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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

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BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

09
Ago18

A MALFADADA DIVISÃO ADMINISTRATIVA

Peter

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A malfadada divisão administrativa de Portugal vem de séculos e ela nunca se acertou com o interesse das populações, do território ou do país. Feudos e coutos de antigos senhorios e morgados , foram  ganhando privilégios esgrimidos entre os interesses da coroa ,os fidalgos galegos e o clero, mas desde  o inicio o povo,  além duma cadeira mal ajeitada nas cortes ou benesses urbanizadas perante as invasões, nunca ganhou grande coisa com municipalidades, pois sempre se assistiu  durante a  história á devassa livre e selvagem do nobre ou do clero sobre o agricultor , o servo da  gleba , o  escravo. Se da nossa literatura desenterrarmos os criticos, Gil Vicente, Camões, Alexandre Herculano, Eça, Oliveira Martins, Verney, Sanches, Aquilino, Ferreira de Castro,Pessoa, Saramago entre outros, o português pouco ou nada granjeou das  guerras, das conquistas, descobertas e outras oportunidades que lhe foram deslizando na frente do nariz, para além da autorização natural que lhe proporcionou a fortuna  ou o azar de ter nascido. Que essa, do livre arbítrio da sorte ou do céu , não estava na mão do nobre modelar, apenas  lhe passava pelos dedos em certas ocasiões o direito de matar ou esfolar  tão dura sorte que a morte se sobrepunha á dor  como sereno alívio.  

Fora pois dos períodos de terror em que o próprio rei, senhor feudal ou nobre tinham o que se sabe bem apertado nas pernas ,  a regra era o poder absoluto e , como não existiam cercos de Lisboa todos os dias o poder absoluto era mais ou menos diário. Não venham aí os historiadores empolar artificialmente os poderes municipais porque se é certo que Alexandre Herculano os avantajou foi especulando no povo esse terrível se,  if do inglês, que emperra o equilíbrio social, a justiça, á paz e a verdade para dar abono a heróis e santos. Das batalhas de Orike às senhoras de Fátima oportunamente aparecidas tudo serviu e serve para esmagar o português ingénuo. E foi nesta cadeia de poder, anti-natura, anti-humana e  dramaticamente exercida, que se enraizou na alma pátria a costela do compadre a quem pedir favores, influências, empregos, regalias, em simultâneo com o mostrar do rabo e da cambota  que Bordalo Pinheiro desenhou em arte debaixo do chicote. Para outros uma alforria, um couto ou um condado, uma capitania, um vice-reino e sem papas na língua um pedido no tempo do Salazar no qual muitos de nós vivemos e do qual usufruímos ou pensamos que sim. Era rotina. Um ato ou um lobby  que é oficializado  em muitos países, mas que faz parte da rede das socapas nacionais, algo por baixo da mesa que se não sinta nem veja, um jeito ou arranjinho ciosamente safado com borracha mas que não escapa   ao dador na intenção de ser ressarcido na primeira ocasião. Um voto numa urna, uma licença gratuita, um terreno no algarve que vai de reserva a urbano. De cima abaixo, de norte a sul, o português assimilou  esta versão em óleo de linhaça de azeite falsificado e já não passa sem ela, de tal sorte que os partidos políticos são hoje um redondo alfobre desta traficância imoral. Um papel que também teve a Pide doutros tempos, lembro-me bem que da primeira vez que atravessei a fronteira de Vilar Formoso para Fuentes, mandava Salazar, fui simpaticamente recomendado á brigada fronteiriça da pide por uns amigos que trabalhavam nas ambulâncias postais e que dia sim dia não almoçavam com os agentes na fronteira. Tinha casado há poucos dias, uma prenda de casamento singular, quer funcionasse quer não, e assim passei com tranquilidade a raia de Espanha no meu fiat neckar levando o credo na boca. Não pela pide mas pelo carro, eu era o oitavo dono. Mas levou-me a Àvila, Madrid e á Corunha com exemplar cortesia e voltamos descansados mais esquecidos que convencidos de favores policiais. As coisas são o que são no seu momento próprio e quem se põe a falar ou mal ou bem do que foi vida corrente, não tem grandes intenções para lá de tretas e caganças de fraca ponderação.

Queixam-se da desertificação, da morte e do abandono interior., pois que se queixem, são os mesmos que tudo tem feito para a sua liquidação. Lamentam agora as suas leis e atos e foram preciso incêndios e centenas de mortes inocentes para chegar á conclusão que fecharam uma grande parte do interior do país. Fruto das suas desastrosas políticas de fracos amadores no sentido mais lato da palavra.

Não fecharam escolas, postos médicos, correios, bancos e comércios, estações de  camionagem e comboio , médias empresas, estabelecimentos hoteleiros, tudo o que á volta da mais pequena divisão administrativa, a freguesia, a fazia respirar, viver, sobreviver, manter a sua própria identidade e economia e criar alguns empregos  para agregar os seus filhos ? Não semearam vias rápidas num litoral   que a bem dizer não existe, tão curta é a distância que nos separa de Espanha?  Para engrossar a cobiça , as obras e mordomias de amigos, quando a razão e o bom senso apontavam para uma boa auto-estrada norte sul e meia dúzia de transversais da mesma qualidade para o interior e Europa? E o que dizer da distribuição dos dinheiros da CEE que sucessivos quadros de apoio comunitários que entregaram a sedes de concelho deixando de lado as freguesias em agonia lenta nas mãos de reis sem trono, ávidos a sugar para as cidades paróquia, ainda fora da lei vigente, toda a riqueza em redor? Quem desertificou o interior? Não terão sido as elites que já Herculano acusava e nas quais incluiria hoje a falha municipal? Porque não alargar a esfera do poder e do dinheiro ás freguesias como se faz em França e outros países, outorgando igual justiça, igualdade e gestão ao território ?  Porque se abateu a frota pesqueira e se perdeu a oportunidade duma reforma agrária ou se não gostassem do nome, um reordenamento do território com estratégias e objetivos nacionais? Porque se entregou o sector do turismo á anarquia das câmaras, quando é o turismo que nos dá alguma credibilidade e faz entrar no país a maior parte das divisas?  Afinal, nem um ministério tem nem uma estratégia global para sustentar a indústria.? E finalmente o que foi feito em quarenta e tal anos de democracia que nos levou a ocupar em termos de miséria e em todos os outros índices (consultem-se estatísticas nos sites da cee) os últimos lugares entre os  28 países da Europa, depois dos milhões e milhões que aí chegaram dados pela mesma comunidade?   E para onde foi a gigantesca dívida publica que em paralelo se fez  ? Não parece estar nos bolsos deste povo.

Podridão e falência dum regime, um item onde os próprios autores se passeiam pela impunidade que a si próprios impuseram.?

Enquanto assim for…!!!                                          Génova,Nervi, Julho,201

 

 

 

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