Quinta-feira, 19 de Abril de 2018

CULTURA DO CENTRO

DSCN5202.JPG

 Na minha terra já minha mãe, tios, primos e vizinhos faziam teatro de amadores juntamente com a sua geração e durante muitos anos continuou nas mãos da cultura popular o promover da arte do nobre Talma sem que passasse pela cabeça dos voluntários artistas um subsídio estatal. A geração seguinte, onde incluo minhas parcas intenções e dotes herdados, continuou o drama e a comédia que já vinha de trás com jeitos de diversão e entretenimento e evidentemente cultura, ainda que em muitos sem a noção, porque este palavrão cultural tem que se lhe diga, quer no conteúdo, quer nos meios, quer no estrato social onde vai cair. Seriamos amantes e amadores provincianos, curiosos intrusos dum interior esquecido, criadores de geração espontânea, de culto tradicional romeiros ou rameiros do pagode de aldeia, já que o verdadeiro espetáculo desta casa comum sempre se limitou a repolhos e alfaces dos palcos de Lisboa, a cabeça, por excelência, da macrocefalia nacional. Nesta matéria, como noutras, se insistiu durante séculos no monopólio do gosto, daí o ditado velho de Portugal ser Lisboa e o resto ser paisagem. Esta pouca ou nenhuma atenção para este movimento de amadores que algumas vezes alastrou com escala nacional nunca foi habituado a subsídios, elogios e benesses e muito menos aproveitado como potencial escola ou oficina, uma base natural que existia no país e que poderia, se aproveitada e motivada, contribuir de algum modo para elevar o grau dessa mesma cultura e instrução nos meios menos acessíveis.

Se é certo que o advento da televisão trouxe consigo o apagar quase total deste papel participativo das populações locais sobre o palco, utilizando adereços cívicos, tradicionais e culturais do próprio meio, também é certo que a televisão além de o matar esqueceu-o, excluindo de si e dos seus fins aquilo que poderia ser utilizado, incentivado e aproveitado em benefício de todos, tendo em mente a comunidade linguística e social que somos. Porque também a televisão tem pertencido á mesma macrocefalia da capital, também ela tem sofrido das mesmas enfermidades e só a fartura de autoestradas e quilómetros as tem tentado ultimamente a dar alguns passos, mesmo assim na perseguição do lucro e não na cultura, esta mais pindérica que outra coisa.

Nas últimas décadas, porém, a juntar-se aos poucos grupos que resistiram ao tempo e às dificuldades, surgiram algumas companhias profissionais de novas escolas nas principais cidades e juntaram-se ao rol dos subsídios atribuídos pelo ministério da Cultura, não os amadores, mas os projetos dos grupos profissionais, os quais são, por escassos e escolhidos, sujeitos á competição entre eles, ainda que com muito pouca clareza. Cresceram direções regionais de cultura com o seu diretor regional, um elemento nomeado conforme a política que ganha o poder para representar os seus interesses, mas naturalmente também a comunidade de atores e grupos profissionais da respetiva área. Isto continua a não retirar a macrocefalia a Lisboa, nem na letra da palavra nem na doutrina política, mas é um passo, ainda que não definitivo como sempre acontece na história que nos acompanha.

Queixam-se as companhias do Centro que a directora regional Celesta Amaro, não dará assistência ,nem apoio ,nem incentivo capaz aos grupos militantes existentes o que a ser verdade não faz senão continuar o traçado comum de sucessivos governantes  para quem a cultura é o Centro Cultural de Belém ou o Estádio da Luz, aos quais se pode juntar o estapafúrdico novo Museu dos Coches que, nascido numa bela cavalariça real do Palácio de Belém, foi transferido para um armazém de carroças na lateral da mesma praça com euros da CEE , sem  beleza e desnudado como Deus o pôs ao mundo, se fosse matéria humana como aquilo que representa.

Se tem andado mal a senhora como dizem as notícias, pelo menos é simpática, garantem os grupos, três deles em Viseu e um em Coimbra que receberem subsídios, mas também os restantes que não o receberam. Será pouco para a zona centro entre concorrentes que não sabemos quem foram nem quantos foram? Naturalmente será, mas nada foi para amadores, esses eternos amantes que se tentam espalhar de novo país fora. A cultura ministeriável é reservada a gente mais erudita e snobe, aos outros, o povo acrítico e alegre, bastará o Quim Barreiros, o amoroso Paulo, as novelas e as fogosas meninas das nossas televisões apocalípticas. A cultura é feita para o voto, não é o povo que faz a cultura, essa, a autêntica e genuína, vive na idade média do caminho, por ser coisa pouco vista ou apoiada por quem o devia fazer. Estranhamente, até os municípios encheram o país de cineteatros, comumente para servir os espectáculos das companhias da capital, raramente para estar abertos á cultura local como palco e escolas de aprendizagem nesta área das artes. Porquê? Regra geral porque não se pode estragar a estrutura e os seus equipamentos, que, sem essa componente livre e local, acabam por servir para pouca coisa.

Mas o mais estranho e caricato da questão, voltando á cultura do Centro, que na verdade em pouco ou nada se dá por ela, a coisa passa pelo regozijo que a simpática diretora regional mostrou ao passar recentemente por uma associação não apoiada elogiando-a, pelo facto da referida “não incomodar a administração central a pedir dinheiro “. No outro dia, na porta do seu gabinete em Coimbra, tinha pendurado um letreiro sucinto mas esclarecedor, “Não incomodar”.

A cultura do Centro, como se vê, a considerar este absurdo comentário, está em boas e simpáticas mãos. Só que Viseu não seguiu os conselhos da diretora e arrecadou os seus trocados, não se sabe por intermédio de quem, mas isso também é coisa normal nos subsídios públicos. Seja como for, num país onde a pedinchice é uma instituição pode ser d’outra maneira?

 Bolzano, Abril,2018

 

 

 

 

publicado por Peter às 18:28

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

FORMOSA À PIA

 

DSCN5224.JPG

  N ão é comprida nem larga, podia chamar-lhe beco, viela, mas quis a toponímica oficial que se chamasse rua e assim figura o nome na identificação ainda que se lhe não conheça a ponta onde se pega o início ou se prolonga o fim. Porém é antiga, dos tempos em que o Luso não passava de dois pequenos lugares na nascente da ribeira dos Moinhos. Um denominado da Igreja, a nordeste, o outro, de Além a sudoeste, ligados pelo antigo caminho do Sentido. Esta via seria então o caminho principal da povoação descendo da Igreja aos milheirais da linha de água que atravessava numa rústica ponte, para subir do outro lado até às traseiras da Pensão Portugal que nasceu muito depois. Cortando na perpendicular o que veio ser mais tarde a Francisco Grandela, atravessava depois a “futura” rua da Pampilhosa na garagem do Joaquim Rocha, estrada nascida nos tempos de Emídio Navarro, quando mandou executar a urbanização das termas do Luso, uma das mais velhas urbanizações com pés e cabeça levada a cabo neste país de improvisos. Tão bem planeada que ainda hoje subsiste a sua modernidade e não fosse a desordenada e anárquica gestão municipal a cercear a continuação do trabalho iniciado há mais de um século e continuaria a vila a ser um exemplo na história. A velha estrada ou caminho, no soco urbano, era pois parte do chamado caminho do Sentido, que entalado entre as traseiras da Portugal e as novas habitações, veio a ser, nos cem metros em causa, a rua Formosa à Pia dos dias actuais. Metros de percurso que continuavam a meia encosta pela Quinta do Viso, pelo posterior do Casal Filomena, pelo Vale da Ribeira, Curral Velho, Quinta do Sentido e Louredo, antes de existir a estrada actual para Sazes, Lorvão e Penacova. Claro que falamos de alguns sítios e lugares não existentes na altura e doutros que foram em paralelo surgindo com o desenvolvimento das Termas, o evidente motor do crescimento do sítio.

Se viajando no tempo voltássemos á tarde do dia 29 de Junho de 1628 assistiríamos à chegada dos primeiros obreiros do Convento do Buçaco á casa dos arcos que ocuparam na “Formosa à Pia,” assim chamada porque o primeiro piso assentava sobre arcadas, arquitectura típica dos seculos catorze e quinze. Chegados de Aveiro, eram eles Frei Tomás de São Cirilo, Frei João Batista e Alberto da Virgem, carregando consigo três cobertores para a cama, uns peixes para a boca e dez cruzados para o começo da obra. Mas logo a 25 de Julho seguinte se lhes juntaram Frei Bento dos Mártires, Frei António do Espirito Santo e o irmão flaviense António das Chagas, oficial de alvenaria. Foi dali que subiram diariamente à serra para preparar os terrenos e lançar a primeira pedra do edifício no dia 7 de Agosto do mesmo ano e nos finais do mês já os encontraríamos definitivamente instalados no Buçaco. A 19 de Março de 1630 deram por fim início á vida em comunidade.Da estadia no Luso ficou a casa até há bem pouco tempo, quando foi sobre ela erguida uma segunda e moderna habitação no cotovelo que junta em meia dúzia de degraus a Pia à rua da Pampilhosa.

Ora quando a partir dos meados do séc. XIX o Luso iniciou o seu percurso termal que curiosamente o município recusou em sessão de Câmara despoletando a solução duma sociedade por quotas, o crescimento deu lugar á construção de novos edifícios cujo número foi aumentando década após década, foi para a via do Sentido que foi aberta a porta da cozinha da Pensão Portugal na qual o proprietário incluiu uma taberna cujo balcão de atendimento dava para a mesma rua, viela ou travessa. O vinho para uso da pensão era porém guardado na cave em frente, em velhas pias de azeite que serviam de garrafeira improvisada empilhadas umas sobre as outras e onde o Adelino, jovem filho do casual taberneiro, de vez em quando juntava os amigos  em convívios petisqueiros que não seriam molhados a água da fonte, mas sim a vinhos da pia. E porque o álcool trepasse ou a moderação faltasseno equilíbrio dos corpos e das coisas, sucedeu que um dos convivas caiu dentro duma pia numa noite fria de Inverno, vendo-se grego o grupo para o levantar do assento, e no dia seguinte, já nas instalações do Luso Ginásio Club que funcionava no cotovelo do sul, resolveram rebaptizar a rua que ao tempo não tinha nome com a denominação de Formosa. Pudera!Mas Formosa era já a rua da Ti Nazaré atrás da Lusa ao Outeiro do Bodo , no outro lado, o da Igreja onde a Nazaré possuía  negócio de loureiro com uso de vários anos  e donde o Barraqueiro era decano com outros  frequentadores da Oliveira da Sorte e também palco que o Alves do Monte Novo não raro utilizava para declamar o seu “fufu carago, fufu” antes de subir Velal acima quando conseguia ultrapassar , ziguezagueando, a Fonte do Castanheiro. A solução foi acrescentar à pia a formosura e assim, no ano de 1958, numa tarde de sol, foi organizada a cerimónia do batismo começada e acabada com um discurso do Vladimiro , filho da D. Olga dos Correios e com a presença dos moradores do beco e convidados. Rua Formosa à Pia foi o nome sublinhado em honra á pia do azeite, consequência da bondade do vinho como a posteridade supõe e supõe bem, sem enoturismo e sem gralhas da politiquice.Cinquenta anosdepois,indo casualmente a uma sessão de Câmara a proposta oficial por um nome naquela artéria, concordou o executivo camarário unanimemente com a denominação e assim foi registada nos regulamentos toponímicos locais e nas placas que lhe dão hoje o suficiente identificar.

PS- Crónica escrita a pedido dum morador que forneceu dados essenciais sobre o assunto em razão de duvidosas questões sobre as origens do nome. Aqui fica a narrativa sobre o quanto é sabido da Rua Formosa, À Pia.

 

publicado por Peter às 08:11

link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

BARBEARIA DO POMPEU

vacuum.jpg

 

Antiga fotografia da Barbearia Pompeu, (último dono)

nas lojas inferiores do não menos velho Hotel dos

Banhos que hoje já não existe. Este Luso  esquecido

e desaparecido já não faz parte da memória  da terra.

Ao lado da barbearia  era também a Casa Zenith,

agente da philips, onde passaram as  primeiras

imagens da televisão a preto e branco que foram 

vistas na vila e  também em Portugal, e do lado do

mercado, vulgarmente praça, esteve a Tabacaria

Luisa.

Do hotel, dos azulejos que enfeitavam a parede ,

da sua  varanda e nespereiras onde repousavam 

os hóspedes,  tudo foi na destruição termal  que a

contemporaneidade desastradamente operou.

Uma terra sem memória e sem história é como

um ser  sem alma, um ser despido,nú, despojado

dum passado  que a modernidade e a falta de poder

arruinaram.

Duma época aurea que teve condições para

prosseguir pouco ficou e hoje esta terra , nas mãos

duma municipalidade que suga como um aspirador

história e bens á sua volta, não tem um emprego

para oferecer  aos filhos.

 

publicado por Peter às 09:33

link do post | comentar | favorito
Sábado, 28 de Outubro de 2017

A FONTE AUTÊNTICA

12673_543446642338695_598138384_n[1].jpg

Bela fotografia (pormenor,) dum Luso de há cem

anos  na Fonte de S.João autêntica quando era

propriedade da freguesia do Luso, antes de ser

subtraída ao património local por Manuel Lousada, 

da Antes, então presidente da Câmara, depois

governador civil. Então foi objecto de grande 

contestação por parte dos naturais , quer a 

usurpação da fonte quer o transporte da água

até á localidade onde morava o autarca, na 

altura nomeado e não eleito.

publicado por Peter às 22:08

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

UMA CASA

casa.jpg

Uma casa no esquecimento de anos  e anos

de abandono também tem  o seu lugar no

património local.

publicado por Peter às 23:12

link do post | comentar | favorito
Sexta-feira, 13 de Outubro de 2017

PORTUGAL A ARDER

                aljubarrota.jpg

 A manhã de 20 de Agosto começou como vem sendo crónico no estio português a arder e com um primeiro ministro ausente numa missa em Barcelona por alma dos que morreram nas Ramblas. Lá , vitimas do terrorismo, cá , umas dezenas de vitimas das labaredas dos fogos orçamentados que ainda estão á espera duma missa ministeriável no Mosteiro da Batalha e duma justificação lógica para o estranho fenómeno  que se acredita piamente ser obra de Hefesto, o velho amigo deus grego ou de Vulcano o não menos antigo e companheiro romano dos tempos do nosso bisavô Viriato. Talvez umas lusas missas plagiadas resultassem melhor que as idas às desgraças da Catalunha à conta do erário, mas enfim a fé é que nos salva na escatologia circense que nos comanda o tempo.

Há 632 anos atrás, é sempre bom recordar, estávamos a festejar a vitória de Aljubarrota, o 14 de Agosto, conta a história pátria, quando mandamos de volta a casa os castelhanos de D. João I com o olho num outro João primeiro, mas este Mestre de Avis e monarca de Portugal. Não vieram os pacatos invasores de avião nem de comboio, vieram sim a cavalo por esses arroios fora, a peonagem atrás a pédibus calcantibus e regressaram da mesma maneira, segundo se conta, mas a trote e a correr, o rabo entalado entre as pernas baralhadas de rumo a Valladolid.

Não sei se estaríamos hoje melhor como europeus desta mítica Castela de Quixotes e Sanchos Pança ou se como europeus da Lusitânia , uma franja atlântica da antiga Ibéria mourisca onde a inépcia e a irresponsabilidade de quem herdou os chuços Portucalenses do bolonhês de Dijon mantém há dezenas de anos o lume em brasa . Como no oráculo de Delfos a chama mantem-se acesa iluminando os crentes e alimentando o negócio de sacerdotes e pitonisas que adivinham futuros muito pouco auspiciosos, como é fácil de prever se acaso vivêssemos no fabulário de Esopo entre homens e animais. Histórias dos deuses que a terra ainda cultiva entre nabos e nabiças para alimentar a sede de ingénuos e menos cultos deste teatro mundano de aparência moderna e vicentina.

Hoje, 20 de Agosto, passam igualmente 72 anos sobre a “Revolta do Luso”, aqueles distúrbios nascidos de amores termais no tempo em que a vila beneficiava da presença da PSP de Aveiro durante a época balnear quando duplicava em população, transformando-se numa pequena cidade bem maior e movimentada que as anedóticas cidades dos nossos dias, nascidas da idiotice da política e da saloiada de alguns politiqueiros que lhes dão formas absurdas aos desconhecer das urbes as virtudes e malícias. Foi um ingénuo baile de garagem que acalorou nos pares dançantes as teias frágeis do ciúme e que a polícia do estado transformou de imediato numa perigosa e eficaz revolução bolchevique. Corria o ano de 45 do século passado, terminavam-se preparativos da guerra mais destruidora entre europeus e outros e, não se fazendo então a coisa por menos, o Luso foi invadido por pelotões de intervenção que espalharam o terror entre habitantes e banhistas. Governava Manuel Lousada da Antes a câmara municipal dum vulgo atrasadíssimo e Salazar segurava a pulso as terras dos condestáveis, os pastores dos Hermínios nas tradições de Cícero.

Este é um episódio na nossa história comum, não contado em letras de imprensa e portanto ignorado na cabeça duns pobres Moisés que sem pecado original reinventam por aí destinos do turismo unindo os povos á volta da fogueira por meia dúzia de cobres, trocos dum bezerro de ouro inventado nas areias do Sinai, a alcoba imbecil dos nossos sonhos mais felizes e eternos, hoje a preços de saldo no cerne dos ungidos.

Acordei cedo neste 20 de Agosto e logo me aprestei para telefonar a um primo lisboeta que nasceu na Portela do Picado exactamente na noite da “revolução bolchevique”, setenta e dois anos pois que faz ela e que faz ele. Subtraindo a idade, na mesma casa e quarto com a mesmíssima assistência da Madalena parteira que se viu aflita, naquela noite medonha, para percorrer o caminho desde o Pistola á Portela e puxar o rapaz da barriga da mãe para fora com o auxílio das mãos. Curiosamente nascido na Portela e morador na Portela, um circulo vicioso em espiral se tal se pode conceber, a via deste meu primo. Mas foi quando levantei os olhos das vidraças do meu quarto que em linha recta terminam na Cruz Alta, que uma terrível nuvem negra percorria o cimo da serra pressagiada pelo vento assobiando nas arestas do alumínio, semelhante ao próprio fogo que vindo de Penacova poderia rebentar a qualquer instante encosta acima, galgar o aceiro emporcalhado de silvas e eucaliptos, sobrepor-se às ruinas do muro que cerca a Cerca e penetrar na Mata Nacional comendo o arvoredo. Afligi-me nos restos do coração remendado, restos que vão mexendo graças á limpeza periódica dos canais de irrigação e interroguei-me mais uma vez sobre a leviandade da politiquice barata, low cost, que á força de golpes de mão de colarinho branco vai inundando aquilo que nos pertence com a desfaçatez da ignorância da história, dos meios ou da ética que os locais, como as pessoas e os seus antecessores merecem. Moralmente não gostaria de estar na farsa em que estão metidos, não correria o risco por respeito ao património, seria incapaz de percorrer os caminhos da torpeza, da mentira, do porta a porta para ocupar lugares e segurar empregos fáceis como são os da política à portuguesa. Nunca mais dormiria tranquilo se o fizesse e visse arder o património como fruto e influência das minhas asneiras cívicas, como acontece com a fundação socrática da Mata Nacional do Buçaco, entregue á irresponsabilidade de uns patuscos que não responderão em juízo se a desgraça do fogo lhes bater um dia á porta. Esta é a situação dum património nacional, entregue sem noção do dever e prevenção dum futuro a uma dúzia de sujeitos escolhidos sem concursos, sem habilitações e sem responsabilização e auferindo proveitos do orçamento da nação, não directamente do Estado mas do saco municipal, o que não torna mais leve nem mais pesada a discrepância e o erro. O livre arbítrio na coisa pública !!!!

Quando acabei de conjecturar as minhas objecções eram horas de ir buscar ao rei dos meus leitões, o Soares da Vacariça, uma encomenda acabada de sair do forno para ser comida em família com a melhor companhia, essa mesma e própria família. Do Soares, um homem gasto pelo calor das vides e dos fornos, conheço há muitas décadas a excelência do produto, o melhor do melhor que se faz por aí a merecer a confiança de unidades hoteleiras como o Palace do Buçaco ou o Hotel das Termas, como seu fornecedor. Sem desprimor para os bons assadores que existem no concelho, permita-me o leitor destacar uma excelência que os políticos e as associações afins esquecem, talvez porque não está na beira da estrada nacional, porque não corre atrás dos eleitos na babugem do mando ou porque não perspectiva votos em tempo de eleições. É homem sério, trabalhador e livre que honra a qualidade dum produto local com a excelência do seu trabalho. Aqui registo este particular e modesto tributo, porque de facto, entre os príncipes á volta, o António Soares é o autêntico rei do leitão assado à Bairrada. Na velha Vacariça, com pergaminhos!

Da parte da tarde, quando voltei a levantar os olhos ao meu ponto na Cruz Alta já a nuvem negra se tinha dissipado, apesar de o cheiro da combustão da carrasca continuar a impregnar o ar que se respirava. Ainda assim, não é desta que o fogo lambe o Buçaco, pensei satisfeito ao confirmar o pouco cuidado que a Câmara mealhadense dedica á prevenção dos incêndios florestais. No ano que passou e debaixo das suas próprias barbas ardeu a estrada 234 entre a Mealhada e os limites do concelho, na portela de Sula, este ano por pouco não ia abaixo a freguesia de Barcouço. Não se pode dizer que exista alguma política na autarquia para prevenir incêndios, bem pelo contrário, a começar pelas festas e foguetório bem se pode pensar que o laxismo e o improviso são a política, contrariando afinal a propaganda das notícias que aparecem por ai na imprensa contratada. Em mais um dia em que Portugal arde, hoje vai no centésimo oitavo fogo em directo na televisão, o cidadão vai comendo a farsa da almofadada campanha eleitoral, pantomina controlada pelos cordelinhos de quem tem na mão o erário de todos. Doutro modo, Angola faz mais ou menos o mesmo com menor subtileza!!!!

Luso, Agosto, 20, 2017                                        ÀguasdoLuso@sapo.pt

publicado por Peter às 11:03

link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 4 de Setembro de 2017

FOI ABAIXO...

011.JPG

Mais velha que todos nós, sem apelo nem agravo

foi abaixo por ordem da Câmara da Mealhada...

Sem hipóteses!!!!

Manda a democrácia !!!!

 

 

publicado por Peter às 22:04

link do post | comentar | favorito
Domingo, 20 de Agosto de 2017

ENGOLIR SAPOS VIVOS

 

DSC_0011.JPG

Na sala de visitas das Termas do Luso , esta obra prima destaca-se

N o estranho mundo partidário, os barões, á boa maneira lusitana, candidatam-se aos lugares políticos num caricato absolutismo como se fossem representantes exclusivos da democracia, da sabedoria e do poder. Neste caso do poder, ele de facto está tão mal repartido e exercido que a rua é o seu lugar, a influência o seu exercício, a dependência a sua autoridade, a irresponsabilidade a sua filosofia, a traficância o meio.

Não bastando a falta de compromissos qualificados e quantificados perante os eleitores, uns candidatos de Pedrogão Grande, onde recentemente se representou uma tragédia nacional de graves consequências, “marimbaram-se” para os militantes partidários e escolheram-se a eles próprios para candidatos às eleições. Os militantes revoltados queixaram-se, com razão, que serviriam apenas para pagar cotas e a coisa veio nos jornais mercê da visibilidade actual daquele concelho. Parece ser o Costa que vai apagar o fogo!

Curiosamente, o mesmo se passou no partido que detém o poder no município da Mealhada. O candidato a candidato, ao mesmo tempo presidente cessante com quase quarenta anos de tarimbeiro, se é que isso significa alguma coisa, escrupuloso quando Lisboa democraticamente o associou a uma candidatura, acabou por meter a viola no saco e fez o que fizeram em Pedrogão, proclamou-se candidato sem a opinião dos militantes e  aval dos órgãos próprios, como primeiro referiu quando lhe convinha armar-se em democrata. Para os militantes  não foi um grande exemplo da democracia que se cultiva no seio destes açambarcadores de poder, arautos dum paraíso concelhio que não existe, apenas apregoam, com assessores que o erário  público paga a favor dos seus propósitos  políticos. Há exemplos. No dia 2 de Agosto, um cheiro nauseabundo de pocilgas percorria a Mealhada para receber os clientes da fileira do leitão, mas o fenómeno fica na gaveta das omissões, não vá prejudicar os candidatos que não mexeram uma palha para resolver a questão que se arrasta há muitos anos. Tal como escondem ou não divulgam os dados oficiais sobre o turismo no concelho, todos eles coincidentes no retroceder das receitas nos últimos anos, bem como da diminuição da oferta de quartos e outros serviços, uma resposta inequívoca à incompetência que grassa na política levada a efeito nesta matéria pelo edil do turismo, o próprio presidente da autarquia, ou a situação actual das Termas do Luso, onde os balneários, em pleno Verão e mês de Agosto estão praticamente “às moscas” como sói dizer-se e a terra é invadida por romeiros de fim-de-semana a que chamam turistas sim, mas de pé rapado e garrafões na mão que nada deixam de riqueza no local. Esta é de facto a triste realidade a que chegou o concelho com um edil do turismo mais apostado na omissão das verdades que na procura de saídas para os problemas grandes e graves que o município enfrenta. Bastam-lhe “barbaridades” gratuitas como o não destino turístico ou o acabar da marca Luso-Buçaco que tem século e meio de existência e que hoje pretendem substituir por Mealhada-Buçaco para fazer da sede do concelho aquilo que não é. Esta sofreguidão irracional só tem trazido prejuízos ao território e não pode ter futuro sustentado porque lhe falta exactamente a sustentação de meios. A massa crítica nesta matéria é muito pobre e aquela que existe, fruto dos 150 anos de actividade termal, reside nas termas e é cuspida para fora da carroça do poder. Os destinos turísticos não se fazem a martelo e a picão, como se pensa na autarquia, são fruto do meio, do tempo e da experiência que se adquire em anos e anos de trabalho árduo e cujo saber e cultura tem que ser respeitado e aproveitado. Aqui, em vez disso, delapida-se por inveja ou por ciúme o saber acumulado. A total irresponsabilidade!

Outro tanto é a incapacidade autárquica junto do poder central no sentido de fazer cumprir ou renegociar a concessão da água, cujo contrato, que envolve o desenvolvimento do complexo termal, não está a ser rigorosamente cumprido. Estratégia turística para o concelho não há e a única que funciona vem da aposta na área desportiva na sequência do Centro de Estágios, uma estratégia que nasceu no Luso e não na cabeça ôca dos autarcas camarários, como hei-de relatar.

Não contente com estes fenómenos o candidato convidou para o seu elenco partidário gente do PSD, o seu real inimigo, não se sabendo hoje quem é quem dentro das listas que amanhã irão a sufrágio nem os “complôs” que sustentam estas manobras “maquiavélicas”, troca-tintas de quem disse cobras e lagartos dum partido, o socialista. Jogos de traficâncias políticas ou de troca de favores em que o candidato é perito, dá-nos ensejo para pensar que o PSD tem duas listas, uma própria, outra por procuração, casos da Mealhada e o do Luso, onde o partido, por escolha do “candidato senhor e amo” e não das dezenas de militantes locais que pagam quotas, continua a apostar no PSD. Quem quiser votar no partido socialista neste concelho, tem pois que engolir sapos e lagartos para seguir as bizarrias dum eterno candidato que só cai com a cadeira.

Por sua vez a autarquia , infelizmente um dos maiores empregadores num município onde a riqueza é escassa e pouco retributiva, tem um orçamento apetecível para o meio e como tal é objecto das influências da polítiquice local, perante um pequeno círculo de vinte mil habitantes. Não é segredo para ninguém que os partidos fora da área do mando têm tido dificuldade em compor as suas listas, exactamente porque as pessoas se desculpam com o emprego precário deste e daquele familiar que as autarquias, as fundações, as seitas e outros compadrios mantêm á laia de favor. O medo de represálias, ainda que o voto seja secreto, vive-se, alimenta-se e impõe-se hoje, exactamente como nos tempos de Salazar, uma vergonha nascida da municipalização impreparada e imune a que assistimos e que funciona em roda livre e profissionalizada por amadores bem pagos. A democracia rasca ou de low- cost  onde a transparência é nula.

Tenho andado a escrever há muito tempo nestas meras crónicas pessoais que a Câmara nunca terá dinheiro suficiente para recuperar o Buçaco, e na semana passada, o candidato e ainda presidente de um mandato onde não fez absolutamente nada para além de manter em serviço as mordomias das festas, reconheceu perante o novo secretário de Estado das Florestas em visita á serra, que não tem esse dinheiro para recuperar o património do Estado, e não terá nunca acrescento eu, que ando neste mundo há tempo demais para acreditar em milagres e promessas de tarimbeiros relapsos. Patético, simplesmente patético, este reconhecer forçado duma realidade que logo na altura se mostrou á evidência não ser possível e cujo desfecho se ficou a dever á própria Câmara que recusou do Estado a comparticipação, optando por meter-se num sarilho donde não pode facilmente sair, um erro imperdoável que nos tem custado caro em termos financeiros e patrimoniais. Registe-se que por tal motivo esta é a única fundação que não recebe do Estado qualquer verba.

Para acabar, outra coisa que me cheira a mofo e bolor nestas fanfarronices eleitoralistas, são as comissões de honra, algo anacrónico num tempo desmultiplicado pela digitalização da fibra óptica, smartphones e hologramas! Quando era novo e participava na organização de bailes, presidiam o Messias, o Figueiredo, o Melo, uma garantia á virgindade que hoje não se usa por escassez de donzelas !  Esses remakes dos salamaleques e da camisa TV são fenómenos absolutamente desparasitados, faziam parte integrante do espirito dum Estado Novo que morreu velho ou não morreu.  Acho-as coisas obsoletas, doentias, expressão dum saudosismo que as sociedades actuais já não interiorizam nem com alma nem com razão. Como me cheira igualmente a traça e bafio aquela gente da minha terra que assume cargos políticos para bronzear os dourados e nem sequer abre a boca na defesa do lugar onde nasceu. Honradamente quem vai para pagar jeitos com a boca do silêncio, era melhor abster-se, também honradamente. Uma retrete em quatro anos é um péssimo serviço prestado e no entanto há quem goste!

 O mundo  mudou há muito tempo, aqui nada mexeu!

Luso,Portela do Picado, Agosto,2017                                Águasdoluso.blogs.sapo.pt

publicado por Peter às 18:07

link do post | comentar | favorito
Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

FOGO QUE ESPREITA

 

RSCN5188[1].JPG

Como se pode ver pela imagem a floresta selvagem 

frente ao Parque de Campismo do Luso  coloca em

perigo aquela estrutura turistica. Propriedade da

Câmara  da  Mealhada, este terreno , juntamente

com a Mata Nacional do Buçaco e os recentes fogos na

freguesia de Barcouço, ilustram bem as preocupações

e os cuidados que  autarquia dedica á protecção de

pessoas, de bens , de  interesses turisticos e

económicos do concelho.

Primeiro as festas e romarias que dão votos, depois

tudo o resto. Porém, vive-se no depois e não no antes.

Imagine-se o que seria se  esta não fosse uma

autarquia exemplar!!!!!!! (imagem de ontem)

 

 

 

 

 

publicado por Peter às 10:53

link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

“NOMINA SUNT CONSEQUENTIA RERUM”

 

248.JPG

 Chamemos a isto seja o que for e demos-lhe o nome de democracia das coisas ao que muitos teóricos já chamam a post-democracia, aquela que nos chama periodicamente ás urnas como se fossemos ressuscitados de quatro anos de jejum , um acto estereotipado que começa  nas vésperas do dever ético do cidadão e acaba na noite dos vencedores apitando as charamelas pelos cantos do povoado. Uma democracia low cost , onde votar é uma performance psicológica que dura o espaço de tempo duma suja campanha eleitoral onde as figuras e as palavras se repetem, o comodismo se retracta, a promessa pacifica a vitima reduzindo-lhe o intelecto e capacidade e o homem se faz de herói antes de o ser num entrudo de interesses pessoais e duma classe política paupérrima a vomitar  cartilhas de oportunismo perante o insucesso da obra. Barões e baronetes partidários no meio dum neo-liberalismo ressuscitado a que se submeteu  conscientemente a Europa e a cultura ocidental mas que a maioria deles nem imagina o que seja ou para onde vai.

O paradoxo é que a participação do cidadão ou povo soberano , termina mesmo antes de começar, é nulo o activismo fora do bando partidário clubístico, é inexistente a clareza das ideias , dos actos e nenhuma a sabedoria . Vota-se no cidadão , no bigode ou na casaca , o mesmo cidadão que no tempo do império romano também não se discutia, impunha-se. Prometem-se paraísos entre festas pagas pela desgraça das vitimas  e, findo o festim , reparte-se o benefício pela irmandade dos eleitos. Só isso justifica que  Macron tenha chegado ao poder com quatro votos em cada dez franceses e á Assembleia nacional francesa com 32% por cento  de votos expressos. Os actores repetem-se, as cenas bisam-se e entre nós, quatro decénios depois duma revolução para modernizar as coisas, o cenário não melhorou , temos a mesma cidadania salazarenta da ignorância e do medo. O poder cultiva o engano e o silêncio e entope as leis na justiça. Ninguém pergunta  nem discute sobre os milhões  de euros que a comunidade europeia nos fez chegar ás mãos a custo zero nem sobre onde os gastaram os eleitos,  ou sobre as políticas que levaram o país á ruina e bancarrota, sobre a situação de  miséria e fome que pesa sobre dois milhões de compatriotas,  sobre a emigração dos jovens por falta de trabalho, sobre os que de mãos a abanar enriqueceram , sobre a corrupção que  cheira mal por todos os cantos , entre a qual a que levou a banca nacional á ruina que nos obrigam a pagar. Porque não se faz justiça neste país de cantadores domésticos onde parece haver gente acima de qualquer suspeita? Porque não funciona a justiça para imunes? Porque estão os mesmos galos sempre nos mesmos poleiros , morgados e barões da mediocridade que temos?

Estes e outros é que são os problemas concretos  e reais duma nação, os  que directamente nos afectam e que todos deveríamos ouvir a discutir na praça publica , pondo em causa decisões  e  as pessoas que protagonizaram e protagonizam a péssima gestão. Um complot de gente  e actos que nada tem a ver com os interesses comuns do povo português, cujos resultados desastrosos estão á vista. A ilusão passa de mandato em mandato, os tutores saltam de mão em mão e a natura selvagem para onde se caminha leva á sobrevivência de cada um, um salve-se quem puder!

Esta a via  do neo-realismo que a queda  do contrato social proporcionou arrastando uma Europa multicultural e pluralista, ética, moral e religiosamente, para um  abismo.  O poder que faz as coisas que a politica decide regressou aos interesses individuais, ao monopólio da riqueza, ao poder familiar, ao imobilismo , ao vazio das ideias, ao compadrio  dos partidos ou da maçonaria e renunciou ao humanismo, á sociabilidade, á justiça social que caracterizaram uma via de bem estar do mundo ocidental. Hoje, o povo soberano que fez um pós-guerra de esperança, ou o povo que mais ordena das líricas revoluções cada vez mais esvaziado de conteúdo humano, como bem refere o Papa da  igreja católica romana, sem direitos regulados , volta á escravatura do trabalho mal pago, quinhentos euros oferecem a Câmara de Coimbra e o Sr. Pingo, voltam á austeridade diária, à  descriminação, ao desemprego , á xenofobia perante Estados que perderam a capacidade de controle sobre o reequilíbrio entre o mundo do capital e o mundo do trabalho , um novo poder que deixou em roda livre o poder da exploração, das desigualdades e das assimetrias. Alguns incluem nisto o populismo , um populismo armadilhado por uma direita xenófoba que não sabe verdadeiramente para onde ir. De qualquer modo um trabalho de meio século que o ocidente perde em meia dúzia de anos. Um trabalho que a igreja católica aproveita porque também ela bebe da mesma cultura que construiu o mundo ocidental e espalhou por algumas partes do globo.

Na França, a geringonça dos partidos perdeu a guerra. As pessoas fartaram-se das tretas, da corrupção, da falta de emprego. Das esquerdas ás direitas, foram varridos pelo novel Macron, sem apelo nem agravo.

Por cá porém  o banquete continua e porque estas crónicas são preferencialmente locais , é oportuno ilustrar o que acontece todos os dias com a politicas(?) eleitorais dos nossos representantes. É assim a história simples dum amigo igual a muitas.

O meu amigo não é novo, tem netos e entre esses netos um é autista. Conheço o problema, conheço a criança e por alguma experiência e conhecimento sei quão doloroso , trabalhoso e melindroso é este assunto. E penso que o rapaz, é dum rapaz que se trata, poderia  aprender a falar, a escrever, a ter amanhã uma vida quase normal com aprendizagem  especializada. A família tem procurado  auxilio , mas o ensino público não tem resposta e os deuses do privado,  querem dinheiro, que o meu amigo nem a família tem. Por isto , esta criança amanhã , o que vai ser ou fazer? Fica a pergunta, mas devo acrescentar que não é caso único no município da Mealhada , casos que a Câmara se tem limitado a tratar  em algumas reuniões de que nada resulta para lá da retórica balofa de ignorantes do assunto . No ensino oficial que lhe dão, o único professor ensina a turma ou o autista , claro que deixa o doente á sua sorte porque não o pode atender , nem está preparado para responder ao desafio que a escola lhe propõe.

O que lamento, porque sou cidadão do município, e porque estamos em pré-campanha eleitoral, é que a Câmara da Mealhada tenha 14.000 (catorze mil euros)para pagar a um  cantor , 14.000 euros entre canto, músicos e comissionistas, e não passe de  reuniões ensaiadas para  colocar notícias em jornais na resolução dos problemas reais da população  como é o caso do autismo. O que lamento é que a câmara da Mealhada, o concelho onde resido, tenha centenas de milhares de euros para gastar em festas e foguetes em prol de duvidosos objectivos e se esqueça de quem precisa.

Todos os órgãos duma Câmara se deviam envergonhar ao delapidar o dinheiro do erário público e do cidadão em decisões politicamente erradas e eticamente vazias. Primeiro a cançoneta ou  primeiro a cidadania?  No meu entender,  isto não é política mas abuso de poder e não quero chegar ao ponto de lhe chamar corrupção, cada um julgará por si.  Com o dinheiro dos outros é fácil  fazer boa figura mas muito mais fácil fazer uma péssima figura. Uma figura inútil, desumana, leviana, de discutível moral. Sabendo a quantidade de festas que fazem as autarquias país fora para angariação de votos á custa do dinheiro dos nossos impostos, chamo a isto um esbanjamento abusivo da riqueza publica. Um mal licenciado pelo silêncio dum poder de governar que parece não existir  e se fica pelo conforto do gesto discricionário desse poder , pondo  em definitivo de parte o exercício político.

Um poder que, com a regionalização que se desenha, vai trazer um caos discriminatório ao país e ás pessoas.  

    ª( Titulo:Os nomes são consequência das coisas)                 Quinto All Mare,Génova,Maio,2017

 

 

publicado por Peter às 15:36

link do post | comentar | favorito

.mais sobre mim

.as minhas fotos

.Abril 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.posts recentes

. CULTURA DO CENTRO

. FORMOSA À PIA

. BARBEARIA DO POMPEU

. A FONTE AUTÊNTICA

. UMA CASA

. PORTUGAL A ARDER

. FOI ABAIXO...

. ENGOLIR SAPOS VIVOS

. FOGO QUE ESPREITA

. “NOMINA SUNT CONSEQU...

. PÁSCOA ; UM FANTÁSTICO FO...

. AS TERMAS

. AINDA O CINEMA

. ALICE

. SALTIMBANCOS DO LUSO

. O SEXTO WC DO LAGO

. BREVE HISTÓRIA DUM FOGO

. A INUTILIDADE DA POLITICA...

. LUSO , ADEUS CLÍNICA DEN...

. EPPUR SI MUOVE!!

. ÁGUA IMPRÓPRIA

. PONTOS NOS iii

. FONTE DE S.JOÂO

. ...

. TURISTAS AOS MOLHOS

. ÁGUA QUINTA MARAVILHA

. PROPRIEDADE DO ESTADO

. A BTL DO LUSO-BUÇACO

. LUSO,ÁGUA IMPRÓPRIA

. TURISMO

. CHAVES VIVE/LUSO MORRE

. O CINEMA ESTÁ A CAIR

. PURISSIMA E COM GÁS !

. LUSO COM GÁS...

. CHEIROS QUE NÃO CHEIRAM

. LUSO,O COLAPSO TERMAL

. FUMOS TÓXICOS

. HEINEKEN BEER

.arquivos

. Abril 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Dezembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Junho 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Agosto 2012

. Maio 2012

. Março 2012

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

.tags

. todas as tags

.favorito

. ♥ Lay all your love on me...

.links

.as minhas fotos

.bandeira

badge
blogs SAPO
RSS