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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

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BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

23
Ago14

O MEU MURO DE BERLIM

Peter

 

     Por onde passam os peões, digna Cãmara da Mealhada??????? 

A minha rua é uma estrada. Uma recta, concretizando, entre dois muros. Chama-se rua da Pampilhosa e  inicia-se no Alto da Maia, no Luso, junto ao Hotel Alegre. Depois faz uma curva  larga para a  esquerda e atira-se por trezentos metros de recta até à minha casa, onde curva de novo á esquerda e segue até à Rua do Luso, na Pampilhosa. Não faço ideia onde entroncam uma na outra entre os oito quilómetros do percurso que medeia a distância entre um lugar e outro, nem mesmo se se chama assim até ao seu destino e isso pode muito bem acontecer, mas o que na realidade acontece é  que na recta inicial está encravada entre casas e muros, não deixando para os peões uma zona exactamente para os peões, uma zona pedonal. Na recta final, já na Pampilhosa porém , a minha rua tem  um larguíssimo passeio para peões do lado direito de quem vai e ainda bem,  apesar de servir apenas meia dúzia de famílias, nada comparado com as mais de setenta famílias que utilizam a minha rua do lado do Luso, fazendo  contas para cima de  quinhentas pessoas  crianças incluídas .Ora um dia destes, o muro da minha rua apareceu pintado. Pintado de branco. Parecia um véu, tão puro e leve como a água que nos tiram. Disse para os meus botões que pintar o muro não adiantou nada às necessidades do muro, que por acaso são as minhas e também as dos mais de quinhentos habitantes que moram para além da minha casa. Porque os automóveis não respeitam nada nem ninguém e passam ali a grande velocidade, é preciso morrer alguém para se lembrarem do assunto e gritarem aqui Del Rei !

Posso ser eu o morto! Ou as minhas filhas! Ou os meus netos! Ou qualquer membro idêntico das mais de setenta famílias que ali moram, que a bem dizer são todos como família. Para alem de quem  mora todo o ano  existem os campistas que por ali seguem para o respectivo parque, aliás um acesso vergonhoso, e já não acrescento os que vão para o centro de estágios ou para os funerais. Não chega o cheiro pestilento dos caroços de azeitona que conspurcam o ambiente, mais ainda o perigo de ser brutalmente atropelado? Aos mortos nada faz mal, eles, ainda que não levem padre, vão de carro. Mas os vivos, coitados, num momento podem passar á condição de mortos o que, francamente, não é uma coisa muito correcta por parte das obras dos eleitos.

Ora eu que sou teimoso e burriqueiro nestas andanças dos deveres e dos gastos das autarquias, além de me lembrar bem das últimas eleições em nome das pessoas, comecei a fazer contas e  não foi  preciso ir longe  para concluir que um passeio para peões ao longo da minha rua, mesmo que pendurado no muro que já existe, é muitíssimo menos custoso que a destruição duma  boa escola para construir outra.  Muito menos que o esquartejar as ruas em pleno Verão para empedrar o excelente piso! É uma insignificância perante os gastos da manutenção dos campos de futebol, e dos custos da água e da corrente eléctrica onde jogam mercenários! Nada comparado com subsídios e apoios a festas e carnavais. E é mesmo uma dramática miséria se colocarmos na balança o prejuízo que a autarquia afinal ajudou a provocar  com uma gestão que levou ao esvaziamento das termas. Daí achar que as coisas andam a correr ao contrário e a perguntar-me se não estarão a administrar como os banqueiros, estragando o que está feito para fazer de novo, comprando sucata imobiliária para deixar ruir. E um dia destes, imagine-se, reparei que estão a encaixotar a obra mais emblemática que a autarquia fez nas  termas, um  depósito de àgua para rega e arrecadação de enxadas e vassouras na estrada nova! Uma aberrante obra arquitectónica de excelente memória para o Luso, se bem se lembram os lusenses! No meio dum passeio subsiste o exemplar, quase dentro do recinto das termas! Isto sim é turismo!  Maravilhoso!

Quanto á minha rua, depois deste comentário, espero que o espectro partidário já tenha aprendido alguma coisa e não vá amuar pelas verdades descritas e nos deixe a todos  mais aos campistas em situação precária! Porque isto de descrever  os factos caro leitor, não é escárnio ou  mal dizer e de resto as setenta  famílias não tem culpa nenhuma da teimosia dos meus protestos nem dos lapsos dos autarcas !            Luso,Agosto,2014.                                     (In JM de 19 de Agosto,014)

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