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ÁGUASDOLUSO

BURRIQUEIROS,OS QUE TOCAM OS BURROS...

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05
Out13

SÚBSIDIOS- PRIMEIRA SESSÃO

Peter

 

 

          CINEMA NA CASA DE CHÁ

     Entre os avós idosos é corrente situar o primeiro cinema ou a primeira casa de espectáculos do Luso, na precaridade que se pode considerar suficiente para o efeito, na Cocheira do Soares, ao tempo conhecida igualmente por alquilaria na medida em que teria servido para recolher animais de carga, de tiro ou de montar bem como as velhas carruagens do transporte de pessoas e bens que das bestas recebiam a força dos seus cavalos.

Tratava-se dum salão térreo improvisado para as projecções na parte inferior do edifício ainda hoje existente, a velha casa chamada do Soares, implantada na margem da estrada pouco antes da entrada da Quinta do Viso, propriedade de Emídio Navarro e debruçada sobre a região da Bairrada com uma soberba vista até aos limites do oceano atlântico. Segundo algumas testemunhas orais herdava da área dos transportes a condição e nome de cocheira que teria desempenhado o seu papel sobretudo no transporte de aquistas entre a estação do caminho-de-ferro e as Termas e em deslocações ao Bussaco ou outros locais vizinhos.

Não seria a única empresa no negócio, há notícia oral dos trens do Barrigo  no que foi depois o Café Luso , também conhecido por Bigodes, cuja cocheira de apoio ficava na parte traseira da extinta Capela de Stº António , hoje destruída para alargamento da curva do Inatel  defronte àquela unidade hoteleira. Mais tarde, com o advento da motorização, veio esta cocheira a reverter para a condição de oficina de automóveis durante muitos anos. Existia ainda a empresa do Messias no piso térreo da ex-pensão das Termas e o próprio Hotel Serra teria a sua alquilaria nas caves do edifício.

Desta última recolhi a história duma panela de libras que o proprietário, temente de ladrões, embutiu e escondeu numa parede dos fundos. Descoberta por um moço da cavalariça, foi objecto de apropriação por sua parte. Achando-se porém rico dum dia para o dia seguinte, deu levianamente manifesto a tanta fartura mediante vida farta, modernas vestimentas, mulheres alheias, coisa que a desconfiança depressa levou á justiça e ao descobrimento do sucedido. Confessado o crime, foi o moço condenado á pena e a  repor os restos do tesouro.

Voltando ao cinema, disse-nos D. Guilhermina Rocha pouco antes de chegar a idade centenária, que se lembrava perfeitamente de assistir a supostas primeiras projecções de cinema na Casa de Chá sobre a Fonte de S. João, sessões decorrentes da iniciativa dum tal Adão, termalista e apaixonado pela nova arte. Este registo, que não perdura com clareza no meio mas que a nossa interlocutora afiançou, pode situar-se algures entre a primeira e segunda décadas do séc.XIX, levando em conta que a fonte poderia ter nessa época entre dez , quinze anos de idade.

Teria existido depois a Casa de Cinema do Soares que está sem dúvida na memória de pessoas de menos idade, tendo servido não só como cinema mas também como salão de baile e de festas. Quanto á sétima arte, ela era explorada pelo empresário lisbonense Sacramento que por sua vez vendeu  mais tarde o negócio ao lusense Joaquim Rodrigues. A sala, rectangular, tinha um parapeito em madeira na parede do sul  a toda a largura do espaço ,  sobre o qual era colocada a tela de projecção. O chão primitivo de terra batida, foi substituído por um soalho de madeira sobre o qual se alinhavam em toda a largura filas de cadeiras da ‘pendurada’, ou seja, cadeiras simples de madeira de pinho de muito modesta qualidade. À entrada, do lado direito, uma pequena cabine alojava o projector manual cujo filme, accionado pela maior ou menor sensibilidade do operador de serviço á manivela, deslizava com a possível uniformidade na tela em frente.

Por curiosidade , pela voz de alguns testemunhos , ouvimos nomes de filmes como: ‘O Morto Cansado’, À Sombra dum Trono’, ‘Amor de Perdição’, ‘Os Fidagos da Casa Mourisca’, ‘As Pupilas do senhor Reitor’ ou ‘O Rápido do Oeste’. Aqui fica o registo possível, dum Luso de outros tempos.               FS 1989/2013

  

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