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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

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BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

16
Mar16

ÁGUA QUINTA MARAVILHA

Peter

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 H á dias a Câmara Municipal inaugurou um posto de turismo na sede do concelho. Já aqui disse, essa é a minha visão das coisas, que faz mal, o posto de turismo deve ser na freguesia onde estão os recursos e melhorar o existente seria a única forma séria e útil de servir os interesses concelhios. É óbvio que não há lugar para dois postos de turismo, esta ideia é um erro da política local, senão mesmo um erro camuflado para matar um deles. É fruto  de estreiteza politica e da falta de massa crítica para fazer avançar processos de desenvolvimento do território como o nó ferroviário da Pampilhosa que não passou de conversa enquanto eram feitos o de Cacia e Vila Verde., ou classificar o Buçaco no património da Unesco, processo que já devia ter avançado e ser hoje realidade sustentada e não a mesma promessa de há vinte anos atrás, agora com descrédito acrescido. Em substituição destes projectos de desenvolvimento de mais complexa execução, fazem-se vazias manifestações de coisa nenhuma como essa das maravilhas, que nada acrescenta a um sector já de si bastante degradado ou multiplicam-se pavilhões para festas e casórios!

Acabar com a poluição do nosso espaço ambiental que se tornou crónica, outro problema grave, não está no horizonte da autarquia, incapaz de o solucionar eleição após eleição, bem como a execução dum espaço de golf fora do lugar próprio, e que deveria ser alterado para a figura de um projecto intermunicipal de 18 buracos a implantar entre dois municípios capaz de o tornar possível em custos de construção e manutenção.

Projectos como estes,  bem como um projecto de incentivos para a criação de empresas de inovação e valor económico para os espaços industriais fariam andar para a frente o município ,seria bem mais útil que a multiplicação descontrolada de estruturas destinadas á angariação de votos, cujos custos são sustentados pela autarquia. Qualquer município precisa de ter riqueza para haver redistribuição pelas famílias e pelos bens estruturais, mas nós, genuínos fazedores de improvisos, fazemos o contrário começando a casa pelo telhado e não pelos alicerces o que põe em sério risco um futuro sustentado.

A defesa das Termas do Luso e do famoso complexo negociado com a autarquia, o Luso 2007 que incluía umas hipotéticas fábricas de produtos afins no hipotético parque industrial de Barrô com entrada de now out , criação de riqueza e de empregos, que deveria ser defendido até às últimas consequências, não passou afinal por de mais um balão de ensaio para usar e deitar fora que conduziu ao desmantelamento da estância termal do concelho e da vila do Luso, esta nos seus retoques finais em morte lenta. Um ciclo de facilidades e contradições da política local que está longe de se poder interpretar nas suas variadas nuances e hiatos , mas extremamente errático para não dizer irresponsável.

Noutras áreas, o que tem feito a autarquia é concentrar o pouco que há em seu redor no centro administrativo do município, em vez de, como neste caso do posto de turismo, instalar um posto das Rotas do Vinho e do Leitão aumentando a visibilidade daqueles produtos nativos chamando-os pelos nomes próprios e não por um remark sem originalidade, as quatro maravilhas, uma mensagem nula. De resto o produto e os serviços já são suficientemente bons para serem chamados pelo nome próprio e não integrados num folclore paroquial destinado a umas jantaradas entre políticos. Hoje, nos tempos da net e do GPS, mais um posto de turismo é perder tempo e dinheiro, quando se pode instalar um posto com o mesmo fim e vantagens num site adequado como se faz  mundo fora. A não ser que se batalhe pelo turista pé rapado ou pelo excursionista do garrafão em vias de extinção que nada deixam pelos lugares por onde passam. Não me admira nada esta filosofia depois que  vi alguém iniciar-se  pela feira do Cartaxo há alguns anos atrás.

Mas acontece, e isto é bastante curioso, que nestas maravilhas está incluída o pão e a água. O pão, produto que é difícil encontrar na fabricação local e água que, suponho, não será a do velho e bonito chafariz que fica atrás do edifício inaugurado, mas presumo seja a do Luso. É que dois dias depois da inauguração dessas maravilhas e do posto de turismo, passei pela delegação de saúde do concelho e consultando o relatório das águas das nascentes verifiquei que a água da nascente da Fonte de S. João do Luso está imprópria para consumo. Sobressaía em letras maiúsculas do relatório das análises oficiais assinado pela senhora Delegada de Saúde no expositor público da própria Delegação, IMPRÓPRIA.É a água que eu bebo, eu e os meus conterrâneos e os que acidentalmente , e são muitos. ali vão encher garrafas e garrafões. A ser esta a maravilha em causa, pergunto-me, como é possível um município inaugurar um posto de turismo onde figura a maravilhosa água,  imprópria para consumo!? E fico-me por aqui para minorar alarmes, entendendo no entanto que são factos que não se podem calar ad eternun como vem acontecendo. Na minha modesta opinião, depois de quinze anos de experiência em que andei gratuitamente envolvido no sector com o mesmo gosto e amor com que escrevo estas linhas no jornal, esta é a negação total do turismo! Ou uma brincadeira de mau gosto!

Escamotear a verdade escondendo ardilosamente os factos reais e a falta de qualidade, é a melhor maneira de espantar o turista que, hoje em dia exige, além duma informação acessível e rigorosa, qualidade das ofertas e preços competitivos. Vender gato por lebre, mesmo que seja por descuido, não é coisa tolerável. Mas foi assim que se inaugurou o posto de turismo, e se apresentou na Feira do Turismo de Lisboa este concelho, já não o LUSO-BUÇACO, mas umas quatro incógnitas maravilhas!  

Será esta água uma quinta maravilha ou estava já incluida? Fica a pergunta.

Mealhada,1 de Março, 2012.       Águasdolusoblogs.sapo.pt

 

 

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