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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

05
Dez17

FORMOSA À PIA

Peter

 

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  N ão é comprida nem larga, podia chamar-lhe beco, viela, mas quis a toponímica oficial que se chamasse rua e assim figura o nome na identificação ainda que se lhe não conheça a ponta onde se pega o início ou se prolonga o fim. Porém é antiga, dos tempos em que o Luso não passava de dois pequenos lugares na nascente da ribeira dos Moinhos. Um denominado da Igreja, a nordeste, o outro, de Além a sudoeste, ligados pelo antigo caminho do Sentido. Esta via seria então o caminho principal da povoação descendo da Igreja aos milheirais da linha de água que atravessava numa rústica ponte, para subir do outro lado até às traseiras da Pensão Portugal que nasceu muito depois. Cortando na perpendicular o que veio ser mais tarde a Francisco Grandela, atravessava depois a “futura” rua da Pampilhosa na garagem do Joaquim Rocha, estrada nascida nos tempos de Emídio Navarro, quando mandou executar a urbanização das termas do Luso, uma das mais velhas urbanizações com pés e cabeça levada a cabo neste país de improvisos. Tão bem planeada que ainda hoje subsiste a sua modernidade e não fosse a desordenada e anárquica gestão municipal a cercear a continuação do trabalho iniciado há mais de um século e continuaria a vila a ser um exemplo na história. A velha estrada ou caminho, no soco urbano, era pois parte do chamado caminho do Sentido, que entalado entre as traseiras da Portugal e as novas habitações, veio a ser, nos cem metros em causa, a rua Formosa à Pia dos dias actuais. Metros de percurso que continuavam a meia encosta pela Quinta do Viso, pelo posterior do Casal Filomena, pelo Vale da Ribeira, Curral Velho, Quinta do Sentido e Louredo, antes de existir a estrada actual para Sazes, Lorvão e Penacova. Claro que falamos de alguns sítios e lugares não existentes na altura e doutros que foram em paralelo surgindo com o desenvolvimento das Termas, o evidente motor do crescimento do sítio.

Se viajando no tempo voltássemos á tarde do dia 29 de Junho de 1628 assistiríamos à chegada dos primeiros obreiros do Convento do Buçaco á casa dos arcos que ocuparam na “Formosa à Pia,” assim chamada porque o primeiro piso assentava sobre arcadas, arquitectura típica dos seculos catorze e quinze. Chegados de Aveiro, eram eles Frei Tomás de São Cirilo, Frei João Batista e Alberto da Virgem, carregando consigo três cobertores para a cama, uns peixes para a boca e dez cruzados para o começo da obra. Mas logo a 25 de Julho seguinte se lhes juntaram Frei Bento dos Mártires, Frei António do Espirito Santo e o irmão flaviense António das Chagas, oficial de alvenaria. Foi dali que subiram diariamente à serra para preparar os terrenos e lançar a primeira pedra do edifício no dia 7 de Agosto do mesmo ano e nos finais do mês já os encontraríamos definitivamente instalados no Buçaco. A 19 de Março de 1630 deram por fim início á vida em comunidade.Da estadia no Luso ficou a casa até há bem pouco tempo, quando foi sobre ela erguida uma segunda e moderna habitação no cotovelo que junta em meia dúzia de degraus a Pia à rua da Pampilhosa.

Ora quando a partir dos meados do séc. XIX o Luso iniciou o seu percurso termal que curiosamente o município recusou em sessão de Câmara despoletando a solução duma sociedade por quotas, o crescimento deu lugar á construção de novos edifícios cujo número foi aumentando década após década, foi para a via do Sentido que foi aberta a porta da cozinha da Pensão Portugal na qual o proprietário incluiu uma taberna cujo balcão de atendimento dava para a mesma rua, viela ou travessa. O vinho para uso da pensão era porém guardado na cave em frente, em velhas pias de azeite que serviam de garrafeira improvisada empilhadas umas sobre as outras e onde o Adelino, jovem filho do casual taberneiro, de vez em quando juntava os amigos  em convívios petisqueiros que não seriam molhados a água da fonte, mas sim a vinhos da pia. E porque o álcool trepasse ou a moderação faltasseno equilíbrio dos corpos e das coisas, sucedeu que um dos convivas caiu dentro duma pia numa noite fria de Inverno, vendo-se grego o grupo para o levantar do assento, e no dia seguinte, já nas instalações do Luso Ginásio Club que funcionava no cotovelo do sul, resolveram rebaptizar a rua que ao tempo não tinha nome com a denominação de Formosa. Pudera!Mas Formosa era já a rua da Ti Nazaré atrás da Lusa ao Outeiro do Bodo , no outro lado, o da Igreja onde a Nazaré possuía  negócio de loureiro com uso de vários anos  e donde o Barraqueiro era decano com outros  frequentadores da Oliveira da Sorte e também palco que o Alves do Monte Novo não raro utilizava para declamar o seu “fufu carago, fufu” antes de subir Velal acima quando conseguia ultrapassar , ziguezagueando, a Fonte do Castanheiro. A solução foi acrescentar à pia a formosura e assim, no ano de 1958, numa tarde de sol, foi organizada a cerimónia do batismo começada e acabada com um discurso do Vladimiro , filho da D. Olga dos Correios e com a presença dos moradores do beco e convidados. Rua Formosa à Pia foi o nome sublinhado em honra á pia do azeite, consequência da bondade do vinho como a posteridade supõe e supõe bem, sem enoturismo e sem gralhas da politiquice.Cinquenta anosdepois,indo casualmente a uma sessão de Câmara a proposta oficial por um nome naquela artéria, concordou o executivo camarário unanimemente com a denominação e assim foi registada nos regulamentos toponímicos locais e nas placas que lhe dão hoje o suficiente identificar.

PS- Crónica escrita a pedido dum morador que forneceu dados essenciais sobre o assunto em razão de duvidosas questões sobre as origens do nome. Aqui fica a narrativa sobre o quanto é sabido da Rua Formosa, À Pia.

 

13
Set14

LUSO-CERTIDÃO DE NASCIMENTO

Peter

 

Capela de S.João Evangelista (séc XVIII) e lavadeiras em plena nascente.

T anto quanto se sabe, a certidão de nascimento do Luso tem a data de 1064, recolhida num inventário de vilas e lugares entre Vouga e Mondego, pertenças do Mosteiro da Vacariça, onde se refere, entre outras, a "villa de Luso, que fuit de Abba Noguram cum su ecclesia vocábulo Sancti Tomé". Desta primitiva paróquia da Vacariça desliga-se o Luso em 1834 quando da execução dos forais da Terceira, e mantém-se independente até à actualidade. 

Terra de água, floresta e milheirais, foi a partir de meados do século XVIII que as virtudes do precioso liquido foram propagandeadas, tendo contribuído para tanto o Dr. José Morais, da Lameira de S. Pedro e o Dr. Costa Simões, entre outros. Por aquela altura escrevia-se que, "abaixo duma copiosíssima fonte de água fria, rebenta um olho de água quente, a que chamam o banho". Em 1837, referenciavam-se no local cinco barracas de madeira, que a Câmara da Mealhada substituiu por uma casa de alvenaria, no ano seguinte.
A excelência da água, a pureza, a mineralização, a radioactividade, as propriedades terapêuticas que abrangem um grosso leque de aplicações em tratamentos renais, reumáticos, hipertensão. respiratórios ou do stress, canalizaram para o Luso grande número de banhistas, fenómeno que despoletou um crescimento acelerado da pequena aldeia, a que não foi alheia a acção do jornalista, ministro e conselheiro, Emídio Navarro. Tem um busto erguido na avenida de seu nome .
Do património arquitectónico, destaca-se a Igreja Matriz com esqueleto do século XVII, donde se salienta escultura da Virgem com o Menino ( Nª Srª do Rosário), do mesmo século, uma capela baptismal com retábulo seiscentista e uma imagem de S. Silvestre. em pedra, do sec. XV. A igreja foi refeita em finais do séc. XIX sob o impulso de Navarro, donde lhe vem a torre sineira com traço dum arquitecto suíço. Na Fonte de S. João, ou das onze bicas, há uma capela dedicada a S. João Evangelista datada do séc. XVIII com uma pequena imagem do santo, em madeira, do tipo corrente e do mesmo século.
De referir alguns edifícios modernos pelo seu porte e valor, como o palacete do Marquês da Graciosa, hoje  Hotel Alegre, o"chalet" de Emídio Navarro, o Hotel das Termas, traço do arquitecto Cassiano Branco, o Centro de Férias do Inatel ex-Hotel Lusitano,ex-Hotel da Carolina, a Art Nova do Casino e algumas "villas" ainda hoje existentes.
No Buçaco, o Palácio Hotel, obra do arquitecto e cenógrafo italiano, Luigi Manini, encomendada no último quartel do século passado para pavilhão de caça do rei D. Carlos, é um monumento neo-manuelino de cantaria coimbrã, que, enquadrado no ambiente sereno e acolhedor da mata constitui um quadro de rara beleza e motivo de visita de inúmeros nacionais e estrangeiros. Nas galerias exteriores, merece destaque a azulejaria do artista Jorge Colaço. Mas também o complexo herdado dos frades carmelitas, Mosteiro e Via Sacra, com esculturas da paixão de autoria de Costa Mota, Sobrinho, são um património considerável. No interior da igreja conventual, chama a atenção um retábulo de Nª Sª do Leite, óleo de Josefa de Óbidos. (ardeu  completamente em 1913 por incuria da Fundação Buçaco) 
A serra do Buçaco, que domina a região, aparece já como ponto de referência numa doação feita por Gundezindo ao Mosteiro de Lorvão no ano de 919 e, rebuscando no tempo, as "trilobites" do lugar de Louredo, são testemunhos fossilizados do Silúrico, bem no berço da criação do mundo.
Em 1628, a Ordem dos Carmelitas Descalços. entendeu fundar um cenóbio nas encostas da serra, e assim nasceu o Mosteiro de Santa Cruz do Bussaco, cuja vida monástica teve início  em 1630. Aos frades que aqui penitenciaram, se deve muito da actual riqueza da floresta, um parque botânico impar na comunidade europeia.
Em 1810, nas vésperas da Batalha do Buçaco, o Convento serviu de hospedaria ao Duque de Welington, e foi ponto de apoio da renhida luta que se travou nas imediações. Relembram-se todos os anos, em 27 de Setembro, os acontecimentos decorrentes das invasões napoleónicas, que opuseram no local as tropas anglo-lusas ao exército francês e no Museu Militar pode verificar-se o espólio da batalha.
Hoje a freguesia é  (era) uma estância termal de nomeada, possui (possuía) um bem apetrechado centro de fisioterapia, bom equipamento hoteleiro, salas de congressos e exposições, posto de turismo, museu, banco, piscinas, ténis, campos de tiro e futebol. É servida pela estação dos caminhos de ferro da Beira Alta, via electrificada com ligação à Europa e dista sete quilómetros da auto-estrada Lisboa -Porto, com bons e rápidos acessos a qualquer uma destas cidades, bem como a Coimbra, Aveiro, Viseu, Guarda ou Salamanca.
Industrialmente, de anotar ainda a exploração da água mineral de mesa, a conhecidíssima Água de Luso, que é hoje o maior empregador do concelho da Mealhada.
Administrativamente pertence ao distrito de Aveiro, confinando nos seus limites com os distritos de Coimbra e Viseu. Dela fazem parte os agregados populacionais de Barro, Buçaco, Carpinteiros, Carvalheiras Lameiras de S. Pedro e Stª Eufêmia, Louredo, Luso, Monte Novo, Salgueiral e Várzeas. Os antigos lugares de Moinhos e Venda Nova fazem hoje parte do tecido urbano do Luso. Em termos jurídicos pertence à Comarca de Anadia e religiosamente à Diocese de Coimbra. Teve por oragos S. Tomé, S. Silvestre e actualmente a padroeira é a Sr'ª da Natividade. Existe na igreja matriz um retábulo dos finais do séc. XIX com a imagem da Santa em madeira de  tipo corrente.  FS

16
Jan09

CÂNTARO DE ÀGUA

Peter

NOS TEMPOS DE IR À FONTE

 

                                         

                                                   

 

Não sei quem está na fonte nem que data tem  o extrato fotográfico mas é sem dúvida antiga.

Se alguém identificar a personagem,  que se manifeste.

 

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