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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

05
Out18

ANTIGUIDADES

Peter

casino.jpg

UMA FOTOGRAFIA DO CASINO DOS PRIMEIROS ANOS DE 9OO.

COMO SE OBSERVA NÃO EXISTE O EDIFICIO DO CAFÉ. 

EM  CIMA E Á DIREITA O   HOTEL ALEGRE , ENTÃO HOTEL.

CENTRAL . A CALECHE  ESTACIONADA É O TAXI.

 

carros.jpg

NESTA OUTRA IMAGEM CARROS DE  PRAÇA DOS MEADOS

DOS ANOS DE 9OO , NO LARGO DO CASINO.

27
Set18

MUNICÍPIO DE CASTIGO ?????

Peter

...de castigo está o Municipio todo por causa dos quinhentos mil euros que vão ser gastos em todas essas obras"...

fonte cor1.jpg

 Estas são palavras do senhor Marqueiro presidente da Câmara a propósito dos gastos com a recuperação do lago, piscina e cafetaria nas Termas do Luso, palavras proferidas na última Assembleia Municipal. Não se pode estar senão em absoluto desacordo politico com a sua opinião. Por variadas razões. E cito.

Em primeiro lugar porque 500 mil euros são cem mil contos antigos que hoje mal chegam para comprar três assoalhadas; segundo porque a obra do pavilhão foi lançada e executada sobre a responsabilidade do próprio; terceiro porque lendo as actas da Câmara ou o orçamento anual é fácil encontrar soma  maior com carnavais, festas, assessores ,almoços e quejandos; quarto porque nunca a Câmara fez manutenção ás estruturas do lago e pavilhão; quinto porque deve entrar aqui a história dos dois ou três cêntimos que a Câmara recebe da Sociedade da Água do Luso por  litro de água vendido que deviam ser gastos na freguesia do Luso. E vou explicar porquê para que fique claro a proveniência desta verba que a autarquia arrecada em segredo, no mínimo estranho ou comprometedor, quando a lei exige clareza e rigor na informação financeira que passa para os munícipes.

Sem dúvida que na origem desta verba está a geminação Luso/Contrexeville, geminação efetuada quando era poder na Câmara e na freguesia do Luso, o PSD. Esta geminação é a Eva do parto dos tostões litro, a fonte do contrato de amizade que mais tarde nos levou,  Junta de Freguesia e Junta de Turismo, em tempos já socialistas, àquela cidade francesa na continuação de visitas anteriores. Eram Homero Serra e Jorge Carvalho pela freguesia, António Gonçalves, o empresário Carlos Alberto  e eu próprio pelo turismo e fomos nós que nos apercebemos do desafogo financeiro de que gozava o município gaulês, bem como das muitas estruturas termais e turísticas que ali existiam. Um estádio municipal, piscinas, centro hípico, um pavilhão, do qual foi trazida mais tarde a cópia para o pavilhão do Luso.

Do desafogo da Câmara local dava-nos conta Simone, a nossa anfitriã em França, solícita a receber, instalar e trocar informações ou a incentivar a nossa atuação, o que nos abriu um caminho. Foi o caso dos cêntimos/litro de água na altura em francos que a empresa das águas de Contrexeville dava á Mairie (Câmara) por cada litro de água vendida. Trouxemos  connosco a ideia na mala dum regresso com a esperança no bolso, um desafogo para a freguesia e capacidade para executar  obras emblemáticas que vinham de longe como o parque de campismo ou a reconversão da Quinta do Alberto, dos nossos pais e avós que á Câmara  interessavam muito pouco. Mas também o pavilhão, o campo de futebol (onde estagiava a selecção francesa) uma piscina , uma biblioteca, um museu de hotelaria .Eram  portas aos sonhos impossíveis. Porque se tratava de sonhos a ideia cresceu e ganhou forma, neste mundo nada acontece por acaso, nasce de ideias, do conhecimento, do raciocínio e só depois os actos. Sonhos ingénuos dum tempo em que se ofereciam á caridade as senhas da Assembleia Municipal ou as remunerações da Junta !

Mas foi quando metemos nisto Marqueiro, o presidente da Câmara, e relembremos que a geminação era apenas Luso/Contrex,  surgiram os problemas, porque o órgão freguesia não teria capacidade legal para assinar estes contractos ,(hoje duvido) perante uma lei que não é igual para todos, como hoje continua a não ser, retirando o poder ás Juntas de Freguesia, ao contrário do que acontece na França onde todos são municípios , grandes ou  pequenos, todos tem o poder de serem donos de si próprios e dos seus destinos.

Como havia um litígio, litigio que nem tinha razão de ser porque a concessão termal é do Estado e não do município, a decorrer entre a Câmara e a Água de Luso no tribunal de Anadia, para não perder a oportunidade concordamos em que o contrato fosse intermediado pela Câmara  e assim foi  o presidente da câmara a concretizar o negócio.

Um péssimo negócio para o Luso porque a autarquia “fechou-se em copas” até hoje com falta de ética, de seriedade e de transparência política! Até hoje sem especificar de forma publica a todos os munícipes o quanto recebe, porque o recebe ou o que faz a este bónus anual, receita que julgo, a maior parte dos munícipes deste município até desconhece. Isto parece-me extremamente incorreto, é a falta total de seriedade, rigor e transparência da gestão publica no que ao cidadão pertence e é devido saber. Segredo e autoritarismo que a câmara sobrepõe á lei  da transparência que exige textualmente rigor e informação clara.

Em linhas gerais esta é a história dos cêntimos /litro que ainda hoje se recebem e, fazendo umas contas bem simples, nos cerca de quinze anos passados que a Câmara leva da receita destas águas do Luso que podemos estimar  entre 300/400 mil euros anuais, dependendo das vendas da empresa , dará totais na ordem dos  cinco /seis  milhões de euros até hoje.

Quanto exatamente? Não sabemos. Foram gastos no Luso? Não. Onde foram empregues? É segredo. Que benefícios teve a freguesia?  Nenhum.

É um segredo, que espero esteja escondido no silêncio dos números orçamentais no grupo de contas que lhe compete , mas que não se consegue distinguir na nudez dos algarismos quando afinal todo o cidadão tem o direito de saber.

Por estas razões , não se vê pois onde ficará o município  prejudicado como diz o edil, com o que gasta no Luso, primeiro porque não gasta estes tostões que são do Luso na freguesia, segundo porque a vitima é de facto o mesmo Luso que em mandato e meio que leva do pobre “remarque” politico de edilidades marqueiristas, só viu a obra duma retrete publica depois de fazer ensacar na tesouraria da câmara  o robusto prémio da  água, provavelmente á volta de um milhão e meio dois milhões de euros  Um presidente assim talvez precise de óculos para ver melhor a política que faz ou de tomar um aditivo cerebral para lhe lembrar os contratos e as verbas. Amando tanto esta terra ,  que faria se não amasse!

Amar não deveria preocupar um presidente eleito, deveria sim ser um veículo de respeito por cada uma das peças que são as freguesias do seu município e regular o seu valor intrínseco. Respeito pelo território, pelo património e pelas suas gentes como um todo. E já que uma obsoleta divisão política administrativa concentra o dinheiro num ponto, há que alargar esse centro até aos limites do território, isto é, em vez sacar o que resta a cada freguesias devia  crescer num todo até atingirmos um dia a cidade comum. O contrário é o absurdo, o esvaziar dum chão já de si carente, isolado , sem ideias nem estratégias.

Se na realidade o Luso e as termas ou o Buçaco estão muito mal, as outras freguesias infelizmente não estão melhor e se o edil  não tem dinheiro é porque o tem gasto em festas, jantares, assessores, feiras e foguetórios e até se deu ao luxo de mandar para casa uma professora diretora da escola profissional, onde depois estranhamente colocou um marçano como diretor politico. Por isso pagou a autarquia com os impostos de todos nós munícipes, cinquenta ou sessenta mil euros de indeminização á vítima, no cumprimento dos caprichos do ego presidencial. Não sabemos de outras razões. Finalmente gostaria que o cidadão comum soubesse também como se prepara alguém que nunca foi precário nem empregado duma câmara para chegar a chefe de divisão dessa mesma câmara. É que há por aí milhares de funcionários com dezenas de anos de serviço que ainda não estão nos quadros do Estado e gostariam de saber os meandros para seu próprio interesse e governo. É que  ao fim e ao cabo somos todos portugueses e republicanos e embora crentes numa Senhora de Fátima, não consta que ande por aí a fazer milagres de município em município!!!

Luso,Setembro,2018                                                       Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

03
Set18

RUA EMIDIO NAVARRO

Peter

ruadoturismo.jpg

Uma fotografia da rua Emidio Navarro , no Luso, com as

escolas primárias á esquerda  e ainda sem o mercado

paroquial. No topo desenha-se a fachada dos azulejos

do Hotel dos Banhos á esquerda e em fundo a

continuação da rua com a barreira da quinta do Alberto

no seu limite. Ano da imagem?  Primeiro quartel do

século passado ?

13
Ago18

LUSO,QUEM TE VIU E QUEM TE VÊ!!!!

Peter

lago seco.jpg

Estas imagens referem-se ao Lago das Termas do Luso e ao estado

calamitoso em que se encontra. Construído há uns anos com

o esforço da freguesia do Luso, da Sociedade da Àgua de Luso ,

da Junta de Turismo Luso-Buçaco e da Câmara da Mealhada

encontra-se hoje nesta lastimosa  situação.

lago barco.jpg

A gestão a que tem estado sujeito lago e espaço envolvente por

parte da autarquia Câmara da Mealhada, sem manutenção, sem

pessoal, sem melhoramentos, ao total abandono  em 

termos de turismo , conduziu á destruição lenta do lago e de todo

espaço envolvente desde que foi extinta a Junta de Turismo Luso-

Buçaco, anterior  entidade gestora.

laco fundo.jpg

Esta falta de interesse politico pelo desenvolvimento das Termas do

Luso manifestamente traduzido nos actos levados a cabo pela 

autarquia é o sintoma da sua incapacidade para gerir o turismo

local . A falta de manutenção do lago provocou a abertura dum poço

entre este e o pavilhão gimnodesportivo local, outra estrutura 

turistica na gestão da autarquia.

lago 1.jpg

 A piscina sobranceira ao lago foi igualmente fechada por ameaçar

ruina e com ela a concessão dum café restaurante que completa  o

espaço , verdadeiramente indispensavel para o  funcionamento

dumas Termas com 166 anos de existência. Fechou sem  abertura

de novo concurso de concessão.

lago repuxo.jpg

Creio que estas imagens elucidativas  ilustram bem a falta de 

interesse , de conhecimentoe e a incompetência de quem gere os 

destinos das Termas  do Luso, neste caso particular na vertente do 

turismo, a única actividade que pode manter em aberto a 

sobrevivência da vila do Luso.

lago bar.jpg

Nesta fotografia , o bar cafetaria , o restaurante que servem o local

e a piscina, também fechada e abandonada , como se pode  

facilmente constatar pela imagem. Todo este espaço, embora

pequeno, faz parte dum universo local que custou muito fazer 

para determinado fim, o desenvolvimento das termas.

lago geral.jpg

Convém lembrar aos responsaveis (ou irresponsaveis)

politicos que estamos em pleno mês de Agosto e que deviam não só

saber , como refletir sobre o facto de estarmos no auge da época 

balnear  , época em que esta terra pode fazer os seus negócios e

lutar pela sua própria sobrevivência.

Como sabem, ou  devem calcular, o dinheiro não cai do céu,

como acontece aos politicos. Ou pseudo. 

O caso é mesmo para deixar aqui uma pergunta popular:

"Quem te manda a ti sapateiro, tocar viola? "

Sem ofensa para o sapateiro!!!!!!

proibido.jpg

E finalmente o espírito, proibido entrar na rua....Tacanho?

Talvez , mas assim não se vai longe !!!!

Como se pode não ver aquilo que está á vista???

É o espírito da coisa ! Cem anos, para mais!!!!

Pena ainda maior é que  também a gestão da Mata Nacional

do Buçaco , passa pela mesma autarquia!!!!

 

09
Ago18

A MALFADADA DIVISÃO ADMINISTRATIVA

Peter

navarro.jpg

A malfadada divisão administrativa de Portugal vem de séculos e ela nunca se acertou com o interesse das populações, do território ou do país. Feudos e coutos de antigos senhorios e morgados , foram  ganhando privilégios esgrimidos entre os interesses da coroa ,os fidalgos galegos e o clero, mas desde  o inicio o povo,  além duma cadeira mal ajeitada nas cortes ou benesses urbanizadas perante as invasões, nunca ganhou grande coisa com municipalidades, pois sempre se assistiu  durante a  história á devassa livre e selvagem do nobre ou do clero sobre o agricultor , o servo da  gleba , o  escravo. Se da nossa literatura desenterrarmos os criticos, Gil Vicente, Camões, Alexandre Herculano, Eça, Oliveira Martins, Verney, Sanches, Aquilino, Ferreira de Castro,Pessoa, Saramago entre outros, o português pouco ou nada granjeou das  guerras, das conquistas, descobertas e outras oportunidades que lhe foram deslizando na frente do nariz, para além da autorização natural que lhe proporcionou a fortuna  ou o azar de ter nascido. Que essa, do livre arbítrio da sorte ou do céu , não estava na mão do nobre modelar, apenas  lhe passava pelos dedos em certas ocasiões o direito de matar ou esfolar  tão dura sorte que a morte se sobrepunha á dor  como sereno alívio.  

Fora pois dos períodos de terror em que o próprio rei, senhor feudal ou nobre tinham o que se sabe bem apertado nas pernas ,  a regra era o poder absoluto e , como não existiam cercos de Lisboa todos os dias o poder absoluto era mais ou menos diário. Não venham aí os historiadores empolar artificialmente os poderes municipais porque se é certo que Alexandre Herculano os avantajou foi especulando no povo esse terrível se,  if do inglês, que emperra o equilíbrio social, a justiça, á paz e a verdade para dar abono a heróis e santos. Das batalhas de Orike às senhoras de Fátima oportunamente aparecidas tudo serviu e serve para esmagar o português ingénuo. E foi nesta cadeia de poder, anti-natura, anti-humana e  dramaticamente exercida, que se enraizou na alma pátria a costela do compadre a quem pedir favores, influências, empregos, regalias, em simultâneo com o mostrar do rabo e da cambota  que Bordalo Pinheiro desenhou em arte debaixo do chicote. Para outros uma alforria, um couto ou um condado, uma capitania, um vice-reino e sem papas na língua um pedido no tempo do Salazar no qual muitos de nós vivemos e do qual usufruímos ou pensamos que sim. Era rotina. Um ato ou um lobby  que é oficializado  em muitos países, mas que faz parte da rede das socapas nacionais, algo por baixo da mesa que se não sinta nem veja, um jeito ou arranjinho ciosamente safado com borracha mas que não escapa   ao dador na intenção de ser ressarcido na primeira ocasião. Um voto numa urna, uma licença gratuita, um terreno no algarve que vai de reserva a urbano. De cima abaixo, de norte a sul, o português assimilou  esta versão em óleo de linhaça de azeite falsificado e já não passa sem ela, de tal sorte que os partidos políticos são hoje um redondo alfobre desta traficância imoral. Um papel que também teve a Pide doutros tempos, lembro-me bem que da primeira vez que atravessei a fronteira de Vilar Formoso para Fuentes, mandava Salazar, fui simpaticamente recomendado á brigada fronteiriça da pide por uns amigos que trabalhavam nas ambulâncias postais e que dia sim dia não almoçavam com os agentes na fronteira. Tinha casado há poucos dias, uma prenda de casamento singular, quer funcionasse quer não, e assim passei com tranquilidade a raia de Espanha no meu fiat neckar levando o credo na boca. Não pela pide mas pelo carro, eu era o oitavo dono. Mas levou-me a Àvila, Madrid e á Corunha com exemplar cortesia e voltamos descansados mais esquecidos que convencidos de favores policiais. As coisas são o que são no seu momento próprio e quem se põe a falar ou mal ou bem do que foi vida corrente, não tem grandes intenções para lá de tretas e caganças de fraca ponderação.

Queixam-se da desertificação, da morte e do abandono interior., pois que se queixem, são os mesmos que tudo tem feito para a sua liquidação. Lamentam agora as suas leis e atos e foram preciso incêndios e centenas de mortes inocentes para chegar á conclusão que fecharam uma grande parte do interior do país. Fruto das suas desastrosas políticas de fracos amadores no sentido mais lato da palavra.

Não fecharam escolas, postos médicos, correios, bancos e comércios, estações de  camionagem e comboio , médias empresas, estabelecimentos hoteleiros, tudo o que á volta da mais pequena divisão administrativa, a freguesia, a fazia respirar, viver, sobreviver, manter a sua própria identidade e economia e criar alguns empregos  para agregar os seus filhos ? Não semearam vias rápidas num litoral   que a bem dizer não existe, tão curta é a distância que nos separa de Espanha?  Para engrossar a cobiça , as obras e mordomias de amigos, quando a razão e o bom senso apontavam para uma boa auto-estrada norte sul e meia dúzia de transversais da mesma qualidade para o interior e Europa? E o que dizer da distribuição dos dinheiros da CEE que sucessivos quadros de apoio comunitários que entregaram a sedes de concelho deixando de lado as freguesias em agonia lenta nas mãos de reis sem trono, ávidos a sugar para as cidades paróquia, ainda fora da lei vigente, toda a riqueza em redor? Quem desertificou o interior? Não terão sido as elites que já Herculano acusava e nas quais incluiria hoje a falha municipal? Porque não alargar a esfera do poder e do dinheiro ás freguesias como se faz em França e outros países, outorgando igual justiça, igualdade e gestão ao território ?  Porque se abateu a frota pesqueira e se perdeu a oportunidade duma reforma agrária ou se não gostassem do nome, um reordenamento do território com estratégias e objetivos nacionais? Porque se entregou o sector do turismo á anarquia das câmaras, quando é o turismo que nos dá alguma credibilidade e faz entrar no país a maior parte das divisas?  Afinal, nem um ministério tem nem uma estratégia global para sustentar a indústria.? E finalmente o que foi feito em quarenta e tal anos de democracia que nos levou a ocupar em termos de miséria e em todos os outros índices (consultem-se estatísticas nos sites da cee) os últimos lugares entre os  28 países da Europa, depois dos milhões e milhões que aí chegaram dados pela mesma comunidade?   E para onde foi a gigantesca dívida publica que em paralelo se fez  ? Não parece estar nos bolsos deste povo.

Podridão e falência dum regime, um item onde os próprios autores se passeiam pela impunidade que a si próprios impuseram.?

Enquanto assim for…!!!                                          Génova,Nervi, Julho,201

 

 

 

03
Ago18

FONTE DO CASTANHEIRO

Peter

boneco1.jpg

 O Manel  rodeado pla selva

Q uando o governo acabou com os antigos orgãos de turismo, chamados então Juntas de Turismo, passou a transferir  a verba que estes orgãos recebiam para as Câmaras Municipais  e com a transferência da verba foi a competência sobre o respectivo território no âmbito da actividade turistica. No caso  presente das Termas do Luso, o fim da Junta de Turismo foi catastrófico para a freguesia e para a as termas , pois a Cãmara da Mealhada  abandonou pura e simplesmente os interesses da freguesia nunca sabendo nem querendo defender a estância  termal.  A obrigação que a lei lhe conferiu foi rapidamente esquecida e o resultado está patente no que é hoje o turismo neste municipio , com prejuizo evidente para todos os que viviam e vivem da actividade. A ação daqueles orgãos, pioneiros do turismo em Portugal, foi esquecido e a Câmara da Mealhada, rápida a fazer o seu ridiculo e abusivo posto de turismo, deixou morrer as Termas sem um unico gesto  em sua defesa , salvando-se hoje apenas o pequeno nicho de turismo no desporto, a última estratégia pensada e cozinhada na ex-Junta de Turismo ,ao tempo presidida pelo professor António Gonçalves, a quem se deve em boa parte o avanço do projecto . Mesmo assim, sem manutenção, o mesmo abandono abriu um tunel sob o pavilhão desportivo , deslocando esta oferta para a Freguesia de Ventosa do Bairro que, por muito respeito que se tenha por aquele local não tem qualquer vocação para turismo nem oferece as condições necessárias para estágios profissionais.

boneco3.jpg

 Uma bica quase invisivel

 

O Luso hoje é uma  pequena imagem do que foi, em termos de turismo a única freguesia vocacionada e com recursos  que continua a manter as suas potencialidas, mas abandonada e desprezada , como disse , pela autarquia Câmara, onde grassa a incompetência sobre o assunto. A traficância política tem feito calar as vozes mais atingidas perante  uma gestão paroquial e de defesa dos interesses partidários de quem tem governado o território rotinando  a actuação por interesses que não são os do municipio nem dos municipes.

A Avenida do  Castanheiro ,uma rua soberbamente aberta por Emidio Navarro juntamente com a estrada nacional até Bolfiar, foi uma obra com dezenos de anos de avanço em relação ao seu tempo e hoje continua a ser um local acolhedor, ameno, tranquilo e convidativo. Porém, o seu estado degradado é tal, que nem um vassouro  o municpio  ali manda para limpar a rua , a vegetação, as ervas ou manter dignamente a conservação do "boneco"

Deixo aqui duas fotografias lamentando que os eleitos desta terra na Assemleia Municipal não digam uma palavra do lugar onde nasceram, bem pelo contrário, estão ao serviço dos interesses municipais , apostados em destruir o que resta das  Termas do Luso e da Mata do Buçaco, um património nacional, continuo a repetir, inconscientemente entregue ao poder municipal.

boneco2.jpg

 A paisagem completamente tapada, o abandono total...

Cumpre-me lembrar, que quando há anos passei pela Câmara cumprindo um dever civico que me deu gosto cumprir, ali ficou um  projecto da autoria do arquiteto Sidónio Pardal que incluia o parque de estacionamente do Vale, junto á igreja , bem como a requalificação de todo o espaço superior entre a estrada de Viseu e a estrada do ex Hotel Serra que acabava junto ao cruzamento do Castanheiro com uma ligação pedonal em estudo para unir os dois espaços, ou seja, um parque desde a igreja até ao boneco que deitava água e agora  já nem deita. Quando a Cãmara optou por não ter vereadores do Luso, a terra mais importante , mais conhecida e com maiores potencialidades deste municipio, este ante projecto terá sido metido na gaveta  e até hoje, nem sequer a ligação do saneamento dessa zona traseira da estrada de Viseu foi feito, quanto mais o projecto de que falo !!! Tal como aconteceu a um estudo previo de autoria do mesmo arquiteto sobre o aproveitamento da Quinta do Alberto .

boneco.jpg

Tudo o que a vista não alcança tapado pela vegetação

No meu modo de ver é pouco digno e vergonhoso para esta terra não haver ninguêm que a defenda desde que desapareceu Homero Serra, um homem que, apesar de ter eu próprio  algumas discordâncias políticas com ele, sempre defendeu com veemência os interesses locais , as obras necessárias , as termas e as pessoas.   Quanto ás responsabilidades da autarquia Câmara, o abandono a que votou o Luso e o turismo  é absolutamente inqualificavel. A legitimidade dos  votos tem limites na razoabilidade dos actos e do senso comum. 

 

10
Jul18

OS BURACOS TERMAIS

Peter

cast 2.jpg 

LUSO , OS BURACOS QUE FALAM E A CÂMARA QUE  RESSONA(2)

 C ontinuando...os buracos do Luso são assustadores. Buraco nos correios, nos bancos, no engarrafamento deslocalizado pelas estradas municipais, na sede da empresa das águas, empregos, contas e lucros da mina, em Cracóvia, Polónia,  a fisioterapia Cova da Areia abaixo, o buraco aberto para a piscina que não se fez no parque de campismo , o buraco dos euros do litro de água revertidos para os cofres municipais quando pertencem ao Luso, os buracos  a que a substituição do betume viário já deu lugar  no centro da vila e os buracos próprios da requalificação desse centro que, ainda por acabar, tem vários buracos á espera da água (será benta?) que há-de  enfeitar os acabamentos que esperam há anos pelo fim da empreitada.

O buraco dum saneamento inacabado e o buraco, este prometido, dum curso da Escola Profissional no Ex escritório da Sal, donde estão prestes a sair os primeiros laureados com canudos de Pinóquio. A sebastiânica barragem do vale da Vacariça. Ou o parque industrial de Barrô , esgotado por industrias de ponta e startups. O buraco do Calamina ao lado do pavilhão, um gigantesco buraco, garante o fecho estival da piscina, do café, do restaurante e de toda a sua envolvente e pasme-se, a própria bacia do lago agora exposta á vista está em ruina tão adiantada que ameaça o pior. Não haverá pois lago, nem sequer o repuxo para cima e para baixo, tombado e abandonado em cima do seu poleiro como sucata restante. Fica o ténis se nada mais cair entretanto mas, milagre dos milagres, a única obra realizada na freguesia no último mandato, a famosa retrete, a sexta entre as existentes num raio de quarenta metros, essa está aberta e virá a ganhar a medalha da maior densidade de retretes municipais, uma honraria que falta ao município. Para pendurar no salão nobre como memória futura? Quem sabe?

Mas, para lá do buraco Calamina, há o buraco do cinema, cinema que o constante comissário garante vai ser feito em nome de alguns empregos a usufruir. Não sendo o maior de todos, a plateia já está a céu aberto, o palco desbaratado é um chuveiro, pior que algumas antigas camionetas do Salvador Sereno, os Transportes Mecânicos Luso-Buçaco, onde não raro se abria o guarda-chuva para chegar a seco á feira na Póvoa e voltar com o porco de corda 234 acima. Mas também o urdimento está urdido, a geral em cima dos camarotes e os camarotes no chão. Da cabine de projecção do Joaquim Ferreira Ldª desapareceu há muito a máquina, há-de estar por aí algures. Que saudades  tenho daquela velha sala de espectáculos onde comecei em adolescente a abrir ao mundo os quadradinhos de celulóide com a imaginação crescente posta na luz, na cor, no movimento. Era um mundo novo e maravilhoso que nos fazia sonhar na grandeza de outros mundos dentro do nosso quintal. Como me lembro duma Páscoa com o Miguell Strogof  na sua primeira versão em cinemascope a cavalgar as estepes russas com o correio do czar numa saca a tiracolo. É um mundo interior que nos lacrimeja nos afectos, fac-simile do cinema paraíso de Giuseppe Tornatore reconstruido por nós, limitados nos horizontes dos dias acanhados dum pós guerra difícil. É isto que nos tiram, roubam, esta memória humana que pretendem abolir sem respeito pela história dum cidadão, dum povo ou do ser humano. Quem viveu tem-lhe amor, ferve no sentimento da saudade seja em que língua for e espeta-se no peito e coração a cultura, a tradição, a família, valores que fazem do homem curioso  pensador.

A este drama não shakespeariano, juntou-se no último Inverno mais um buraco na quinta do Alberto, uns pedaços de pedra lascada que costumam cair sobre o Largo do Casino e parte da Avenida Navarro. Já acontece desde o tempo em que Artur Navega tinha o consultório pendurado na barreira  abaixo do La Phodas  para me receitar óleo de fígado de bacalhau, que guloseima!  Acima do Gomes alfaiate, genro da Conceição bordadeira frente ao Silva da Farmácia  !

O que fez então a Câmara da Mealhada? Hábil a esconder as inspecções e manutenções que não faz, mandou comprar separadores de cimento para estradas e inutilizou todos os lugares de estacionar em redor da fonte. Está assim há meses, quem quer visitar a vila é melhor que o não faça, mete-se em sarilhos para poder parar. Esta atitude não tem justificação, a paralisia municipal não mexe uma máquina e um camião e umas horas da manhã para libertar o local e os estacionamentos. Uma epopeia, não? Não querem. Estão-se simplesmente nas tintas para turismo fora das maravilhas!

As maravilhas sim, essa parvoíce da política interactiva do turista canalha é uma anedota, fruto da ingenuidade de protagonismos volteando em redor do nado-morto, almoços, jantares, umas passeatas e pensam que o turista lhes cai em cima como torpedos numa guerra! É que nem existe o pão, nem a água, nem o vinho e ficará o leitão á conta dos industriais do ramo a defender a gastronomia, não o turismo. O resto, são ingredientes comuns a um país qualquer sem qualquer significado nas referências dos territórios. Gabarolices e pretensiosismos!!!

No território há dois recursos, as Termas e a Mata Nacional do Buçaco, esta única. Estes recursos, que nem recursos são segundo o edil presidente, tem valor na Europa enquanto economia, ambiente, serviços, os outros são recursos comuns, não turísticos no seu sentido restrito. Podem trazer algumas mais mais-valias, mas não são o trunfo com que se deve ir a jogo. O leitão acrescenta algum valor como gastronomia e é disso que se trata. A única realidade com potencial turístico reconhecido dentro do município é a freguesia do Luso. Quer gostem quer não gostem é ali que o sector deve investir e a autarquia apostar, se forem sérios. Nas outras invistam nos comboios, na suinicultura ou em água pé e castanhas assadas, em turismo não. O turismo só é panaceia para ignorantes do assunto e o que faz a autarquia município, é errado não só para o Luso mas para todo o concelho

Trocar o certo pelo vazio, os recursos pelas festanças e festaças os quartos do turismo por quartos de horas pode bater na cabeça dos políticos como vitórias de Pirro mas são coisa arrasante para a economia local que vive do património turístico. A Unesco, se vier um dia, não virá de pé rapado e muito menos abismar os olhos na cidade engalanada! Longe disso!

Os buracos ultrapassam de longe a imaginação de autarcas que são parte dos buracos! E não estamos a brincar mas a falar de coisas sérias.

Águasdoluso.blogs.sapo.pt

03
Jul18

FONTE DE S.JOÃO (11BICAS)

Peter

 

fonte cor1.jpg

U m excelente postal ilustrado pintado á mão , com data de 1911

selado com um selo de 40 reis , tarjato na diagonal a vermelho

com a actualização "Republica". Posto no correio há 107 anos.

Na imagem cinco lavadeiras tradicionais mergulham as peças

no tanque que é ao mesmo tempo o inicio da ribeira dos moinhos.

Em fundo a capela de s.João Evangelista que dá o nome á

nascente, onde não existem ainda as onze bicas de hoje.

Vêm-se á direita ramadas dos chorões que adornavam o exterior

do recinto. A segunda presa, á esquerda, hoje subterranea, 

não existe ainda. O Luso já era ao tempo uma estância

termal afamada e procurada por muitos banhistas, em grande

parte oriundos da capital, Lisboa.

 

 

27
Jun18

TOTAL ABANDONO

Peter

esplanada.jpg

A Explanada

 Como se vê, e não é tudo, isto está ao abandono. Fechado, 

esquecido, destruído. Por mil e um buracos, desde um cinema

sem telhado a um pavilhão em risco. Estamos no Luso,

Termas do Luso , ainda se diz. Com saudade.

Por um acaso infeliz da divisão administrativa pertence a um 

municipio chamado Mealhada, uma cidade deslumbrante.

No entanto é nesta freguesia do Luso que caiem todos

os turistas que  chegam ao concelho. Então fizeram

um pomposo posto de turismo na Mealhada , a pomposa cidade

e o do Luso, velho, com  mais de uma centena de anos de idade

é para acabar . Está  ainda aberto por favor dum sujeito especial

a quem tiram o chapéu e dão votos não se sabe bem porquê.

Acho que veio atrás da música. O que não tem importância,

também meu pai veio atras dela.Se bem ou mal é que não sei.

Ah,diferença é que  este faz festas e festanças. E dança.

O samba, acho eu. No caso do meu progenitor ele apenas

trabalhava. E até ganhava pouco! Mal. Muito mal.

Hoje querem inverter a curvatura do circulo e por 

egoismo , ganância , estupidez ou ignorância, tudo termos

da moralidade política, devo acrescentar, metem rodas nas

termas e  na Mata Nacionaldo Buçaco coisas cá da freguesia.

Para encravar a cidade no  meio do diabólico trânsito que  tem?

lago ruina.jpg

O LAGO DOS CISNES

Não. Nada disso. É que não lhes chegando a administração

nem os milhares de euros que a venda de água do Luso lhes

dá todos os anos,uma espécie de limpeza do que

éticamente não lhes pertence, insistem nas rodas. 

Querem as rodas. Querem aquilo que tendo , não querem

ter. Ou por outra querem dormir com as coisas como a

Mata Nacional e outras, na cabeceira da cama, na deslumbrante

cidade. Não vá o diabo tecê-las e acordarem sem elas.

Só assim se pode  entender a destruição operada.

Mas por mais que lhes ponham rodas as coisas não saiem

do sítio. Tal e qual como a barreira do Largo do Casino,

que caiu há uns meses com a chuva e não volta ao sítio por

si só. Nem que se pintem. Dizem que já cá veio uma engenheira,

se calhar alguma espécie, mas nada.

Por acaso fico espantado e ás vezes até incomodado com

tanta inteligência que há na sede do concelho onde eu nasci. 

Época balnear avante, não há onde o turista ponha o carro.

Não me tinha passado pela cabeça sequer que será para

o encanar para a deslumbrante cidade !!!!De facto há cada 

excelente cabeça!!!!! Não é de fracas moitas que sai um

bom coelho??Gordo, anafado, importante...

repuxo.jpg

 O REPUXO  PARA CIMA

Para mim é esperteza a mais. De cabeças de alho xôxo e

umbigos bem tratados. E cabeças de nabo! Sou burriqueiro, 

não sou cego e por bem  ou por mal conheço algum mundo!

Um mundo onde tudo corre para baixo.

Esqueci-me de informar que isto é sempre a descer e a

gravidade ainda existe .Não, não foi abolida.

Aliás a gravidade é muito mais certinha do que as rodas.

Se confiassem nela nada disto acontecia.

Mas não me admiro nada que qualquer dia façam  uma

fundação socrática para pôr a coisa a subir.  São espertos

para tanto, afinados como o mestre. 

Com a idade que tenho já nada me admira. Até já vi uns alguns

burros em corridas de cavalos!!! Embora nenhum  vencedor!

Vá lá agente entender para que serve pensar!

Mas o que é certo é que nem  Termas nem o diabo da Mata

Nacional se mexem. E os buracos são tantos e por tanto lado

que o municipio um dia vai á falência. Era  bom para uns e

maus para ouros. Como tudo na vida. Na life, meu !!!!

Era mau para os politicos mas talvez bom para o cidadão que

poderia ele própria remar a barca deste inferno e ter 

melhores resultados. E não gastava tanto dinheiro com eles.

Porque assim, com timoneiros de excelência , quer a minha

freguesia quer o concelho, estão absolutamente garantidos.

Só que eles pensam que não.

Ficam as photos  e aos meus amigos mealhadenses,

vítimas como eu e como nós , burriqueiros, 

da chafurdice da politica, permito-me um conselho, abram os

olhos. E podem crer que apesar de tudo os burriqueiros são

os que enxotam com ramos de  jibardeira a gente que

vai de burro. Não é tudo a mesma coisa!!!

 

19
Jun18

FORA DE CENA, ALTO LÁ COM ISSO!!!!!

Peter

 

em cena.jpg

 C orria o ano de 1962  quando o nosso conterraneo João Abrantes teve uma pausa nos afazeres teatrais  que então ensaiava como vida , e veio passar o inverno á sua terra natal, o Luso, Era um homem  novo de idade e de ideias que trazia consigo  a dinâmica  do palco , por isso não perdeu tempo em ressuscitar o grupo do Ginásio, um clube da altura , hoje nuitos anos de morto lhe pesam  sobre a memória dos que a têm , esquecido  das novas gerações que dele não tem notícia .  Mas é ainda um resto de saudade para alguns, eu ou o Rocha entre esses, que passamos horas a relembrar os tempos  que não se extinguiram como estes tempos modernos em que um simples ministro declara pela própria lingua pátria que o tempo deixou de existir ou, mais  explicitamente, existe para essa remessa nova de vespas  da politiquice  cana de pesca onde se  vegeta a vida , mas não para professores que ensinam aos meninos e não só como será ou seria o futuro de um país. Vai daí o João Abrantes que depois veio a optar, melhor, a seguir a vida dos hoteis, tenho a certeza que não a de vocação mas de recurso , tal e qual como mais tarde se veio a sacramentalizar por  decretos  dando mais ou menos  por sorteio o futuro de cada um aquilo que lhe sai na rifa do imprevisto, sobretudo aos mais fragilizados que mal tem dinheiro para chegar ás universidades, quanto mais para investirem em exlicadores de ensino e de preparação de exames, fora  os dos domingos , feriados e dias santos, que essas costumam ir pelas vias de off-shores  e outras regalias a que o sacrificio de servir reinos e republicas dá direito absoluto.  Como ele , o João  Abrantes repito, para não perdemos o fio ao diabo da meada, trazia do Parque Mayer  uns ensinamentos actualizados para fazer revistas, não da crónica feminina nem da flama ou século ilustrado que era o que havia na  altura, mas revistas verdadeiras feitas no Parque Mayer ás escondidas do monstruoso Salazar que, comparado com os santinhos dos nossos dias era um herege mau cheiroso e só não "mamava" umas criancinhas ao pequeno almoço porque não autorizava comunistas nas repartições publicas. Eu próprio, pouco depois quando acabado  o meu curso de dia de semana, ao tempo não havia conhecimento dos cursos tirados aos domingos, feriados e dias santos de guarda, tive que declarar, apesar das minhas dúvidas sobre o que era coisa de comunismo, que o não era, nunca teria sido se tivesse conhecimento dele  e que no futuro o repudiaria com todas as minhas forças porque era assim que era, era assim que mandava a lei do Cerejeira e dele próprio, Salazar pai da Nação.Faço questão  de esclarecer que não estou a dizer que os mandantes de hoje são piores ou melhores que os de ontem, quanto muito serão a mesma coisa , em certas coisas melhores, em certas coisas piores , isto porque Portugal foi e será sempre  um país desiquilibrado, ou oito ou oitenta como diz o povo, mas  tal fenomeno dava-nos na altura assim como aos actores verdadeiros donde vinha afinal o João, um certo prazer ao fazer teatro e até ás vezes se pensava que a bem dizer até esclareciamos de certa maneira o povo com as piadas fora do carimbo da censura, pois neste mundo há e haverá sempre arte e magia para trocar as voltas ás palavras. Bom, fosse como fosse o João Manuel  mostrou o seu projecto e aderimos de imediato e entre umas ceias arranjadas no Ginásio, ou em casa dele,  exactamente do outro lado onde prenderam o Alvaro Cunhal,ou  na rua  Formosa à  Pia que ainda o não era na altura , mas que também servia de apoio ás peças , sobretudo porque escreviamos os quadros em cima dos pipos do pai do Rocha, e matavamos a sede no espicho para obter inspiração. Entre mim , a Fernanda Santos, o Federico de Brito, o António Rocha e o João , dito Manuel  ou Abrantes ou as duas coisas juntas, fizemos a prosa e adaptamos a musica da Corina Freire á versalhada que fui fazendo dia a dia.Arranjamos os artistas, às vezes com muitas dificuldades porque não se passava a libertinagem de então como se passa agora, o contexto era o da janela e o abraçar só nos bailes do  1º e Dezembro o outro clube da terra que ao sábado os organizava sempre com casa cheia.No fim,  ficou um único problema por resolver, o da censura, como diabo ia-mos fazer passar um texto inédito para uma revista provonciana na malha apertada das lapiseiras censórias que eram novidade na altura. Refiro-me ás lapiseiras, claro, porque a censura era velha, já estavamos  habituados a ela, o D.João !! utilizou-a e não esteve com meias medidas, cortou a cabeça a todos. e o Marquês de Pombal  fez o mesmo á tosse que veio de alguns. Ainda não havia tarrafal , apesar de tudo  uma coisa mais levezinha que as guilhotinas reais e qua ainda fazem falta em dose mais moderada.Deixamos o caso para pensar e começamos os ensaios, ora na sala do Casino, a mesma que agora os donos  não emprestan a ninguém , desde que levaram daqui o engarrafamento da água de Luso pelas estradas da Câmara da Mealhada abaixo,  e a sede para Cracóvia, na Polónia, onde os impostos da CEE estão a preços de saldo. A alternativa era o cine-teatro Avenida que estava  de porta aberta se não houvesse cinema , um espaço  sempre disponivel para ensaios  e  espectáculo desde os tempos da Sociedade Agricola do Valdoeiro do Messias Batista até a minha amiga a dona Hildegarda que adorava estes  artistas amadores que lhe levavam o teatro a casa. Ela morava sob a plateia do velho cineteatro e achava que a sala de espectáculos era um local de trabalho , ao contrário dos democratas de Abril que começaram a fazer cinemas novos com dinheiros da CEE  e entenderam que eram bons demais para o pagode dos palcos  e lá cediam a casa para o dia  do espectáculo porque hes dava jeito e popularidade, mas antes, que fossem ensaiar á cavalariça de algum vizinho  que não se podia estragar a sala, utilizando , ribalta , cadeiras estofadas e  camarins de primeira que ainda brilhavam á luz do sol  quando abriam de espanto  a cegueira dos olhos ou absorviam goela abaixo  orgulhosamente  as palmas que lhes não cabiam na barriga, uma pacovice portuguesa de arregalar a vista á ignorância activa,  Não sei se o inchar de sapo já foi de moda, mas  a minha amiga Hildegarda nunca teve esses preconceitos e se agente precisava  ensaiar ensaiva nem que fosse nas escadas da geral numerada ou no corredor dos camarotes velhos, algum tempo ainda forrados a setim vermelho que lhe dava um cheiro duma ópera de cidade , mas era apenas a ilusão do nosso desconhecimento que fabricava os sonhos mais espantosos!   Foi ainda o João Abrantes, dito também Manuel, manhoso como os sabidos de Lisboa , que foi buscar a Cascais para o pedido da licença  e para o cartaz da propaganda uma peça  já censurada ," Costa do Sol em Festa" com  a qual se obtiveram as autorizações necessárias para a subida á cena. Não com o  titulo emprestado como seria lógico supor, mas com o próprio nome de batismo que lhe deramos e respectivos textos que nada tinham a ver com o texto autorizado . Foi assim  que a revista se chamou "Alto Lá Com Isso ", uma obra  prima da nossa aventura e literatice que afinal  existindo,  não existiu. Não melhor nem pior que outra que se levou á cena mais tarde , o "Salve-se Quem Puder " com textos feitos no burgo , desta vez passando mesmo pelo aval da censura nas barbas do fiscal , comprado por umas palavras de bom gosto e inchaço de importância que lhe conseguimos dar como se fosse rei e senhor da pandega regional. Nem os textos ,senão em alguns fragamentos dfispersos , nem  gravação magnética ou digital, a segunda por não haver, a primeira pela raridade e custos do seu processamento ficaram de testemunho nesta biblia de engaços. Apenas fotografias, umas a preto outras a cores a relembrar gerações.  Portanto, postas as coisas neste pé, só o testemunho escrito bebido de oralidade e algumas saudosas fotografias não pode resistir ou impedir  a tentação  de registar aqui o nome de todos os participantes , com desculpas para a falta de alguém que, apesar de cuidadosa procura, pode escapar involuntáriamente á nossa boa vontade.

 

Iª parte      UM PEDIDO DE CASAMENTO, comedia em 1 acto de António Tchekhov, tradução de Correia Alves

Actores e personagens

Américo Leite :Stepan Stepanovitch Tchubukov

,Mário Penetra: Ivan Vassilyevitch Lomov

Maria Teresa Carvalho Natalya Stepanovna

 

 

IIª Parte Alto Lá Com Isso ,

Autores : Fernanda Santos,Frederido de Brito,Fernando Ferraz, António Rocha, João Abrantes.

Música de: Corina Freire

Actores:  António Santos:  ( Mr Bown, compere) João Malaguerra :( Zé dos Jornais,noivo,pescador,turista);  Manuel Figueiredo: ( Guarda do Lago,arrais,fadista) :Maria Aurora (camponesa,noiva,varina,) Maria S.José Leite: (camponesa,mãe,) Almira Pimenta: (camponesa,noiva,peixeira); Celsa Pimenta :(romeira,noiva,peixeira,) José Balau (romeiro,sacristão,pescador,director) , Graciete Leite :(noiva,cantadeira,fadista,peixeira,) Ernesto Santos: (noivo,lavadeira,guarda,director) Fernando Ferraz:( noivo ,caiador, lavadeira, candidata a actriz), António Rocha( Serafim, Delfim,Lavadeira,Candidata a actriz) Américo Leite:(Avô, ) João Abrantes (conta a história, como bate um coração),Maria Teresa Carvalho ( Micaela).  Alfama das Naus, quem vai na marcha :Maria de S.José,Graciete Leite,Celsa Pimenta,Almira Pimenta,José Balau,Ernesto Santos, Fernando Ferraz,António Rocha,Manuel Figueiredo,João Carlos,Fernando Rosa, João Malaguerra. Fonte de S.João , marcha final: Toda a companhia.

Autores: Como Bate um Coração : Nelson de Barros, e João Nobre , Na Rua dos Meus Ciumes : Fernando Santos e Frederico Valério, Fonte de S.João : Fernando Santos, Nelson de Barros, Frderico Valério.

 

Realização e direcção de cena de João Abrantes , Direção e execução musical de Alvaro Silva

Direção cenográfica e de montagem de Rogério Almeida , cenografia de Rogério Almeida, Fernando Rosa e João Carlos Santos,Assistência coreográfica de José Balau

Luminotécnica e sonoplastia de Joaquim ferreira e Manuel Figueiredo, jardins do 6º e 10º quadros executados por Francisco Carvalho, Ponto, Alberto Penetra,Contra Regra, Carlos de Castro, Maquinista Antero Maria, Carpinteiros de cena Plácido da Cruz e Albino Guedes,Materiais fornecidos pelas firmas ,Casa Zenith, Casa Triunfo, Farmácia Nova,Casa Ramalheira,Francisco Pereira Coelho, Manuel Abreu.  Os costumes folclóricos foram gentilmente cedidos pelos ranchos Tá-Mar da Nazaré e Tricanas de Aveiro . A realização deste espectaculo só foi possivel graças á gentil colaboração de Sociedade da Âgua de Luso e da empresa do Cine-Teatro Avenida.

 

Espectaculos em Cine Teatro Avenida do Luso: 12,13,19,20 Janeiro de 1963 ás 21,30

No Cine Teatro Messias, na Mealhada em

Todas as sessões esgotaram a lotação.

Extrato do livro "Luso,  Histórias Breves da Àgua e das Gentes"

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