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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

30
Ago18

FALTA DE TANSPARÊNCIA

Peter

DSC_0752.JPG

 Como a Cãmara da Mealhada não cumpre as regras de transparência a que é obrigada no que diz respeito aos fundos que recebe do acordo com a Sociedade da Água de Luso , aqui trancrevo a respectiva lei.

Diz a dita  Lei nº 73 , de 03 de Setembro de 2013 :

Regime Financeiro das Autarquias Locais e Entidades Intermunicipais

Artº 7º  Principio da Transparência

1-A actividade  financeira das autarquias locais está sujeita ao principio da transparência que se traduz num dever de informação mutuo entre estas e o Estado, bem como no dever de divulgar aos cidadãos, de forma acessivel e rigorosa, a informação sobre a sua situação financeira.

2-O principio da transparência aplica-se igualmente á informação financeira respeitante às entidades participadas por autarquias locais e entidades intermunicipais que integram o sector local , bem como as concessões municipais  e parcerias publico-privadas.

 

Concretamente o municipe do concelho não sabe quanto recebe a Câmara da Sociedade da  Água do Luso da comparticipação anual por cada litro de água do Luso vendido por aquela empresa, na sequência  do contrato assinado entre a autarquia e aquela sociedade. Não se sabe excatamente o produto recebido nem o que é feito a essa verba , ainda que possamos calcular que estarão em jogo cerca de  cinco milhões euros  através dos vários anos de duração do acordo. Por uma questão de credibilidade e confiança entre a politica e o cidadão seria  bom que a autarquia usasse da clareza e transparência que determina a lei , acabando com o secretismo que parece existir na divulgação destes dados e com eventuais  dúvidas que se colaquem  aos cidadãos interessados,  sobre a quantia e destino destes fundos.Para além de cumprir  com rigor o que estipula a Lei nº 73 , de 03 de Setembro de 2013, como lhe compete.

17
Ago18

DONDE ÉS TU ? SOU DO LUSO!!!!!!!!!!

Peter

 

LUSO - Futebol Anos 40's.jpg

Para amenizar um pouco a crise de abandono porque passa

o Luso  aqui deixo a fotografia duma equipa de futebol tirada

em 1945 no Campo da Feira, onde hoje está a chreche Maria

do Resgate Salazar. Quando a bola saía para o Vale do

Castanheiro, tinha que se ir  buscar a Várzeas, o que era um

bom exercício. 

Na entrada do campo , ou estádio, talvez o primeiro que

existiu nas termas, estava a casa do Àlvaro Reu, uma  figura

incontornavel do tempo de então.Tenho uma ideia de que as

camisolas eram vermelhas, ou seja um  equipamento à Benfica ,

mas não posso garantir, mas os nomes dos artistas são todos

conhecidos e estão na lembrança  de muitos.

jazzluso.jpg

Para superar as tristezas e recordar alegrias, junto  mais ou

menos do mesmo tempo uma outra recordação, esta do jazz

do Luso que abrilhantava muitas vezes o baile do Atlético, 

do 1º de Dezembro e depois do Desportivo. Aí pontificava a

bateria do Nau , na foto  e ainda um sobrevivente desse tempo .

No Verão , sem dúvida muito mais animado do que hoje a terra

era uma pequena cidade. Pode até afirmar-se que foi a primeira

cidade do concelho, se  as cidades naquele tempo se fizessem

com aldrabices e por cima das leis, isto porque as termas durante

a época balnear eram  uma pequena cidade com mais vida que

as cidades cidades paróquia dos dias que correm.

filarmonica lusitana.jpg

A Filarmónica Lusitana, do Luso , 1985

O Luso tem também atrás de si uma velha história que não

 está contabilizada, nem contada  no que respeita a festas e

teatros, história vinda de antepassados que só acabam em

avós e bisavós distantes. Teatros houve vários, desde a casa

do Soares, á casa do Teatro do Abel Serafim que foi um

investidor pioneiro , casa que ainda hoje existe , ou o salão de

festas do Casino do Luso que foi palco de todo o género

de espectáculos incluindo  bailes, teatros, óperas, récitas,

conferências , cinema nos seus primeiros tempos.

luso rancholusas.jpg

O rancho Lusas

Sem dúvida a história mais rica do território concelhio

com o respectivo  património construido e cultural que hoje

pertence ao concelho da Mealhada, herdeiro da Vacariça.

Um municipio que por razões óbvias nunca deu ao Luso

a importância ou o valor que a freguesia possui, bem pelo

contrário, na história municipal raros são os casos em

que não hostilizou a freguesia, exceptuando duas figuras

impares, quer para as Termas quer para a  Mealhada, que 

foram Costa Simões e Messias Batista.

Faltaram vinte anos á terra para ter o destino nas suas

mãos e ser hoje um municipio capaz de ombrear com

Sintra, Óbidos ou S.Pedro do Sul, entre outros.

29
Jun18

LUSO, BURACOS FALAM CÂMARA DORME (1)

Peter

cine.jpg

 CINE TEATRO AVENIDA 

Há buracos por todo lado, uns que se abrem por si, outros abertos por encomenda, outros ainda da contra espionagem instalada no poder  “sportingado “das  sarjetas e capelas da política, afastados do interesse colectivo, próximos do pessoal.  Diariamente se abrem buracos  profundos no sub-solo  do solo, buracos entranhas que se escancaram  ás  maravilhas num posto turístico esgotado em permanência pela afluência de turistas á  capital do leitão. A Câmara ataca a alma das gentes, numa gestão desastrosa destruiu-se a si e destrói o que a cerca.

É no chão mal encanado dum  Luso  sem poder para gerir os seus bens que a administração  obsoleta da sede do concelho , ocasionais romeiros da politica sem norte e rumo, mostram a sua total incapacidade como actores políticos no momento que passa. No inicio da nova época balnear  a Câmara tem a estância termal num estado deplorável, lastimoso. Talvez envergonhada , incapaz,  escondida nos tojos do seu reduto de malabarismo amador  manda dizer pelos comissários da imprensa  que as Termas já não são  recurso turístico, não são recurso nenhum. Talvez o resto do concelho o seja, por isso o vemos invadido por turistas de todo o mundo por ruas citadinas onde se não pode andar nem conduzir, tal o movimento da  cidade fantasma. Talvez se riam satisfeitos  com a desgraça dos outros que começa por ser a deles  mas isto não é para rir, na sombra  destes risos irresponsáveis e sarcásticos o maior empregador da freguesia e do município  despediu-se para o estrangeiro e levou a sede ás costas. Sede, empregos, contas e lucros enquanto a Câmara com quatro vereadores a tempo inteiro gasta o orçamento em festas  continuadas  para entreter o seu pagode e encher de assessores a casa municipal Esta é a pobre realidade . Distraídos, não vêem mil camas do turismo desaparecer como por encanto  com todos os prejuízos inerentes sem que por uma vez que fosse ou seja, se ouvisse o descontentamento dum  eleito , o protesto dum politico num acto consciente , necessário e  urgente na defesa do património físico , cultural e económico  que nos pertence e que cumpre aos eleitos , em primeiro lugar, preservar e defender.  Nos órgãos municipais não se ouve um protesto pela simples razão de que politicamente estão presos numa teia de favores onde o poder sucumbiu á ética e á independência institucional. Por isso não enxergam os buracos que se espalharam pelas termas  e não reparam sequer que a época balnear já começou. Mordomos autonomeados dos festejos municipais onde gastam o nosso dinheiro em farto foguetório, esquecem o recomeço dumas termas que ajudaram a minimizar e com elas uma fatia  de economia  destinada a sustentar o cidadão onde o dinheiro não cai do céu como na autarquia. Assim se passa  ao largo sobre  a exigência mínima duma gestão corrente e sobre o mínimo respeito que se deve ao território e ás gentes que lhes deram  o voto e não se sabe porquê. Um absurdo freudiano!  Se caso não pretende o executivo gerir a freguesia é bom que expressem honesta e claramente os seus desejos, o caso é simples e a solução é fácil.  Assumam-no  com seriedade, tiram as mãos  de cima da sua administração que o Luso-Buçaco tem potencialidades suficientes para se desenvolver por si só como nunca terá nas mãos de executivos como este, uma pequenez de geringonça feita á pressa para melhorar reformas  mas que cada vez entende menos do que se passa  á sua volta. De restos haverá vizinhos  não distantes que nos podem tratar melhor , dar mais meios, respeito , simpatia e transparência de processos. Quem não gostará de ter no seu território  a marca Luso-Buçaco , uma marca universal com quase 200 anos de idade ? Manipulada hoje  por ignotos desconhecidos talvez nem nativos do concelho? Com que legitimidade ou saber?

Hoje não há um emprego na freguesia do Luso  e a Câmara , depois de fazer a triste figura que faz na feira de turismo de Lisboa retirando  do evento a freguesia que, quer queiram quer não é a que traz e trará de forma esmagadora mais turistas ao concelho,  passa uma esponja sobre os problemas que tem como se tudo fosse normal ?  Limitaram o trabalho ao recebimento mensal  do rendimento milionário que lhes pagamos para se esconderem  na comodidade climatizada da casa do concelho? Fazer política não é esta renúncia , este fugir quase cobarde ás questões que atingem os munícipes, mas é bem o contrário da gestão ruinosa que vemos á frente dos nossos olhos. O mundo não começa nem acaba aqui e muito menos nos dentes enferrujados da rotina socialista. Há mais democracia, mais partidos, mais cidadãos e mais vida para lá dos cartões partidários da tomada dum poder que amanhã muda de mãos. Na efemeridade dos fenómenos há sim que fazer mais e melhor com consciência e com sentido de Estado e do dever cumprido. Mais e melhor por um futuro melhor porém, não são  falácias á vista desarmada !

Na  pacatez da estância assumida no  turista pé descalço, garrafão e malheta maratona , bem vindo  em forma de estatística na água da fonte pública, agora abalizada pelas análises oficiosas  que acabaram  por magia ou encomenda com a impropriedade cíclica , estou como Henrique Neto,  ex candidato á presidência da republica que  a fauna  do compadrio  socrático  diabolizou , mas que conserva perfeita a saúde mental, a dignidade no olhar e o humanismo na  esperança de amanhã, ainda que Portugal seja , por laxismo, comodismo e atavismo , e ele sabe-o bem,  historicamente deficitário para com o miolo , a força motriz , a  energia e o coração do país, predicados melhores que tem no povo. O contrário , está nas elites sôfregas de  poder sem lei, de corrupção, na loucura e falta de senso , factores que nos conduzem ao poder irracional , desbragado e destruidor que olha por si em primeiro lugar em segundo e em terceiro…É dentro deste suborno politico partidário que se encontra a não importância do ruir do património físico, cultural, económico das termas do Luso. Há que respeitar o munícipe, sobretudo  aqueles poucos teimosos que, acreditando nas potencialidades locais dentro duma mini-economia de fragilidades  onde o primeiro beneficiário da riqueza não investe nem é obrigado a investir não cumprindo os seus deveres contratuais , há homens e mulheres que ainda acreditam nos outros , na sociedade, e corajosamente investem pelos seus meios próprios onde outros falham ou fogem. Há que reconhecer e respeitar esses sujeitos, que não são identificados no carnaval das honrarias bolorentas. Ainda bem, não é o lugar próprio para  quem crê e investe no município acreditando nele e em si. Os autarcas  não os conhecem .Não é difícil saber porquê.                                                    Luso,Junho,2018                           

 

27
Jun18

TOTAL ABANDONO

Peter

esplanada.jpg

A Explanada

 Como se vê, e não é tudo, isto está ao abandono. Fechado, 

esquecido, destruído. Por mil e um buracos, desde um cinema

sem telhado a um pavilhão em risco. Estamos no Luso,

Termas do Luso , ainda se diz. Com saudade.

Por um acaso infeliz da divisão administrativa pertence a um 

municipio chamado Mealhada, uma cidade deslumbrante.

No entanto é nesta freguesia do Luso que caiem todos

os turistas que  chegam ao concelho. Então fizeram

um pomposo posto de turismo na Mealhada , a pomposa cidade

e o do Luso, velho, com  mais de uma centena de anos de idade

é para acabar . Está  ainda aberto por favor dum sujeito especial

a quem tiram o chapéu e dão votos não se sabe bem porquê.

Acho que veio atrás da música. O que não tem importância,

também meu pai veio atras dela.Se bem ou mal é que não sei.

Ah,diferença é que  este faz festas e festanças. E dança.

O samba, acho eu. No caso do meu progenitor ele apenas

trabalhava. E até ganhava pouco! Mal. Muito mal.

Hoje querem inverter a curvatura do circulo e por 

egoismo , ganância , estupidez ou ignorância, tudo termos

da moralidade política, devo acrescentar, metem rodas nas

termas e  na Mata Nacionaldo Buçaco coisas cá da freguesia.

Para encravar a cidade no  meio do diabólico trânsito que  tem?

lago ruina.jpg

O LAGO DOS CISNES

Não. Nada disso. É que não lhes chegando a administração

nem os milhares de euros que a venda de água do Luso lhes

dá todos os anos,uma espécie de limpeza do que

éticamente não lhes pertence, insistem nas rodas. 

Querem as rodas. Querem aquilo que tendo , não querem

ter. Ou por outra querem dormir com as coisas como a

Mata Nacional e outras, na cabeceira da cama, na deslumbrante

cidade. Não vá o diabo tecê-las e acordarem sem elas.

Só assim se pode  entender a destruição operada.

Mas por mais que lhes ponham rodas as coisas não saiem

do sítio. Tal e qual como a barreira do Largo do Casino,

que caiu há uns meses com a chuva e não volta ao sítio por

si só. Nem que se pintem. Dizem que já cá veio uma engenheira,

se calhar alguma espécie, mas nada.

Por acaso fico espantado e ás vezes até incomodado com

tanta inteligência que há na sede do concelho onde eu nasci. 

Época balnear avante, não há onde o turista ponha o carro.

Não me tinha passado pela cabeça sequer que será para

o encanar para a deslumbrante cidade !!!!De facto há cada 

excelente cabeça!!!!! Não é de fracas moitas que sai um

bom coelho??Gordo, anafado, importante...

repuxo.jpg

 O REPUXO  PARA CIMA

Para mim é esperteza a mais. De cabeças de alho xôxo e

umbigos bem tratados. E cabeças de nabo! Sou burriqueiro, 

não sou cego e por bem  ou por mal conheço algum mundo!

Um mundo onde tudo corre para baixo.

Esqueci-me de informar que isto é sempre a descer e a

gravidade ainda existe .Não, não foi abolida.

Aliás a gravidade é muito mais certinha do que as rodas.

Se confiassem nela nada disto acontecia.

Mas não me admiro nada que qualquer dia façam  uma

fundação socrática para pôr a coisa a subir.  São espertos

para tanto, afinados como o mestre. 

Com a idade que tenho já nada me admira. Até já vi uns alguns

burros em corridas de cavalos!!! Embora nenhum  vencedor!

Vá lá agente entender para que serve pensar!

Mas o que é certo é que nem  Termas nem o diabo da Mata

Nacional se mexem. E os buracos são tantos e por tanto lado

que o municipio um dia vai á falência. Era  bom para uns e

maus para ouros. Como tudo na vida. Na life, meu !!!!

Era mau para os politicos mas talvez bom para o cidadão que

poderia ele própria remar a barca deste inferno e ter 

melhores resultados. E não gastava tanto dinheiro com eles.

Porque assim, com timoneiros de excelência , quer a minha

freguesia quer o concelho, estão absolutamente garantidos.

Só que eles pensam que não.

Ficam as photos  e aos meus amigos mealhadenses,

vítimas como eu e como nós , burriqueiros, 

da chafurdice da politica, permito-me um conselho, abram os

olhos. E podem crer que apesar de tudo os burriqueiros são

os que enxotam com ramos de  jibardeira a gente que

vai de burro. Não é tudo a mesma coisa!!!

 

05
Dez17

FORMOSA À PIA

Peter

 

DSCN5224.JPG

  N ão é comprida nem larga, podia chamar-lhe beco, viela, mas quis a toponímica oficial que se chamasse rua e assim figura o nome na identificação ainda que se lhe não conheça a ponta onde se pega o início ou se prolonga o fim. Porém é antiga, dos tempos em que o Luso não passava de dois pequenos lugares na nascente da ribeira dos Moinhos. Um denominado da Igreja, a nordeste, o outro, de Além a sudoeste, ligados pelo antigo caminho do Sentido. Esta via seria então o caminho principal da povoação descendo da Igreja aos milheirais da linha de água que atravessava numa rústica ponte, para subir do outro lado até às traseiras da Pensão Portugal que nasceu muito depois. Cortando na perpendicular o que veio ser mais tarde a Francisco Grandela, atravessava depois a “futura” rua da Pampilhosa na garagem do Joaquim Rocha, estrada nascida nos tempos de Emídio Navarro, quando mandou executar a urbanização das termas do Luso, uma das mais velhas urbanizações com pés e cabeça levada a cabo neste país de improvisos. Tão bem planeada que ainda hoje subsiste a sua modernidade e não fosse a desordenada e anárquica gestão municipal a cercear a continuação do trabalho iniciado há mais de um século e continuaria a vila a ser um exemplo na história. A velha estrada ou caminho, no soco urbano, era pois parte do chamado caminho do Sentido, que entalado entre as traseiras da Portugal e as novas habitações, veio a ser, nos cem metros em causa, a rua Formosa à Pia dos dias actuais. Metros de percurso que continuavam a meia encosta pela Quinta do Viso, pelo posterior do Casal Filomena, pelo Vale da Ribeira, Curral Velho, Quinta do Sentido e Louredo, antes de existir a estrada actual para Sazes, Lorvão e Penacova. Claro que falamos de alguns sítios e lugares não existentes na altura e doutros que foram em paralelo surgindo com o desenvolvimento das Termas, o evidente motor do crescimento do sítio.

Se viajando no tempo voltássemos á tarde do dia 29 de Junho de 1628 assistiríamos à chegada dos primeiros obreiros do Convento do Buçaco á casa dos arcos que ocuparam na “Formosa à Pia,” assim chamada porque o primeiro piso assentava sobre arcadas, arquitectura típica dos seculos catorze e quinze. Chegados de Aveiro, eram eles Frei Tomás de São Cirilo, Frei João Batista e Alberto da Virgem, carregando consigo três cobertores para a cama, uns peixes para a boca e dez cruzados para o começo da obra. Mas logo a 25 de Julho seguinte se lhes juntaram Frei Bento dos Mártires, Frei António do Espirito Santo e o irmão flaviense António das Chagas, oficial de alvenaria. Foi dali que subiram diariamente à serra para preparar os terrenos e lançar a primeira pedra do edifício no dia 7 de Agosto do mesmo ano e nos finais do mês já os encontraríamos definitivamente instalados no Buçaco. A 19 de Março de 1630 deram por fim início á vida em comunidade.Da estadia no Luso ficou a casa até há bem pouco tempo, quando foi sobre ela erguida uma segunda e moderna habitação no cotovelo que junta em meia dúzia de degraus a Pia à rua da Pampilhosa.

Ora quando a partir dos meados do séc. XIX o Luso iniciou o seu percurso termal que curiosamente o município recusou em sessão de Câmara despoletando a solução duma sociedade por quotas, o crescimento deu lugar á construção de novos edifícios cujo número foi aumentando década após década, foi para a via do Sentido que foi aberta a porta da cozinha da Pensão Portugal na qual o proprietário incluiu uma taberna cujo balcão de atendimento dava para a mesma rua, viela ou travessa. O vinho para uso da pensão era porém guardado na cave em frente, em velhas pias de azeite que serviam de garrafeira improvisada empilhadas umas sobre as outras e onde o Adelino, jovem filho do casual taberneiro, de vez em quando juntava os amigos  em convívios petisqueiros que não seriam molhados a água da fonte, mas sim a vinhos da pia. E porque o álcool trepasse ou a moderação faltasseno equilíbrio dos corpos e das coisas, sucedeu que um dos convivas caiu dentro duma pia numa noite fria de Inverno, vendo-se grego o grupo para o levantar do assento, e no dia seguinte, já nas instalações do Luso Ginásio Club que funcionava no cotovelo do sul, resolveram rebaptizar a rua que ao tempo não tinha nome com a denominação de Formosa. Pudera!Mas Formosa era já a rua da Ti Nazaré atrás da Lusa ao Outeiro do Bodo , no outro lado, o da Igreja onde a Nazaré possuía  negócio de loureiro com uso de vários anos  e donde o Barraqueiro era decano com outros  frequentadores da Oliveira da Sorte e também palco que o Alves do Monte Novo não raro utilizava para declamar o seu “fufu carago, fufu” antes de subir Velal acima quando conseguia ultrapassar , ziguezagueando, a Fonte do Castanheiro. A solução foi acrescentar à pia a formosura e assim, no ano de 1958, numa tarde de sol, foi organizada a cerimónia do batismo começada e acabada com um discurso do Vladimiro , filho da D. Olga dos Correios e com a presença dos moradores do beco e convidados. Rua Formosa à Pia foi o nome sublinhado em honra á pia do azeite, consequência da bondade do vinho como a posteridade supõe e supõe bem, sem enoturismo e sem gralhas da politiquice.Cinquenta anosdepois,indo casualmente a uma sessão de Câmara a proposta oficial por um nome naquela artéria, concordou o executivo camarário unanimemente com a denominação e assim foi registada nos regulamentos toponímicos locais e nas placas que lhe dão hoje o suficiente identificar.

PS- Crónica escrita a pedido dum morador que forneceu dados essenciais sobre o assunto em razão de duvidosas questões sobre as origens do nome. Aqui fica a narrativa sobre o quanto é sabido da Rua Formosa, À Pia.

 

18
Mai17

PÁSCOA ; UM FANTÁSTICO FOLAR

Peter

 

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Uma imagem eloquente da Câmara da Mealhada...

 Finalmente a época pascal trouxe ao município um fantástico folar. Ainda as eleições vem no adro, em Outubro, mas o cesto dos ovos começa cedo  a encher, as galinhas poedeiras, rijas como um galo de idade já proveta, depois de quatro anos de fome deitam  fartura pelo rabo, uma espécie de multiplicação dos pães na época da ressurreição do Senhor, um milagre depois de quatro anos sem dinheiro e sem ideias , tirado da cartola  dos estrategas políticos  do concelho. As obras futuras que têm sido anunciadas na imprensa da região são tantas em quantidade e volume de custos que num país em crise e a viver na corda bamba duma divida tolerada é provavelmente  impossível a sua concretização!

Excluindo uma mina de ouro ou poços de petróleo descobertos no município, coisa que não aconteceu, só o melodrama dos votos pode justificar este empanturrar do eleitor com promessas  que o tempo dirá são balões de oxigénio para manter no poder o mesmo poder.  De resto, simples contas de somar e subtrair transformam a fartura das obras em  propaganda política, não se sabe se paga se gratuita, embora custe acreditar que a imprensa regional, vivendo ela própria a balões de oxigénio, se preste a um serviço sem retorno que lhe compense os gastos próprios. Adiante!

No caso destas permanentes notificações induzidas, que custam caro ao eleitor pelos jornais e assessorias de pré-campanha , cabe sempre o anúncio da recandidatura dum Buçaco extremamente degradado a património da Unesco denunciando a falta de transparência e  o engano, não existindo honestidade política neste desfraldar de bandeiras, visto que se trata de anunciar como novo aquilo que já tem barbas, retirando aos eleitos de 2004 a iniciativa do início do processo e a sua inclusão na lista nacional de candidatos a partir daquela data. Agora, limitam-se a relembrar a inclusão no Buçaco na lista entre comes e foguetes como novidade,  muito mal pareceria se o não fizessem como simples gestão  do dia-a-dia da Câmara, mas fazer de nós, eleitores, parvos ou ignorantes, ultrapassa a honestidade da politiquice caseira tomando-nos por esquecidos, tolos ou  bom campo de ludíbrio.

São os foguetes supérfluos, o logro e a sem vergonha política do pequeno poder local. O mérito se o haveria de haver, não está com esta gente mas com quem promoveu esse primeiro passo, porque o seguinte, o dossier de candidatura, nunca ninguém o entregou, continua aguardando entre as teias do edifício municipal pelos primeiros passos, embora já tenham sido, também na senda do mesmo logro, anunciados.

Mas voltando ao assunto inicial, convém perguntar porém onde vai buscar a tesouraria municipal verbas para uma Etar, dois mercados municipais, um edifício novo para Paços do Concelho, a remodelação duma escola Secundária, um teatro em fase de acabamentos, obras na Mata Nacional, a manutenção do Palace Hotel, etc,etc?

Palavra que as contas são difíceis de fazer , mas tornam-se fáceis em ano eleitoral, pois prometer não custa nada. Se o anterior mandato foi destinado às pessoas e se gastou o dinheiro em rijas festas, este irá ser destinado às obras e já se gasta em foguetes. Porque obras, obras, só  o aumento da etar ou uma contrução nova , a única coisa prioritária deste vasto e grandioso plano, poderá levar as disponibilidades autárquicas ao rasoiro das gavetas e esperar comparticipações  de fundos europeus vai ser uma lotaria duvidosa num Portugal que continua a necessitar de gerir rigorosamente os gastos e aumentar a riqueza com investimento reprodutivo. Como as autarquias não reproduzem nada, pergunta-se se isto é um festival de hipóteses, intenções e de moedas ao ar, questão de caras ou coroas.

O único sentido destas obras, diga-se, passa por dilatar em futuros mandatos políticos a sua execução e espalhar perfume de rameira na pré-campanha, onde nem sequer há uma oposição capaz para denunciar um poder que há trinta anos repete a mesma cartilha e hoje arruína as duas principais riquezas de contexto europeu que existem no pequeno município, o Buçaco e as Termas. É o chauvinismo concelhio, outra asneira dos políticos redutores que temos tido, ser ainda mais pequena a cabeça que o território e não ter oposição ou tê-la para dizer ámen por qualquer razão incógnita. Política sem opositores é uma casa sem mulher e pensar que tudo estará bem no silêncio que se escuta é o pior  sinal da podridão dum sistema.

Temos ainda presente a trama antiga que só a queda da cadeira conseguiu alterar nos seus alicerces dogmáticos. Hoje, na mesma esfera de limites, agarram-se à cadeira como as lapas às rochas das marés, gabam-se e festejam-se a si próprios e chegam à vergonha de afirmar que vão a jogo se...se decidirem por todos, se escolherem os outros, se mandarem por todos , uma maneira de armar em democracia pessoal quando Lisboa é que manda. Este condicional democrático que foi a democracia do que foi e é a democracia do que é, tem pouco suco para dar, está gasta e corrompida, precisa de ideias, de mudança, de seriedade  e de valores . É o regime que apodrece, não a política em si.

Estas exigências baronis, filtradas por funil de latoeiro em desuso, juntas com  afirmações irresponsáveis sobre o não destino turístico do Luso e do Buçaco feitas pelo edil do pelouro e suposto candidato aos microfones duma rádio , seriam suficientes para não ter condições para se recandidatar ao lugar que ocupa e que mediocremente exerceu no mandato que termina. Mas o concelho é frágil, dependente e pouco temerário na escassez da massa crítica de que enferma e dos empregos que distribui. Vivemos em brincadeiras de mau gosto onde se faz duma arte, a da política, uma mascarada de entrudos , onde nem uma oposição que tem o dever de se afirmar pelas suas próprias causas e soluções, existe  no terreno. Que razões estarão por trás deste aneurisma alguma vez se saberá?

PS. Cabe referir igualmente a inutilidade duma Asembleia Muncipal controlada pelo executivo, totalmente incapaz de dar uma para a caixa no concerto municipal . Entre afectos e do contra parecem da mesma confraria !

Quinto  ,Abril,2017                      Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

 

05
Mar17

AS TERMAS

Peter

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N  este mês de Fevereiro as Termas do Luso mudaram de dono mais uma vez. Não sei se mudar de dono será o termo apropriado para sublinhar o fenómeno, pois um acontecimento contrário havido há poucos anos desmembrou a estrutura accionista da empresa em duas metades imperfeitas, metades essas agora devolvidas ao primitivo estado, ou seja, á posse do proprietário original, a sociedade das águas. Leva-nos a crer que tudo não passou de arranjos e desarranjos nas barbas dum poder político falido, um “trinta e um de boca” como diz o português, dada a aparente facilidade com que tudo se faz e se desfaz nas mãos do concessionário sem intervenção do concessor. Na prática um gestor que nunca fez falta á terra foi-se embora e outro que mantem algumas ligações á terra tomou conta da gestão, segundo as nossas fontes provisoriamente e dentro dum acordo que retira a propriedade termal a essa gestão independente através do ex-hotel das termas.

Na situação precária em que está a estância no que diz respeito a utentes e serviços prestados, este passo é mais um episódio da saga dos balneários que tinham os mil e seiscentos utentes que com frequência relembro antes da “requalificação “ ( já teve quatro mil)  e hoje nem atingem o número de seiscentos depois da “requalificação.” O desastre está na clara evidência dos números dêem-lhes as voltas que quiserem os intervenientes.

Se algo de positivo se sentiu em redor desde acto empresarial foi o recato, o pouco alarido em volta da questão, o que tanto pode significar coisa nenhuma como significar alguma prudência no assumir dum novo estilo, por falta de perspectivas ou definições sobre o futuro ou, como seria bom para o território, o enveredar cautelosamente por cumprir o contrato de concessão e ressuscitar o complexo termal e as valências que sucumbiram no investimento requalificativo, três milhões comparticipados a mais de setenta por cento pela CEE e não três milhões do bolso da empresa como quis fazer passar o seu orador oficial no acto testemunhado.

Se assim não for, será mais um passo em falso na valorização das termas e de todo o território municipal e este reassumir dum protagonismo na matéria não terá peso nem medida no tecido económico envolvente. O território, perante a incapacidade política de trinta anos de poder, precisa tanto das termas como de gente nova com massa cinzenta que desafie a estagnação existente e procure vias diferentes para o seu desenvolvimento,  bem situado mas perpetuamente  carente de ideias , desafios e apostas certas.

Nas termas, é a sociedade das águas quem recolhe o único proveito da maior riqueza existente no subsolo local mercê da concessão que tem do Estado Português e que, quer pelo contrato, pela legislação ou por simples dever ético deveria ser o motor do desenvolvimento local através da área que dirige e explora. Isso que faz parte da concessão de qualquer bem público e não tem sido cumprido, destruiu a vila termal, desfez empregos, fechou quartos e unidades de alojamento, arrasa o pequeno comércio, com a activa cumplicidade duma autarquia apostada numa política destrutiva. Em pouco tempo se acabou com o sonho dum homem sério e de visão, o único nascido neste concelho, Costa Simões, um pioneiro de olhos abertos e com amor e interesse pela sua terra.

No recente ato pronunciado, algumas palavras dos responsáveis terão pretendido dar garantia aos eventuais protocolos existentes, presumimos uma abertura ao exterior. São palavras apenas, oxalá esses desígnios sejam cumpridos e as estruturas termais não se venham a transformar num complexo privado ao serviço da unidade hoteleira que o abrigou, deixando o pouco que resta da vila termal ao abandono. Uma coisa é certa, enquanto o concessionário termal não der sinais doutra postura e prática consoante os deveres contratuais que englobam águas e termas, a pouca credibilidade mantem-se, as termas serão o anedotário em que se transformaram e sem investimentos e uma gestão criteriosa e agressiva continuarão a não trazer clientes como vem acontecendo.

De facto, se a concessionária, único beneficiário do bem que é a água da mina , não investe para lá da água engarrafada, quem irá investir num amanhã em que o próprio explorador do possuído não acredita?

Como o poder artesanal que nos governa, local e o nacional que é responsável pela concessão, e não a autarquia Câmara através do logro que faz passar por aí, estão por qualquer razão adormecidos, apenas as palavras proferidas no acto da mudança, ouvidas e escritas nos pequenos jornais locais deixam uma mínima nesga de profética esperança no sentido de que alguma coisa possa mudar no estabelecimento termal que venha a ter alguma repercussão positiva no município.

PS- A propósito de município, gostava de sugerir um peditório entre todo o cidadão deste concelho a favor da Câmara Municipal com o fim de ser utilizado na reposição dum vidro da cúpula da Fonte de S. João, um vidro que se encontra partido e estilhaçado há um ano, pois pelos vistos a autarquia não tem dinheiro para o comprar e mandar repor no sítio. Em simultâneo aproveitavam para pintar de azul o nojento rebordo da mesma cúpula que se encontra impróprio para ser visitado por qualquer turista ou cidadão. Como os autarcas não têm vergonha eu próprio colocarei á disposição, se necessário, uma lata de cinco litros de tinta para o efeito. É quanto basta!

Luso,Fevereiro,2017                                                                   

 

 

 

 

 

 

10
Fev17

AINDA O CINEMA

Peter

cinemavelho.jpg

Ora aqui  temos, ainda que de fraca qualidade, uma

imagem original do Cine Teatro Avenida do Luso

construído na primeira metade do século passado por

emigrantes do Brasil.

Como se vê é um belo edificio que caracteriza uma

época com uma arquitetura própria e exclusiva para 

casas de cinema das quais existem dois ou três

exemplares em Portugal.

A Cãmara da Mealhada é  hoje o proprietário do

imovel, comprou-o há alguns anos. Completo. 

Foi  nas suas mãos que começou a ruir, hoje o

telhado da zona do palco está em franca queda

e todo o  resto ameça súbita ruína. 

Depois de ter reconstruído  os cinemas de Mealhada

e Pampilhosa que não sua pertença, a mesma 

autarquia deixa cair o das Termas, que é de seu

património.

Porque comprou a câmara o imóvel ? 

Se não era para reconstruir que outras razões e 

interesses levaram á efectivação do negócio?

Numa câmara tão exemplarmente gerida para

que servem as ruínas como esta, como a Junta

Nacional do Vinho, entregue ás ratazanas, como

uma antiga fábrica de cerâmica na Pampilhosa

só com paredes exteriores de pé?

Será gerir bem gastar o dinheiro do municipe

desta maneira ? E para que serve o milhão de

euros gastos nas àguas de Coimbra ou um

milhão e meio para a Mata Nacional do Buçaco,

que é património alheio?

Tudo isto deixa muitas interrogações no ar,

é pena não existir uma oposição  que esclareça

estas questões junto do poder local.

 

 

 

09
Dez16

SALTIMBANCOS DO LUSO

Peter

RSCN4664.JPG

 Começo por pedir desculpa aos leitores pelo título que coloquei no cimo desta crónica, referente ao espectáculo que as instituições de apoio social levaram a efeito no teatro Messias em datas recentes. E peço desculpa porque o referido teatrinho, nem drama, nem farsa, nem comédia, nem revista, mas uma amálgama de tudo, representa muitas horas e muito esforço e vontade de munícipes interessados numa área de apoio social, coisa que é importante demais no contexto da profunda crise em que vivemos para que se possa esquecer ou desrespeitar. Bem pelo contrário devemos realçar os actos daqueles que meritoriamente participam gratuitamente no bem comum e distingui-los exemplarmente daqueles outros que correm por dinheiros públicos, andando atrás de tachos e panelas num frenesim maior que nos velhos tempos de Salazar. Então, havia mesmo algum comedimento, hoje não há nenhum.

Se fizermos as contas á receita do teatrinho, chamo-lhes saltimbancos referindo-me á participação do Luso, receita que suponho irá para os cofres sempre vazios das instituições de solidariedade social e a compararmos com os custos que as autarquias suportarão com as festas, iluminações e espectáculos de Natal, na sua grande maioria inúteis, essa receita, fruto do trabalho voluntário dos munícipes, será ridícula. Muito mais ridícula se a comparação for com um ano de festas e romarias ou com os subsídios ao futebol e outros desportos, estes acrescidos dos custos de construção, manutenção, energia e água das estruturas respectivas, tudo verbas que o munícipe, mercê de políticas absurdas, tem que pagar. E ainda mais ridícula se acrescentarmos os custos dos políticos e das suas asneiras, dos assessores, fundações e por aí fora, um rol de benesses criadas no pós 25 de Abril, aproveitadas por alguns, num contraste evidente com a vida da esmagadora maioria dos portugueses que se limitam a viver pouco além dos limites da sobrevivência. Neste contraste, incluem-se aqueles que vivem da esmola, da sopa dos pobres igual á de antigamente, das lojas sociais, coisas que estiveram nas razões que levaram á revolução dos cravos, hoje contrariada, explorada e esquecida por políticos que se colam como lapas ao lodo marginal de oportunidade e amadorismo.

Nesta perspectiva considero que o espectáculo que há dias decorreu no Teatro Messias não passa, para a politiquice concelhia, dum teatrinho da treta, algo que teve por objectivo os votos do ano que se avizinha para perpetuar os lugares de donos disto tudo. A presença de alguns oradores de improvisos acautelou o assunto justificando o acto. Talvez um teatrinho com nome grande, mas teatrinho pela sua própria condição de simples amadores interessados no bem comum e por isso massa capaz de gerar essa popularidade que a politiquice prontamente aproveita. Dispensava-se essa acutilância oportuna maculada por fins autoritários. Tiremos pois ás coisas aquilo que ás coisas não pertencem para separar o que é trigo do que é joio.

Brilharam os saltimbancos do Luso, eu chamo-lhes saltimbancos porque de facto são o que são enquanto a Câmara Municipal, que é da ex-freguesia da Antes, com desculpas aos naturais do lugar que nada tem a ver com isto, continuar com a sua desastrada actuação política que mete o Luso, tal como mete a Mealhada, nos alforges do esquecimento, continuando a destruição das Termas e da vila por pura omissão e a da Mata Nacional pela história do sapateiro que não tem pés para os sapatos que se dispõe calçar. Assim se compreende a ausência de representantes das duas freguesias, e outras que me não dizem respeito, no elenco partidário da área do poder, curiosamente sempre oriundos como por hereditariedade dos mesmos locais. É a democracia que temos, de chafuz !

Perante uma oposição silenciosa e acomodada, a oligarquia instalou-se neste pequeno poder, as clientelas políticas entram em pré-campanha eleitoral procurando perpetuar os seus lugares, profissionalizam o dever cívico e rebentam em festas e romarias encomendadas através de empresas e empresários pagos, intermediários do sucesso político e fazedores de imagens de candidatos. A meu ver, o exagero das festividades ultrapassam em muito o razoável, parece-me que o munícipe, cujo dia a dia não é assim tão festivaleiro, tem necessidades mais prementes, úteis e necessárias por satisfazer que bailaricos e arraiais autárquicos, a que nem o rigor dum Inverno húmido e chuvoso escapa.

Aparentemente Portugal é um país rico, os executivos, o nosso incluído, não escondem a abundância de recursos para queimar em foguetório, mas há quem receie que os gastos pré eleitorais das administrações não centrais possa vir a impedir o cumprimento das metas de Bruxelas o que nos fará voltar ao aperto do cinto para o cidadão. Também o Presidente da Republica, um homem que surpreende os portugueses pela sua simpatia, proximidade e seriedade, aconselha moderação, equilíbrio e bom senso na defesa dos interesses do país e dos mais necessitados, coisas que festas e romarias contrariam, dando proveito sim a  artistas e a bobos, quase uma constante com utilização de dinheiros públicos que diariamente pedimos de empréstimo ao estrangeiro para poder comer.

Pagando juros bem altos!

Se a procissão vai no adro como aconteceu nos bancos, não se sabe, oxalá a fatura do regabofe não venha a surgir depois, porque essa, sem dúvida seremos nós a pagar e não a ambição e cegueira dos que representam os papéis públicos com exagero de meios.

Quanto aos saltimbancos do Luso, espezinhados pelo poder local quando comprou por trinta ou quarenta mil euros o Teatro Avenida para o reconstruir, abandonando-o depois á ruina em que se encontra, esses responderam á chamada da solidariedade, cumpriram deveres que os seus representantes eleitos não cumprem nem mesmo quando recebem anualmente desta freguesia dinheiro arranjado por ela, oriundo da sua riqueza, e que dará para pôr em pé durante os quatro anos do mandato seguramente quatro teatros iguais.

Este executivo, cuja cabeça hierárquica vem da ex-freguesia citada atrás, está fora dos problemas e interesses concelhios, pouco interessado em os resolver e a sua actuação em relação a territórios como o Luso ou a Mealhada, e não quero citar outros, tem sido pouco feliz, senão mesmo desastrosa.

No caso gravoso da defesa das termas, talvez a maior potencialidade deste município, não deram um único passo na tentativa da sua recuperação ou do cumprimento dum contrato de concessão que provavelmente não é cumprido. Esta é uma inacção imperdoável, uma incapacidade que roça a completa irresponsabilidade na defesa dos interesses não só da freguesia termal, como do município, da sua riqueza, das suas mais valias e dos seus empregos. Podem contratar os assessores que quiserem que é fácil e barato, mas dificilmente apagarão a imagem dum trabalho medíocre e inexistente.

Parabéns aos saltimbancos que, ensaiando no meio da rua, deram uma digna lição de amor, solidariedade e arte cénica, mostrando que a freguesia, mesmo em condições precárias, continua a manter neste capitulo uma velha experiência de saber e qualidade, mas que corre o risco de se perder face á atitudes como estas, de autarcas com dois pesos e duas medidas num pequeno concelho de filhos e enteados.                                     

Luso,Novembro,2016                Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

11
Ago16

BREVE HISTÓRIA DUM FOGO

Peter

DSC_0158[1].JPG

Os primeiros passos dum grande fogo, foram mais

ou menos assim...

DSC_0178[1].JPG

 ...e assim continuaram os sinais aproximando-se

do campo visual

 

DSC_0225[1].JPG

...da zona urbana pressagiando o pior quando o vento

soprou e se fez ventania...

CSC_0278[1].JPG

as chamas instalaram-se  em redor para alarme dos

homens aflitos....e atacaram as casas e os bens

fogo.jpg

. ..e instalou-se o fogo , acontecendo o caos, com o

 monstruoso amigo do alheio

DSC_0255[1].JPG

o último comboio  atravessou a ponte   e lento

desapareceu subindo a serra...

DSC_0273[1].JPG

nas noites que se seguiram muitos dormiram

acordados  no seu desassossego (Várzeas-Luso)

CSC_0266[1].JPG

os canadairs de efeitos milagrosos foram poucos para

acabar trabalhos

CSC_0280[1].JPG

os bombeiros, as pessoas, os proprietários,a luta,

o medo,o cansaço, a solidariedade...

CSC_0281[1].JPG

o amanhã.na esperança de quem sofre...o povo

deste país!

(tudo vale a pena se a alma não é pequena)

Fernando Pessoa

(texto e fotos do autor do blog)

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