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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

02
Jul18

PLACARD DIÁRIO DE NOTÍCIAS NO LUSO

Peter

placard dn.jpg

Hoje terminou a edição em papel do Diário de Notícias  

e o velho jornal passou a uma edição Oneline.

Esta curiosa fotografia , cuja data será algures na primeira

metade do século XX , refere-se á inauguração dum placard do

Diário de Notícias nas Termas do Luso, na parte exterior do

Café do Casino. Um tempo em que as Termas eram Termas e

o jornal era jornal.

Como testemunha o documento, uma fotografia histórica

para a vila do Luso , a cerimónia foi concorrida .

As Termas tinham uma importância que suplantava o municipio

mas que hoje o municipio liquida conscientemente.

 

27
Jun18

TOTAL ABANDONO

Peter

esplanada.jpg

A Explanada

 Como se vê, e não é tudo, isto está ao abandono. Fechado, 

esquecido, destruído. Por mil e um buracos, desde um cinema

sem telhado a um pavilhão em risco. Estamos no Luso,

Termas do Luso , ainda se diz. Com saudade.

Por um acaso infeliz da divisão administrativa pertence a um 

municipio chamado Mealhada, uma cidade deslumbrante.

No entanto é nesta freguesia do Luso que caiem todos

os turistas que  chegam ao concelho. Então fizeram

um pomposo posto de turismo na Mealhada , a pomposa cidade

e o do Luso, velho, com  mais de uma centena de anos de idade

é para acabar . Está  ainda aberto por favor dum sujeito especial

a quem tiram o chapéu e dão votos não se sabe bem porquê.

Acho que veio atrás da música. O que não tem importância,

também meu pai veio atras dela.Se bem ou mal é que não sei.

Ah,diferença é que  este faz festas e festanças. E dança.

O samba, acho eu. No caso do meu progenitor ele apenas

trabalhava. E até ganhava pouco! Mal. Muito mal.

Hoje querem inverter a curvatura do circulo e por 

egoismo , ganância , estupidez ou ignorância, tudo termos

da moralidade política, devo acrescentar, metem rodas nas

termas e  na Mata Nacionaldo Buçaco coisas cá da freguesia.

Para encravar a cidade no  meio do diabólico trânsito que  tem?

lago ruina.jpg

O LAGO DOS CISNES

Não. Nada disso. É que não lhes chegando a administração

nem os milhares de euros que a venda de água do Luso lhes

dá todos os anos,uma espécie de limpeza do que

éticamente não lhes pertence, insistem nas rodas. 

Querem as rodas. Querem aquilo que tendo , não querem

ter. Ou por outra querem dormir com as coisas como a

Mata Nacional e outras, na cabeceira da cama, na deslumbrante

cidade. Não vá o diabo tecê-las e acordarem sem elas.

Só assim se pode  entender a destruição operada.

Mas por mais que lhes ponham rodas as coisas não saiem

do sítio. Tal e qual como a barreira do Largo do Casino,

que caiu há uns meses com a chuva e não volta ao sítio por

si só. Nem que se pintem. Dizem que já cá veio uma engenheira,

se calhar alguma espécie, mas nada.

Por acaso fico espantado e ás vezes até incomodado com

tanta inteligência que há na sede do concelho onde eu nasci. 

Época balnear avante, não há onde o turista ponha o carro.

Não me tinha passado pela cabeça sequer que será para

o encanar para a deslumbrante cidade !!!!De facto há cada 

excelente cabeça!!!!! Não é de fracas moitas que sai um

bom coelho??Gordo, anafado, importante...

repuxo.jpg

 O REPUXO  PARA CIMA

Para mim é esperteza a mais. De cabeças de alho xôxo e

umbigos bem tratados. E cabeças de nabo! Sou burriqueiro, 

não sou cego e por bem  ou por mal conheço algum mundo!

Um mundo onde tudo corre para baixo.

Esqueci-me de informar que isto é sempre a descer e a

gravidade ainda existe .Não, não foi abolida.

Aliás a gravidade é muito mais certinha do que as rodas.

Se confiassem nela nada disto acontecia.

Mas não me admiro nada que qualquer dia façam  uma

fundação socrática para pôr a coisa a subir.  São espertos

para tanto, afinados como o mestre. 

Com a idade que tenho já nada me admira. Até já vi uns alguns

burros em corridas de cavalos!!! Embora nenhum  vencedor!

Vá lá agente entender para que serve pensar!

Mas o que é certo é que nem  Termas nem o diabo da Mata

Nacional se mexem. E os buracos são tantos e por tanto lado

que o municipio um dia vai á falência. Era  bom para uns e

maus para ouros. Como tudo na vida. Na life, meu !!!!

Era mau para os politicos mas talvez bom para o cidadão que

poderia ele própria remar a barca deste inferno e ter 

melhores resultados. E não gastava tanto dinheiro com eles.

Porque assim, com timoneiros de excelência , quer a minha

freguesia quer o concelho, estão absolutamente garantidos.

Só que eles pensam que não.

Ficam as photos  e aos meus amigos mealhadenses,

vítimas como eu e como nós , burriqueiros, 

da chafurdice da politica, permito-me um conselho, abram os

olhos. E podem crer que apesar de tudo os burriqueiros são

os que enxotam com ramos de  jibardeira a gente que

vai de burro. Não é tudo a mesma coisa!!!

 

19
Jun18

FORA DE CENA, ALTO LÁ COM ISSO!!!!!

Peter

 

em cena.jpg

 C orria o ano de 1962  quando o nosso conterraneo João Abrantes teve uma pausa nos afazeres teatrais  que então ensaiava como vida , e veio passar o inverno á sua terra natal, o Luso, Era um homem  novo de idade e de ideias que trazia consigo  a dinâmica  do palco , por isso não perdeu tempo em ressuscitar o grupo do Ginásio, um clube da altura , hoje nuitos anos de morto lhe pesam  sobre a memória dos que a têm , esquecido  das novas gerações que dele não tem notícia .  Mas é ainda um resto de saudade para alguns, eu ou o Rocha entre esses, que passamos horas a relembrar os tempos  que não se extinguiram como estes tempos modernos em que um simples ministro declara pela própria lingua pátria que o tempo deixou de existir ou, mais  explicitamente, existe para essa remessa nova de vespas  da politiquice  cana de pesca onde se  vegeta a vida , mas não para professores que ensinam aos meninos e não só como será ou seria o futuro de um país. Vai daí o João Abrantes que depois veio a optar, melhor, a seguir a vida dos hoteis, tenho a certeza que não a de vocação mas de recurso , tal e qual como mais tarde se veio a sacramentalizar por  decretos  dando mais ou menos  por sorteio o futuro de cada um aquilo que lhe sai na rifa do imprevisto, sobretudo aos mais fragilizados que mal tem dinheiro para chegar ás universidades, quanto mais para investirem em exlicadores de ensino e de preparação de exames, fora  os dos domingos , feriados e dias santos, que essas costumam ir pelas vias de off-shores  e outras regalias a que o sacrificio de servir reinos e republicas dá direito absoluto.  Como ele , o João  Abrantes repito, para não perdemos o fio ao diabo da meada, trazia do Parque Mayer  uns ensinamentos actualizados para fazer revistas, não da crónica feminina nem da flama ou século ilustrado que era o que havia na  altura, mas revistas verdadeiras feitas no Parque Mayer ás escondidas do monstruoso Salazar que, comparado com os santinhos dos nossos dias era um herege mau cheiroso e só não "mamava" umas criancinhas ao pequeno almoço porque não autorizava comunistas nas repartições publicas. Eu próprio, pouco depois quando acabado  o meu curso de dia de semana, ao tempo não havia conhecimento dos cursos tirados aos domingos, feriados e dias santos de guarda, tive que declarar, apesar das minhas dúvidas sobre o que era coisa de comunismo, que o não era, nunca teria sido se tivesse conhecimento dele  e que no futuro o repudiaria com todas as minhas forças porque era assim que era, era assim que mandava a lei do Cerejeira e dele próprio, Salazar pai da Nação.Faço questão  de esclarecer que não estou a dizer que os mandantes de hoje são piores ou melhores que os de ontem, quanto muito serão a mesma coisa , em certas coisas melhores, em certas coisas piores , isto porque Portugal foi e será sempre  um país desiquilibrado, ou oito ou oitenta como diz o povo, mas  tal fenomeno dava-nos na altura assim como aos actores verdadeiros donde vinha afinal o João, um certo prazer ao fazer teatro e até ás vezes se pensava que a bem dizer até esclareciamos de certa maneira o povo com as piadas fora do carimbo da censura, pois neste mundo há e haverá sempre arte e magia para trocar as voltas ás palavras. Bom, fosse como fosse o João Manuel  mostrou o seu projecto e aderimos de imediato e entre umas ceias arranjadas no Ginásio, ou em casa dele,  exactamente do outro lado onde prenderam o Alvaro Cunhal,ou  na rua  Formosa à  Pia que ainda o não era na altura , mas que também servia de apoio ás peças , sobretudo porque escreviamos os quadros em cima dos pipos do pai do Rocha, e matavamos a sede no espicho para obter inspiração. Entre mim , a Fernanda Santos, o Federico de Brito, o António Rocha e o João , dito Manuel  ou Abrantes ou as duas coisas juntas, fizemos a prosa e adaptamos a musica da Corina Freire á versalhada que fui fazendo dia a dia.Arranjamos os artistas, às vezes com muitas dificuldades porque não se passava a libertinagem de então como se passa agora, o contexto era o da janela e o abraçar só nos bailes do  1º e Dezembro o outro clube da terra que ao sábado os organizava sempre com casa cheia.No fim,  ficou um único problema por resolver, o da censura, como diabo ia-mos fazer passar um texto inédito para uma revista provonciana na malha apertada das lapiseiras censórias que eram novidade na altura. Refiro-me ás lapiseiras, claro, porque a censura era velha, já estavamos  habituados a ela, o D.João !! utilizou-a e não esteve com meias medidas, cortou a cabeça a todos. e o Marquês de Pombal  fez o mesmo á tosse que veio de alguns. Ainda não havia tarrafal , apesar de tudo  uma coisa mais levezinha que as guilhotinas reais e qua ainda fazem falta em dose mais moderada.Deixamos o caso para pensar e começamos os ensaios, ora na sala do Casino, a mesma que agora os donos  não emprestan a ninguém , desde que levaram daqui o engarrafamento da água de Luso pelas estradas da Câmara da Mealhada abaixo,  e a sede para Cracóvia, na Polónia, onde os impostos da CEE estão a preços de saldo. A alternativa era o cine-teatro Avenida que estava  de porta aberta se não houvesse cinema , um espaço  sempre disponivel para ensaios  e  espectáculo desde os tempos da Sociedade Agricola do Valdoeiro do Messias Batista até a minha amiga a dona Hildegarda que adorava estes  artistas amadores que lhe levavam o teatro a casa. Ela morava sob a plateia do velho cineteatro e achava que a sala de espectáculos era um local de trabalho , ao contrário dos democratas de Abril que começaram a fazer cinemas novos com dinheiros da CEE  e entenderam que eram bons demais para o pagode dos palcos  e lá cediam a casa para o dia  do espectáculo porque hes dava jeito e popularidade, mas antes, que fossem ensaiar á cavalariça de algum vizinho  que não se podia estragar a sala, utilizando , ribalta , cadeiras estofadas e  camarins de primeira que ainda brilhavam á luz do sol  quando abriam de espanto  a cegueira dos olhos ou absorviam goela abaixo  orgulhosamente  as palmas que lhes não cabiam na barriga, uma pacovice portuguesa de arregalar a vista á ignorância activa,  Não sei se o inchar de sapo já foi de moda, mas  a minha amiga Hildegarda nunca teve esses preconceitos e se agente precisava  ensaiar ensaiva nem que fosse nas escadas da geral numerada ou no corredor dos camarotes velhos, algum tempo ainda forrados a setim vermelho que lhe dava um cheiro duma ópera de cidade , mas era apenas a ilusão do nosso desconhecimento que fabricava os sonhos mais espantosos!   Foi ainda o João Abrantes, dito também Manuel, manhoso como os sabidos de Lisboa , que foi buscar a Cascais para o pedido da licença  e para o cartaz da propaganda uma peça  já censurada ," Costa do Sol em Festa" com  a qual se obtiveram as autorizações necessárias para a subida á cena. Não com o  titulo emprestado como seria lógico supor, mas com o próprio nome de batismo que lhe deramos e respectivos textos que nada tinham a ver com o texto autorizado . Foi assim  que a revista se chamou "Alto Lá Com Isso ", uma obra  prima da nossa aventura e literatice que afinal  existindo,  não existiu. Não melhor nem pior que outra que se levou á cena mais tarde , o "Salve-se Quem Puder " com textos feitos no burgo , desta vez passando mesmo pelo aval da censura nas barbas do fiscal , comprado por umas palavras de bom gosto e inchaço de importância que lhe conseguimos dar como se fosse rei e senhor da pandega regional. Nem os textos ,senão em alguns fragamentos dfispersos , nem  gravação magnética ou digital, a segunda por não haver, a primeira pela raridade e custos do seu processamento ficaram de testemunho nesta biblia de engaços. Apenas fotografias, umas a preto outras a cores a relembrar gerações.  Portanto, postas as coisas neste pé, só o testemunho escrito bebido de oralidade e algumas saudosas fotografias não pode resistir ou impedir  a tentação  de registar aqui o nome de todos os participantes , com desculpas para a falta de alguém que, apesar de cuidadosa procura, pode escapar involuntáriamente á nossa boa vontade.

 

Iª parte      UM PEDIDO DE CASAMENTO, comedia em 1 acto de António Tchekhov, tradução de Correia Alves

Actores e personagens

Américo Leite :Stepan Stepanovitch Tchubukov

,Mário Penetra: Ivan Vassilyevitch Lomov

Maria Teresa Carvalho Natalya Stepanovna

 

 

IIª Parte Alto Lá Com Isso ,

Autores : Fernanda Santos,Frederido de Brito,Fernando Ferraz, António Rocha, João Abrantes.

Música de: Corina Freire

Actores:  António Santos:  ( Mr Bown, compere) João Malaguerra :( Zé dos Jornais,noivo,pescador,turista);  Manuel Figueiredo: ( Guarda do Lago,arrais,fadista) :Maria Aurora (camponesa,noiva,varina,) Maria S.José Leite: (camponesa,mãe,) Almira Pimenta: (camponesa,noiva,peixeira); Celsa Pimenta :(romeira,noiva,peixeira,) José Balau (romeiro,sacristão,pescador,director) , Graciete Leite :(noiva,cantadeira,fadista,peixeira,) Ernesto Santos: (noivo,lavadeira,guarda,director) Fernando Ferraz:( noivo ,caiador, lavadeira, candidata a actriz), António Rocha( Serafim, Delfim,Lavadeira,Candidata a actriz) Américo Leite:(Avô, ) João Abrantes (conta a história, como bate um coração),Maria Teresa Carvalho ( Micaela).  Alfama das Naus, quem vai na marcha :Maria de S.José,Graciete Leite,Celsa Pimenta,Almira Pimenta,José Balau,Ernesto Santos, Fernando Ferraz,António Rocha,Manuel Figueiredo,João Carlos,Fernando Rosa, João Malaguerra. Fonte de S.João , marcha final: Toda a companhia.

Autores: Como Bate um Coração : Nelson de Barros, e João Nobre , Na Rua dos Meus Ciumes : Fernando Santos e Frederico Valério, Fonte de S.João : Fernando Santos, Nelson de Barros, Frderico Valério.

 

Realização e direcção de cena de João Abrantes , Direção e execução musical de Alvaro Silva

Direção cenográfica e de montagem de Rogério Almeida , cenografia de Rogério Almeida, Fernando Rosa e João Carlos Santos,Assistência coreográfica de José Balau

Luminotécnica e sonoplastia de Joaquim ferreira e Manuel Figueiredo, jardins do 6º e 10º quadros executados por Francisco Carvalho, Ponto, Alberto Penetra,Contra Regra, Carlos de Castro, Maquinista Antero Maria, Carpinteiros de cena Plácido da Cruz e Albino Guedes,Materiais fornecidos pelas firmas ,Casa Zenith, Casa Triunfo, Farmácia Nova,Casa Ramalheira,Francisco Pereira Coelho, Manuel Abreu.  Os costumes folclóricos foram gentilmente cedidos pelos ranchos Tá-Mar da Nazaré e Tricanas de Aveiro . A realização deste espectaculo só foi possivel graças á gentil colaboração de Sociedade da Âgua de Luso e da empresa do Cine-Teatro Avenida.

 

Espectaculos em Cine Teatro Avenida do Luso: 12,13,19,20 Janeiro de 1963 ás 21,30

No Cine Teatro Messias, na Mealhada em

Todas as sessões esgotaram a lotação.

Extrato do livro "Luso,  Histórias Breves da Àgua e das Gentes"

22
Nov17

BARBEARIA DO POMPEU

Peter

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Antiga fotografia da Barbearia Pompeu, (último dono)

nas lojas inferiores do não menos velho Hotel dos

Banhos que hoje já não existe. Este Luso  esquecido

e desaparecido já não faz parte da memória  da terra.

Ao lado da barbearia  era também a Casa Zenith,

agente da philips, onde passaram as  primeiras

imagens da televisão a preto e branco que foram 

vistas na vila e  também em Portugal, e do lado do

mercado, vulgarmente praça, esteve a Tabacaria

Luisa.

Do hotel, dos azulejos que enfeitavam a parede ,

da sua  varanda e nespereiras onde repousavam 

os hóspedes,  tudo foi na destruição termal  que a

contemporaneidade desastradamente operou.

Uma terra sem memória e sem história é como

um ser  sem alma, um ser despido,nú, despojado

dum passado  que a modernidade e a falta de poder

arruinaram.

Duma época aurea que teve condições para

prosseguir pouco ficou e hoje esta terra , nas mãos

duma municipalidade que suga como um aspirador

história e bens á sua volta, não tem um emprego

para oferecer  aos filhos.

 

28
Out17

A FONTE AUTÊNTICA

Peter

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Bela fotografia (pormenor,) dum Luso de há cem

anos  na Fonte de S.João autêntica quando era

propriedade da freguesia do Luso, antes de ser

subtraída ao património local por Manuel Lousada, 

da Antes, então presidente da Câmara, depois

governador civil. Então foi objecto de grande 

contestação por parte dos naturais , quer a 

usurpação da fonte quer o transporte da água

até á localidade onde morava o autarca, na 

altura nomeado e não eleito.

15
Ago17

FOGO QUE ESPREITA

Peter

 

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Como se pode ver pela imagem a floresta selvagem 

frente ao Parque de Campismo do Luso  coloca em

perigo aquela estrutura turistica. Propriedade da

Câmara  da  Mealhada, este terreno , juntamente

com a Mata Nacional do Buçaco e os recentes fogos na

freguesia de Barcouço, ilustram bem as preocupações

e os cuidados que  autarquia dedica á protecção de

pessoas, de bens , de  interesses turisticos e

económicos do concelho.

Primeiro as festas e romarias que dão votos, depois

tudo o resto. Porém, vive-se no depois e não no antes.

Imagine-se o que seria se  esta não fosse uma

autarquia exemplar!!!!!!! (imagem de ontem)

 

 

 

 

 

22
Jun17

“NOMINA SUNT CONSEQUENTIA RERUM”

Peter

 

248.JPG

 Chamemos a isto seja o que for e demos-lhe o nome de democracia das coisas ao que muitos teóricos já chamam a post-democracia, aquela que nos chama periodicamente ás urnas como se fossemos ressuscitados de quatro anos de jejum , um acto estereotipado que começa  nas vésperas do dever ético do cidadão e acaba na noite dos vencedores apitando as charamelas pelos cantos do povoado. Uma democracia low cost , onde votar é uma performance psicológica que dura o espaço de tempo duma suja campanha eleitoral onde as figuras e as palavras se repetem, o comodismo se retracta, a promessa pacifica a vitima reduzindo-lhe o intelecto e capacidade e o homem se faz de herói antes de o ser num entrudo de interesses pessoais e duma classe política paupérrima a vomitar  cartilhas de oportunismo perante o insucesso da obra. Barões e baronetes partidários no meio dum neo-liberalismo ressuscitado a que se submeteu  conscientemente a Europa e a cultura ocidental mas que a maioria deles nem imagina o que seja ou para onde vai.

O paradoxo é que a participação do cidadão ou povo soberano , termina mesmo antes de começar, é nulo o activismo fora do bando partidário clubístico, é inexistente a clareza das ideias , dos actos e nenhuma a sabedoria . Vota-se no cidadão , no bigode ou na casaca , o mesmo cidadão que no tempo do império romano também não se discutia, impunha-se. Prometem-se paraísos entre festas pagas pela desgraça das vitimas  e, findo o festim , reparte-se o benefício pela irmandade dos eleitos. Só isso justifica que  Macron tenha chegado ao poder com quatro votos em cada dez franceses e á Assembleia nacional francesa com 32% por cento  de votos expressos. Os actores repetem-se, as cenas bisam-se e entre nós, quatro decénios depois duma revolução para modernizar as coisas, o cenário não melhorou , temos a mesma cidadania salazarenta da ignorância e do medo. O poder cultiva o engano e o silêncio e entope as leis na justiça. Ninguém pergunta  nem discute sobre os milhões  de euros que a comunidade europeia nos fez chegar ás mãos a custo zero nem sobre onde os gastaram os eleitos,  ou sobre as políticas que levaram o país á ruina e bancarrota, sobre a situação de  miséria e fome que pesa sobre dois milhões de compatriotas,  sobre a emigração dos jovens por falta de trabalho, sobre os que de mãos a abanar enriqueceram , sobre a corrupção que  cheira mal por todos os cantos , entre a qual a que levou a banca nacional á ruina que nos obrigam a pagar. Porque não se faz justiça neste país de cantadores domésticos onde parece haver gente acima de qualquer suspeita? Porque não funciona a justiça para imunes? Porque estão os mesmos galos sempre nos mesmos poleiros , morgados e barões da mediocridade que temos?

Estes e outros é que são os problemas concretos  e reais duma nação, os  que directamente nos afectam e que todos deveríamos ouvir a discutir na praça publica , pondo em causa decisões  e  as pessoas que protagonizaram e protagonizam a péssima gestão. Um complot de gente  e actos que nada tem a ver com os interesses comuns do povo português, cujos resultados desastrosos estão á vista. A ilusão passa de mandato em mandato, os tutores saltam de mão em mão e a natura selvagem para onde se caminha leva á sobrevivência de cada um, um salve-se quem puder!

Esta a via  do neo-realismo que a queda  do contrato social proporcionou arrastando uma Europa multicultural e pluralista, ética, moral e religiosamente, para um  abismo.  O poder que faz as coisas que a politica decide regressou aos interesses individuais, ao monopólio da riqueza, ao poder familiar, ao imobilismo , ao vazio das ideias, ao compadrio  dos partidos ou da maçonaria e renunciou ao humanismo, á sociabilidade, á justiça social que caracterizaram uma via de bem estar do mundo ocidental. Hoje, o povo soberano que fez um pós-guerra de esperança, ou o povo que mais ordena das líricas revoluções cada vez mais esvaziado de conteúdo humano, como bem refere o Papa da  igreja católica romana, sem direitos regulados , volta á escravatura do trabalho mal pago, quinhentos euros oferecem a Câmara de Coimbra e o Sr. Pingo, voltam á austeridade diária, à  descriminação, ao desemprego , á xenofobia perante Estados que perderam a capacidade de controle sobre o reequilíbrio entre o mundo do capital e o mundo do trabalho , um novo poder que deixou em roda livre o poder da exploração, das desigualdades e das assimetrias. Alguns incluem nisto o populismo , um populismo armadilhado por uma direita xenófoba que não sabe verdadeiramente para onde ir. De qualquer modo um trabalho de meio século que o ocidente perde em meia dúzia de anos. Um trabalho que a igreja católica aproveita porque também ela bebe da mesma cultura que construiu o mundo ocidental e espalhou por algumas partes do globo.

Na França, a geringonça dos partidos perdeu a guerra. As pessoas fartaram-se das tretas, da corrupção, da falta de emprego. Das esquerdas ás direitas, foram varridos pelo novel Macron, sem apelo nem agravo.

Por cá porém  o banquete continua e porque estas crónicas são preferencialmente locais , é oportuno ilustrar o que acontece todos os dias com a politicas(?) eleitorais dos nossos representantes. É assim a história simples dum amigo igual a muitas.

O meu amigo não é novo, tem netos e entre esses netos um é autista. Conheço o problema, conheço a criança e por alguma experiência e conhecimento sei quão doloroso , trabalhoso e melindroso é este assunto. E penso que o rapaz, é dum rapaz que se trata, poderia  aprender a falar, a escrever, a ter amanhã uma vida quase normal com aprendizagem  especializada. A família tem procurado  auxilio , mas o ensino público não tem resposta e os deuses do privado,  querem dinheiro, que o meu amigo nem a família tem. Por isto , esta criança amanhã , o que vai ser ou fazer? Fica a pergunta, mas devo acrescentar que não é caso único no município da Mealhada , casos que a Câmara se tem limitado a tratar  em algumas reuniões de que nada resulta para lá da retórica balofa de ignorantes do assunto . No ensino oficial que lhe dão, o único professor ensina a turma ou o autista , claro que deixa o doente á sua sorte porque não o pode atender , nem está preparado para responder ao desafio que a escola lhe propõe.

O que lamento, porque sou cidadão do município, e porque estamos em pré-campanha eleitoral, é que a Câmara da Mealhada tenha 14.000 (catorze mil euros)para pagar a um  cantor , 14.000 euros entre canto, músicos e comissionistas, e não passe de  reuniões ensaiadas para  colocar notícias em jornais na resolução dos problemas reais da população  como é o caso do autismo. O que lamento é que a câmara da Mealhada, o concelho onde resido, tenha centenas de milhares de euros para gastar em festas e foguetes em prol de duvidosos objectivos e se esqueça de quem precisa.

Todos os órgãos duma Câmara se deviam envergonhar ao delapidar o dinheiro do erário público e do cidadão em decisões politicamente erradas e eticamente vazias. Primeiro a cançoneta ou  primeiro a cidadania?  No meu entender,  isto não é política mas abuso de poder e não quero chegar ao ponto de lhe chamar corrupção, cada um julgará por si.  Com o dinheiro dos outros é fácil  fazer boa figura mas muito mais fácil fazer uma péssima figura. Uma figura inútil, desumana, leviana, de discutível moral. Sabendo a quantidade de festas que fazem as autarquias país fora para angariação de votos á custa do dinheiro dos nossos impostos, chamo a isto um esbanjamento abusivo da riqueza publica. Um mal licenciado pelo silêncio dum poder de governar que parece não existir  e se fica pelo conforto do gesto discricionário desse poder , pondo  em definitivo de parte o exercício político.

Um poder que, com a regionalização que se desenha, vai trazer um caos discriminatório ao país e ás pessoas.  

    ª( Titulo:Os nomes são consequência das coisas)                 Quinto All Mare,Génova,Maio,2017

 

 

28
Mai17

O CANDIDATO EGOISTA

Peter

cinemavelho.jpg

 A  PROPÓSITO DUMAS PALAVRAS A UM JORNAL

( Declarações do Presidente da Câmara da Mealhada ao Jornal da Bairrada on line que ao que se diz é subsidiado pela própria câmara ))

 

È interessante ler esta entrevista política dum homem responsável que se tornou um político irresponsável. O que aqui diz ou manda dizer pelo assessor que pagamos com os nossos impostos, deve ser para brincar na cara do cidadão e o do Luso, que me toca porque ali vivo e como dali sei, passa as raias da imbecilidade política. O descaramento politico é tamanho que leva a dizer o contrário do que na realidade  se passa e quem conheceu as Termas e as vê hoje sabe que são completamente irreconhecíveis. Aquela que já foi a maior freguesia empregadora do concelho, hoje não tem um emprego para oferecer a ninguém. De facto, nunca assim esteve em 165 anos de termas.

O Salvador do Luso, como já foi etiquetado o candidato á camara da Mealhada , de quem infelizmente a freguesia depende, começou a campanha eleitoral e a única coisa séria que devia fazer era calar-se ir-se embora pois envelheceu e com ela, ao que parece, as capacidades para ocupar o lugar político foram-se e sobreveio-lhe um onda para elogiar não o Trump, mas uma coisa parecida.

Ironicamente, o Luso deve  agradecer–lhe a riqueza em que vive, como confessa o próprio, referindo-se à fundação Bissaya Barreto, os únicos empresários  da terra que lhe mereceram preocupação e o apoio da Câmara, apesar dos lucros, se os tiverem, irem para Coimbra. Devemos agradecer-lhe igualmente o posto de Turismo, pois pelos vistos, confirma o próprio, seria sua intenção fecha-lo, substituindo-o pela aberração dum turismo na Sede do concelho onde os visitantes são tantos que ninguém consegue entrar. Já sabíamos que a intenção era essa , fechar o posto desde que o turismo é turismo e que existe na região  centro, o Luso, o Buçaco, a Curia, a Figueira da Foz. A tacanhez concelhia , aquilo a que eu chamo falta de sentido ou de cultura critica e amor ao chão do berço, apaga a grande cidade e o candidato afirmou que este Luso Buçaco deixou de ser um recurso turistico, vá-se lá saber o que o é, se o não é também a Curia , Monte Real ou a Figueira, o autarca o saberá. E decreta por seu punho e voz publicamente tal qual lhe parece a coisa.

Quer o Luso quer o concelho, parece que devem agradecer a defesa das Termas a este homem que um dia começou por ser seu defensor  com arruadas abrilinas e dias depois trocou a defesa politica das mesmas Termas por serviços prestados ao proprietário termal.  Disse tudo.O Luso deve-lhe agradecer a defesa do Bloco da Fisioterapia, suou estopinhas para defender a sua permanência na vila face á sua total transferência para a Mealhada. Mente quando diz que fez a reabilitação urbana do Luso ou construiu a nova Escola , não foi ele, foi o exercício anterior, no Luso o candidato fez uma retrete pública na melhor entrada do Lago , nos quatro anos de mandato.

O Luso-Buçaco deve-lhe agradecer a representação digna que tinha nas Feiras de Turismo de Lisboa ou de Madrid ia por sua mão e agora já não vai , porque foi agora apeado pelas  maravilhas mealhadenses, uma estúpida representação de turismo que só poderá existir na sua cabeça de político, pois na realidade  o leitão é gastronomia, o vinho enologia e a água é para beber. O que será pois

turismo para o político, a lagoa da Antes ou o odor das pocilgas da Mealhada?

Porque as Termas foram encolhidas, praticamente extintas com  licença camarária, o Luso deve agradecer-lhe consequentemente, o fecho dos bancos, dos correios, das pensões, dos negócios onde nem os chineses se seguram no lugar! O senhor candidato esqueceu o que fez enquanto presidente ou não se lembra que além de festas não fez mais nada ? Quando na campanha anterior prometeu apoio ás pessoas, queria dizer fazer festas, homenagens, heróis, ilustres, sábios, condecorados ?

Valha-nos Deus , valha-nos Zeca Diabo! Enganou-se completamente com a experiência política que adquiriu onde andou pela mão partidária que apoia e não apoia,  agora até cá traz um primeiro ministro do qual foi opositor quando se candidatou a secretário geral do seu partido. Ou não será o seu partido? Para secretário nacional não servia, agora serve para lhe branquear a imagem. As voltas que o teto dá para se manter empoleirado. Não tem sentido, não é a figura política que o Luso ou o concelho precisam.

Mas continuando, as Termas  devem agradecer-lhe o cinema , a ruina que está a cair. O dinheiro que recebe da freguesia por litro de água vendido não é suficiente para reconstruir o velho Teatro Avenida?  É suficiente para o da Mealhada, da Pampilhosa e para o Luso , não é ?  Não  pagamos impostos como os outros ? Somos cidadãos de segunda, ou o candidato anda a fazer de nós parvos? Mantem o segredo da política por onde gasta o dinheiro que recebe do litro de água vendido, que fique claro,  foi o Luso que lho deu para gastar prioritariamente na freguesia. Se não se lembra, eu conto-lhe a história . E o Luso não sabe, não é informado, não merece que lhe diga onde é gasto, e nem um tostão cá deixa?  E mais, o candidato sabe que não tem direito a ele, a empresa pode retirar-lho a qualquer momento que a concessão é do Estado, não da Câmara.
O Luso deve agradecer-lhe ainda a ruína da casa da Miralinda, da Avenida do Castanheiro, ou o incentivo ao Centro Social Nocturno, o acesso ao parque de campismo , a piscina dos campistas ou o parque de estacionamento...e a quinta do Alberto.

O Luso, senhor candidato , o Luso e Portugal, devem agradecer-lhe o crime patrimonial que andam a perpetuar no património comum que é a Mata Nacional do Buçaco. Não pergunte o que seria a Mata sem a Fundação, caro candidato, pergunte o que é o Buçaco com a fundação partidária que ali foi montada. Aqui, o caro candidato não sabe o que é o Buçaco, não sabe o que é património florestal, não sabe o que são os interesses do município onde mora. Pelos vistos vai ao hotel de carro e poucas vezes , pois não consta que seja cego.

Tenha vergonha de defender o estado miserável em que se encontra a Mata do Buçaco e o perigo de destruição que corre. Tenha vergonha, caro candidato , a Mata não é da Câmara da Mealhada, a Mata é Nacional e o senhor gasta o dinheiro que é nosso, que devia gastar em prol do munícipe naquilo que não nos pertence, mas sim a todos os portugueses e como tal são todos os portugueses que o devem pagar. E ainda que o quisesse fazer o seu dinheiro não chega, sabe-o tão bem como eu , e que nunca chegará. O senhor candidato promove a destruição do património Buçaco com consciência  politica plena do que está a fazer. Tem prazer ? Não sei , mas  não venha com amuos sobre os  plantadores das árvores, que se  saiba não actuam sem receber e muito menos os empresários dos mesmos , ou os que os trazem cá!! Nem os anjos do purgatório que ainda não tem o céu, vão hoje nessas campanhas dos tagarelas políticos. Está a fazer do eleitor ignorante? Mas isso era até de menos importância, não fosse a destruição da Mata Nacional que talvez nunca tenha passado por dias tão amargos como os de hoje , por que a única realidade é esta, o ciclone foi há quatro anos e a  Mata não foi recuperada. O resto é retórica partidária e de quem vence para o efeito rendimentos milionários e não apresenta serviço. Somos nós, o cidadão, que pagamos, caro candidato.Sim nós, o cidadão que ganha quatrocentos, seiscentos, oitocentos euros por mês e paga ás fundações cinco mil euros mensais para não apresentar resultados.

Isto que lhe digo pensam as pessoas e não lho dizem porque tem medo de represálias. Não da prisão, pior, é de não ter empregos ou de os perder. De perder os parcos salários que recebem para governar as famílias e pagar ao mesmo tempo vencimentos milionários a clientes partidários para fazer asneiras. E não vivemos no 24 de Abril, vivemos num 25 de Abril que nos custou a ganhar. Olhe por si e vá-se embora, era o melhor que fazia , além de politico era político e homem. Não venha outra vez de porta em porta enganar as pessoas através da gente simples que procura ou de agentes da igreja onde não vai ,para esses actos de campanha como um evangelizador a dar-nos o paraíso. O senhor candidato sabe que não fez nada, nem no Luso nem no concelho e nada vai fazer porque o país não tem dinheiro para um regabofe igual aos primeiros apoios comunitários que nos levaram áo déficit e á divida.

O partido que tão mal representa, tem que mudar de processos porque tem gente séria nova e capaz de trabalhar com afinco e dignidade em prol da população concelhia. O mundo vai mudar. O seu tempo passou, não espere que a cadeira se quebre como aconteceu ao outro. E como salvador do Luso, caro candidato, eu até sou seu amigo, vá pregar para outra freguesia porque só quem não conhece o Luso pode avaliar o achincalhar que o meu amigo faz nas afirmações politicas na cara das pessoas. Esta terra merece respeito , mais que o seu prazer brincalhão. Em política, não lhe perdoo o que faz á  minha terra e ás pessoas que ainda nela acreditam e na sua esperança de futuro.Porque o futuro continua, caro candidato , nem o candidato é o futuro nem o futuro acaba em si. E até o Luso e o concelho, hão-de continuar .

Não continue a mata-la ! Tem sido um péssimo mandato, caro Presidente !

PS-Ah, esqueci-me duma coisa , amigo salvador de pátrias, obrigado pela ótima secção ou polo da Escola Profissional que está a funcionar no Luso. Desculpe ,  já esquecia esta obra exemplar !!!

 

18
Mai17

PÁSCOA ; UM FANTÁSTICO FOLAR

Peter

 

DSCN4316[1].JPG

Uma imagem eloquente da Câmara da Mealhada...

 Finalmente a época pascal trouxe ao município um fantástico folar. Ainda as eleições vem no adro, em Outubro, mas o cesto dos ovos começa cedo  a encher, as galinhas poedeiras, rijas como um galo de idade já proveta, depois de quatro anos de fome deitam  fartura pelo rabo, uma espécie de multiplicação dos pães na época da ressurreição do Senhor, um milagre depois de quatro anos sem dinheiro e sem ideias , tirado da cartola  dos estrategas políticos  do concelho. As obras futuras que têm sido anunciadas na imprensa da região são tantas em quantidade e volume de custos que num país em crise e a viver na corda bamba duma divida tolerada é provavelmente  impossível a sua concretização!

Excluindo uma mina de ouro ou poços de petróleo descobertos no município, coisa que não aconteceu, só o melodrama dos votos pode justificar este empanturrar do eleitor com promessas  que o tempo dirá são balões de oxigénio para manter no poder o mesmo poder.  De resto, simples contas de somar e subtrair transformam a fartura das obras em  propaganda política, não se sabe se paga se gratuita, embora custe acreditar que a imprensa regional, vivendo ela própria a balões de oxigénio, se preste a um serviço sem retorno que lhe compense os gastos próprios. Adiante!

No caso destas permanentes notificações induzidas, que custam caro ao eleitor pelos jornais e assessorias de pré-campanha , cabe sempre o anúncio da recandidatura dum Buçaco extremamente degradado a património da Unesco denunciando a falta de transparência e  o engano, não existindo honestidade política neste desfraldar de bandeiras, visto que se trata de anunciar como novo aquilo que já tem barbas, retirando aos eleitos de 2004 a iniciativa do início do processo e a sua inclusão na lista nacional de candidatos a partir daquela data. Agora, limitam-se a relembrar a inclusão no Buçaco na lista entre comes e foguetes como novidade,  muito mal pareceria se o não fizessem como simples gestão  do dia-a-dia da Câmara, mas fazer de nós, eleitores, parvos ou ignorantes, ultrapassa a honestidade da politiquice caseira tomando-nos por esquecidos, tolos ou  bom campo de ludíbrio.

São os foguetes supérfluos, o logro e a sem vergonha política do pequeno poder local. O mérito se o haveria de haver, não está com esta gente mas com quem promoveu esse primeiro passo, porque o seguinte, o dossier de candidatura, nunca ninguém o entregou, continua aguardando entre as teias do edifício municipal pelos primeiros passos, embora já tenham sido, também na senda do mesmo logro, anunciados.

Mas voltando ao assunto inicial, convém perguntar porém onde vai buscar a tesouraria municipal verbas para uma Etar, dois mercados municipais, um edifício novo para Paços do Concelho, a remodelação duma escola Secundária, um teatro em fase de acabamentos, obras na Mata Nacional, a manutenção do Palace Hotel, etc,etc?

Palavra que as contas são difíceis de fazer , mas tornam-se fáceis em ano eleitoral, pois prometer não custa nada. Se o anterior mandato foi destinado às pessoas e se gastou o dinheiro em rijas festas, este irá ser destinado às obras e já se gasta em foguetes. Porque obras, obras, só  o aumento da etar ou uma contrução nova , a única coisa prioritária deste vasto e grandioso plano, poderá levar as disponibilidades autárquicas ao rasoiro das gavetas e esperar comparticipações  de fundos europeus vai ser uma lotaria duvidosa num Portugal que continua a necessitar de gerir rigorosamente os gastos e aumentar a riqueza com investimento reprodutivo. Como as autarquias não reproduzem nada, pergunta-se se isto é um festival de hipóteses, intenções e de moedas ao ar, questão de caras ou coroas.

O único sentido destas obras, diga-se, passa por dilatar em futuros mandatos políticos a sua execução e espalhar perfume de rameira na pré-campanha, onde nem sequer há uma oposição capaz para denunciar um poder que há trinta anos repete a mesma cartilha e hoje arruína as duas principais riquezas de contexto europeu que existem no pequeno município, o Buçaco e as Termas. É o chauvinismo concelhio, outra asneira dos políticos redutores que temos tido, ser ainda mais pequena a cabeça que o território e não ter oposição ou tê-la para dizer ámen por qualquer razão incógnita. Política sem opositores é uma casa sem mulher e pensar que tudo estará bem no silêncio que se escuta é o pior  sinal da podridão dum sistema.

Temos ainda presente a trama antiga que só a queda da cadeira conseguiu alterar nos seus alicerces dogmáticos. Hoje, na mesma esfera de limites, agarram-se à cadeira como as lapas às rochas das marés, gabam-se e festejam-se a si próprios e chegam à vergonha de afirmar que vão a jogo se...se decidirem por todos, se escolherem os outros, se mandarem por todos , uma maneira de armar em democracia pessoal quando Lisboa é que manda. Este condicional democrático que foi a democracia do que foi e é a democracia do que é, tem pouco suco para dar, está gasta e corrompida, precisa de ideias, de mudança, de seriedade  e de valores . É o regime que apodrece, não a política em si.

Estas exigências baronis, filtradas por funil de latoeiro em desuso, juntas com  afirmações irresponsáveis sobre o não destino turístico do Luso e do Buçaco feitas pelo edil do pelouro e suposto candidato aos microfones duma rádio , seriam suficientes para não ter condições para se recandidatar ao lugar que ocupa e que mediocremente exerceu no mandato que termina. Mas o concelho é frágil, dependente e pouco temerário na escassez da massa crítica de que enferma e dos empregos que distribui. Vivemos em brincadeiras de mau gosto onde se faz duma arte, a da política, uma mascarada de entrudos , onde nem uma oposição que tem o dever de se afirmar pelas suas próprias causas e soluções, existe  no terreno. Que razões estarão por trás deste aneurisma alguma vez se saberá?

PS. Cabe referir igualmente a inutilidade duma Asembleia Muncipal controlada pelo executivo, totalmente incapaz de dar uma para a caixa no concerto municipal . Entre afectos e do contra parecem da mesma confraria !

Quinto  ,Abril,2017                      Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

 

05
Mar17

AS TERMAS

Peter

CSC_0110[1]

N  este mês de Fevereiro as Termas do Luso mudaram de dono mais uma vez. Não sei se mudar de dono será o termo apropriado para sublinhar o fenómeno, pois um acontecimento contrário havido há poucos anos desmembrou a estrutura accionista da empresa em duas metades imperfeitas, metades essas agora devolvidas ao primitivo estado, ou seja, á posse do proprietário original, a sociedade das águas. Leva-nos a crer que tudo não passou de arranjos e desarranjos nas barbas dum poder político falido, um “trinta e um de boca” como diz o português, dada a aparente facilidade com que tudo se faz e se desfaz nas mãos do concessionário sem intervenção do concessor. Na prática um gestor que nunca fez falta á terra foi-se embora e outro que mantem algumas ligações á terra tomou conta da gestão, segundo as nossas fontes provisoriamente e dentro dum acordo que retira a propriedade termal a essa gestão independente através do ex-hotel das termas.

Na situação precária em que está a estância no que diz respeito a utentes e serviços prestados, este passo é mais um episódio da saga dos balneários que tinham os mil e seiscentos utentes que com frequência relembro antes da “requalificação “ ( já teve quatro mil)  e hoje nem atingem o número de seiscentos depois da “requalificação.” O desastre está na clara evidência dos números dêem-lhes as voltas que quiserem os intervenientes.

Se algo de positivo se sentiu em redor desde acto empresarial foi o recato, o pouco alarido em volta da questão, o que tanto pode significar coisa nenhuma como significar alguma prudência no assumir dum novo estilo, por falta de perspectivas ou definições sobre o futuro ou, como seria bom para o território, o enveredar cautelosamente por cumprir o contrato de concessão e ressuscitar o complexo termal e as valências que sucumbiram no investimento requalificativo, três milhões comparticipados a mais de setenta por cento pela CEE e não três milhões do bolso da empresa como quis fazer passar o seu orador oficial no acto testemunhado.

Se assim não for, será mais um passo em falso na valorização das termas e de todo o território municipal e este reassumir dum protagonismo na matéria não terá peso nem medida no tecido económico envolvente. O território, perante a incapacidade política de trinta anos de poder, precisa tanto das termas como de gente nova com massa cinzenta que desafie a estagnação existente e procure vias diferentes para o seu desenvolvimento,  bem situado mas perpetuamente  carente de ideias , desafios e apostas certas.

Nas termas, é a sociedade das águas quem recolhe o único proveito da maior riqueza existente no subsolo local mercê da concessão que tem do Estado Português e que, quer pelo contrato, pela legislação ou por simples dever ético deveria ser o motor do desenvolvimento local através da área que dirige e explora. Isso que faz parte da concessão de qualquer bem público e não tem sido cumprido, destruiu a vila termal, desfez empregos, fechou quartos e unidades de alojamento, arrasa o pequeno comércio, com a activa cumplicidade duma autarquia apostada numa política destrutiva. Em pouco tempo se acabou com o sonho dum homem sério e de visão, o único nascido neste concelho, Costa Simões, um pioneiro de olhos abertos e com amor e interesse pela sua terra.

No recente ato pronunciado, algumas palavras dos responsáveis terão pretendido dar garantia aos eventuais protocolos existentes, presumimos uma abertura ao exterior. São palavras apenas, oxalá esses desígnios sejam cumpridos e as estruturas termais não se venham a transformar num complexo privado ao serviço da unidade hoteleira que o abrigou, deixando o pouco que resta da vila termal ao abandono. Uma coisa é certa, enquanto o concessionário termal não der sinais doutra postura e prática consoante os deveres contratuais que englobam águas e termas, a pouca credibilidade mantem-se, as termas serão o anedotário em que se transformaram e sem investimentos e uma gestão criteriosa e agressiva continuarão a não trazer clientes como vem acontecendo.

De facto, se a concessionária, único beneficiário do bem que é a água da mina , não investe para lá da água engarrafada, quem irá investir num amanhã em que o próprio explorador do possuído não acredita?

Como o poder artesanal que nos governa, local e o nacional que é responsável pela concessão, e não a autarquia Câmara através do logro que faz passar por aí, estão por qualquer razão adormecidos, apenas as palavras proferidas no acto da mudança, ouvidas e escritas nos pequenos jornais locais deixam uma mínima nesga de profética esperança no sentido de que alguma coisa possa mudar no estabelecimento termal que venha a ter alguma repercussão positiva no município.

PS- A propósito de município, gostava de sugerir um peditório entre todo o cidadão deste concelho a favor da Câmara Municipal com o fim de ser utilizado na reposição dum vidro da cúpula da Fonte de S. João, um vidro que se encontra partido e estilhaçado há um ano, pois pelos vistos a autarquia não tem dinheiro para o comprar e mandar repor no sítio. Em simultâneo aproveitavam para pintar de azul o nojento rebordo da mesma cúpula que se encontra impróprio para ser visitado por qualquer turista ou cidadão. Como os autarcas não têm vergonha eu próprio colocarei á disposição, se necessário, uma lata de cinco litros de tinta para o efeito. É quanto basta!

Luso,Fevereiro,2017                                                                   

 

 

 

 

 

 

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