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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

19
Jun18

FORA DE CENA, ALTO LÁ COM ISSO!!!!!

Peter

 

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 C orria o ano de 1962  quando o nosso conterraneo João Abrantes teve uma pausa nos afazeres teatrais  que então ensaiava como vida , e veio passar o inverno á sua terra natal, o Luso, Era um homem  novo de idade e de ideias que trazia consigo  a dinâmica  do palco , por isso não perdeu tempo em ressuscitar o grupo do Ginásio, um clube da altura , hoje nuitos anos de morto lhe pesam  sobre a memória dos que a têm , esquecido  das novas gerações que dele não tem notícia .  Mas é ainda um resto de saudade para alguns, eu ou o Rocha entre esses, que passamos horas a relembrar os tempos  que não se extinguiram como estes tempos modernos em que um simples ministro declara pela própria lingua pátria que o tempo deixou de existir ou, mais  explicitamente, existe para essa remessa nova de vespas  da politiquice  cana de pesca onde se  vegeta a vida , mas não para professores que ensinam aos meninos e não só como será ou seria o futuro de um país. Vai daí o João Abrantes que depois veio a optar, melhor, a seguir a vida dos hoteis, tenho a certeza que não a de vocação mas de recurso , tal e qual como mais tarde se veio a sacramentalizar por  decretos  dando mais ou menos  por sorteio o futuro de cada um aquilo que lhe sai na rifa do imprevisto, sobretudo aos mais fragilizados que mal tem dinheiro para chegar ás universidades, quanto mais para investirem em exlicadores de ensino e de preparação de exames, fora  os dos domingos , feriados e dias santos, que essas costumam ir pelas vias de off-shores  e outras regalias a que o sacrificio de servir reinos e republicas dá direito absoluto.  Como ele , o João  Abrantes repito, para não perdemos o fio ao diabo da meada, trazia do Parque Mayer  uns ensinamentos actualizados para fazer revistas, não da crónica feminina nem da flama ou século ilustrado que era o que havia na  altura, mas revistas verdadeiras feitas no Parque Mayer ás escondidas do monstruoso Salazar que, comparado com os santinhos dos nossos dias era um herege mau cheiroso e só não "mamava" umas criancinhas ao pequeno almoço porque não autorizava comunistas nas repartições publicas. Eu próprio, pouco depois quando acabado  o meu curso de dia de semana, ao tempo não havia conhecimento dos cursos tirados aos domingos, feriados e dias santos de guarda, tive que declarar, apesar das minhas dúvidas sobre o que era coisa de comunismo, que o não era, nunca teria sido se tivesse conhecimento dele  e que no futuro o repudiaria com todas as minhas forças porque era assim que era, era assim que mandava a lei do Cerejeira e dele próprio, Salazar pai da Nação.Faço questão  de esclarecer que não estou a dizer que os mandantes de hoje são piores ou melhores que os de ontem, quanto muito serão a mesma coisa , em certas coisas melhores, em certas coisas piores , isto porque Portugal foi e será sempre  um país desiquilibrado, ou oito ou oitenta como diz o povo, mas  tal fenomeno dava-nos na altura assim como aos actores verdadeiros donde vinha afinal o João, um certo prazer ao fazer teatro e até ás vezes se pensava que a bem dizer até esclareciamos de certa maneira o povo com as piadas fora do carimbo da censura, pois neste mundo há e haverá sempre arte e magia para trocar as voltas ás palavras. Bom, fosse como fosse o João Manuel  mostrou o seu projecto e aderimos de imediato e entre umas ceias arranjadas no Ginásio, ou em casa dele,  exactamente do outro lado onde prenderam o Alvaro Cunhal,ou  na rua  Formosa à  Pia que ainda o não era na altura , mas que também servia de apoio ás peças , sobretudo porque escreviamos os quadros em cima dos pipos do pai do Rocha, e matavamos a sede no espicho para obter inspiração. Entre mim , a Fernanda Santos, o Federico de Brito, o António Rocha e o João , dito Manuel  ou Abrantes ou as duas coisas juntas, fizemos a prosa e adaptamos a musica da Corina Freire á versalhada que fui fazendo dia a dia.Arranjamos os artistas, às vezes com muitas dificuldades porque não se passava a libertinagem de então como se passa agora, o contexto era o da janela e o abraçar só nos bailes do  1º e Dezembro o outro clube da terra que ao sábado os organizava sempre com casa cheia.No fim,  ficou um único problema por resolver, o da censura, como diabo ia-mos fazer passar um texto inédito para uma revista provonciana na malha apertada das lapiseiras censórias que eram novidade na altura. Refiro-me ás lapiseiras, claro, porque a censura era velha, já estavamos  habituados a ela, o D.João !! utilizou-a e não esteve com meias medidas, cortou a cabeça a todos. e o Marquês de Pombal  fez o mesmo á tosse que veio de alguns. Ainda não havia tarrafal , apesar de tudo  uma coisa mais levezinha que as guilhotinas reais e qua ainda fazem falta em dose mais moderada.Deixamos o caso para pensar e começamos os ensaios, ora na sala do Casino, a mesma que agora os donos  não emprestan a ninguém , desde que levaram daqui o engarrafamento da água de Luso pelas estradas da Câmara da Mealhada abaixo,  e a sede para Cracóvia, na Polónia, onde os impostos da CEE estão a preços de saldo. A alternativa era o cine-teatro Avenida que estava  de porta aberta se não houvesse cinema , um espaço  sempre disponivel para ensaios  e  espectáculo desde os tempos da Sociedade Agricola do Valdoeiro do Messias Batista até a minha amiga a dona Hildegarda que adorava estes  artistas amadores que lhe levavam o teatro a casa. Ela morava sob a plateia do velho cineteatro e achava que a sala de espectáculos era um local de trabalho , ao contrário dos democratas de Abril que começaram a fazer cinemas novos com dinheiros da CEE  e entenderam que eram bons demais para o pagode dos palcos  e lá cediam a casa para o dia  do espectáculo porque hes dava jeito e popularidade, mas antes, que fossem ensaiar á cavalariça de algum vizinho  que não se podia estragar a sala, utilizando , ribalta , cadeiras estofadas e  camarins de primeira que ainda brilhavam á luz do sol  quando abriam de espanto  a cegueira dos olhos ou absorviam goela abaixo  orgulhosamente  as palmas que lhes não cabiam na barriga, uma pacovice portuguesa de arregalar a vista á ignorância activa,  Não sei se o inchar de sapo já foi de moda, mas  a minha amiga Hildegarda nunca teve esses preconceitos e se agente precisava  ensaiar ensaiva nem que fosse nas escadas da geral numerada ou no corredor dos camarotes velhos, algum tempo ainda forrados a setim vermelho que lhe dava um cheiro duma ópera de cidade , mas era apenas a ilusão do nosso desconhecimento que fabricava os sonhos mais espantosos!   Foi ainda o João Abrantes, dito também Manuel, manhoso como os sabidos de Lisboa , que foi buscar a Cascais para o pedido da licença  e para o cartaz da propaganda uma peça  já censurada ," Costa do Sol em Festa" com  a qual se obtiveram as autorizações necessárias para a subida á cena. Não com o  titulo emprestado como seria lógico supor, mas com o próprio nome de batismo que lhe deramos e respectivos textos que nada tinham a ver com o texto autorizado . Foi assim  que a revista se chamou "Alto Lá Com Isso ", uma obra  prima da nossa aventura e literatice que afinal  existindo,  não existiu. Não melhor nem pior que outra que se levou á cena mais tarde , o "Salve-se Quem Puder " com textos feitos no burgo , desta vez passando mesmo pelo aval da censura nas barbas do fiscal , comprado por umas palavras de bom gosto e inchaço de importância que lhe conseguimos dar como se fosse rei e senhor da pandega regional. Nem os textos ,senão em alguns fragamentos dfispersos , nem  gravação magnética ou digital, a segunda por não haver, a primeira pela raridade e custos do seu processamento ficaram de testemunho nesta biblia de engaços. Apenas fotografias, umas a preto outras a cores a relembrar gerações.  Portanto, postas as coisas neste pé, só o testemunho escrito bebido de oralidade e algumas saudosas fotografias não pode resistir ou impedir  a tentação  de registar aqui o nome de todos os participantes , com desculpas para a falta de alguém que, apesar de cuidadosa procura, pode escapar involuntáriamente á nossa boa vontade.

 

Iª parte      UM PEDIDO DE CASAMENTO, comedia em 1 acto de António Tchekhov, tradução de Correia Alves

Actores e personagens

Américo Leite :Stepan Stepanovitch Tchubukov

,Mário Penetra: Ivan Vassilyevitch Lomov

Maria Teresa Carvalho Natalya Stepanovna

 

 

IIª Parte Alto Lá Com Isso ,

Autores : Fernanda Santos,Frederido de Brito,Fernando Ferraz, António Rocha, João Abrantes.

Música de: Corina Freire

Actores:  António Santos:  ( Mr Bown, compere) João Malaguerra :( Zé dos Jornais,noivo,pescador,turista);  Manuel Figueiredo: ( Guarda do Lago,arrais,fadista) :Maria Aurora (camponesa,noiva,varina,) Maria S.José Leite: (camponesa,mãe,) Almira Pimenta: (camponesa,noiva,peixeira); Celsa Pimenta :(romeira,noiva,peixeira,) José Balau (romeiro,sacristão,pescador,director) , Graciete Leite :(noiva,cantadeira,fadista,peixeira,) Ernesto Santos: (noivo,lavadeira,guarda,director) Fernando Ferraz:( noivo ,caiador, lavadeira, candidata a actriz), António Rocha( Serafim, Delfim,Lavadeira,Candidata a actriz) Américo Leite:(Avô, ) João Abrantes (conta a história, como bate um coração),Maria Teresa Carvalho ( Micaela).  Alfama das Naus, quem vai na marcha :Maria de S.José,Graciete Leite,Celsa Pimenta,Almira Pimenta,José Balau,Ernesto Santos, Fernando Ferraz,António Rocha,Manuel Figueiredo,João Carlos,Fernando Rosa, João Malaguerra. Fonte de S.João , marcha final: Toda a companhia.

Autores: Como Bate um Coração : Nelson de Barros, e João Nobre , Na Rua dos Meus Ciumes : Fernando Santos e Frederico Valério, Fonte de S.João : Fernando Santos, Nelson de Barros, Frderico Valério.

 

Realização e direcção de cena de João Abrantes , Direção e execução musical de Alvaro Silva

Direção cenográfica e de montagem de Rogério Almeida , cenografia de Rogério Almeida, Fernando Rosa e João Carlos Santos,Assistência coreográfica de José Balau

Luminotécnica e sonoplastia de Joaquim ferreira e Manuel Figueiredo, jardins do 6º e 10º quadros executados por Francisco Carvalho, Ponto, Alberto Penetra,Contra Regra, Carlos de Castro, Maquinista Antero Maria, Carpinteiros de cena Plácido da Cruz e Albino Guedes,Materiais fornecidos pelas firmas ,Casa Zenith, Casa Triunfo, Farmácia Nova,Casa Ramalheira,Francisco Pereira Coelho, Manuel Abreu.  Os costumes folclóricos foram gentilmente cedidos pelos ranchos Tá-Mar da Nazaré e Tricanas de Aveiro . A realização deste espectaculo só foi possivel graças á gentil colaboração de Sociedade da Âgua de Luso e da empresa do Cine-Teatro Avenida.

 

Espectaculos em Cine Teatro Avenida do Luso: 12,13,19,20 Janeiro de 1963 ás 21,30

No Cine Teatro Messias, na Mealhada em

Todas as sessões esgotaram a lotação.

Extrato do livro "Luso,  Histórias Breves da Àgua e das Gentes"

19
Abr18

CULTURA DO CENTRO

Peter

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 Na minha terra já minha mãe, tios, primos e vizinhos faziam teatro de amadores juntamente com a sua geração e durante muitos anos continuou nas mãos da cultura popular o promover da arte do nobre Talma sem que passasse pela cabeça dos voluntários artistas um subsídio estatal. A geração seguinte, onde incluo minhas parcas intenções e dotes herdados, continuou o drama e a comédia que já vinha de trás com jeitos de diversão e entretenimento e evidentemente cultura, ainda que em muitos sem a noção, porque este palavrão cultural tem que se lhe diga, quer no conteúdo, quer nos meios, quer no estrato social onde vai cair. Seriamos amantes e amadores provincianos, curiosos intrusos dum interior esquecido, criadores de geração espontânea, de culto tradicional romeiros ou rameiros do pagode de aldeia, já que o verdadeiro espetáculo desta casa comum sempre se limitou a repolhos e alfaces dos palcos de Lisboa, a cabeça, por excelência, da macrocefalia nacional. Nesta matéria, como noutras, se insistiu durante séculos no monopólio do gosto, daí o ditado velho de Portugal ser Lisboa e o resto ser paisagem. Esta pouca ou nenhuma atenção para este movimento de amadores que algumas vezes alastrou com escala nacional nunca foi habituado a subsídios, elogios e benesses e muito menos aproveitado como potencial escola ou oficina, uma base natural que existia no país e que poderia, se aproveitada e motivada, contribuir de algum modo para elevar o grau dessa mesma cultura e instrução nos meios menos acessíveis.

Se é certo que o advento da televisão trouxe consigo o apagar quase total deste papel participativo das populações locais sobre o palco, utilizando adereços cívicos, tradicionais e culturais do próprio meio, também é certo que a televisão além de o matar esqueceu-o, excluindo de si e dos seus fins aquilo que poderia ser utilizado, incentivado e aproveitado em benefício de todos, tendo em mente a comunidade linguística e social que somos. Porque também a televisão tem pertencido á mesma macrocefalia da capital, também ela tem sofrido das mesmas enfermidades e só a fartura de autoestradas e quilómetros as tem tentado ultimamente a dar alguns passos, mesmo assim na perseguição do lucro e não na cultura, esta mais pindérica que outra coisa.

Nas últimas décadas, porém, a juntar-se aos poucos grupos que resistiram ao tempo e às dificuldades, surgiram algumas companhias profissionais de novas escolas nas principais cidades e juntaram-se ao rol dos subsídios atribuídos pelo ministério da Cultura, não os amadores, mas os projetos dos grupos profissionais, os quais são, por escassos e escolhidos, sujeitos á competição entre eles, ainda que com muito pouca clareza. Cresceram direções regionais de cultura com o seu diretor regional, um elemento nomeado conforme a política que ganha o poder para representar os seus interesses, mas naturalmente também a comunidade de atores e grupos profissionais da respetiva área. Isto continua a não retirar a macrocefalia a Lisboa, nem na letra da palavra nem na doutrina política, mas é um passo, ainda que não definitivo como sempre acontece na história que nos acompanha.

Queixam-se as companhias do Centro que a directora regional Celesta Amaro, não dará assistência ,nem apoio ,nem incentivo capaz aos grupos militantes existentes o que a ser verdade não faz senão continuar o traçado comum de sucessivos governantes  para quem a cultura é o Centro Cultural de Belém ou o Estádio da Luz, aos quais se pode juntar o estapafúrdico novo Museu dos Coches que, nascido numa bela cavalariça real do Palácio de Belém, foi transferido para um armazém de carroças na lateral da mesma praça com euros da CEE , sem  beleza e desnudado como Deus o pôs ao mundo, se fosse matéria humana como aquilo que representa.

Se tem andado mal a senhora como dizem as notícias, pelo menos é simpática, garantem os grupos, três deles em Viseu e um em Coimbra que receberem subsídios, mas também os restantes que não o receberam. Será pouco para a zona centro entre concorrentes que não sabemos quem foram nem quantos foram? Naturalmente será, mas nada foi para amadores, esses eternos amantes que se tentam espalhar de novo país fora. A cultura ministeriável é reservada a gente mais erudita e snobe, aos outros, o povo acrítico e alegre, bastará o Quim Barreiros, o amoroso Paulo, as novelas e as fogosas meninas das nossas televisões apocalípticas. A cultura é feita para o voto, não é o povo que faz a cultura, essa, a autêntica e genuína, vive na idade média do caminho, por ser coisa pouco vista ou apoiada por quem o devia fazer. Estranhamente, até os municípios encheram o país de cineteatros, comumente para servir os espectáculos das companhias da capital, raramente para estar abertos á cultura local como palco e escolas de aprendizagem nesta área das artes. Porquê? Regra geral porque não se pode estragar a estrutura e os seus equipamentos, que, sem essa componente livre e local, acabam por servir para pouca coisa.

Mas o mais estranho e caricato da questão, voltando á cultura do Centro, que na verdade em pouco ou nada se dá por ela, a coisa passa pelo regozijo que a simpática diretora regional mostrou ao passar recentemente por uma associação não apoiada elogiando-a, pelo facto da referida “não incomodar a administração central a pedir dinheiro “. No outro dia, na porta do seu gabinete em Coimbra, tinha pendurado um letreiro sucinto mas esclarecedor, “Não incomodar”.

A cultura do Centro, como se vê, a considerar este absurdo comentário, está em boas e simpáticas mãos. Só que Viseu não seguiu os conselhos da diretora e arrecadou os seus trocados, não se sabe por intermédio de quem, mas isso também é coisa normal nos subsídios públicos. Seja como for, num país onde a pedinchice é uma instituição pode ser d’outra maneira?

 Bolzano, Abril,2018

 

 

 

 

20
Ago17

ENGOLIR SAPOS VIVOS

Peter

 

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Na sala de visitas das Termas do Luso , esta obra prima destaca-se

N o estranho mundo partidário, os barões, á boa maneira lusitana, candidatam-se aos lugares políticos num caricato absolutismo como se fossem representantes exclusivos da democracia, da sabedoria e do poder. Neste caso do poder, ele de facto está tão mal repartido e exercido que a rua é o seu lugar, a influência o seu exercício, a dependência a sua autoridade, a irresponsabilidade a sua filosofia, a traficância o meio.

Não bastando a falta de compromissos qualificados e quantificados perante os eleitores, uns candidatos de Pedrogão Grande, onde recentemente se representou uma tragédia nacional de graves consequências, “marimbaram-se” para os militantes partidários e escolheram-se a eles próprios para candidatos às eleições. Os militantes revoltados queixaram-se, com razão, que serviriam apenas para pagar cotas e a coisa veio nos jornais mercê da visibilidade actual daquele concelho. Parece ser o Costa que vai apagar o fogo!

Curiosamente, o mesmo se passou no partido que detém o poder no município da Mealhada. O candidato a candidato, ao mesmo tempo presidente cessante com quase quarenta anos de tarimbeiro, se é que isso significa alguma coisa, escrupuloso quando Lisboa democraticamente o associou a uma candidatura, acabou por meter a viola no saco e fez o que fizeram em Pedrogão, proclamou-se candidato sem a opinião dos militantes e  aval dos órgãos próprios, como primeiro referiu quando lhe convinha armar-se em democrata. Para os militantes  não foi um grande exemplo da democracia que se cultiva no seio destes açambarcadores de poder, arautos dum paraíso concelhio que não existe, apenas apregoam, com assessores que o erário  público paga a favor dos seus propósitos  políticos. Há exemplos. No dia 2 de Agosto, um cheiro nauseabundo de pocilgas percorria a Mealhada para receber os clientes da fileira do leitão, mas o fenómeno fica na gaveta das omissões, não vá prejudicar os candidatos que não mexeram uma palha para resolver a questão que se arrasta há muitos anos. Tal como escondem ou não divulgam os dados oficiais sobre o turismo no concelho, todos eles coincidentes no retroceder das receitas nos últimos anos, bem como da diminuição da oferta de quartos e outros serviços, uma resposta inequívoca à incompetência que grassa na política levada a efeito nesta matéria pelo edil do turismo, o próprio presidente da autarquia, ou a situação actual das Termas do Luso, onde os balneários, em pleno Verão e mês de Agosto estão praticamente “às moscas” como sói dizer-se e a terra é invadida por romeiros de fim-de-semana a que chamam turistas sim, mas de pé rapado e garrafões na mão que nada deixam de riqueza no local. Esta é de facto a triste realidade a que chegou o concelho com um edil do turismo mais apostado na omissão das verdades que na procura de saídas para os problemas grandes e graves que o município enfrenta. Bastam-lhe “barbaridades” gratuitas como o não destino turístico ou o acabar da marca Luso-Buçaco que tem século e meio de existência e que hoje pretendem substituir por Mealhada-Buçaco para fazer da sede do concelho aquilo que não é. Esta sofreguidão irracional só tem trazido prejuízos ao território e não pode ter futuro sustentado porque lhe falta exactamente a sustentação de meios. A massa crítica nesta matéria é muito pobre e aquela que existe, fruto dos 150 anos de actividade termal, reside nas termas e é cuspida para fora da carroça do poder. Os destinos turísticos não se fazem a martelo e a picão, como se pensa na autarquia, são fruto do meio, do tempo e da experiência que se adquire em anos e anos de trabalho árduo e cujo saber e cultura tem que ser respeitado e aproveitado. Aqui, em vez disso, delapida-se por inveja ou por ciúme o saber acumulado. A total irresponsabilidade!

Outro tanto é a incapacidade autárquica junto do poder central no sentido de fazer cumprir ou renegociar a concessão da água, cujo contrato, que envolve o desenvolvimento do complexo termal, não está a ser rigorosamente cumprido. Estratégia turística para o concelho não há e a única que funciona vem da aposta na área desportiva na sequência do Centro de Estágios, uma estratégia que nasceu no Luso e não na cabeça ôca dos autarcas camarários, como hei-de relatar.

Não contente com estes fenómenos o candidato convidou para o seu elenco partidário gente do PSD, o seu real inimigo, não se sabendo hoje quem é quem dentro das listas que amanhã irão a sufrágio nem os “complôs” que sustentam estas manobras “maquiavélicas”, troca-tintas de quem disse cobras e lagartos dum partido, o socialista. Jogos de traficâncias políticas ou de troca de favores em que o candidato é perito, dá-nos ensejo para pensar que o PSD tem duas listas, uma própria, outra por procuração, casos da Mealhada e o do Luso, onde o partido, por escolha do “candidato senhor e amo” e não das dezenas de militantes locais que pagam quotas, continua a apostar no PSD. Quem quiser votar no partido socialista neste concelho, tem pois que engolir sapos e lagartos para seguir as bizarrias dum eterno candidato que só cai com a cadeira.

Por sua vez a autarquia , infelizmente um dos maiores empregadores num município onde a riqueza é escassa e pouco retributiva, tem um orçamento apetecível para o meio e como tal é objecto das influências da polítiquice local, perante um pequeno círculo de vinte mil habitantes. Não é segredo para ninguém que os partidos fora da área do mando têm tido dificuldade em compor as suas listas, exactamente porque as pessoas se desculpam com o emprego precário deste e daquele familiar que as autarquias, as fundações, as seitas e outros compadrios mantêm á laia de favor. O medo de represálias, ainda que o voto seja secreto, vive-se, alimenta-se e impõe-se hoje, exactamente como nos tempos de Salazar, uma vergonha nascida da municipalização impreparada e imune a que assistimos e que funciona em roda livre e profissionalizada por amadores bem pagos. A democracia rasca ou de low- cost  onde a transparência é nula.

Tenho andado a escrever há muito tempo nestas meras crónicas pessoais que a Câmara nunca terá dinheiro suficiente para recuperar o Buçaco, e na semana passada, o candidato e ainda presidente de um mandato onde não fez absolutamente nada para além de manter em serviço as mordomias das festas, reconheceu perante o novo secretário de Estado das Florestas em visita á serra, que não tem esse dinheiro para recuperar o património do Estado, e não terá nunca acrescento eu, que ando neste mundo há tempo demais para acreditar em milagres e promessas de tarimbeiros relapsos. Patético, simplesmente patético, este reconhecer forçado duma realidade que logo na altura se mostrou á evidência não ser possível e cujo desfecho se ficou a dever á própria Câmara que recusou do Estado a comparticipação, optando por meter-se num sarilho donde não pode facilmente sair, um erro imperdoável que nos tem custado caro em termos financeiros e patrimoniais. Registe-se que por tal motivo esta é a única fundação que não recebe do Estado qualquer verba.

Para acabar, outra coisa que me cheira a mofo e bolor nestas fanfarronices eleitoralistas, são as comissões de honra, algo anacrónico num tempo desmultiplicado pela digitalização da fibra óptica, smartphones e hologramas! Quando era novo e participava na organização de bailes, presidiam o Messias, o Figueiredo, o Melo, uma garantia á virgindade que hoje não se usa por escassez de donzelas !  Esses remakes dos salamaleques e da camisa TV são fenómenos absolutamente desparasitados, faziam parte integrante do espirito dum Estado Novo que morreu velho ou não morreu.  Acho-as coisas obsoletas, doentias, expressão dum saudosismo que as sociedades actuais já não interiorizam nem com alma nem com razão. Como me cheira igualmente a traça e bafio aquela gente da minha terra que assume cargos políticos para bronzear os dourados e nem sequer abre a boca na defesa do lugar onde nasceu. Honradamente quem vai para pagar jeitos com a boca do silêncio, era melhor abster-se, também honradamente. Uma retrete em quatro anos é um péssimo serviço prestado e no entanto há quem goste!

 O mundo  mudou há muito tempo, aqui nada mexeu!

Luso,Portela do Picado, Agosto,2017                                Águasdoluso.blogs.sapo.pt

10
Fev17

AINDA O CINEMA

Peter

cinemavelho.jpg

Ora aqui  temos, ainda que de fraca qualidade, uma

imagem original do Cine Teatro Avenida do Luso

construído na primeira metade do século passado por

emigrantes do Brasil.

Como se vê é um belo edificio que caracteriza uma

época com uma arquitetura própria e exclusiva para 

casas de cinema das quais existem dois ou três

exemplares em Portugal.

A Cãmara da Mealhada é  hoje o proprietário do

imovel, comprou-o há alguns anos. Completo. 

Foi  nas suas mãos que começou a ruir, hoje o

telhado da zona do palco está em franca queda

e todo o  resto ameça súbita ruína. 

Depois de ter reconstruído  os cinemas de Mealhada

e Pampilhosa que não sua pertença, a mesma 

autarquia deixa cair o das Termas, que é de seu

património.

Porque comprou a câmara o imóvel ? 

Se não era para reconstruir que outras razões e 

interesses levaram á efectivação do negócio?

Numa câmara tão exemplarmente gerida para

que servem as ruínas como esta, como a Junta

Nacional do Vinho, entregue ás ratazanas, como

uma antiga fábrica de cerâmica na Pampilhosa

só com paredes exteriores de pé?

Será gerir bem gastar o dinheiro do municipe

desta maneira ? E para que serve o milhão de

euros gastos nas àguas de Coimbra ou um

milhão e meio para a Mata Nacional do Buçaco,

que é património alheio?

Tudo isto deixa muitas interrogações no ar,

é pena não existir uma oposição  que esclareça

estas questões junto do poder local.

 

 

 

02
Ago16

A INUTILIDADE DA POLITICA LOCAL

Peter

teatro.jpg

sta é uma imagem do Cine Teatro Avenida do Luso no seu estado actual, propriedade da  Câmara da Mealhada, que o comprou para o deixar cair depois de recuperar dois outros cinemas do concelho. Este Teatro era no seu tempo o de mais rica arquitectura, igual a alguns outros espalhados pelo país .Hoje  adulterado na sua parte frontal, ainda está a tempo de ser reconstruído na sua  traça original, apesar do telhado já estar a ruir sobre a zona do palco , onde chove como na rua perante a inércia e o desinteresse  da dita Câmara como da Freguesia, este último um órgão politicamente manipulado pelo primeiro .A atitude da edilidade mealhadense, é algo vergonhoso e indigno, pois há quinze anos a esta parte recebe da empresa Águas do Luso cerca de  meio milhão de euros por ano para melhorar a terra e   os seus recursos turísticos  e dessa verba não se vê rasto na freguesia. A transparência sobre o destino desse dinheiro não existe, é segredo municipal quando deveria ser explicado em pormenor ao munícipe onde se gasta aquela verba para que não restem dúvidas a ninguém. Algo estranho e intolerável em democracia. A Junta de Freguesia cala-se, as Termas estão reduzidas a um terço e os empregos foram-se. Para silenciar a desgraça,  os edis promovem festas politicamente intencionais onde gastam milhares de euros de duvidoso retorno. O Luso, na prática, reduz-se a uma fonte pública que se transformou num engarrafamento colectivo. O concessionário termal, não sabemos se cumpre ou não o contrato de concessão e o município está  preso ou vendido pelo meio milhão que recebe do mesmo concessionário. Esta situação é degradante e intolerável e não defende de maneira nenhuma os interesses dos munícipes nem do município.

 

casapovo.jpg

 N esta outra fotografia podemos ver o velho solar da Miralinda situado no centro da vila , sede da extinta Casa do Povo e da Segurança Social . O seu estado degradante deve ilustrar o que o município tem por maravilha, pois nem este órgão nem a freguesia se interessaram ano após ano pela sua decadência. Em  País rico, onde pelo menos políticos são bem pagos, é assim, vive de foguetes e lágrimas. Segundo se depreende das actas municipais, a freguesia do Luso não vai ver um tostão nos próximos orçamentos, como não tem visto nos últimos, é território para riscar do mapa. Mas há dinheiro nos cofres da autarquia para festas, para banquetes das inventadas maravilhas, para comprar toda a sucata imobiliária que aparece, casas velhas e a ruir que se vão enchendo de silvas e poluição para comprar acções na bolsa de valores e pagar indeminizações chorudas a políticos dispensados. E para outros gastos supérfluos com a produção da imagem pessoal dos eleitos. No caso do Luso, objecto deste blog, a situação é degradante e o futuro é pouco prometedor, quando em boa verdade, as potencialidades continuam a ser grandes e a existir, só a incapacidade e a falta de objectivos e vontade impedem o desenvolvimento da terra, que  infelizmnte não depende de si para avançar, mas de forasteiros que nada sabem nem pretendem saber da vertente turistica do concelho. Sabem tanto ou tão pouco, que fizeram um posto de turismo onde não há turismo, mesmo assim fizeram-no pequeno, pois há dias quis lá entrar e eram tantos os turistas que estive numa fila de kilometros e desisti das informações....Sabem daquilo a potes!!!!!!Ridiculo, como se gasta o dinheiro dos outros!!!!

Quando se chegar o período eleitoral hão-de aparecer por aí vergonhosamente para transportar os militantes um a um á mesa de voto com promessas idiotas com que os hão-de enganar, a fim de se manterem nos postos de comando que perseguem como se fossem profissionais que não são. Mas acho que vamos ficando saturados das mesmas caras e dos mesmos métodos pouco democráticos e havemos de aprender a contornar  a malapata!!!!!!

 

09
Abr16

FONTE DE S.JOÂO

Peter

DSCN4545.jpg

Para que não haja duvidas sobre a qualidade da água

aqui fica a fotografia tirada em 26 de Janeiro passado, referente

a uma amostra recolhida em 12 de janeiro, conforme se pode

ver na foto e que  ainda se mantinha afixada em 6 de Março.

Isto parece ser  a  salutar prática em prol da pureza da

água. O Luso parece  estar na lista negra  da Câmara.

piramide.jpg

Nesta outra fotografia, tirada ontem, apesar da fraca

qualidade da chapa, pode-se ver que as autarquias, quer

Câmara quer Freguesia, não tem dinheiro para comprar

um litro de tinta maritima para mandar pintar o friso azul

em volta da pirâmide da Fonte S. João. Neste caso, o

comentário resume-se a dizer que há por aí muitas

pocilgas que estão mais limpas do que isto. 

HAJA DEUS!!!!!

 

09
Abr16

...

Peter

DSCN4545.jpg

Para que não haja duvidas sobre a qualidade da água

aqui fica a fotografia tirada em 26 de Janeiro passado, referente

a uma amostra recolhida em 12 de janeiro, conforme se pode

ver na foto e que  ainda se mantinha afixada em 6 de Março.

Isto parece ser  a  salutar prática em prol da pureza da

água. O Luso, convençam-se lusenses, está na lista negra

da Câmara.

piramide.jpg

Nesta outra fotografia, tirada ontem, apesar da fraca

qualidade da chapa, pode-se ver que as autarquias, quer

Câmara quer Freguesia, não tem dinheiro para comprar

um litro de tinta maritima para mandar pintar o friso azul

em volta da pirâmide da Fonte S. João. Neste caso, o

comentário resume-se a dizer que há por aí muitas

pocilgas que estão mais limpas do que isto. Haja alguma

decência !!!!!!

 

22
Jan16

A RUÍNA DAS TERMAS

Peter

 

RSCN4533[1]

 No mês de Julho do ano de 2009 escrevia eu neste jornal sob o título 15.000 dormidas estoiradas, um artigo criticando  a má gestão que o município aligeirava em relação às Termas do Luso e à sua redução e transformação em clinica ‘de luxo’, isto a propósito do seu encerramento para obras  no começo daquela época termal, no mês de Junho desse ano  cortando, município e concessionária em conluio, a receita desse Verão aos agentes da hotelaria local e por consequência ao próprio município. E fazendo contas, ainda que simples e de receitas primárias, iam, como foram ao ar, só em dormidas, qualquer coisa próxima de um milhão e duzentos mil euros, o que me pareceu  um abuso de poder e de respeito para com os eleitores e industriais, pelo simples facto das obras poderem esperar até ao fim do Verão pelo seu inicio, o que, ironicamente, veio a acontecer de forma casual mas com as termas fechadas. Comprovava-se assim a péssima gestão, a irresponsabilidade e a ignorância das coisas de hotelaria e turismo que dominava no executivo de então, cujas consequências em nada perturbaram os eleitos reinantes, como era de esperar.

Hoje, relendo o texto, não só não lhe retiro uma vírgula, como constato a perversão da estratégia levada a efeito então, se é que havia alguma estratégia em relação a matérias de turismo e hotelaria para esta autarquia, coisa que, no meu entender não existia e que hoje, face á actuação do actual executivo, me parece não existir também. Como cidadão do município e do país, é-me difícil observar e perceber o descer do movimento termal duma população de aquistas que nos últimos anos da pré-transformação em clinica rondava os 1.600 utilizadores e que hoje, os luxuosos aquistas da nova clinica  a preços de revenda e ainda subsidiados pela Câmara com dinheiro dos nossos impostos,  não cheguem a atingir os  600.Na realidade  nem a novidade nem a subvenção alteraram em absoluto a frequência do ano anterior , como na história do chinês, deu-se o dinheiro mas não a cana de pesca.

Com a construção do SPA reduzindo a área das termas a um terço, tal como foi autorizado pela autarquia Câmara ( alguns sábios  edis até foram recompensados com tachos em órgãos de turismo ) não se edificou  o SPA prometido às Termas do Luso, ou ao município da Mealhada, mas  um SPA para um hotel que até deixou de se chamar  das termas para ser apenas hotel. Com dinheiro da Comunidade Europeia, com dinheiro do Estado Português, e uns restos da cervejeira concessionária! Para quê afinal? Para destruir as Termas e a Fisioterapia que lhe estava agregada, para destruir pensões e casas de hospedes que enchiam a vila na época termal, para reduzir nos cofres municipais os impostos respectivos, para retirar ao concelho receitas certas e escorreitas de gente que trabalhou no duro para realizar o sonho do sábio mealhadense que foi Costa Simões, o grande pai impulsionador das Termas do Luso. A ele se deve o seu início e os passos fundamentais dos primeiros tempos. A política actual não é digna desse passado nem o douto sábio mereceria semelhante acto póstumo!

Todas estas transformações foram fruto da curiosidade, amadorismo e displicência de políticas erradas, na defesa duma empresa cervejeira contra interesses da população, e do concelho. Hoje, as Termas do Luso não existem, ocupam um terço das extintas instalações e um Spa praticamente ao serviço dum hotel. Das mais de mil camas que existiam há dez anos atrás na freguesia, existirão hoje trezentas, se tanto, pois entretanto as pensões fecharam, o pequeno comércio sobrevive com imensas dificuldades e a câmara municipal actual, pode acompanhar-se pelos planos e orçamentos anuais, não possui qualquer estratégia turística para o município nem qualquer plano que conduza a uma reformulação do complexo termal que era uma esperança subjacente nas últimas eleições. Assiste-se sim  á inauguração duma loja de turismo na sede do concelho, cuja freguesia, como sabemos, não tem praticamente actividade neste campo. Tratando-se duma loja da Rota do Vinho ou da Rota de Leitão, até estaríamos de acordo, mas sendo um posto de turismo, trata-se dum absurdo, de falta de bom senso, dum disparate levado a cabo por alguém que não sabe  o que está a fazer, além de ser fraco sinal para o futuro do sector.

Li e reli o plano de actividades e orçamento para o ano corrente. Li e reli actas do executivo e da Assembleia Municipal. E fico espantado que , no meio daquele relatório de coisa nenhuma, não haja um eleito  nestes órgãos do poder  da gestão local que levante a voz , alguém que diga uma palavra  que seja certa ou menos certa ,  a favor da reabilitação das Termas e da Fisioterapia e da reposição do espaço que lhe foi retirado pela incompetência de muitos  e sempre a favor dos interesses da concessionária cujo cumprimento do contrato se torna obscuro e duvidoso.

Esse é o problema estrutural e fundamental do Luso de hoje e do próprio município. Esse e a falta duma estratégia  correspondente ,calendarizada e com metas e objectivos para cumprir a tempo e horas. Recuso-me acreditar que os autarcas estejam calados pelas esmolas dos concessionários !!! Há leis neste país, órgãos políticos e órgãos judiciais e ainda existe um tribunal da CEE onde se pode lutar  contra abusos e tiranias. Julgo que é para isso , para defesa das populações, da riqueza e do património que nos pertence, pela busca duma vida melhor para todos , que elegemos alguém a quem pagamos bem, nada lhes ficamos a dever, com impostos que nos saem dos bolsos !

Embora não acredite em mais ninguém, continuo a acreditar num candidato que fez obra anterior e se comprometeu, antes do acto eleitoral a lutar até ao fim pela reabilitação do património que são as Termas do Luso! 

É sua a obrigação e o seu dever!                                                     Gotenborg,11 de Janeiro,2016                               

 

05
Fev15

LUSO COM GÁS...

Peter

com gaz.jpg

176-CRÓNICAS LOCAIS

Foi com alguma surpresa que o Luso apareceu hoje modificado pela esperteza do markting das águas. Isto porque, em tempos não muito longos o Luso já produziu água com gás para chegar à conclusão que   a água, na sua pureza original repele gazes, prefere ser lisa, como nasce. Desistiram então. Hoje, os experts repetem a experiência. Ora estas coisas  tem a ver directamente com o Luso, Luso é o  nome de terra, da localidade que já existia antes da nacionalidade, a água tem o seu nome , é  um produto antigo, filho do ambiente, natural, não é daqui  ou dali, é do Luso. E a concessão está pendurada na nascente termal, que o  dono Estado, nós por definição, pode pôr o concurso! A população está farta de ser espoliada do seu único bem, que é a água, pela concessionária da mina,  que essa mesma mina  é uma concessão do Estado Português a preços de saldo, Estado que não tem tido  homens à altura de proteger o património que a todos nós pertence. Quem ganha com a situação, não sabemos, mas o Luso ou Portugal, não são.

Essa população  antes de  tudo, gostaria de saber  porque razão aniquilaram a estância termal com  dinheiro dos contribuintes portugueses e da CEE, porque razão fecharam o bloco da fisioterapia, porque razão transferiram   a água encanada estrada abaixo  enchendo o vasilhame a cinco quilómetros da nascente, porque razão  mudaram os escritórios e a sede da empresa para Lisboa e depois para Cracóvia, na Polónia e porque razão o Luso e a sua freguesia recebem ZERO pela exploração da água da mina.

RSCN3902[2].JPG

 O ensaio  televisivo com gaz lacrimogénio!!!!

SIM, não é mentira , o LUSO E A SUA FREGUESIA NÃO RECEBEM QUALQUER COMPENSAÇÃO pela exploração da mina que tem no subsolo. ZERO. Isto é um absurdo dum país irresponsável que  não se cansa de sacar dinheiro ao cidadão para beneficiar extra terrestres da teia empresarial!  De estrangeiros no caso!!!!! Hoje apareceram aí armados em proprietários e mudaram o nome á terra. Pagaram a televisões para virem ver mas as mesmas televisões não quiseram ouvir quem tem as  suas razões no âmbito local. São as televisões que temos, vendidas! Transportaram em autocarros figurantes de Lisboa, duzentos e vinte quilómetros para cada lado e a ESTÂNCIA TERMAL DO LUSO que noutro tempo teve nome e movimento, está reduzida a um terço do que era em nome do desenvolvimento. Uma empresa que foi a maior empregadora do concelho, hoje deixa o concelho nu e  sem  futuro. São holandeses os seus donos, tem sede em Cracóvia, na Polónia e  vendem também uma cerveja chamada Heineken! Como conheço um bocado da Holanda não sei se são eles os promotores deste estado de coisas se os seus mandaretes nacionais, tradicionalmente mais papistas que o papa quando se trata do seu concidadão. Desta vez trouxeram garrafas de gás com àgua ou de àgua com gás para enganar o Zé, que era meu tio. Lacrimogênio é que devia ser! Cantaram e dançaram mas tudo, mesmo tudo, ensaiado para televisão filmar. Para o Luso, NADA, ZERO!!! Eles comem tudo!

Devia haver vergonha!!!!! Ou não deveria haver?

01
Out14

LUSO,O COLAPSO TERMAL

Peter

A realidade do Luso é esta, o Verão chegou ao fim sem canto do pisco. Muita gente até duvidou se existem termas , entre a realidade e a ficção quase não se deu por elas. Obras fora de tempo obstaram á normalidade e os fumos tóxicos ajudaram a espantar muita gente. Fizeram-se umas festas e animou-se a componente que cresceu, os garrafoneiros que aos milhares monopolizam as onze bicas da fonte. Se não fossem estes turistas de “pé rapado” teríamos passado á desertificação. Bebem um café, comem um bolo, dão uma volta pelas barracas, compram uma bandeira do fêkêpê ! A autarquia até fala em subir a taxa de ocupação, pensam que os vendedores ganham tanto como eles próprios, políticos. Mas aqui o dinheiro de facto não cai do ceu e a crise chega a todo o lado, é bom não esquecer.

Tudo contribuíu para o fim dum Verão pouco compensador. O que conta são quartos refeições e tratamentos, isso que cria a riqueza, e ninguém pode estar satisfeito com o que resta d’outros tempos. A terra está a morrer perante a incapacidade dos eleitos de fazer alguma coisa. E na Câmara, por arranjos políticos a que a vila é alheia,voltou a ficar de fora um edil que represente o Luso e grite pelos seus problemas no executivo. Uma agravo mais para a unica freguesia onde existe Know out do turismo e que não é aproveitado.Ontem fui ao correio, chamam -lhe correio, mas aquilo é o reflexo negativo do estado a que chegou a vila. Pior que o lwo cost são estas empresas pimba, mais uma economia pimba, uma governação pimba, coisas alimentadas pela imbecilidade duma comunicação pimba que se encarrega de lavagens constantes ao cérebro do cidadão. O Luso foi esvaziado como balão de oxigénio. Da riqueza que o fazia respirar levaram tudo. Engarrafamento, água, escritórios, correio, pensões, cafés ! Ficou um furo artesiano e um segurança de plantão para o guardar, ironia do destino! De toda a exploração que fazem das águas fica zero nesta terra ! Vergonhoso. Nem dos mais de quinhentos mil euros a que a geminação deu origem por iniciativa de gente do Luso, nem desses cá fica um tostão, foram canalizados para a Câmara, um acto grosseiro e ultrajante para essa mesma gente! As promessas dum parque industrial de Barrô com unidades de fabrico de sabonetes, shampôs, cosméticos, pomadas e produtos afins tem mais de quinze anos e já fez parte de pacotes pré eleitorais aos quais juntaram dois novos hotéis. Reproduzo as promessas, preto no branco, não passaram de mentiras. Alguém viu o parque industrial? As fábricas? Os hoteis? O emprego?

O que se vê na verdade, é que o bloco de fisioterapia nunca mais abriu, que o concessionário com a ajuda e o apoio da autarquia reduziu as termas a um terço do seu tamanho e de parceria com a mesma autarquia enterrou canos pelas estradas municipais para engarrafar na Vacariça. Qual foi a contrapartida para o Luso? Nenhuma. Fecharam os escritórios, alugaram as Termas, mudaram a sede. É para olhar passivamente para isto que temos representantes a quem demos o voto ?

Não terão os eleitos o dever de indagar se o contrato de concessão está a ser cumprido? Desenvolve ou não desenvolve as termas? Não terão o dever de informar das razões porque ardeu a Srª do Leite, uma relíquia do século XVII que poderia valer até cem mil euros e era patrimonio local ? Quem é o responsável? Não terão o dever de resolver o problema dos fumos tóxicos e de reabrir o dossier da barragem de Vale da Ribeira? O que fizeram em defesa do correio? Nada. Aceitaram comodamente o fecho! E pelo badalado Luso 2007, depois Inova? O mesmo nada e esta é a via de desinteresse e abandono que não serve Luso nem município nem munícipes.As potencialidades permanecem e Termas não as podem mudar para outro lugar do concelho. Nem mudar o Buçaco, como querem. Este caminho não , não é o caminho certo, nem honrado, nem honesto que a politica prometeu.E o Luso tem e deve gritar por aquilo a que tem direito se não quer correr o risco de ser tragado pela sua passividade. 

                                                                                                                                           Set.2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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