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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

17
Jul18

GIOCONDA E O FUTEBOL

Peter

gioconda.jpg

Aqui temos Gioconda do Museu do Louvre em Paris

com uma camisola da França vestida após a vitória no mundial

de futebol. Mas Gioconda não é francesa, dizem os italianos,

e com razão. Gioconda é italiana , o quadro foi  pintado por

Leonardo da Vinci o pintor  do renascimento florentino.

Mas Leonardo. o autor, replica o museu francês, ofereceu o 

quadro ao rei de França e entregou-lho em mão, embora esta

versão seja mais uma probabilidade que uma realidade.

A polémica instalou-se, mas para os compatriotas do autor o ato

ultrapassa a razoabilidade, Gioconda é uma obra da arte italiana 

de Leonardo e do renasciemento. . Em termos de autoria a arte

parece ser sem dúvida  um património transalpino.

Para  acicatar os ânimos, acrescentam da Itália, também a 

Marsigliese, ou Marselhesa, o hino nacional francês, foi escrito

em 1781 por Giovanni Battista Viotti um músico italiano de

Fontanetto Po , Vercelli e depois reescrito pelo francês  Rouge

de Lisle , um amador que sobre a obra original italiana terá

feito uma versão destinada a hino nas guerras  em curso.

A obra, como hino  francês, só foi oficializada em 1795 mas

sobre a sua autoria sempre existiram dúvidas.

 

 

 

27
Jun18

TOTAL ABANDONO

Peter

esplanada.jpg

A Explanada

 Como se vê, e não é tudo, isto está ao abandono. Fechado, 

esquecido, destruído. Por mil e um buracos, desde um cinema

sem telhado a um pavilhão em risco. Estamos no Luso,

Termas do Luso , ainda se diz. Com saudade.

Por um acaso infeliz da divisão administrativa pertence a um 

municipio chamado Mealhada, uma cidade deslumbrante.

No entanto é nesta freguesia do Luso que caiem todos

os turistas que  chegam ao concelho. Então fizeram

um pomposo posto de turismo na Mealhada , a pomposa cidade

e o do Luso, velho, com  mais de uma centena de anos de idade

é para acabar . Está  ainda aberto por favor dum sujeito especial

a quem tiram o chapéu e dão votos não se sabe bem porquê.

Acho que veio atrás da música. O que não tem importância,

também meu pai veio atras dela.Se bem ou mal é que não sei.

Ah,diferença é que  este faz festas e festanças. E dança.

O samba, acho eu. No caso do meu progenitor ele apenas

trabalhava. E até ganhava pouco! Mal. Muito mal.

Hoje querem inverter a curvatura do circulo e por 

egoismo , ganância , estupidez ou ignorância, tudo termos

da moralidade política, devo acrescentar, metem rodas nas

termas e  na Mata Nacionaldo Buçaco coisas cá da freguesia.

Para encravar a cidade no  meio do diabólico trânsito que  tem?

lago ruina.jpg

O LAGO DOS CISNES

Não. Nada disso. É que não lhes chegando a administração

nem os milhares de euros que a venda de água do Luso lhes

dá todos os anos,uma espécie de limpeza do que

éticamente não lhes pertence, insistem nas rodas. 

Querem as rodas. Querem aquilo que tendo , não querem

ter. Ou por outra querem dormir com as coisas como a

Mata Nacional e outras, na cabeceira da cama, na deslumbrante

cidade. Não vá o diabo tecê-las e acordarem sem elas.

Só assim se pode  entender a destruição operada.

Mas por mais que lhes ponham rodas as coisas não saiem

do sítio. Tal e qual como a barreira do Largo do Casino,

que caiu há uns meses com a chuva e não volta ao sítio por

si só. Nem que se pintem. Dizem que já cá veio uma engenheira,

se calhar alguma espécie, mas nada.

Por acaso fico espantado e ás vezes até incomodado com

tanta inteligência que há na sede do concelho onde eu nasci. 

Época balnear avante, não há onde o turista ponha o carro.

Não me tinha passado pela cabeça sequer que será para

o encanar para a deslumbrante cidade !!!!De facto há cada 

excelente cabeça!!!!! Não é de fracas moitas que sai um

bom coelho??Gordo, anafado, importante...

repuxo.jpg

 O REPUXO  PARA CIMA

Para mim é esperteza a mais. De cabeças de alho xôxo e

umbigos bem tratados. E cabeças de nabo! Sou burriqueiro, 

não sou cego e por bem  ou por mal conheço algum mundo!

Um mundo onde tudo corre para baixo.

Esqueci-me de informar que isto é sempre a descer e a

gravidade ainda existe .Não, não foi abolida.

Aliás a gravidade é muito mais certinha do que as rodas.

Se confiassem nela nada disto acontecia.

Mas não me admiro nada que qualquer dia façam  uma

fundação socrática para pôr a coisa a subir.  São espertos

para tanto, afinados como o mestre. 

Com a idade que tenho já nada me admira. Até já vi uns alguns

burros em corridas de cavalos!!! Embora nenhum  vencedor!

Vá lá agente entender para que serve pensar!

Mas o que é certo é que nem  Termas nem o diabo da Mata

Nacional se mexem. E os buracos são tantos e por tanto lado

que o municipio um dia vai á falência. Era  bom para uns e

maus para ouros. Como tudo na vida. Na life, meu !!!!

Era mau para os politicos mas talvez bom para o cidadão que

poderia ele própria remar a barca deste inferno e ter 

melhores resultados. E não gastava tanto dinheiro com eles.

Porque assim, com timoneiros de excelência , quer a minha

freguesia quer o concelho, estão absolutamente garantidos.

Só que eles pensam que não.

Ficam as photos  e aos meus amigos mealhadenses,

vítimas como eu e como nós , burriqueiros, 

da chafurdice da politica, permito-me um conselho, abram os

olhos. E podem crer que apesar de tudo os burriqueiros são

os que enxotam com ramos de  jibardeira a gente que

vai de burro. Não é tudo a mesma coisa!!!

 

22
Nov17

BARBEARIA DO POMPEU

Peter

vacuum.jpg

 

Antiga fotografia da Barbearia Pompeu, (último dono)

nas lojas inferiores do não menos velho Hotel dos

Banhos que hoje já não existe. Este Luso  esquecido

e desaparecido já não faz parte da memória  da terra.

Ao lado da barbearia  era também a Casa Zenith,

agente da philips, onde passaram as  primeiras

imagens da televisão a preto e branco que foram 

vistas na vila e  também em Portugal, e do lado do

mercado, vulgarmente praça, esteve a Tabacaria

Luisa.

Do hotel, dos azulejos que enfeitavam a parede ,

da sua  varanda e nespereiras onde repousavam 

os hóspedes,  tudo foi na destruição termal  que a

contemporaneidade desastradamente operou.

Uma terra sem memória e sem história é como

um ser  sem alma, um ser despido,nú, despojado

dum passado  que a modernidade e a falta de poder

arruinaram.

Duma época aurea que teve condições para

prosseguir pouco ficou e hoje esta terra , nas mãos

duma municipalidade que suga como um aspirador

história e bens á sua volta, não tem um emprego

para oferecer  aos filhos.

 

28
Out17

A FONTE AUTÊNTICA

Peter

12673_543446642338695_598138384_n[1].jpg

Bela fotografia (pormenor,) dum Luso de há cem

anos  na Fonte de S.João autêntica quando era

propriedade da freguesia do Luso, antes de ser

subtraída ao património local por Manuel Lousada, 

da Antes, então presidente da Câmara, depois

governador civil. Então foi objecto de grande 

contestação por parte dos naturais , quer a 

usurpação da fonte quer o transporte da água

até á localidade onde morava o autarca, na 

altura nomeado e não eleito.

13
Out17

PORTUGAL A ARDER

Peter

                aljubarrota.jpg

 A manhã de 20 de Agosto começou como vem sendo crónico no estio português a arder e com um primeiro ministro ausente numa missa em Barcelona por alma dos que morreram nas Ramblas. Lá , vitimas do terrorismo, cá , umas dezenas de vitimas das labaredas dos fogos orçamentados que ainda estão á espera duma missa ministeriável no Mosteiro da Batalha e duma justificação lógica para o estranho fenómeno  que se acredita piamente ser obra de Hefesto, o velho amigo deus grego ou de Vulcano o não menos antigo e companheiro romano dos tempos do nosso bisavô Viriato. Talvez umas lusas missas plagiadas resultassem melhor que as idas às desgraças da Catalunha à conta do erário, mas enfim a fé é que nos salva na escatologia circense que nos comanda o tempo.

Há 632 anos atrás, é sempre bom recordar, estávamos a festejar a vitória de Aljubarrota, o 14 de Agosto, conta a história pátria, quando mandamos de volta a casa os castelhanos de D. João I com o olho num outro João primeiro, mas este Mestre de Avis e monarca de Portugal. Não vieram os pacatos invasores de avião nem de comboio, vieram sim a cavalo por esses arroios fora, a peonagem atrás a pédibus calcantibus e regressaram da mesma maneira, segundo se conta, mas a trote e a correr, o rabo entalado entre as pernas baralhadas de rumo a Valladolid.

Não sei se estaríamos hoje melhor como europeus desta mítica Castela de Quixotes e Sanchos Pança ou se como europeus da Lusitânia , uma franja atlântica da antiga Ibéria mourisca onde a inépcia e a irresponsabilidade de quem herdou os chuços Portucalenses do bolonhês de Dijon mantém há dezenas de anos o lume em brasa . Como no oráculo de Delfos a chama mantem-se acesa iluminando os crentes e alimentando o negócio de sacerdotes e pitonisas que adivinham futuros muito pouco auspiciosos, como é fácil de prever se acaso vivêssemos no fabulário de Esopo entre homens e animais. Histórias dos deuses que a terra ainda cultiva entre nabos e nabiças para alimentar a sede de ingénuos e menos cultos deste teatro mundano de aparência moderna e vicentina.

Hoje, 20 de Agosto, passam igualmente 72 anos sobre a “Revolta do Luso”, aqueles distúrbios nascidos de amores termais no tempo em que a vila beneficiava da presença da PSP de Aveiro durante a época balnear quando duplicava em população, transformando-se numa pequena cidade bem maior e movimentada que as anedóticas cidades dos nossos dias, nascidas da idiotice da política e da saloiada de alguns politiqueiros que lhes dão formas absurdas aos desconhecer das urbes as virtudes e malícias. Foi um ingénuo baile de garagem que acalorou nos pares dançantes as teias frágeis do ciúme e que a polícia do estado transformou de imediato numa perigosa e eficaz revolução bolchevique. Corria o ano de 45 do século passado, terminavam-se preparativos da guerra mais destruidora entre europeus e outros e, não se fazendo então a coisa por menos, o Luso foi invadido por pelotões de intervenção que espalharam o terror entre habitantes e banhistas. Governava Manuel Lousada da Antes a câmara municipal dum vulgo atrasadíssimo e Salazar segurava a pulso as terras dos condestáveis, os pastores dos Hermínios nas tradições de Cícero.

Este é um episódio na nossa história comum, não contado em letras de imprensa e portanto ignorado na cabeça duns pobres Moisés que sem pecado original reinventam por aí destinos do turismo unindo os povos á volta da fogueira por meia dúzia de cobres, trocos dum bezerro de ouro inventado nas areias do Sinai, a alcoba imbecil dos nossos sonhos mais felizes e eternos, hoje a preços de saldo no cerne dos ungidos.

Acordei cedo neste 20 de Agosto e logo me aprestei para telefonar a um primo lisboeta que nasceu na Portela do Picado exactamente na noite da “revolução bolchevique”, setenta e dois anos pois que faz ela e que faz ele. Subtraindo a idade, na mesma casa e quarto com a mesmíssima assistência da Madalena parteira que se viu aflita, naquela noite medonha, para percorrer o caminho desde o Pistola á Portela e puxar o rapaz da barriga da mãe para fora com o auxílio das mãos. Curiosamente nascido na Portela e morador na Portela, um circulo vicioso em espiral se tal se pode conceber, a via deste meu primo. Mas foi quando levantei os olhos das vidraças do meu quarto que em linha recta terminam na Cruz Alta, que uma terrível nuvem negra percorria o cimo da serra pressagiada pelo vento assobiando nas arestas do alumínio, semelhante ao próprio fogo que vindo de Penacova poderia rebentar a qualquer instante encosta acima, galgar o aceiro emporcalhado de silvas e eucaliptos, sobrepor-se às ruinas do muro que cerca a Cerca e penetrar na Mata Nacional comendo o arvoredo. Afligi-me nos restos do coração remendado, restos que vão mexendo graças á limpeza periódica dos canais de irrigação e interroguei-me mais uma vez sobre a leviandade da politiquice barata, low cost, que á força de golpes de mão de colarinho branco vai inundando aquilo que nos pertence com a desfaçatez da ignorância da história, dos meios ou da ética que os locais, como as pessoas e os seus antecessores merecem. Moralmente não gostaria de estar na farsa em que estão metidos, não correria o risco por respeito ao património, seria incapaz de percorrer os caminhos da torpeza, da mentira, do porta a porta para ocupar lugares e segurar empregos fáceis como são os da política à portuguesa. Nunca mais dormiria tranquilo se o fizesse e visse arder o património como fruto e influência das minhas asneiras cívicas, como acontece com a fundação socrática da Mata Nacional do Buçaco, entregue á irresponsabilidade de uns patuscos que não responderão em juízo se a desgraça do fogo lhes bater um dia á porta. Esta é a situação dum património nacional, entregue sem noção do dever e prevenção dum futuro a uma dúzia de sujeitos escolhidos sem concursos, sem habilitações e sem responsabilização e auferindo proveitos do orçamento da nação, não directamente do Estado mas do saco municipal, o que não torna mais leve nem mais pesada a discrepância e o erro. O livre arbítrio na coisa pública !!!!

Quando acabei de conjecturar as minhas objecções eram horas de ir buscar ao rei dos meus leitões, o Soares da Vacariça, uma encomenda acabada de sair do forno para ser comida em família com a melhor companhia, essa mesma e própria família. Do Soares, um homem gasto pelo calor das vides e dos fornos, conheço há muitas décadas a excelência do produto, o melhor do melhor que se faz por aí a merecer a confiança de unidades hoteleiras como o Palace do Buçaco ou o Hotel das Termas, como seu fornecedor. Sem desprimor para os bons assadores que existem no concelho, permita-me o leitor destacar uma excelência que os políticos e as associações afins esquecem, talvez porque não está na beira da estrada nacional, porque não corre atrás dos eleitos na babugem do mando ou porque não perspectiva votos em tempo de eleições. É homem sério, trabalhador e livre que honra a qualidade dum produto local com a excelência do seu trabalho. Aqui registo este particular e modesto tributo, porque de facto, entre os príncipes á volta, o António Soares é o autêntico rei do leitão assado à Bairrada. Na velha Vacariça, com pergaminhos!

Da parte da tarde, quando voltei a levantar os olhos ao meu ponto na Cruz Alta já a nuvem negra se tinha dissipado, apesar de o cheiro da combustão da carrasca continuar a impregnar o ar que se respirava. Ainda assim, não é desta que o fogo lambe o Buçaco, pensei satisfeito ao confirmar o pouco cuidado que a Câmara mealhadense dedica á prevenção dos incêndios florestais. No ano que passou e debaixo das suas próprias barbas ardeu a estrada 234 entre a Mealhada e os limites do concelho, na portela de Sula, este ano por pouco não ia abaixo a freguesia de Barcouço. Não se pode dizer que exista alguma política na autarquia para prevenir incêndios, bem pelo contrário, a começar pelas festas e foguetório bem se pode pensar que o laxismo e o improviso são a política, contrariando afinal a propaganda das notícias que aparecem por ai na imprensa contratada. Em mais um dia em que Portugal arde, hoje vai no centésimo oitavo fogo em directo na televisão, o cidadão vai comendo a farsa da almofadada campanha eleitoral, pantomina controlada pelos cordelinhos de quem tem na mão o erário de todos. Doutro modo, Angola faz mais ou menos o mesmo com menor subtileza!!!!

Luso, Agosto, 20, 2017                                        ÀguasdoLuso@sapo.pt

09
Set17

FAVELA

Peter

DSCN5199[1].JPG

Não, não é uma favela do Rio de Janeiro mas uma

paisagem turistica aqui bem perto de nós, no

coração das "ditas" termas...ex do Luso....deste

Luso que não nos deixa de espantar....com

o seu turismo festeiro..

31
Ago17

Ladeira do Chafariz

Peter

RSCN5214[1].JPG

 Aspecto da Ladeira do Chafariz uma velha rua

do Luso de Além , hoje no seu estacionamento

empedrado, depois de ter sido uma rua em

macadame e alcatrão.

Serviu carroças e burros , ronceiros carros de bois

e, como se pode ver neste boneco batido, ainda

mantém  o seu perfil urbano e citadino.

Agora, sem lugar para  peões já não dá acesso

á Pensão Portugal nem á Pensão  das Termas

e  muito menos é palco de relatos de hóquei

patins dos tempos áureos do Jesus Correia,

do Cruzeiro, do Correia dos Santos, do Lisboa

e Perdigão ou do Emidio, guarda redes.

É uma rua  velhinha duma terra que perdeu

o seu encanto e romantismo e deixa apenas

saudade pelo que foi e que não é.

 

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