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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

04
Jul19

O RATO DO ALBERTO

Peter

RSCN5760[1].JPG RATO DO ALBERTO ou A MONTANHA  PARIU UM RATO

Se o abandono do Luso, das suas gentes e das suas Termas necessita de mais alguma evidência, esta do arranjo da barreira que a chuva fez no inverno de há dois anos é o último pregão da arruaça política que a geringonça da autarquia concelhia tem feito na freguesia. Não só pelos dois anos de espera pela retirada duns poucos metros cúbicos de terras que levariam uma manhã para limpar os passeios, como pelo empreendimento subjacente que levou tão doutos autarcas ao concurso duma universidade para desenhar os projetos da remoção das terras. Obras “ciclópicas” como se pode ver, os resultados á vista são, como na montanha que pariu o rato, o regresso ao estado anterior. Nem um banco a mais, nem um metro de alcatrão á frente, nem um estacionamento de forma a libertar espaço para quem visita a terra. Esta é a realidade concebida e mandada executar por aqueles a quem pagamos chorudos rendimentos para gerir o nosso território, rasgando sem qualquer respeito ideias e estudos anteriores. Antes da obra, argumentou a câmara que um dos perigos a prever nos arranjos seria a existência de grandes quantidades de água no subsolo o que desde logo deu, a quem conhece o local, a ideia clara e exata da ignorância e irresponsabilidade dos governantes locais. A extravagância do disparate não tem senso nem limites. Agora convém perguntar pelas nascentes, pelas cascatas e pelos grandes caudais que dali nascem e são canalizados, talvez secretamente para lugar secreto. Mas não estão à vista. Água onde se afoga o ridículo de afirmações políticas fruto da infantilidade de comunicadores eleiçoeiros e intencionais. 

Este é o modo como os autarcas tratam os interesses dos munícipes envolvidos, dando-lhes festas e festanças com o dinheiro de todos, tentando manter-se empoleirados nos galhos do poder e suas influências sem resolver os problemas. Mas não ficam por aqui as desgraças da terra e das termas, a quem o executivo municipal atual passou um atestado de morte prematura desde que tomou posse há dois mandatos atrás. Como há tempo é sabido por todos e pela câmara, a água da fonte de S. João está inquinada, o edil até já mostrou isso num filme, mas tal não é prioridade para os autarcas, presidente incluído, como primeiro a responder pelo ambiente e saúde dos habitantes. Interessa-lhe sim festas e votos! E se falarmos do lago e das suas obras, piscina incluída, cuja finalidade e reabertura foi galhardamente prometida pelo mesmo autarca para o Verão corrente mas, neste segundo aniversário do seu fecho acabamos por saber que as obras estão simplesmente paradas porque em vez de arranjar o lago, destruíram a impermeabilização dos seus fundos, preparados, quando da sua construção, para reter  a água na sua limitada bacia hidrográfica. A história do lago afinal é um precipício de asneiras políticas e técnicas, caladas com festanças de vária ordem para animar toda a gente e esconder os erros e pobreza duma gestão de medíocre qualidade. E já não se fala na Mata Nacional do Bussaco, que também é da freguesia, em continua destruição desde que a fundação camarária que preside ao complot político se imiscuiu irresponsavelmente no património do Estado. O resultado é visível e a Mata Nacional nunca esteve tão degradada em alguns séculos de existência, como hoje, nem tão mal entregue como a uma fundação de base socrática a comungar dos mesmos vícios e privilégios do patrocinador e padrinho. De tal sorte que o presidente da  Câmara já recontruiu dez ermidas onde só existem sete !!! 

Hoje, a freguesia foi despida pela câmara da sua componente turística que há quase oito anos que não mexe uma palha pela sobrevivência da atividade. O abandono é total. Apesar do estabelecimento termal ter aceitável qualidade, a sua dimensão que foi propositadamente reduzida com o aval autárquico por razões nunca esclarecidas, não é suficiente para dinamizar os espaços que foram perdidos por gestões politicamente fraudulentas e contrárias aos interesses do território e do cidadão. De mão dada com os concessionários por razões ignoradas , o compadrio político da autarquia  em  lugar de lhes exigir a animação termal, colabora com eles na ocupação totalitária dos espaço durante a época termal. E dos dinheiros que  anualmente recebe por cada litro de  àgua vendida, nenhuma informação, como manda a lei, ao municipe .  É legitimo perguntar e ao mesmo tempo duvidar da aplicação das verbas , pelos menos um indicio de má fé e de falta de rigor que devia ser esclarecido. Mas vivemos assim, num conluio de interesses politicos de vária ordem  e complicação que só  o génio das mentes que aqui politicamente governam, são capazes de digerir e sabiamente interpretar !!!! O meu aplauso para os conterraneos que civicamente se dirigem á assemblia municipal  e recebem murros na mesa ! E vem-me á ideia a crise académica de Coimbra nos tempos de Salazar e as assembleias forjadas. Ainda lá não chegamos, vamos apenas a caminho....

Mais umas festas  com o dinheiro de todos nós, e toca a dançar e a bailar !!!!

unho,12,2019   aguasdoluso.blogs. sapo.p

25
Mar19

HÁ 70 ANOS AQUI PRENDERAM CUNHAL

Peter

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Eram cinco da manhã,do dia 25 de Março de 1949,  noite cerrada, o silêncio sepulcral espalhava-se por toda a povoação como a própria neblina se espalha subindo do sopé até á Cruz Alta, o ponto mais elevado, que fica escondida por horas e horas de madrugada enquanto, diz a gente do Luso, os frades cozem o pão.

O dispositivo político militar apertou o cerco. À frente dos verdugos, Gomes da Silva, um homem já conhecido da oposição e de Militão  Ribeiro que já tinha passado pela prisão do Tarrafal. Estavam O Gouveia, o Passos, o Mortágua , a nata dos torciários á frente dum corpo da Guarda Republicana armado de metralhadoras  prontas a disparar...

( DO LIVRO INÉDITO ÀGUAS DE LUSO E OUTRAS HISTÓRIAS )

26
Jan19

CÁTASTROFE LUSO BUÇACO

Peter

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O lago continua esburacado, espécie de hospital de rua. Não é o primeiro nas Termas. No tempo das invasões francesas o hospital de sangue acolheu amigos e inimigos como se fossem irmãos, dor e morte não têm cor. Agora, no malfadado ano de 2018 depois do lago, o presidente da Câmara da Mealhada exibe o poder e manda fechar o Hotel do Buçaco e vem dizer publicamente que não foi ele! Se não foi ele falsificaram-lhe a assinatura!  Alguma bruxa ? Bisa até na Assembleia Municipal que não foi ele, perante eleitos calados. Ridículo. e impróprio! Em que democracia estamos, em que lugar vivemos e de que rebanho somos?

Não sei se já tínhamos assistido a isto no concelho, mas política não é. Vê-se sim achincalhar a política. Este mandar fazer desmentido pelo próprio, ultrapassa o respeito e confiança que se deve ao eleitor e é trágico para o município. O território está bem entregue, as Termas e a Mata do Buçaco, idem, mas as freguesias não pensem que estão melhor. Vejam onde se gasta o dinheiro do munícipe, em festas, em mercados gigantes, megaestruturas fora de uso que não se utilizam hoje, obras inúteis de cabeças partidárias pensando em votos, poder e em museus futuros. Esta outra história do museu que começa por dois milhões e trezentos mil euros para criar um só emprego, o do conservador, tem muito que se lhe diga e só por si esgota as capacidades financeiras da autarquia para outros investimentos. Uma vergonha! Há alguma razão para isto, um emprego por dois milhões e meio de euros? Descobriram petróleo? Não brinquem com coisas sérias! Respeitem o munícipe que vos paga o gordo ganha pão!

Depois, para que o concelho saiba, o Palace do Buçaco foi condenado por um detector de incêndios não apitar, razão dada pelo protetor civil que é também o presidente da  autarquia. Só não fechou porque o concessionário fez entrar no tribunal uma providência cautelar e a proteção distrital teve o bom senso de resolver a questão com a simples substituição do sensor. Por isto quarenta funcionários altamente qualificados do hotel número um deste país e as famílias, estiveram á porta do desemprego e na mesa dos apoios sociais. Como diz o povo, não somos da Lourinhã , as razões duma politica agressiva contra  município e pessoas são outras , já que a loucura é do  foro da doença e não da política. Este edil, que já foi deputado e bateu umas boas sonecas na cadeira do hemiciclo como mostrou a televisão ao tempo, governa quem e o quê? E o executivo, o que faz? Ajuda? A Assembleia Municipal, tirando uns piropos da oposição e os piropos da resposta não diz nada, e os maioritários entram mudos e saem calados, um triste e pobre exemplo do que são representantes eleitos pelo povo.

Se queremos ir em frente como concelho não é com mordomias, influências e compadres. Calando as nossas vozes não se vai longe. Há que mudar de vida, de mentalidades, de atitudes, de políticas de interesses duvidosos.

Antes de um conselho ao visado deixo ao leitor um texto de Eça de Queiroz que me parece oportuno para que se veja o Estado a que se chegou  nesta quintarola de artistas, e mordomos. Cá vai do nosso Eça e do seu  conto “A Catrástrofe”;

“…Sempre o Governo! O governo devia ser o agricultor, o industrial, o comerciante, o filósofo, o sacerdote, o pintor, o arquiteto, tudo! Quando um país abdica assim nas mãos dum Governo toda a sua iniciática e cruza os braços esperando que a civilização lhe caia feita das secretarias, como a luz lhe vem do sol, esse país está mal; as almas perdem o vigor, os braços perdem o hábito do trabalho, a consciência perde a regra, o cérebro perde e acção. E como o Governo lá está para fazer tudo, o país estira-se ao sol e acomoda-se para dormir…”

Troque-se Governo por autarquia e tudo piora, a escala é inversamente proporcional ao tamanho da obra.

Quanto ao conselho, só há um, demita-se! É o que se faz num país sério!

Luso,Janeiro,018      Aguasdoluso.blogs.pt

 

14
Jan19

A PROTEÇÃO CIVIL NÃO É O PAI NATAL

Peter

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H á dois anos foi o desastre total com dezenas de mortes. No ano de 2017 foi o melhor dos males, pouco havia para arder, mas foi uma vitória segundo a partidarite. Este ano entre polémicas e jogos de poder, um Natal trágico faz a morte duma equipa aerotransportada de saúde pública a que se associa um enredo de anarcas e burocratas que não descobriram o Heli. É o colapso da proteção urdida nos partidos. Ou seja, uns clientes mais a controlar os meios dão nisto. Regras, horários, fichas, chefias, requerimentos, papeis, licenças. Por fim, salvar o próximo. Uma paralisia frustrante, num sub-produto saído de inteligências partidárias, sábias cabeças das margens da corrupção e bancarrota. O oposto da ajuda a quem precisa. O absurdo de se poder legislar qualquer coisa” boy a boy”! Uma gigante unidade de comandos e subes que leva horas a juntar terços para acudir a quem está com a corda na garganta! Duzentos e três homens perdidos no terreno, sessenta e nove a olhar o vale do rio Ferreira, mais cinquenta e cinco carros numas curtas andanças e os galões a sêco porque chove.
Sete horas para encontrar em Valongo, freguesia de Valongo, área metropolitana do Porto, um Heli amarelo vivo com quatro vítimas dentro. Desfeito, duas dentro e duas fora. A proteção civil não anda á chuva, muito menos em vendavais, garantia para os portugueses numa futura catástrofe. Um tsunami e não se sai das casernas! Não há focos, holofotes, um acidente não é nenhuma festa que dê votos! Mas dá ajudas de custo, ainda que na barraca!
Um patético coronel, gordo, limpo, farda passada a ferro, galões cinzento mate, chega à conferência de imprensa sem nada para dizer. Homem doutro planeta, não sabe nada. Além dos regulamentos, da lei, do protocolo. Guardas de honra, seis de cada lado numa mesa quadrada apoiam o silêncio. Sabem o mesmo nada que sabe o graduado. Há regras a seguir, preceitos, autorizações, sentinelas e continências. Chefias, os bombeiros, o INEM. Das vítimas nada. Mortas ainda não estão. Às vezes há milagres! Nada foi encontrado, ouviu-se. Quase sete horas após o desastre, ás portas do Porto, área metropolitana, falam em prolongar o metro de superfície e tudo! E nada. No alto, Santa Justa tem uma ermida. O que esperar da santa assim de sopetão?
E grotesco do grotesco, foi preciso meia dúzia de motards do clube local para encontrar os corpos e o aparelho desfeito na noite de breu.. Disseram em entrevista. Bateu numa antena de oitenta metros de altura, sem luz, no cimo do monte. E despenhou-se por ali abaixo como não podia deixar de ser. Nem a santinha, lhes valeu! Uma antena sem sinalização. Fui eu, um cidadão que a autorizei e esqueci de iluminar. Não serviram de nada os telemóveis do heli, das vítimas, dos organismos. O GPS muito menos, o Siresp costeiro nem se fala! E depois protocolos e continências não salvam população.
É isto a proteção civil que manipula bombeiros? È isto que querem fazer ao ministério público, controlado pela “boyada “dos partidos? São inocentes que morrem, voluntários sem nome e sem galões. Não são robots. Se alguma das vítimas chegou com vida ao solo, não sabemos, morreu da cura. Como quatro dezenas há dois anos, assadas na estrada de Pedrogão. A mesma inépcia. Semelhante anarquia. A serra de Monchique ou a estrada de Borba! Os mesmos funerais, as mesmas homenagens, iguais figurantes em altas cilindradas. As mesmas palavras e inquéritos sem resultado.
No domingo, quando os grunhos da bola derem uns pontapés, será como antes. Esquecem-se mortos como os banqueiros que roubam! Cala-se com cinco ou dez euros a tripa do ordenado, a humildade com a cultura pindérica e Portugal com o paraíso europeu!
E o Pai Natal faz a festa !
Esta versão de proximidade é da rede da comunicação social e embora sem uma fita de tempo, é a sucessão dos factos contados. Imagens, palavras, entrevistas , opiniões no seu tempo real. Pêsames ás famílias . Natal,2018

 

02
Jan19

2018 UM ANO PARA ESQUECER

Peter

 

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Fotografias tiradas hoje no lago do Luso ainda internado no hospital de ar livre por conta da Câmara da Mealhada. Não é o primeiro na freguesia, já existiu um de sangue no tempo das invasões. Enterrado o péssimo ano de 2018 , uma vergonha da politica para se esquecer, a estância termal ficou numa completa ruina , tal como este lago e a sua envolvente . Piscina fechada, restaurante e café encerrados, não há vivalma que se aventure neste deserto, um recurso turístico promovido pelo presidente da edilidade, génio da politiquice actual, apostado como está em destruir o Luso e creio que todas as outras freguesias em prol da cidade que governa.
No malfadado ano de 2018, o mesmo edil mandou fechar o Palace Hotel do Buçaco por sua própria iniciativa e talvez a conselho de assistentes bem pagos, e embora minta dizendo que não foi ele, a verdade é que foi ele próprio que assinou os documentos, ninguém lhe falsificou a assinatura. Com tal gestor o concelho está bem entregue e as Termas do Luso e a Mata Nacional do Buçaco ainda muito mais. Basta dar uma volta pelos respectivos locais para se ter uma ideia que a fundação camarária tem feito a favor do património que é de todos nós portugueses, o da Mata Nacional, fruto dum assomo genial do ex-ministro Sócrates que despachou a responsabilidade do Estado para uma câmara amiga e de tão pequena dimensão. Os amigos são para as ocasiões, a leviandade para sempre.
O Palace Hotel do Buçaco não fechou por seis meses renováveis a partir do verão passado, pena a que foi condenado em razão de um detector de incêndios não apitar, motivo evocado pelo protector civil, que é ao mesmo tempo edil, usou para o fechar. Como se todos fossemos, como bem diz o povo, da Lourinhã!
Valeu uma providência cautelar interposta por Alexandre Almeida, o concessionário e o bom senso da protecção civil do distrito de Aveiro para resolverem o assunto com um apito novo. O var trabalhou bem.
Foi bom porque o cidadão presidente esqueceu os quarenta profissionais altamente qualificados que trabalham na unidade hoteleira e nem pensou sequer no seu destino nem no sustento das suas respectivas famílias. A não ser que os metesse na Câmara que já é o maior empregador do concelho , mas com mulheres e filhos , primos e afilhados, a coisa tornava-se complicada…

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Este politico, que já foi deputado e aproveitava para bater umas boas sonecas no Parlamento como mostrava a televisão ao tempo, faz uma coisa inédita, em vez de construir, destrói. E a seguir diz que não foi ele !!!!
Eu aproveitava para deixar um excerto dum texto de Eça de Queiroz que me parece oportuno para que se veja o Estado a que o Estado chegou e deixou chegar esta quintarola de artistas, sobretudo de pintores e de mordomos.
Cá vai do nosso Eça o que deixou escrito no conto “A Catrástrofe”;
“Sempre o Governo! O governo devia ser o agricultor, o industrial, o comerciante, o filósofo, o sacerdote, o pintor, o arquitecto-tudo! Quando um país abdica assim nas mãos dum Governo toda a sua iniciática e cruza os braços esperando que a civilização lhe caia feita das secretarias, como a luz lhe vem do sol, esse país está mal; as almas perdem o vigor, os braços perdem o hábito do trabalho, a consciência perde a regra, o cérebro perde e acção. E como o Governo lá está para fazer tudo, o pais estira-se ao sol e acomoda-se para dormir…”
Substitua-se o Governo pela autarquia e as coisas pioram porque a dimensão da escala é inversamente proporcional ao tamanho da asneira.
Para que quer o cidadão politicas e políticos tão bem dimensionados?
Se um dia disserem por aí que o populismo avança, não se admirem. É que alguma coisa tem de facto que mudar, para onde é que não se sabe!

23
Dez18

FELIZ NATAL MUNICÍPIO OU UM ADEUS A 18

Peter

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Galeria do Casino , Salão de  festas e bailes, foto de 1924

FELIZ NATAL!  de castigo está o município “ disse o presidente da camara a propósito do buraco do Lago!

Lago do Luso, disse eu numa das crónicas anteriores para agora perguntar : “Quereria o mestre dizer que não tinha meio milhão de euros para reparar a rotura?” Meio milhão adjudicado afinal por menos de trezentos mil euros numa mentira precoce? Fake new antes de o ser que tanto pode ser precoce como póstuma? O que pretendia dizer a Câmara pela voz do seu presidente quando poucos dias depois há dinheiro para comprar uma quinta, chamada do Murtal, por dois milhões e trezentos mil euros? Contrariedade? Obstáculo? Irritação? Ou negócios ?

Politicamente falando não existiu razão para o lamento, afinal mais uma machadada á freguesia pela câmara, tão empenhada em destruir as termas como a fundação a acarretar camiões de madeira Mata do Buçaco fora.

A pronto a ou crédito a autarquia responsabilizou-se pelo pagamento duma quantia exorbitante por mais um monte de sucata a juntar á que já existe e que fica cara ao bolso do munícipe e é suficiente para manter a paralisação em que se encontra o território em termos de economia e desenvolvimento. Este negócio de cariz socialista, esteve há anos na agenda partidária mas não se chegou a consenso sobre o caso, pelos vistos terá continuado na gaveta a aguardar a ocasião de uma qualquer geringonça passar os limites razoáveis da política adquirindo por mau preço o que não serve ao concelho nem munícipes. Poderá um dia servir a empreiteiros de obras, na próxima geração…ou talvez não!

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Hoje uma maioria autárquica que coxeia, consumou o ato. Uma decisão que foi contestada pela oposição, primeiro por falta de informação transparente, depois dúvidas sobre a oportunidade, terceiro, porque num investimento deste peso que vai influenciar as actividades da câmara por anos, a unanimidade seria essencial uma vez que vai amarrar qualquer executivo que venha a seguir a problemas no futuro. Também a clareza e a informação reflectida pelos dados da sessão autárquica não foram de modo algum suficientes para as duvidas que deixam levantadas. Resumem-se a autoritarismo e a explicações de ”lana-caprina” para tapar olhos a incautos dando conta da falta de diálogo e democracia que falta na gestão municipal. E repito, não falamos dos trezentos mil euros que custou a recuperação do lago nas termas, mas de dois milhões e trezentos mil investidos em sucata de longo prazo com base numa hipotética especulação sobre o alibi dum museu. Como se vivêssemos em patamares de riqueza de Lisboa ou Porto para deitar dinheiro ao ar. Se do espólio imobiliário que existe nunca saiu coelho da cartola, como vai sair agora duma idêntica sucata? São acções nulas num executivo de nulidade apostado em estagnar o território no seu próprio esgotamento, sem novas ideias para sair da sonolência rotineira onde se embrulhou e dorme. Ressonando.

Este ato que levanta muitas dúvidas ao cidadão comum não tem razão de ser nem assenta em qualquer estratégia de desenvolvimento. Por cumprir podemos listar á priori um campo de golfe sem buracos, um nó ferroviário sem comboios, parques industriais que não passaram de projectos, uma variante á estrada nacional que é uma necessidade á vista, uma recuperação do Buçaco que contrariamente continua em degradação, uma rede de regadio no Vale da Vacariça que ficou sem água por falta de barragem, o teatro do Luso por recuperar, bem como a recuperação da zona central e o saneamento por acabar, o teatro da Pampilhosa parado, um Palace Hotel do Buçaco que a Câmara pretende fechar com a intervenção directa do executivo e presidente á cabeça, ou o equivoco do turismo de batateiros e pé descalço. Investimento reprodutivo não há, no turismo e em estruturas não há, na melhoria das condições de vida das pessoas muito menos e o crescimento económico estagnou.

varzeas city.jpg

Como lembrou a oposição, o concelho tem muito mais onde investir, as necessidades são muitas e os recursos escassos. Como se pode pois comprar sucata imobiliária para apodrecer em silvados utilizando milhões de euros pedidos ao estrangeiro?

O que parece é que a Câmara resolveu o problema dos proprietários do bem e transferiu o problema para a Câmara, sobretudo para os munícipes que esses sim, é que vão pagar o empréstimo. E fico-me por aqui por falta de crença absoluta nesta política balofa de fazedores de nadas que cristalizam em poleiros e mordomias.

Há quase quarenta anos conhecedor e actor da política partidária, nunca me pareceu ir tão longe o descrédito da autarquia e o assumir uma despesa de dois milhões e trezentos mil euros na compra de mais sucata parece-me uma leviandade que passa o senso comum. Porquê? Fica a pergunta.

Àqueles que me lêem um Feliz Natal, extensivo ao município.         Luso, Dezembro,  2018      

 

07
Dez18

AS FAKE NEWS DA PARÓQUIA

Peter

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Foi nos começos do Verão que caiu mais um pedaço da barreira da Quinta do Alberto, no Luso, já são tantas as quedas que se lhes perde o conto. No princípio a alargar os silvados do olho nascente para tanquear a água e se lavar a roupa, depois a capela do santo para não morrer de sede e se louvar a Deus, depois a praça, o caminho, a estrada, a avenida, dois tanques acrescidos e sempre o morro a ceder pela natureza de si próprio ou aconchegando as feridas que o homem lhe foi dando no corpo de xistos deslizantes. Para quem não sabe, e há muito quem não saiba, esta terra foi e é uma terra de enxurradas e as vertentes das montanhas, grandes ou pequenas, costumam escorregar como manteiga como se vê na comunicação dos nossos dias, se a intempérie é séria e desgastante. Mas neste lugar não há notícia em séculos que tenha morrido alguém, nem mesmo no terramoto de 1755 que o cura da paróquia teve o cuidado de descrever com precisão sem prejuízos de vulto e pouco significado. Nada de sério nos séculos de escrita ou em fósseis encontrados apontam pois para um diluvio, quando no começo do Verão de 2018 ruiu um pequeno naco da encosta albertina, uma rotina inofensiva mas que um município a leste do que é real decidiu transformar em calamidade. Talvez na esperança de arrancar alguns patacos públicos mal ganhos a mais um fundo europeu, pois o estrago foi um ridículo deslocamento de dois ou três metros cúbicos de xistos que o município, se soubesse o que anda a fazer levaria uma manhã a limpar para tudo voltar á normalidade. Mas não o quis fazer, mesmo tratando-se dum inicio enigmático de época balnear preferiu inventar uma fake new com a entrega dum estudo geológico a duas universidades e a colocação de blocos de cimento no lugar dos estacionamentos centrais da localidade, acabando simplesmente com eles criando a naturais e visitantes os problemas que temos visto, sem qualquer respeito pelas pessoas ou pelos negociantes da terra que vivem do Verão, das termas e dos forasteiros que chegam. E em consequência sem preocupação com os rendimentos que dão sustento a umas centenas de famílias e pessoas e até agora nem os estudos apareceram nem a alameda foi limpa nas suas bordas caídas, tudo levando a crer que a anarquia reina nos paços municipais sem rei nem roque e restam papagaios bem pagos para nos embrulhar na falsidade pendente das notícias falsas, mundanamente dadas como Fake News.
Há uns anos fecharam as termas para obras no mês de Junho perante obras que só começaram em Outubro, fazendo perder ao Luso, com a concordância da autarquia, como então se calculou, para lá de dois milhões de euros. Uma mesma trajectória de insipientes políticos mais apostados em destruir o turismo que desenvolver o município. É que há gente por aí que se rói com as potencialidades da freguesia e tudo faz, não para roubar o molho, que não têm as condições que o sustente, mas para inutilizar o progresso por inveja, ignorância e irresponsabilidade. Como se constata a quinta do tal Alberto não caiu nem vai cair, apenas a incapacidade e incompetência dos actores políticos quer arrasar uma sala de visitas que está a deixar de ser pela vontade autárquica. No espirito da mordomia política juntou-se até a destruição do Luso com a do Hotel do Buçaco por interesses inconfessáveis a que o presidente da edilidade não é alheio.
A julgar pelo que se vê algo vai muito mal no paço partidário do município onde as fake news já têm lugar cativo e, curioso, capazes de tapar os olhos ao mais mordaz cidadão. Garantidamente, as festas, festames e festões a par dos empregos negociados entre o cartão partidário, coisa comum ao país, estendeu a doutrina das notícias falsas ao nível dos municípios, hoje uma parte nada democrática do regime político instituído .Origem dos populismos associados á direita e ao fascismo, quanto a verdadeira causa está no mau governo e no péssimo exemplo dos detentores do poder. 

 

 

27
Out18

FRANCISCA

Peter

 

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 A Francisca mora no Casal  Filomena , á saída da vila depois da reta do pontão na  rua da  Pampilhosa, no Luso.  No extremo de lá, onde a estrada vai acabar a rua chama-se o contrário, do Luso, na Pampilhosa e a recta ali é mais comprida. Há poucos anos colocaram-lhe do lado esquerdo de quem sai um passeio pedonal  apontado á Quinta do Valongo,  para uso das pessoas que ali construíram as suas casas. Por enquanto poucos, mas fizeram o que deviam fazer protegendo o cidadão  munícipe, o morador que paga os seus impostos , dos perigos da rodovia onde muitos utilizadores por motivos variados excedem  as normas de trânsito , principalmente  no que diz respeito á velocidade permitida .

Porém, na ponta de cá, no Luso, do Centro de Estágios para cima não há proteção nenhuma e a partir do Casal Filomena há muito mais gente a morar , seguramente meio milhar de munícipes utilizam a estrada para chegar ao centro da vila onde, ao contrario da Rua do Luso na vila da Pampilhosa, não há passeio para peões. O mesmo cidadão do município caminha entre a estrada e os veículos, utilizando valetas e muros para se proteger dos loucos do volante e da ineficácia autárquica.

A Francisca, que mora no Casal Filomena é um desses peões.  É pequena, loira, bonita e faladora e um dia destes seguia do mercado para casa acompanhada da avó quando cruzei com elas. Na recta do pontão. A recta do pontão é murada dum lado e doutro, é um canal fechado sem valetas nem bermas nem lugar para onde fugir e toda a espécie de viaturas ali passa com os poucos cuidados que são devidos a uma recta. Sabe-se hoje que no infinito não há retas, mas aqui, em pequenas distâncias as retas persistem em segmentos e os carros são ligeiros e pesados que nos passam tangentes ás pernas e aos corpos. Na sua inocência , a Francisca que tem dois anos e meio,  fala como papagaio e num constante mexer vai do muro branco dos lados ao negro alcatrão do piso na ingenuidade da idade,  alheia aos perigos que corre .Para complicar a situação a avó, tropeçando nas pernas e embrulhos que lhe ocupam as mãos e lhes vergam a coluna vertebral  só tem a voz para proteger a criança. Uma voz que não chega facilmente ao labirinto do seu ouvido interior nem a impede de saltar, de correr ou de algaraviar alegremente. Um dia será fatal para uma criança como esta, provavelmente a brutalidade dum desastre há-de esmigalhar uma Francisco contra os muros, contra a inépcia dos autarcas. Quando isso acontecer, hão-de desfazer-se em promessas e lágrimas de crocodilo a pensar nos votos das eleições que se seguem e das festas que hão-de fazer para as ganhar. As mortes não estão na agenda.

É um absurdo, para não dizer um crime , uma  Câmara ter trinta ou quarenta mil euros para contratar Carreiras ( há quem ganhe boas comissões) que andam por aí a plagiar cantigas de outros autores e não ter esse dinheiro para lançar sobre os largos pegões que sobressaem do pontão desde que foi construído, um passadiço pedonal para proteger as Franciscas deste município. As Franciscas, os Antónios, as Marias, os Josés, todo o cidadão ou pessoa que por ali é obrigada a passar, diariamente. A falta de respeito pela vida do cidadão e das famílias que os levaram ao poleiro com a sua votação, sublinhando crianças inocentes, potenciais vitimas prematuras da hipocrisia  dos políticos , é flagrante e insultuosa.

Salvaguardando a pequenez do meio mas não outras, faz-me lembrar  a recente preocupação do presidente Trump pelos emigrantes que chegam à Europa  quando aconselhou o ministro dos negócios estrangeiros de Espanha a construir um muro no deserto da Sara. O ministro agradeceu a sugestão dizendo-lhe que construir um muro com cinco mil quilómetros era coisa complicada e com ar  de admiração Trump perguntou se a sua fronteira era maior que a dele com o México, imaginando que fora da América é tudo em escala reduzida .Foi então que os conselheiros o informaram que o Sara não é na Europa e que Espanha tem apenas  na África  dois enclaves, Ceuta e Mellila, ao que Trump respondeu «night clubs ! », finalizando a conversa.

Esta historieta evidência a tragédia e o perfil de quem hoje se propõe remediar os destinos  dos outros,  gente vulgar que compreende perfeitamente os problemas da outra gente comum ,mas não desce da posição de sobas que assumiram onde perdem a noção de que  a terra é o único sitio onde se pode viver. Por enquanto !

É o drama dum mundo que se torce em lamas de off shores, Jêsetes e em agências de rating , onde os poderes actuais amealham os seus negócios de classe descendo ao baixo teor de fosforo solidário. Matar nas estradas ou com metralhadores deixa no ar a mesma irresponsabilidade.

Luso, Setembro, 2018                            Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

 

20
Set18

CINE TEATRO AVENIDA

Peter

cinema.jpg

 Esta é uma imagem do Cine Teatro Avenida original, um 

edificio construído de raiz para albergar  teatro e cinema no 

primeiro quartel do século XIX,  substituindo em definitivo

algumas salas provisórias onde os espectaculos se

realizavam. Como se pode observar, a varanda exterior que

dava acesso á zona da bilheteira foi posteriormente 

tranformada num átrio coberto que lhe alterou a traça 

original.

 

03
Set18

RUA EMIDIO NAVARRO

Peter

ruadoturismo.jpg

Uma fotografia da rua Emidio Navarro , no Luso, com as

escolas primárias á esquerda  e ainda sem o mercado

paroquial. No topo desenha-se a fachada dos azulejos

do Hotel dos Banhos á esquerda e em fundo a

continuação da rua com a barreira da quinta do Alberto

no seu limite. Ano da imagem?  Primeiro quartel do

século passado ?

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