração de Sociedade da Âgua de Luso e da empresa do Cine-Teatro Avenida.

 

Espectaculos em Cine Teatro Avenida do Luso: 12,13,19,20 Janeiro de 1963 ás 21,30

No Cine Teatro Messias, na Mealhada em

Todas as sessões esgotaram a lotação.

Extrato do livro "Luso,  Histórias Breves da Àgua e das Gentes"

05
Dez17

FORMOSA À PIA

Peter

 

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  N ão é comprida nem larga, podia chamar-lhe beco, viela, mas quis a toponímica oficial que se chamasse rua e assim figura o nome na identificação ainda que se lhe não conheça a ponta onde se pega o início ou se prolonga o fim. Porém é antiga, dos tempos em que o Luso não passava de dois pequenos lugares na nascente da ribeira dos Moinhos. Um denominado da Igreja, a nordeste, o outro, de Além a sudoeste, ligados pelo antigo caminho do Sentido. Esta via seria então o caminho principal da povoação descendo da Igreja aos milheirais da linha de água que atravessava numa rústica ponte, para subir do outro lado até às traseiras da Pensão Portugal que nasceu muito depois. Cortando na perpendicular o que veio ser mais tarde a Francisco Grandela, atravessava depois a “futura” rua da Pampilhosa na garagem do Joaquim Rocha, estrada nascida nos tempos de Emídio Navarro, quando mandou executar a urbanização das termas do Luso, uma das mais velhas urbanizações com pés e cabeça levada a cabo neste país de improvisos. Tão bem planeada que ainda hoje subsiste a sua modernidade e não fosse a desordenada e anárquica gestão municipal a cercear a continuação do trabalho iniciado há mais de um século e continuaria a vila a ser um exemplo na história. A velha estrada ou caminho, no soco urbano, era pois parte do chamado caminho do Sentido, que entalado entre as traseiras da Portugal e as novas habitações, veio a ser, nos cem metros em causa, a rua Formosa à Pia dos dias actuais. Metros de percurso que continuavam a meia encosta pela Quinta do Viso, pelo posterior do Casal Filomena, pelo Vale da Ribeira, Curral Velho, Quinta do Sentido e Louredo, antes de existir a estrada actual para Sazes, Lorvão e Penacova. Claro que falamos de alguns sítios e lugares não existentes na altura e doutros que foram em paralelo surgindo com o desenvolvimento das Termas, o evidente motor do crescimento do sítio.

Se viajando no tempo voltássemos á tarde do dia 29 de Junho de 1628 assistiríamos à chegada dos primeiros obreiros do Convento do Buçaco á casa dos arcos que ocuparam na “Formosa à Pia,” assim chamada porque o primeiro piso assentava sobre arcadas, arquitectura típica dos seculos catorze e quinze. Chegados de Aveiro, eram eles Frei Tomás de São Cirilo, Frei João Batista e Alberto da Virgem, carregando consigo três cobertores para a cama, uns peixes para a boca e dez cruzados para o começo da obra. Mas logo a 25 de Julho seguinte se lhes juntaram Frei Bento dos Mártires, Frei António do Espirito Santo e o irmão flaviense António das Chagas, oficial de alvenaria. Foi dali que subiram diariamente à serra para preparar os terrenos e lançar a primeira pedra do edifício no dia 7 de Agosto do mesmo ano e nos finais do mês já os encontraríamos definitivamente instalados no Buçaco. A 19 de Março de 1630 deram por fim início á vida em comunidade.Da estadia no Luso ficou a casa até há bem pouco tempo, quando foi sobre ela erguida uma segunda e moderna habitação no cotovelo que junta em meia dúzia de degraus a Pia à rua da Pampilhosa.

Ora quando a partir dos meados do séc. XIX o Luso iniciou o seu percurso termal que curiosamente o município recusou em sessão de Câmara despoletando a solução duma sociedade por quotas, o crescimento deu lugar á construção de novos edifícios cujo número foi aumentando década após década, foi para a via do Sentido que foi aberta a porta da cozinha da Pensão Portugal na qual o proprietário incluiu uma taberna cujo balcão de atendimento dava para a mesma rua, viela ou travessa. O vinho para uso da pensão era porém guardado na cave em frente, em velhas pias de azeite que serviam de garrafeira improvisada empilhadas umas sobre as outras e onde o Adelino, jovem filho do casual taberneiro, de vez em quando juntava os amigos  em convívios petisqueiros que não seriam molhados a água da fonte, mas sim a vinhos da pia. E porque o álcool trepasse ou a moderação faltasseno equilíbrio dos corpos e das coisas, sucedeu que um dos convivas caiu dentro duma pia numa noite fria de Inverno, vendo-se grego o grupo para o levantar do assento, e no dia seguinte, já nas instalações do Luso Ginásio Club que funcionava no cotovelo do sul, resolveram rebaptizar a rua que ao tempo não tinha nome com a denominação de Formosa. Pudera!Mas Formosa era já a rua da Ti Nazaré atrás da Lusa ao Outeiro do Bodo , no outro lado, o da Igreja onde a Nazaré possuía  negócio de loureiro com uso de vários anos  e donde o Barraqueiro era decano com outros  frequentadores da Oliveira da Sorte e também palco que o Alves do Monte Novo não raro utilizava para declamar o seu “fufu carago, fufu” antes de subir Velal acima quando conseguia ultrapassar , ziguezagueando, a Fonte do Castanheiro. A solução foi acrescentar à pia a formosura e assim, no ano de 1958, numa tarde de sol, foi organizada a cerimónia do batismo começada e acabada com um discurso do Vladimiro , filho da D. Olga dos Correios e com a presença dos moradores do beco e convidados. Rua Formosa à Pia foi o nome sublinhado em honra á pia do azeite, consequência da bondade do vinho como a posteridade supõe e supõe bem, sem enoturismo e sem gralhas da politiquice.Cinquenta anosdepois,indo casualmente a uma sessão de Câmara a proposta oficial por um nome naquela artéria, concordou o executivo camarário unanimemente com a denominação e assim foi registada nos regulamentos toponímicos locais e nas placas que lhe dão hoje o suficiente identificar.

PS- Crónica escrita a pedido dum morador que forneceu dados essenciais sobre o assunto em razão de duvidosas questões sobre as origens do nome. Aqui fica a narrativa sobre o quanto é sabido da Rua Formosa, À Pia.

 

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