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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

27
Set18

MUNICÍPIO DE CASTIGO ?????

Peter

...de castigo está o Municipio todo por causa dos quinhentos mil euros que vão ser gastos em todas essas obras"...

fonte cor1.jpg

 Estas são palavras do senhor Marqueiro presidente da Câmara a propósito dos gastos com a recuperação do lago, piscina e cafetaria nas Termas do Luso, palavras proferidas na última Assembleia Municipal. Não se pode estar senão em absoluto desacordo politico com a sua opinião. Por variadas razões. E cito.

Em primeiro lugar porque 500 mil euros são cem mil contos antigos que hoje mal chegam para comprar três assoalhadas; segundo porque a obra do pavilhão foi lançada e executada sobre a responsabilidade do próprio; terceiro porque lendo as actas da Câmara ou o orçamento anual é fácil encontrar soma  maior com carnavais, festas, assessores ,almoços e quejandos; quarto porque nunca a Câmara fez manutenção ás estruturas do lago e pavilhão; quinto porque deve entrar aqui a história dos dois ou três cêntimos que a Câmara recebe da Sociedade da Água do Luso por  litro de água vendido que deviam ser gastos na freguesia do Luso. E vou explicar porquê para que fique claro a proveniência desta verba que a autarquia arrecada em segredo, no mínimo estranho ou comprometedor, quando a lei exige clareza e rigor na informação financeira que passa para os munícipes.

Sem dúvida que na origem desta verba está a geminação Luso/Contrexeville, geminação efetuada quando era poder na Câmara e na freguesia do Luso, o PSD. Esta geminação é a Eva do parto dos tostões litro, a fonte do contrato de amizade que mais tarde nos levou,  Junta de Freguesia e Junta de Turismo, em tempos já socialistas, àquela cidade francesa na continuação de visitas anteriores. Eram Homero Serra e Jorge Carvalho pela freguesia, António Gonçalves, o empresário Carlos Alberto  e eu próprio pelo turismo e fomos nós que nos apercebemos do desafogo financeiro de que gozava o município gaulês, bem como das muitas estruturas termais e turísticas que ali existiam. Um estádio municipal, piscinas, centro hípico, um pavilhão, do qual foi trazida mais tarde a cópia para o pavilhão do Luso.

Do desafogo da Câmara local dava-nos conta Simone, a nossa anfitriã em França, solícita a receber, instalar e trocar informações ou a incentivar a nossa atuação, o que nos abriu um caminho. Foi o caso dos cêntimos/litro de água na altura em francos que a empresa das águas de Contrexeville dava á Mairie (Câmara) por cada litro de água vendida. Trouxemos  connosco a ideia na mala dum regresso com a esperança no bolso, um desafogo para a freguesia e capacidade para executar  obras emblemáticas que vinham de longe como o parque de campismo ou a reconversão da Quinta do Alberto, dos nossos pais e avós que á Câmara  interessavam muito pouco. Mas também o pavilhão, o campo de futebol (onde estagiava a selecção francesa) uma piscina , uma biblioteca, um museu de hotelaria .Eram  portas aos sonhos impossíveis. Porque se tratava de sonhos a ideia cresceu e ganhou forma, neste mundo nada acontece por acaso, nasce de ideias, do conhecimento, do raciocínio e só depois os actos. Sonhos ingénuos dum tempo em que se ofereciam á caridade as senhas da Assembleia Municipal ou as remunerações da Junta !

Mas foi quando metemos nisto Marqueiro, o presidente da Câmara, e relembremos que a geminação era apenas Luso/Contrex,  surgiram os problemas, porque o órgão freguesia não teria capacidade legal para assinar estes contractos ,(hoje duvido) perante uma lei que não é igual para todos, como hoje continua a não ser, retirando o poder ás Juntas de Freguesia, ao contrário do que acontece na França onde todos são municípios , grandes ou  pequenos, todos tem o poder de serem donos de si próprios e dos seus destinos.

Como havia um litígio, litigio que nem tinha razão de ser porque a concessão termal é do Estado e não do município, a decorrer entre a Câmara e a Água de Luso no tribunal de Anadia, para não perder a oportunidade concordamos em que o contrato fosse intermediado pela Câmara  e assim foi  o presidente da câmara a concretizar o negócio.

Um péssimo negócio para o Luso porque a autarquia “fechou-se em copas” até hoje com falta de ética, de seriedade e de transparência política! Até hoje sem especificar de forma publica a todos os munícipes o quanto recebe, porque o recebe ou o que faz a este bónus anual, receita que julgo, a maior parte dos munícipes deste município até desconhece. Isto parece-me extremamente incorreto, é a falta total de seriedade, rigor e transparência da gestão publica no que ao cidadão pertence e é devido saber. Segredo e autoritarismo que a câmara sobrepõe á lei  da transparência que exige textualmente rigor e informação clara.

Em linhas gerais esta é a história dos cêntimos /litro que ainda hoje se recebem e, fazendo umas contas bem simples, nos cerca de quinze anos passados que a Câmara leva da receita destas águas do Luso que podemos estimar  entre 300/400 mil euros anuais, dependendo das vendas da empresa , dará totais na ordem dos  cinco /seis  milhões de euros até hoje.

Quanto exatamente? Não sabemos. Foram gastos no Luso? Não. Onde foram empregues? É segredo. Que benefícios teve a freguesia?  Nenhum.

É um segredo, que espero esteja escondido no silêncio dos números orçamentais no grupo de contas que lhe compete , mas que não se consegue distinguir na nudez dos algarismos quando afinal todo o cidadão tem o direito de saber.

Por estas razões , não se vê pois onde ficará o município  prejudicado como diz o edil, com o que gasta no Luso, primeiro porque não gasta estes tostões que são do Luso na freguesia, segundo porque a vitima é de facto o mesmo Luso que em mandato e meio que leva do pobre “remarque” politico de edilidades marqueiristas, só viu a obra duma retrete publica depois de fazer ensacar na tesouraria da câmara  o robusto prémio da  água, provavelmente á volta de um milhão e meio dois milhões de euros  Um presidente assim talvez precise de óculos para ver melhor a política que faz ou de tomar um aditivo cerebral para lhe lembrar os contratos e as verbas. Amando tanto esta terra ,  que faria se não amasse!

Amar não deveria preocupar um presidente eleito, deveria sim ser um veículo de respeito por cada uma das peças que são as freguesias do seu município e regular o seu valor intrínseco. Respeito pelo território, pelo património e pelas suas gentes como um todo. E já que uma obsoleta divisão política administrativa concentra o dinheiro num ponto, há que alargar esse centro até aos limites do território, isto é, em vez sacar o que resta a cada freguesias devia  crescer num todo até atingirmos um dia a cidade comum. O contrário é o absurdo, o esvaziar dum chão já de si carente, isolado , sem ideias nem estratégias.

Se na realidade o Luso e as termas ou o Buçaco estão muito mal, as outras freguesias infelizmente não estão melhor e se o edil  não tem dinheiro é porque o tem gasto em festas, jantares, assessores, feiras e foguetórios e até se deu ao luxo de mandar para casa uma professora diretora da escola profissional, onde depois estranhamente colocou um marçano como diretor politico. Por isso pagou a autarquia com os impostos de todos nós munícipes, cinquenta ou sessenta mil euros de indeminização á vítima, no cumprimento dos caprichos do ego presidencial. Não sabemos de outras razões. Finalmente gostaria que o cidadão comum soubesse também como se prepara alguém que nunca foi precário nem empregado duma câmara para chegar a chefe de divisão dessa mesma câmara. É que há por aí milhares de funcionários com dezenas de anos de serviço que ainda não estão nos quadros do Estado e gostariam de saber os meandros para seu próprio interesse e governo. É que  ao fim e ao cabo somos todos portugueses e republicanos e embora crentes numa Senhora de Fátima, não consta que ande por aí a fazer milagres de município em município!!!

Luso,Setembro,2018                                                       Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

20
Set18

CINE TEATRO AVENIDA

Peter

cinema.jpg

 Esta é uma imagem do Cine Teatro Avenida original, um 

edificio construído de raiz para albergar  teatro e cinema no 

primeiro quartel do século XIX,  substituindo em definitivo

algumas salas provisórias onde os espectaculos se

realizavam. Como se pode observar, a varanda exterior que

dava acesso á zona da bilheteira foi posteriormente 

tranformada num átrio coberto que lhe alterou a traça 

original.

 

12
Ago18

MULTIBANCO SEM DINHEIRO

Peter

 

multi.jpg

 A falta de dinheiro nas máquinas multibanco continua a ser mais um entrave  no turismo desta terra. As queixas multiplicam-se e claro, o Verão é a melhor época para não haver verbas nos cofres do multibanco, quando os visitantes chegam, podem deixar alguma coisa e se vão embora por falta deste generoso serviço e bem. Mais um ótimo pontapé no turismo concelhio que por mais que o empurrem estrada  abaixo não se desloca um passo deste local onde está. Talvez aqui a  autarquia câmara não tenha a maior culpa, mas comprometeu-se a tomar conta destas coisas quando , acabadas as Juntas de Turismo passou a ensacar também as verbas que estas recebiam directamente do Estado. Pelos vistos o responsavel politico não se apercebe, naturalmente porque não andando por cá não tem conhecimento do fenómeno nem sequer é informado pelos respectivos serviços e servidores. Eu digo o responsavel politico porque segundo leio nas actas da autarquia ele é o único que manda, os outros não mandam nada. Põe e dispõe democráticamente.

O Verão das termas, em termos de estruturas paralisadas é um desastre total, desastre que começa com a falta de estacionamentos e vai acabar na falta do dinheiro no multibanco depois duma passagem por buracos  de vários feitios e tamanhos. O mais ridiculo, o do estacionamento, assenta agora numa  aparente falk new , não se pode limpar a barreira porque os depósitos da água correm perigo de ruir. Se assim fosse, há muitos anos teria acontecido , uma vez que a dita barreira já nasceu exactamente na fonte e foi sucessivamente cortada até aos limites actuais e continuará a ser por imposição das intempéries e da geologia do solo local.No entanto,se  apesar de improvavel tal acontecer como acontece ao cinema, cabe á mesma autarquia a total responsabilidade pois foi ela que escolheu e mandou fazer nos respectivos locais os depósitos domiciliários.Esperemos que não estejam concebidos  como o lago ou o pavilhão para que não lhes aconteça o mesmo. O facto concreto e irreversivel é que apesar de todas as asneiras e anomalias desta geringonçada gestão camarária, o Luso-Buçaco tem turistas e mantem as potencialidades,enquanto  a freguesia sede não os tem, não lhe valendo de nada o "imaginário" posto de turismo ali  feito por cobiça, incompetência , até imbecilidade, não no interesse  do municipio mas de pirosas vontades indidividuais. Se uma cidade se fizesse assim, Lisboa , que  é uma cidade, era apenas a freguesia do Castelo rodeada de muralhas com muçulmanos em volta a lutar contra  cruzados!!!!! É uma pena !!!!! É uma pena que a autarquia seja incapaz de gerir politicamente o que são as Termas do Luso !!!!

PS. È claro que estes protestos ou comentários  não contam para nada, a consciência disso é plena. Não há  poder, nem gente, nem votos suficientes neste pre-interior para alguém ser ouvido e ter justiça, mas mesmo assim  a critica é a única via de manter vivas pretensões, velhas e novas, dentro duma democracia sonhada que por enquanto é utópica e cruel para as pessoas, excluindo essa classe politica, como é evidente. Mas a alternativa do  silêncio, do seguidismo , do carreirismo ou do populismo são os piores caminhos para nada acontecer. Só a consciência das coisas  e a sua  discussão podem abrir  os meios de mudança.Coisa que já se vai fazendo  mundo fora em muitos sítios com base na razão e no interesse do cidadão e da colectividade. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

03
Ago18

FONTE DO CASTANHEIRO

Peter

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 O Manel  rodeado pla selva

Q uando o governo acabou com os antigos orgãos de turismo, chamados então Juntas de Turismo, passou a transferir  a verba que estes orgãos recebiam para as Câmaras Municipais  e com a transferência da verba foi a competência sobre o respectivo território no âmbito da actividade turistica. No caso  presente das Termas do Luso, o fim da Junta de Turismo foi catastrófico para a freguesia e para a as termas , pois a Cãmara da Mealhada  abandonou pura e simplesmente os interesses da freguesia nunca sabendo nem querendo defender a estância  termal.  A obrigação que a lei lhe conferiu foi rapidamente esquecida e o resultado está patente no que é hoje o turismo neste municipio , com prejuizo evidente para todos os que viviam e vivem da actividade. A ação daqueles orgãos, pioneiros do turismo em Portugal, foi esquecido e a Câmara da Mealhada, rápida a fazer o seu ridiculo e abusivo posto de turismo, deixou morrer as Termas sem um unico gesto  em sua defesa , salvando-se hoje apenas o pequeno nicho de turismo no desporto, a última estratégia pensada e cozinhada na ex-Junta de Turismo ,ao tempo presidida pelo professor António Gonçalves, a quem se deve em boa parte o avanço do projecto . Mesmo assim, sem manutenção, o mesmo abandono abriu um tunel sob o pavilhão desportivo , deslocando esta oferta para a Freguesia de Ventosa do Bairro que, por muito respeito que se tenha por aquele local não tem qualquer vocação para turismo nem oferece as condições necessárias para estágios profissionais.

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 Uma bica quase invisivel

 

O Luso hoje é uma  pequena imagem do que foi, em termos de turismo a única freguesia vocacionada e com recursos  que continua a manter as suas potencialidas, mas abandonada e desprezada , como disse , pela autarquia Câmara, onde grassa a incompetência sobre o assunto. A traficância política tem feito calar as vozes mais atingidas perante  uma gestão paroquial e de defesa dos interesses partidários de quem tem governado o território rotinando  a actuação por interesses que não são os do municipio nem dos municipes.

A Avenida do  Castanheiro ,uma rua soberbamente aberta por Emidio Navarro juntamente com a estrada nacional até Bolfiar, foi uma obra com dezenos de anos de avanço em relação ao seu tempo e hoje continua a ser um local acolhedor, ameno, tranquilo e convidativo. Porém, o seu estado degradado é tal, que nem um vassouro  o municpio  ali manda para limpar a rua , a vegetação, as ervas ou manter dignamente a conservação do "boneco"

Deixo aqui duas fotografias lamentando que os eleitos desta terra na Assemleia Municipal não digam uma palavra do lugar onde nasceram, bem pelo contrário, estão ao serviço dos interesses municipais , apostados em destruir o que resta das  Termas do Luso e da Mata do Buçaco, um património nacional, continuo a repetir, inconscientemente entregue ao poder municipal.

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 A paisagem completamente tapada, o abandono total...

Cumpre-me lembrar, que quando há anos passei pela Câmara cumprindo um dever civico que me deu gosto cumprir, ali ficou um  projecto da autoria do arquiteto Sidónio Pardal que incluia o parque de estacionamente do Vale, junto á igreja , bem como a requalificação de todo o espaço superior entre a estrada de Viseu e a estrada do ex Hotel Serra que acabava junto ao cruzamento do Castanheiro com uma ligação pedonal em estudo para unir os dois espaços, ou seja, um parque desde a igreja até ao boneco que deitava água e agora  já nem deita. Quando a Cãmara optou por não ter vereadores do Luso, a terra mais importante , mais conhecida e com maiores potencialidades deste municipio, este ante projecto terá sido metido na gaveta  e até hoje, nem sequer a ligação do saneamento dessa zona traseira da estrada de Viseu foi feito, quanto mais o projecto de que falo !!! Tal como aconteceu a um estudo previo de autoria do mesmo arquiteto sobre o aproveitamento da Quinta do Alberto .

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Tudo o que a vista não alcança tapado pela vegetação

No meu modo de ver é pouco digno e vergonhoso para esta terra não haver ninguêm que a defenda desde que desapareceu Homero Serra, um homem que, apesar de ter eu próprio  algumas discordâncias políticas com ele, sempre defendeu com veemência os interesses locais , as obras necessárias , as termas e as pessoas.   Quanto ás responsabilidades da autarquia Câmara, o abandono a que votou o Luso e o turismo  é absolutamente inqualificavel. A legitimidade dos  votos tem limites na razoabilidade dos actos e do senso comum. 

 

19
Jun18

FORA DE CENA, ALTO LÁ COM ISSO!!!!!

Peter

 

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 C orria o ano de 1962  quando o nosso conterraneo João Abrantes teve uma pausa nos afazeres teatrais  que então ensaiava como vida , e veio passar o inverno á sua terra natal, o Luso, Era um homem  novo de idade e de ideias que trazia consigo  a dinâmica  do palco , por isso não perdeu tempo em ressuscitar o grupo do Ginásio, um clube da altura , hoje nuitos anos de morto lhe pesam  sobre a memória dos que a têm , esquecido  das novas gerações que dele não tem notícia .  Mas é ainda um resto de saudade para alguns, eu ou o Rocha entre esses, que passamos horas a relembrar os tempos  que não se extinguiram como estes tempos modernos em que um simples ministro declara pela própria lingua pátria que o tempo deixou de existir ou, mais  explicitamente, existe para essa remessa nova de vespas  da politiquice  cana de pesca onde se  vegeta a vida , mas não para professores que ensinam aos meninos e não só como será ou seria o futuro de um país. Vai daí o João Abrantes que depois veio a optar, melhor, a seguir a vida dos hoteis, tenho a certeza que não a de vocação mas de recurso , tal e qual como mais tarde se veio a sacramentalizar por  decretos  dando mais ou menos  por sorteio o futuro de cada um aquilo que lhe sai na rifa do imprevisto, sobretudo aos mais fragilizados que mal tem dinheiro para chegar ás universidades, quanto mais para investirem em exlicadores de ensino e de preparação de exames, fora  os dos domingos , feriados e dias santos, que essas costumam ir pelas vias de off-shores  e outras regalias a que o sacrificio de servir reinos e republicas dá direito absoluto.  Como ele , o João  Abrantes repito, para não perdemos o fio ao diabo da meada, trazia do Parque Mayer  uns ensinamentos actualizados para fazer revistas, não da crónica feminina nem da flama ou século ilustrado que era o que havia na  altura, mas revistas verdadeiras feitas no Parque Mayer ás escondidas do monstruoso Salazar que, comparado com os santinhos dos nossos dias era um herege mau cheiroso e só não "mamava" umas criancinhas ao pequeno almoço porque não autorizava comunistas nas repartições publicas. Eu próprio, pouco depois quando acabado  o meu curso de dia de semana, ao tempo não havia conhecimento dos cursos tirados aos domingos, feriados e dias santos de guarda, tive que declarar, apesar das minhas dúvidas sobre o que era coisa de comunismo, que o não era, nunca teria sido se tivesse conhecimento dele  e que no futuro o repudiaria com todas as minhas forças porque era assim que era, era assim que mandava a lei do Cerejeira e dele próprio, Salazar pai da Nação.Faço questão  de esclarecer que não estou a dizer que os mandantes de hoje são piores ou melhores que os de ontem, quanto muito serão a mesma coisa , em certas coisas melhores, em certas coisas piores , isto porque Portugal foi e será sempre  um país desiquilibrado, ou oito ou oitenta como diz o povo, mas  tal fenomeno dava-nos na altura assim como aos actores verdadeiros donde vinha afinal o João, um certo prazer ao fazer teatro e até ás vezes se pensava que a bem dizer até esclareciamos de certa maneira o povo com as piadas fora do carimbo da censura, pois neste mundo há e haverá sempre arte e magia para trocar as voltas ás palavras. Bom, fosse como fosse o João Manuel  mostrou o seu projecto e aderimos de imediato e entre umas ceias arranjadas no Ginásio, ou em casa dele,  exactamente do outro lado onde prenderam o Alvaro Cunhal,ou  na rua  Formosa à  Pia que ainda o não era na altura , mas que também servia de apoio ás peças , sobretudo porque escreviamos os quadros em cima dos pipos do pai do Rocha, e matavamos a sede no espicho para obter inspiração. Entre mim , a Fernanda Santos, o Federico de Brito, o António Rocha e o João , dito Manuel  ou Abrantes ou as duas coisas juntas, fizemos a prosa e adaptamos a musica da Corina Freire á versalhada que fui fazendo dia a dia.Arranjamos os artistas, às vezes com muitas dificuldades porque não se passava a libertinagem de então como se passa agora, o contexto era o da janela e o abraçar só nos bailes do  1º e Dezembro o outro clube da terra que ao sábado os organizava sempre com casa cheia.No fim,  ficou um único problema por resolver, o da censura, como diabo ia-mos fazer passar um texto inédito para uma revista provonciana na malha apertada das lapiseiras censórias que eram novidade na altura. Refiro-me ás lapiseiras, claro, porque a censura era velha, já estavamos  habituados a ela, o D.João !! utilizou-a e não esteve com meias medidas, cortou a cabeça a todos. e o Marquês de Pombal  fez o mesmo á tosse que veio de alguns. Ainda não havia tarrafal , apesar de tudo  uma coisa mais levezinha que as guilhotinas reais e qua ainda fazem falta em dose mais moderada.Deixamos o caso para pensar e começamos os ensaios, ora na sala do Casino, a mesma que agora os donos  não emprestan a ninguém , desde que levaram daqui o engarrafamento da água de Luso pelas estradas da Câmara da Mealhada abaixo,  e a sede para Cracóvia, na Polónia, onde os impostos da CEE estão a preços de saldo. A alternativa era o cine-teatro Avenida que estava  de porta aberta se não houvesse cinema , um espaço  sempre disponivel para ensaios  e  espectáculo desde os tempos da Sociedade Agricola do Valdoeiro do Messias Batista até a minha amiga a dona Hildegarda que adorava estes  artistas amadores que lhe levavam o teatro a casa. Ela morava sob a plateia do velho cineteatro e achava que a sala de espectáculos era um local de trabalho , ao contrário dos democratas de Abril que começaram a fazer cinemas novos com dinheiros da CEE  e entenderam que eram bons demais para o pagode dos palcos  e lá cediam a casa para o dia  do espectáculo porque hes dava jeito e popularidade, mas antes, que fossem ensaiar á cavalariça de algum vizinho  que não se podia estragar a sala, utilizando , ribalta , cadeiras estofadas e  camarins de primeira que ainda brilhavam á luz do sol  quando abriam de espanto  a cegueira dos olhos ou absorviam goela abaixo  orgulhosamente  as palmas que lhes não cabiam na barriga, uma pacovice portuguesa de arregalar a vista á ignorância activa,  Não sei se o inchar de sapo já foi de moda, mas  a minha amiga Hildegarda nunca teve esses preconceitos e se agente precisava  ensaiar ensaiva nem que fosse nas escadas da geral numerada ou no corredor dos camarotes velhos, algum tempo ainda forrados a setim vermelho que lhe dava um cheiro duma ópera de cidade , mas era apenas a ilusão do nosso desconhecimento que fabricava os sonhos mais espantosos!   Foi ainda o João Abrantes, dito também Manuel, manhoso como os sabidos de Lisboa , que foi buscar a Cascais para o pedido da licença  e para o cartaz da propaganda uma peça  já censurada ," Costa do Sol em Festa" com  a qual se obtiveram as autorizações necessárias para a subida á cena. Não com o  titulo emprestado como seria lógico supor, mas com o próprio nome de batismo que lhe deramos e respectivos textos que nada tinham a ver com o texto autorizado . Foi assim  que a revista se chamou "Alto Lá Com Isso ", uma obra  prima da nossa aventura e literatice que afinal  existindo,  não existiu. Não melhor nem pior que outra que se levou á cena mais tarde , o "Salve-se Quem Puder " com textos feitos no burgo , desta vez passando mesmo pelo aval da censura nas barbas do fiscal , comprado por umas palavras de bom gosto e inchaço de importância que lhe conseguimos dar como se fosse rei e senhor da pandega regional. Nem os textos ,senão em alguns fragamentos dfispersos , nem  gravação magnética ou digital, a segunda por não haver, a primeira pela raridade e custos do seu processamento ficaram de testemunho nesta biblia de engaços. Apenas fotografias, umas a preto outras a cores a relembrar gerações.  Portanto, postas as coisas neste pé, só o testemunho escrito bebido de oralidade e algumas saudosas fotografias não pode resistir ou impedir  a tentação  de registar aqui o nome de todos os participantes , com desculpas para a falta de alguém que, apesar de cuidadosa procura, pode escapar involuntáriamente á nossa boa vontade.

 

Iª parte      UM PEDIDO DE CASAMENTO, comedia em 1 acto de António Tchekhov, tradução de Correia Alves

Actores e personagens

Américo Leite :Stepan Stepanovitch Tchubukov

,Mário Penetra: Ivan Vassilyevitch Lomov

Maria Teresa Carvalho Natalya Stepanovna

 

 

IIª Parte Alto Lá Com Isso ,

Autores : Fernanda Santos,Frederido de Brito,Fernando Ferraz, António Rocha, João Abrantes.

Música de: Corina Freire

Actores:  António Santos:  ( Mr Bown, compere) João Malaguerra :( Zé dos Jornais,noivo,pescador,turista);  Manuel Figueiredo: ( Guarda do Lago,arrais,fadista) :Maria Aurora (camponesa,noiva,varina,) Maria S.José Leite: (camponesa,mãe,) Almira Pimenta: (camponesa,noiva,peixeira); Celsa Pimenta :(romeira,noiva,peixeira,) José Balau (romeiro,sacristão,pescador,director) , Graciete Leite :(noiva,cantadeira,fadista,peixeira,) Ernesto Santos: (noivo,lavadeira,guarda,director) Fernando Ferraz:( noivo ,caiador, lavadeira, candidata a actriz), António Rocha( Serafim, Delfim,Lavadeira,Candidata a actriz) Américo Leite:(Avô, ) João Abrantes (conta a história, como bate um coração),Maria Teresa Carvalho ( Micaela).  Alfama das Naus, quem vai na marcha :Maria de S.José,Graciete Leite,Celsa Pimenta,Almira Pimenta,José Balau,Ernesto Santos, Fernando Ferraz,António Rocha,Manuel Figueiredo,João Carlos,Fernando Rosa, João Malaguerra. Fonte de S.João , marcha final: Toda a companhia.

Autores: Como Bate um Coração : Nelson de Barros, e João Nobre , Na Rua dos Meus Ciumes : Fernando Santos e Frederico Valério, Fonte de S.João : Fernando Santos, Nelson de Barros, Frderico Valério.

 

Realização e direcção de cena de João Abrantes , Direção e execução musical de Alvaro Silva

Direção cenográfica e de montagem de Rogério Almeida , cenografia de Rogério Almeida, Fernando Rosa e João Carlos Santos,Assistência coreográfica de José Balau

Luminotécnica e sonoplastia de Joaquim ferreira e Manuel Figueiredo, jardins do 6º e 10º quadros executados por Francisco Carvalho, Ponto, Alberto Penetra,Contra Regra, Carlos de Castro, Maquinista Antero Maria, Carpinteiros de cena Plácido da Cruz e Albino Guedes,Materiais fornecidos pelas firmas ,Casa Zenith, Casa Triunfo, Farmácia Nova,Casa Ramalheira,Francisco Pereira Coelho, Manuel Abreu.  Os costumes folclóricos foram gentilmente cedidos pelos ranchos Tá-Mar da Nazaré e Tricanas de Aveiro . A realização deste espectaculo só foi possivel graças á gentil colaboração de Sociedade da Âgua de Luso e da empresa do Cine-Teatro Avenida.

 

Espectaculos em Cine Teatro Avenida do Luso: 12,13,19,20 Janeiro de 1963 ás 21,30

No Cine Teatro Messias, na Mealhada em

Todas as sessões esgotaram a lotação.

Extrato do livro "Luso,  Histórias Breves da Àgua e das Gentes"

19
Abr18

CULTURA DO CENTRO

Peter

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 Na minha terra já minha mãe, tios, primos e vizinhos faziam teatro de amadores juntamente com a sua geração e durante muitos anos continuou nas mãos da cultura popular o promover da arte do nobre Talma sem que passasse pela cabeça dos voluntários artistas um subsídio estatal. A geração seguinte, onde incluo minhas parcas intenções e dotes herdados, continuou o drama e a comédia que já vinha de trás com jeitos de diversão e entretenimento e evidentemente cultura, ainda que em muitos sem a noção, porque este palavrão cultural tem que se lhe diga, quer no conteúdo, quer nos meios, quer no estrato social onde vai cair. Seriamos amantes e amadores provincianos, curiosos intrusos dum interior esquecido, criadores de geração espontânea, de culto tradicional romeiros ou rameiros do pagode de aldeia, já que o verdadeiro espetáculo desta casa comum sempre se limitou a repolhos e alfaces dos palcos de Lisboa, a cabeça, por excelência, da macrocefalia nacional. Nesta matéria, como noutras, se insistiu durante séculos no monopólio do gosto, daí o ditado velho de Portugal ser Lisboa e o resto ser paisagem. Esta pouca ou nenhuma atenção para este movimento de amadores que algumas vezes alastrou com escala nacional nunca foi habituado a subsídios, elogios e benesses e muito menos aproveitado como potencial escola ou oficina, uma base natural que existia no país e que poderia, se aproveitada e motivada, contribuir de algum modo para elevar o grau dessa mesma cultura e instrução nos meios menos acessíveis.

Se é certo que o advento da televisão trouxe consigo o apagar quase total deste papel participativo das populações locais sobre o palco, utilizando adereços cívicos, tradicionais e culturais do próprio meio, também é certo que a televisão além de o matar esqueceu-o, excluindo de si e dos seus fins aquilo que poderia ser utilizado, incentivado e aproveitado em benefício de todos, tendo em mente a comunidade linguística e social que somos. Porque também a televisão tem pertencido á mesma macrocefalia da capital, também ela tem sofrido das mesmas enfermidades e só a fartura de autoestradas e quilómetros as tem tentado ultimamente a dar alguns passos, mesmo assim na perseguição do lucro e não na cultura, esta mais pindérica que outra coisa.

Nas últimas décadas, porém, a juntar-se aos poucos grupos que resistiram ao tempo e às dificuldades, surgiram algumas companhias profissionais de novas escolas nas principais cidades e juntaram-se ao rol dos subsídios atribuídos pelo ministério da Cultura, não os amadores, mas os projetos dos grupos profissionais, os quais são, por escassos e escolhidos, sujeitos á competição entre eles, ainda que com muito pouca clareza. Cresceram direções regionais de cultura com o seu diretor regional, um elemento nomeado conforme a política que ganha o poder para representar os seus interesses, mas naturalmente também a comunidade de atores e grupos profissionais da respetiva área. Isto continua a não retirar a macrocefalia a Lisboa, nem na letra da palavra nem na doutrina política, mas é um passo, ainda que não definitivo como sempre acontece na história que nos acompanha.

Queixam-se as companhias do Centro que a directora regional Celesta Amaro, não dará assistência ,nem apoio ,nem incentivo capaz aos grupos militantes existentes o que a ser verdade não faz senão continuar o traçado comum de sucessivos governantes  para quem a cultura é o Centro Cultural de Belém ou o Estádio da Luz, aos quais se pode juntar o estapafúrdico novo Museu dos Coches que, nascido numa bela cavalariça real do Palácio de Belém, foi transferido para um armazém de carroças na lateral da mesma praça com euros da CEE , sem  beleza e desnudado como Deus o pôs ao mundo, se fosse matéria humana como aquilo que representa.

Se tem andado mal a senhora como dizem as notícias, pelo menos é simpática, garantem os grupos, três deles em Viseu e um em Coimbra que receberem subsídios, mas também os restantes que não o receberam. Será pouco para a zona centro entre concorrentes que não sabemos quem foram nem quantos foram? Naturalmente será, mas nada foi para amadores, esses eternos amantes que se tentam espalhar de novo país fora. A cultura ministeriável é reservada a gente mais erudita e snobe, aos outros, o povo acrítico e alegre, bastará o Quim Barreiros, o amoroso Paulo, as novelas e as fogosas meninas das nossas televisões apocalípticas. A cultura é feita para o voto, não é o povo que faz a cultura, essa, a autêntica e genuína, vive na idade média do caminho, por ser coisa pouco vista ou apoiada por quem o devia fazer. Estranhamente, até os municípios encheram o país de cineteatros, comumente para servir os espectáculos das companhias da capital, raramente para estar abertos á cultura local como palco e escolas de aprendizagem nesta área das artes. Porquê? Regra geral porque não se pode estragar a estrutura e os seus equipamentos, que, sem essa componente livre e local, acabam por servir para pouca coisa.

Mas o mais estranho e caricato da questão, voltando á cultura do Centro, que na verdade em pouco ou nada se dá por ela, a coisa passa pelo regozijo que a simpática diretora regional mostrou ao passar recentemente por uma associação não apoiada elogiando-a, pelo facto da referida “não incomodar a administração central a pedir dinheiro “. No outro dia, na porta do seu gabinete em Coimbra, tinha pendurado um letreiro sucinto mas esclarecedor, “Não incomodar”.

A cultura do Centro, como se vê, a considerar este absurdo comentário, está em boas e simpáticas mãos. Só que Viseu não seguiu os conselhos da diretora e arrecadou os seus trocados, não se sabe por intermédio de quem, mas isso também é coisa normal nos subsídios públicos. Seja como for, num país onde a pedinchice é uma instituição pode ser d’outra maneira?

 Bolzano, Abril,2018

 

 

 

 

22
Nov17

BARBEARIA DO POMPEU

Peter

vacuum.jpg

 

Antiga fotografia da Barbearia Pompeu, (último dono)

nas lojas inferiores do não menos velho Hotel dos

Banhos que hoje já não existe. Este Luso  esquecido

e desaparecido já não faz parte da memória  da terra.

Ao lado da barbearia  era também a Casa Zenith,

agente da philips, onde passaram as  primeiras

imagens da televisão a preto e branco que foram 

vistas na vila e  também em Portugal, e do lado do

mercado, vulgarmente praça, esteve a Tabacaria

Luisa.

Do hotel, dos azulejos que enfeitavam a parede ,

da sua  varanda e nespereiras onde repousavam 

os hóspedes,  tudo foi na destruição termal  que a

contemporaneidade desastradamente operou.

Uma terra sem memória e sem história é como

um ser  sem alma, um ser despido,nú, despojado

dum passado  que a modernidade e a falta de poder

arruinaram.

Duma época aurea que teve condições para

prosseguir pouco ficou e hoje esta terra , nas mãos

duma municipalidade que suga como um aspirador

história e bens á sua volta, não tem um emprego

para oferecer  aos filhos.

 

28
Out17

A FONTE AUTÊNTICA

Peter

12673_543446642338695_598138384_n[1].jpg

Bela fotografia (pormenor,) dum Luso de há cem

anos  na Fonte de S.João autêntica quando era

propriedade da freguesia do Luso, antes de ser

subtraída ao património local por Manuel Lousada, 

da Antes, então presidente da Câmara, depois

governador civil. Então foi objecto de grande 

contestação por parte dos naturais , quer a 

usurpação da fonte quer o transporte da água

até á localidade onde morava o autarca, na 

altura nomeado e não eleito.

13
Out17

PORTUGAL A ARDER

Peter

                aljubarrota.jpg

 A manhã de 20 de Agosto começou como vem sendo crónico no estio português a arder e com um primeiro ministro ausente numa missa em Barcelona por alma dos que morreram nas Ramblas. Lá , vitimas do terrorismo, cá , umas dezenas de vitimas das labaredas dos fogos orçamentados que ainda estão á espera duma missa ministeriável no Mosteiro da Batalha e duma justificação lógica para o estranho fenómeno  que se acredita piamente ser obra de Hefesto, o velho amigo deus grego ou de Vulcano o não menos antigo e companheiro romano dos tempos do nosso bisavô Viriato. Talvez umas lusas missas plagiadas resultassem melhor que as idas às desgraças da Catalunha à conta do erário, mas enfim a fé é que nos salva na escatologia circense que nos comanda o tempo.

Há 632 anos atrás, é sempre bom recordar, estávamos a festejar a vitória de Aljubarrota, o 14 de Agosto, conta a história pátria, quando mandamos de volta a casa os castelhanos de D. João I com o olho num outro João primeiro, mas este Mestre de Avis e monarca de Portugal. Não vieram os pacatos invasores de avião nem de comboio, vieram sim a cavalo por esses arroios fora, a peonagem atrás a pédibus calcantibus e regressaram da mesma maneira, segundo se conta, mas a trote e a correr, o rabo entalado entre as pernas baralhadas de rumo a Valladolid.

Não sei se estaríamos hoje melhor como europeus desta mítica Castela de Quixotes e Sanchos Pança ou se como europeus da Lusitânia , uma franja atlântica da antiga Ibéria mourisca onde a inépcia e a irresponsabilidade de quem herdou os chuços Portucalenses do bolonhês de Dijon mantém há dezenas de anos o lume em brasa . Como no oráculo de Delfos a chama mantem-se acesa iluminando os crentes e alimentando o negócio de sacerdotes e pitonisas que adivinham futuros muito pouco auspiciosos, como é fácil de prever se acaso vivêssemos no fabulário de Esopo entre homens e animais. Histórias dos deuses que a terra ainda cultiva entre nabos e nabiças para alimentar a sede de ingénuos e menos cultos deste teatro mundano de aparência moderna e vicentina.

Hoje, 20 de Agosto, passam igualmente 72 anos sobre a “Revolta do Luso”, aqueles distúrbios nascidos de amores termais no tempo em que a vila beneficiava da presença da PSP de Aveiro durante a época balnear quando duplicava em população, transformando-se numa pequena cidade bem maior e movimentada que as anedóticas cidades dos nossos dias, nascidas da idiotice da política e da saloiada de alguns politiqueiros que lhes dão formas absurdas aos desconhecer das urbes as virtudes e malícias. Foi um ingénuo baile de garagem que acalorou nos pares dançantes as teias frágeis do ciúme e que a polícia do estado transformou de imediato numa perigosa e eficaz revolução bolchevique. Corria o ano de 45 do século passado, terminavam-se preparativos da guerra mais destruidora entre europeus e outros e, não se fazendo então a coisa por menos, o Luso foi invadido por pelotões de intervenção que espalharam o terror entre habitantes e banhistas. Governava Manuel Lousada da Antes a câmara municipal dum vulgo atrasadíssimo e Salazar segurava a pulso as terras dos condestáveis, os pastores dos Hermínios nas tradições de Cícero.

Este é um episódio na nossa história comum, não contado em letras de imprensa e portanto ignorado na cabeça duns pobres Moisés que sem pecado original reinventam por aí destinos do turismo unindo os povos á volta da fogueira por meia dúzia de cobres, trocos dum bezerro de ouro inventado nas areias do Sinai, a alcoba imbecil dos nossos sonhos mais felizes e eternos, hoje a preços de saldo no cerne dos ungidos.

Acordei cedo neste 20 de Agosto e logo me aprestei para telefonar a um primo lisboeta que nasceu na Portela do Picado exactamente na noite da “revolução bolchevique”, setenta e dois anos pois que faz ela e que faz ele. Subtraindo a idade, na mesma casa e quarto com a mesmíssima assistência da Madalena parteira que se viu aflita, naquela noite medonha, para percorrer o caminho desde o Pistola á Portela e puxar o rapaz da barriga da mãe para fora com o auxílio das mãos. Curiosamente nascido na Portela e morador na Portela, um circulo vicioso em espiral se tal se pode conceber, a via deste meu primo. Mas foi quando levantei os olhos das vidraças do meu quarto que em linha recta terminam na Cruz Alta, que uma terrível nuvem negra percorria o cimo da serra pressagiada pelo vento assobiando nas arestas do alumínio, semelhante ao próprio fogo que vindo de Penacova poderia rebentar a qualquer instante encosta acima, galgar o aceiro emporcalhado de silvas e eucaliptos, sobrepor-se às ruinas do muro que cerca a Cerca e penetrar na Mata Nacional comendo o arvoredo. Afligi-me nos restos do coração remendado, restos que vão mexendo graças á limpeza periódica dos canais de irrigação e interroguei-me mais uma vez sobre a leviandade da politiquice barata, low cost, que á força de golpes de mão de colarinho branco vai inundando aquilo que nos pertence com a desfaçatez da ignorância da história, dos meios ou da ética que os locais, como as pessoas e os seus antecessores merecem. Moralmente não gostaria de estar na farsa em que estão metidos, não correria o risco por respeito ao património, seria incapaz de percorrer os caminhos da torpeza, da mentira, do porta a porta para ocupar lugares e segurar empregos fáceis como são os da política à portuguesa. Nunca mais dormiria tranquilo se o fizesse e visse arder o património como fruto e influência das minhas asneiras cívicas, como acontece com a fundação socrática da Mata Nacional do Buçaco, entregue á irresponsabilidade de uns patuscos que não responderão em juízo se a desgraça do fogo lhes bater um dia á porta. Esta é a situação dum património nacional, entregue sem noção do dever e prevenção dum futuro a uma dúzia de sujeitos escolhidos sem concursos, sem habilitações e sem responsabilização e auferindo proveitos do orçamento da nação, não directamente do Estado mas do saco municipal, o que não torna mais leve nem mais pesada a discrepância e o erro. O livre arbítrio na coisa pública !!!!

Quando acabei de conjecturar as minhas objecções eram horas de ir buscar ao rei dos meus leitões, o Soares da Vacariça, uma encomenda acabada de sair do forno para ser comida em família com a melhor companhia, essa mesma e própria família. Do Soares, um homem gasto pelo calor das vides e dos fornos, conheço há muitas décadas a excelência do produto, o melhor do melhor que se faz por aí a merecer a confiança de unidades hoteleiras como o Palace do Buçaco ou o Hotel das Termas, como seu fornecedor. Sem desprimor para os bons assadores que existem no concelho, permita-me o leitor destacar uma excelência que os políticos e as associações afins esquecem, talvez porque não está na beira da estrada nacional, porque não corre atrás dos eleitos na babugem do mando ou porque não perspectiva votos em tempo de eleições. É homem sério, trabalhador e livre que honra a qualidade dum produto local com a excelência do seu trabalho. Aqui registo este particular e modesto tributo, porque de facto, entre os príncipes á volta, o António Soares é o autêntico rei do leitão assado à Bairrada. Na velha Vacariça, com pergaminhos!

Da parte da tarde, quando voltei a levantar os olhos ao meu ponto na Cruz Alta já a nuvem negra se tinha dissipado, apesar de o cheiro da combustão da carrasca continuar a impregnar o ar que se respirava. Ainda assim, não é desta que o fogo lambe o Buçaco, pensei satisfeito ao confirmar o pouco cuidado que a Câmara mealhadense dedica á prevenção dos incêndios florestais. No ano que passou e debaixo das suas próprias barbas ardeu a estrada 234 entre a Mealhada e os limites do concelho, na portela de Sula, este ano por pouco não ia abaixo a freguesia de Barcouço. Não se pode dizer que exista alguma política na autarquia para prevenir incêndios, bem pelo contrário, a começar pelas festas e foguetório bem se pode pensar que o laxismo e o improviso são a política, contrariando afinal a propaganda das notícias que aparecem por ai na imprensa contratada. Em mais um dia em que Portugal arde, hoje vai no centésimo oitavo fogo em directo na televisão, o cidadão vai comendo a farsa da almofadada campanha eleitoral, pantomina controlada pelos cordelinhos de quem tem na mão o erário de todos. Doutro modo, Angola faz mais ou menos o mesmo com menor subtileza!!!!

Luso, Agosto, 20, 2017                                        ÀguasdoLuso@sapo.pt

09
Set17

FAVELA

Peter

DSCN5199[1].JPG

Não, não é uma favela do Rio de Janeiro mas uma

paisagem turistica aqui bem perto de nós, no

coração das "ditas" termas...ex do Luso....deste

Luso que não nos deixa de espantar....com

o seu turismo festeiro..

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