Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2015

RESISTENTES

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 Crónicas Locais

173-RESISTENTES

Para mim o Luso parece ter voltado ao tempo que era há cinquenta anos atrás, quando o acontecimento mais importante era durante o Inverno a passagem da camioneta das sete em direcção a Viseu e no Verão a paragem do rápido da uma da tarde que despejava arquistas que acabavam por encher as Termas. Não é saudosismo o que reside atrás desta imagem com mais de meio século de existência mas o aparente reviver dum tempo julgado definitivamente finito, ultrapassado e esquecido nos anais da consciência das gentes, melhorado que foi num período de sobrevivência económica recente que se acreditava ser caminho sem retorno. É precisamente esse retorno, essa falta de objectivos e de esperança, esse descrer nos homens e nas instituições que hoje me perpassa pela mente com laivos de retrocesso a fazer relembrar o tempo de antigamente, quando o chapéu na mão fazia parte dum quotidiano difícil e o rendimento do trabalho mal chegava para matar a fome e muito menos para adquirir conhecimentos. Sinto que se pode estar numa via de regresso e que a sociedade crescida com os sonhos de Abril se encaminha para um low cost de terceira classe como era então o terceiro assento dos comboios a vapor destinado aos desqualificados e arredados da civilização. Sinto isto na imagem dum Luso da minha meninice, donde depois por fortuna e por sorte me libertei, sem me libertar porém do tempo retido na memória e na consciência dos fenómenos sociais subjacentes.

Imagino que é contra este mesmo tempo que a gente das Termas está lutando. Contra o esvaziar que o capital, a política, a má gestão, a irresponsabilidade, trouxeram ao lugar, colocando em causa os negócios e a vida de alguns milhares de pessoas deste município e região. Estão lutando numa demonstração de força e de vontade de mudar e ver mudar alguma coisa, num lago que se mantém tranquilo e calmo como se nada tivesse acontecido, perante a catástrofe que foi o derrubar das termas centenárias. Uma concessionária que teima de forma descarada em reduzir o balneário a nada, que procura impor o esvaziamento do contrato de concessão na cabeça das pessoas através de migalhas duma fundação oportuna, que afirma ter muitos utentes quando os que se vêm são tão poucos, que poucos equipamentos utilizam das estruturas existentes na terra. Se a única riqueza que existe é a água e lhe foi subtraída a parte termal em favor do negócio da venda, como pode o Estado proprietário dar-se por satisfeito? Periodicamente faço esta pergunta claramente dirigida aos eleitos, quer locais, quer nacionais e estes nossos representantes, que afinal são os detentores pelo voto da democracia que lhes damos, calam na impotência e no silêncio os apelos das nossas justas razões.

Admiro os conterrâneos que lutam, tem razões mais que suficientes para o fazer. Sobretudo os que viveram e vivem e querem continuar a viver da parte de exploração das águas termais que desde sempre lhes coube. Enfeitaram um Luso natalício por razões evidentes.Com o carinho, a devoção, a força e o querer que os ditos eleitos não tem. Mas também com esperança na mudança e na retoma dum caminho de novo dirigido á recuperação termal, fisioterapia, quartos, equipamentos. È uma força presente, uma força que o poder tem o dever de interpretar e acompanhar que os problemas existentes são todos eles igualmente do concelho. São resistentes a lutar com dificuldade por aquilo a que eles, mas também a terra que representam, tem jus, perante a apatia dos poderes públicos e os incumprimentos permanentes do concessionário que explora a única riqueza do local gozando do apoio, em derradeira instância, dos que deviam defender esse povo e esse património. Saber ler e interpretar os fenómenos é um dever desses eleitos perante os seus eleitores, ávidos de mudanças e de actos no sentido das suas legítimas aspirações. É urgente ler esse querer, essa teimosia, essa luta, como é urgente ler o desespero e o desânimo latentes, quando não se vêm sinais do apoio que se espera.

                          Luso,Dezembro, 2014                             àguasdoluso@sapo.pt

 

publicado por Peter às 21:47

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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

VELHO TEATRO AVENIDA

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  Imagem actual do velho Teatro cuja renovação tarda !

Há três ou quatro anos a autarquia município comprou o Cine Teatro Avenida do Luso com o  intuito expresso de o reconstruir dentro duma  clara estratégia de recuperação o que  aliás vem fazendo com o reaproveitamento do Teatro Messias e do cinema  da Pampilhosa. Quanto ao do Luso, há por aí quem argumente que a destruição pura e simples seria a melhor solução, porque está fora de moda  e de clientes. Claro que pode ter alguma lógica esta argumentação, mas ela  não foi a lógica utilizada para os dois cinemas já recuperados, um a funcionar com prejuízo permanente, outro num acabar de obras  que irão seguramente desaguar no mesmo prejuízo financeiro. Podemos multiplicar até por trezentos municípios deste país este prejuízo hospitalar! Mas espanto-me com estas teorias apoiadas em cegas opiniões  e fico a duvidar perante o velho adágio se há ou não há fumo sem fogo, quanto ao Luso.

Se fossemos basear as recuperações e muitas obras que se tem feito país fora nesta questão da sustentação monetária, nomeadamente os cinemas, mas também as piscinas e os pavilhões, os arquivos e as bibliotecas, os relvados e as praias fluviais, museus  etc, etc, não se teriam efectuado na sua maior parte, não por serem inúteis, mas porque o país não cria riqueza suficiente para a sua manutenção  e sustento. Esquecemo-nos que antes da casa se faz um alicerce e esta opção por equipamentos ao quilo,  discutível é certo, tem levado os municípios á revitalização de estruturas que tem assumido um  âmbito nacional  e isso parece-me suficiente   para exigir a finalização da estratégia que tem sido seguida pelo município da Mealhada.  A freguesia do Luso, depois do total desacerto que levou á minimização das termas  e á deslocalização da indústria sem qualquer  contrapartida, não pode ficar mais uma vez a ver navios pendurada num poder que  raramente percebe os problemas específicos da localidade. O teatro Avenida do Luso também tem a sua história, mas mais que isso ele é uma memória de gerações. Ali se realizaram espectáculos e sucederam acontecimentos que fazem parte do presente que somos. Ali funcionou durante décadas uma espontânea escola de teatro que hoje, entre saudades e anseios, aguarda um palco para continuar. Coisa que nos recorde, vem  de gerações anteriores de bisavós, avós e pais. Esvaziar a memória das populações é matar na sua génese os costumes, a cultura, a sua alma, levando as sociedades  ao vazias dum passado esquecido. A memória colectiva é espelho do que fomos e  visão do que seremos, cordão umbilical que nos une como agregado. Ali está a experiência, a sageza, o ensinamento, o erro, valores comuns que são de todos. Ainda que muitas vezes, de forma inconsciente,  são a hereditariedade atávica dos nossos antepassados. Poucos, é certo, mas bem caracterizados. Hoje, não se pode pensar uma sala exclusiva para cinema, mas numa sala polivalente ou multiusos, onde se possam fazer congressos e reuniões, exposições e encontros, variedades e projecções de cinema e  meios audiovisuais, uma sala ao dispor da população para ensaiar e levar á cena  as suas peças de teatro, um local  aberto e ponto de cultura. Uma sala que, pelas vicissitudes do tempo, o Luso deixou de ter.  Uma sala onde preserve memórias e dê azo às suas intervenções. As terras são as suas gentes, as suas promiscuidades, os seus desejos, os seus sonhos, não matemos com desrespeito pelo que fomos, o que continuamos  e querem continuar a ser. Muita coisa falta no Luso, não destruam mais um pedaço do espaço que nos pertence. É preciso exigir essa pertença.          

Gota, Dezembro,2014  

 

publicado por Peter às 14:10

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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

CHEIROS QUE NÃO CHEIRAM

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Luso, onde os cheiros não cheiram...

Há muito, muito tempo que não recebo cartas. De amor é impensável, esgotou-se, mas outras, mesmo essas, escasseiam nesta época de emails e de mensagens, de bites e celulares. Mas para espanto meu chegou hoje uma carta pelo correio e senti-me  tão feliz  que  gritei para dentro alto e bom som como se fosse uma primeira vez:

-Recebi uma carta, Luciana, recebi uma carta!

Luciana é a gata. Não percebeu nada, está claro, levantou o focinho, cheirou o ar abafado dos dias de calor fora de tempo, deu duas turras na bainha das calças quando eu abri a porta e correu escada acima á minha frente. Estava com fome e entendeu deste aparato que ia chegar a hora. Antes porém rasguei o envelope da missiva, consultei os horóscopos quando vi o remetente e fui sentar-me a ler na sala dos meus solenes actos. Era a resposta a uma reclamação que tinha feito como cidadão municipal, junto, tanto quanto sei, com reclamações de umas centenas de cidadãos. Suponho assim não ser o único a receber das autoridades uma resposta ligada aos cheiros da baganhuça que nos incomoda as narinas e a saúde há uns anos a esta parte. A banha de Santa Eufêmia, no Luso!

Em termos ambientais estava convencido que o infestar da atmosfera com fumos tóxicos e vapores de benzeno, um químico nada aconselhável á saúde dos humanos, fosse um crime! Mas afinal não é. Fiquei a saber, não há crime, afinal os cheiros não cheiram!

Crime não,diz a carta, mas eu presumo, crime será um esfomeado roubar um casqueiro para matar a fome! Poluir esta coisa indispensável á vida a que se dá o nome de ar puro e oxigénio, com cheiros nauseabundos e lixos, não é crime nenhum e se não é crime há-de ser até uma virtude! De cheiros fiquei ciente através das autoridades, ou da carta, o que vem a ser o mesmo, que os cheiros deixaram de cheirar. Coisa estranha e complexa são os cheiros! E como diverge o peso entre quem os faz e não faz! Pensei!

Eu sei que Galileu Galilei abjurou os movimentos do sol antes que a Santa Inquisição lhe queimasse os miolos na fogueira! O que não seria grande perda para o Santo Oficio, mas seria para o género humano, ora que as autoridades deste país seguissem o mesmo caminho inquisitorial, nunca pensei! Os cheiros de facto não cheiram, apesar de há duas horas atrás não se poder suportar o ranço do solo á camada de ozono. Eu sei, que temos um ministro da educação cientista, mas daí até estender a metamorfose das escolas até às investigações das autoridades, não fazia a menor ideia! Coisas de sábios, de génios!

Bendita seja a autoridade que cheirando por milhares de reclamantes não cheirou cheiro nenhum! Claro que não reclamarei mais nada, a autoridade cheirará por todos. Prescindo do olfacto, aliás para que serve o olfacto se podemos viver tão bem só com os quatro sentidos? E da visão, um olho não chega? Uma mão no tato, uma orelha? Mais zarolho menos zarolho que importância tem isso? A autoridade cheira ou não cheira?

Há contudo uma dúvida que persiste e me incomoda no que tem a ver com a comparação entre os narizes dos milhares de munícipes que continuam a cheirar apesar desta abolição dos cheiros, e os narizes dos inspectores por parte das autoridades que vieram, olharam, mediram, cheiraram e não cheiraram nada. É que na incógnita dos narizes desiguais, uns de cheirantes outros de Pinóquios, pode estar a única via para o acerto da equação matemática sobretudo se levarmos em conta que o proprietário dos cheiros, um ypsilon que afirma não os provocar nem os cheirar e que tudo não passa duma cabala que não cheira mas que vê porque não é cego, é um negociante. Tal pai, tal filho!

Em face destas conclusões, cá estou para assinar a acção popular, mas pelo sim pelo não vou embalsamar a carta e envia-la ao Museu de Arte Antiga para expôr daqui a mil anos como relíquia dum passado cinzento. Se existir o mundo e o cinzento e um país de Alices, como este nosso recanto na beira do mar “pasmado” !

Vou dar comida á Luciana, coitada, passou-me de todo o diabo da gata!      10/2014

publicado por Peter às 19:45

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Quarta-feira, 1 de Outubro de 2014

LUSO,O COLAPSO TERMAL

A realidade do Luso é esta, o Verão chegou ao fim sem canto do pisco. Muita gente até duvidou se existem termas , entre a realidade e a ficção quase não se deu por elas. Obras fora de tempo obstaram á normalidade e os fumos tóxicos ajudaram a espantar muita gente. Fizeram-se umas festas e animou-se a componente que cresceu, os garrafoneiros que aos milhares monopolizam as onze bicas da fonte. Se não fossem estes turistas de “pé rapado” teríamos passado á desertificação. Bebem um café, comem um bolo, dão uma volta pelas barracas, compram uma bandeira do fêkêpê ! A autarquia até fala em subir a taxa de ocupação, pensam que os vendedores ganham tanto como eles próprios, políticos. Mas aqui o dinheiro de facto não cai do ceu e a crise chega a todo o lado, é bom não esquecer.

Tudo contribuíu para o fim dum Verão pouco compensador. O que conta são quartos refeições e tratamentos, isso que cria a riqueza, e ninguém pode estar satisfeito com o que resta d’outros tempos. A terra está a morrer perante a incapacidade dos eleitos de fazer alguma coisa. E na Câmara, por arranjos políticos a que a vila é alheia,voltou a ficar de fora um edil que represente o Luso e grite pelos seus problemas no executivo. Uma agravo mais para a unica freguesia onde existe Know out do turismo e que não é aproveitado.Ontem fui ao correio, chamam -lhe correio, mas aquilo é o reflexo negativo do estado a que chegou a vila. Pior que o lwo cost são estas empresas pimba, mais uma economia pimba, uma governação pimba, coisas alimentadas pela imbecilidade duma comunicação pimba que se encarrega de lavagens constantes ao cérebro do cidadão. O Luso foi esvaziado como balão de oxigénio. Da riqueza que o fazia respirar levaram tudo. Engarrafamento, água, escritórios, correio, pensões, cafés ! Ficou um furo artesiano e um segurança de plantão para o guardar, ironia do destino! De toda a exploração que fazem das águas fica zero nesta terra ! Vergonhoso. Nem dos mais de quinhentos mil euros a que a geminação deu origem por iniciativa de gente do Luso, nem desses cá fica um tostão, foram canalizados para a Câmara, um acto grosseiro e ultrajante para essa mesma gente! As promessas dum parque industrial de Barrô com unidades de fabrico de sabonetes, shampôs, cosméticos, pomadas e produtos afins tem mais de quinze anos e já fez parte de pacotes pré eleitorais aos quais juntaram dois novos hotéis. Reproduzo as promessas, preto no branco, não passaram de mentiras. Alguém viu o parque industrial? As fábricas? Os hoteis? O emprego?

O que se vê na verdade, é que o bloco de fisioterapia nunca mais abriu, que o concessionário com a ajuda e o apoio da autarquia reduziu as termas a um terço do seu tamanho e de parceria com a mesma autarquia enterrou canos pelas estradas municipais para engarrafar na Vacariça. Qual foi a contrapartida para o Luso? Nenhuma. Fecharam os escritórios, alugaram as Termas, mudaram a sede. É para olhar passivamente para isto que temos representantes a quem demos o voto ?

Não terão os eleitos o dever de indagar se o contrato de concessão está a ser cumprido? Desenvolve ou não desenvolve as termas? Não terão o dever de informar das razões porque ardeu a Srª do Leite, uma relíquia do século XVII que poderia valer até cem mil euros e era patrimonio local ? Quem é o responsável? Não terão o dever de resolver o problema dos fumos tóxicos e de reabrir o dossier da barragem de Vale da Ribeira? O que fizeram em defesa do correio? Nada. Aceitaram comodamente o fecho! E pelo badalado Luso 2007, depois Inova? O mesmo nada e esta é a via de desinteresse e abandono que não serve Luso nem município nem munícipes.As potencialidades permanecem e Termas não as podem mudar para outro lugar do concelho. Nem mudar o Buçaco, como querem. Este caminho não , não é o caminho certo, nem honrado, nem honesto que a politica prometeu.E o Luso tem e deve gritar por aquilo a que tem direito se não quer correr o risco de ser tragado pela sua passividade. 

                                                                                                                                           Set.2014

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Peter às 08:15

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Terça-feira, 9 de Setembro de 2014

FUMOS TÓXICOS

 Na foto os fumos tóxicos e a Cruz Alta do Buçaco, em fundo. Cem metros

á frente um centro de estágios desportivos e para a esquerda as Termas

do Luso . Duzentos metros atrás o engarrafamento das àguas de mesa

Luso, Luso sabor, Luso Sumos, Luso Formas...Foto de 9/9/2014

Conheci o velho Alcides Branco no ano de 1968 no Clube Feirense. A sede era na rua principal da então Vila da Feira, um pouco abaixo da Câmara onde a rua estreitava entre o casario e se compactava com uma multidão no dia da procissão das fogaceiras. Caía ali o Carmo e a Trindade com as vinte e uma freguesias e faziam-se naqueles dias largas centenas de fogaças para dar resposta á procura do mercado que batia records de vendas ano após ano. A vida era tranquila á sombra do castelo, do tribunal e da igreja, três edifícios símbolo erguidos na colina medieva onde nasceu o burgo.Aquele Clube Feirense, que nada tinha a ver com o Feirense da bola, reunia uma pseudo aristocracia local seleccionada pelo estrato social, pelo comportamento e pela indumentária e um destacado membro era sem dúvida o Alcides dos azeites, industrial de lagares. O zelador do clube abria as portas á noite e com alguma solenidade se entrava no salão, uma espécie de clube inglês á moda de Julio Verne, com o seu Phileas Fogg e o seu Passepartout, na volta ao mundo em oitenta dias, um filme com David Niven ,  Cantinflas  e a inesquecível Shirley Mac Lain , princesa Aouda ,que então corria nos cinemas. A sala principal, pesada, silenciosa, tinha no meio uma mesa de bilhar e nos cantos mesas de pano verde para os jogos da sueca, damas, xadrez ou gamão. Uma estante de estilo sóbrio em pesada madeira de carvalho, guardava alguns livros de Julio Dinis, do Eça e do Camilo, além dos diários Comércio do Porto e do Janeiro obras e jornais á disposição dos sócios daquela agremiação onde surgi como hóspede da renovada pensão Ferreira.

 

Ao professor Manuel Zagalo fiquei a dever essa entrada na seleta tertúlia, depois de muita teimosia da sua parte e foi na sua companhia que frequentei algumas vezes o Clube. Numa delas apresentou-me o Alcides Branco, um homem alto e magro, solene, bem vestido, dialogante e milionário. Simpático nas palavras saudou a minha chegada como um sopro de juventude aos anais da colectividade, mas de facto nunca passei a sócio, o clube rondava em média o dobro da minha idade e na realidade nada me dizia aquela cívica frequência.

 

Hoje é dos herdeiros do velho Alcides a ‘fabriqueta’ destiladora de bagaços a que chamamos da baganha de Stº Eufêmia e que faz o favor de nos inundar a atmosfera de fumos, vapores de benzeno e cheiro rançoso, juntando-se a outros destruidores das termas do Luso com a pestilência desta poluição ambiental para quem, entidades que vão das Policias á Câmara da Mealhada, à Secretaria de Estado do Ambiente, às Direcções Regionais e Nacionais do Turismo , à CCRC, entre outras, tem sido impotentes.

 

Foi assim que o meu velho conhecido Alcides Branco, ou dos Azeites, um homem que na altura me pareceu acessível e correcto, sério e cumpridor na fiança do professor Zagalo, deixou por morte esta pesada herança e havia de caber ao Luso, uma vez mais, acomodar o prejuízo do desastre sobre os seus negócios e pessoas! Isto perante a nulidade das entidades responsáveis, incapazes, inoperantes ou colaborantes, talvez por linhas travessas não alheias à política, de fazer cumprir a lei. Mais uma evidência clara de dois pesos e duas medidas no concerto do saque a que o país assiste, plasmado na impotência. Se alguma coisa mais faltasse à destruição das Termas e da terra, era a obrigatoriedade de usar máscaras para sobreviver aos gases tóxicos que se espalham pelo ar. E afinal, por falta de autoridade capaz de suspender a laboração ilegal duma xafarica que não cumpre a lei vigente nem cumpriu os compromissos de filtrar as instalações a que se obrigou pela mesma lei!Ao poder, se existisse poder, bastava a interrupção da licença ou cassa-la em definitivo. Mas os poderes perderam o sentido de Estado e de nação, do bem comum e das responsabilidades por troca com a impunibilidade total na coisa pública. Há uma dúzia de anos seguramente que andamos nisto! Gozando duma libertinagem que obriga o cidadão a usar máscaras, tanto contra poluidores de chaminé, como contra governantes eleitos que dia a dia desgovernam a vida de cada um. Mesmo camuflados, vai ser difícil sobreviver entre resíduos tóxicos de tanta proveniência.                           Luso,Agosto,2014

 

 

 

publicado por Peter às 20:57

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Sábado, 6 de Setembro de 2014

LUSO-INVENTÁRIO DE DOAÇÂO

 

 CÓPIA DO DOCUMENTO

 Notitia de villis vaccarice-inventarium voucam et mondecum.

Era MCII.

 Notum facimus de villas que sunt de monasterio de vaccariza inter vouga, et mondeco território collimbrie, id sunt villa nova que fuit de gundisalvo Moniz et testavit eam filius suus frojula gunsalvis ad vacarizam.Villa de musarrus com sua ecclesia que fuit de abbate lovegildo ab integro per suis terminis.Eccleziam vocábulo sancti cucuvati cum adjectionibus suis. Villar de correixe cum sua ecclesia vocábulo  sancti  martini. Et in sangalios,villa que fuit de elias exabala, ubi se avelanas infundit in certuma,Villa barriolo cum ecclesia vocábulo sancti mametis cum adjectionibus suis.

Villa moronganos ad integrum.Villa Tamengos cum sua ecclesia vocábulo sancti petri, que fuit de abba gaudio.Villa orta ad integrum.Villa arinios.Villa ventosa integra.Vinea de abba lodemiro.hic in ventosa de cepiis integra.Villa eilantes integra cum sua ecclesia vocábulo sancti felicis.In villa alfavara.Ecclesia vocábulo sancti chistofori.In villa mortede ecclesia vocábulo sancta maria , adjectionibus suis. Et in villa de magistro montagueime monasterio vocábulo sancti petri.Villa freixenedo ad integrum ecclesiam vocábulo sancta eolalia in ripa certome.Villa vimeneira ad integrum.Monasterium de lauredo adintegrum.Sancta xpri cum adjecrionibus.Villa canellas ad integrum.Villa de luzo,que fuit de abba noguram cum sua ecclesia vocábulo sancti tome.Ecclesia voccabulo sancto pelagio de varzenas.Monasterium de trazoi,quod fuit de abba trazoi.Sancta xpri de mortalogo.Monasterium de sourio ad integrum.Ecclesia sancti salvatoris de collimbria.

 (Livro Preto da Sé de Coimbra, fls 36-Era de 1102 (ano de Cristo de 1064)

 

NOTA:Trata-se dum inventário incompleto de bens pertencentes aos Mosteiro da Vacariça , feito no ano de 1064, ano da reconquista de Coimbra  aos mouros por Fernando I, o Magno, e objecto duma carta de doação escrita por Diogo Gelmires cónego da Igreja de S.Tiago , que foi outorgada em 1094, trinta anos após a conquista da cidade. Governava o território conimbricense o alvezir D. Menendo, em nome do Conde da Galiza D.Raimundo.

O inventário refere povoações da Bairrada, Luzo, Varzeas, Monsarros, Vimieira, Arinhos, Vimieira, etc, e é o primeiro documento escrito fidedigno a referir o nome do Luzo. Esta é, por enquanto, a verdadeira certidão de nascimento da hoje vila do Luso escrita em língua latina. FS

publicado por Peter às 13:28

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Terça-feira, 26 de Agosto de 2014

ILUSTRAÇÃO

A Rua da Pampilhosa na saída do Luso 

Para ilustrar o último post editado  neste blog sobre  

passeios para peões nada melhor que duas fotografias

onde a discriminção é evidente e não deixa lugar para

dúvidas.  

 

A rua do Luso na saída da Pampilhosa

Oito quilometros antes ou depois há passeio para 

meia dúzia de casas!!!!

Algo vai mal no reino!!!!

publicado por Peter às 19:59

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Sábado, 23 de Agosto de 2014

O MEU MURO DE BERLIM

 

     Por onde passam os peões, digna Cãmara da Mealhada??????? 

A minha rua é uma estrada. Uma recta, concretizando, entre dois muros. Chama-se rua da Pampilhosa e  inicia-se no Alto da Maia, no Luso, junto ao Hotel Alegre. Depois faz uma curva  larga para a  esquerda e atira-se por trezentos metros de recta até à minha casa, onde curva de novo á esquerda e segue até à Rua do Luso, na Pampilhosa. Não faço ideia onde entroncam uma na outra entre os oito quilómetros do percurso que medeia a distância entre um lugar e outro, nem mesmo se se chama assim até ao seu destino e isso pode muito bem acontecer, mas o que na realidade acontece é  que na recta inicial está encravada entre casas e muros, não deixando para os peões uma zona exactamente para os peões, uma zona pedonal. Na recta final, já na Pampilhosa porém , a minha rua tem  um larguíssimo passeio para peões do lado direito de quem vai e ainda bem,  apesar de servir apenas meia dúzia de famílias, nada comparado com as mais de setenta famílias que utilizam a minha rua do lado do Luso, fazendo  contas para cima de  quinhentas pessoas  crianças incluídas .Ora um dia destes, o muro da minha rua apareceu pintado. Pintado de branco. Parecia um véu, tão puro e leve como a água que nos tiram. Disse para os meus botões que pintar o muro não adiantou nada às necessidades do muro, que por acaso são as minhas e também as dos mais de quinhentos habitantes que moram para além da minha casa. Porque os automóveis não respeitam nada nem ninguém e passam ali a grande velocidade, é preciso morrer alguém para se lembrarem do assunto e gritarem aqui Del Rei !

Posso ser eu o morto! Ou as minhas filhas! Ou os meus netos! Ou qualquer membro idêntico das mais de setenta famílias que ali moram, que a bem dizer são todos como família. Para alem de quem  mora todo o ano  existem os campistas que por ali seguem para o respectivo parque, aliás um acesso vergonhoso, e já não acrescento os que vão para o centro de estágios ou para os funerais. Não chega o cheiro pestilento dos caroços de azeitona que conspurcam o ambiente, mais ainda o perigo de ser brutalmente atropelado? Aos mortos nada faz mal, eles, ainda que não levem padre, vão de carro. Mas os vivos, coitados, num momento podem passar á condição de mortos o que, francamente, não é uma coisa muito correcta por parte das obras dos eleitos.

Ora eu que sou teimoso e burriqueiro nestas andanças dos deveres e dos gastos das autarquias, além de me lembrar bem das últimas eleições em nome das pessoas, comecei a fazer contas e  não foi  preciso ir longe  para concluir que um passeio para peões ao longo da minha rua, mesmo que pendurado no muro que já existe, é muitíssimo menos custoso que a destruição duma  boa escola para construir outra.  Muito menos que o esquartejar as ruas em pleno Verão para empedrar o excelente piso! É uma insignificância perante os gastos da manutenção dos campos de futebol, e dos custos da água e da corrente eléctrica onde jogam mercenários! Nada comparado com subsídios e apoios a festas e carnavais. E é mesmo uma dramática miséria se colocarmos na balança o prejuízo que a autarquia afinal ajudou a provocar  com uma gestão que levou ao esvaziamento das termas. Daí achar que as coisas andam a correr ao contrário e a perguntar-me se não estarão a administrar como os banqueiros, estragando o que está feito para fazer de novo, comprando sucata imobiliária para deixar ruir. E um dia destes, imagine-se, reparei que estão a encaixotar a obra mais emblemática que a autarquia fez nas  termas, um  depósito de àgua para rega e arrecadação de enxadas e vassouras na estrada nova! Uma aberrante obra arquitectónica de excelente memória para o Luso, se bem se lembram os lusenses! No meio dum passeio subsiste o exemplar, quase dentro do recinto das termas! Isto sim é turismo!  Maravilhoso!

Quanto á minha rua, depois deste comentário, espero que o espectro partidário já tenha aprendido alguma coisa e não vá amuar pelas verdades descritas e nos deixe a todos  mais aos campistas em situação precária! Porque isto de descrever  os factos caro leitor, não é escárnio ou  mal dizer e de resto as setenta  famílias não tem culpa nenhuma da teimosia dos meus protestos nem dos lapsos dos autarcas !            Luso,Agosto,2014.                                     (In JM de 19 de Agosto,014)

publicado por Peter às 17:02

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Sábado, 9 de Agosto de 2014

RUA DA PAMPILHOSA ,NO LUSO

 São trezentos metros sem a mínima proteção para os peões

 Rua da Pampilhosa,Luso. 9/Agosto/2014

Por este canal entre muros  que podem ser  de Berlim ou

da Morte passam diariamente setenta familias residentes, 

mais os utentes do Parque de Campismo,mais os 

acompanhantes dos funerais, mais os desportistas do

Centro  de Estágios, os caminheiros de Fàtima, os seniores

nas suas voltas de saúde. Umas centenas largas

de gente, de pessoas...

 

 

 È fácil fazer uma passadeira suspensa com o muro , coisa que só lembra

ao eleitos antes das eleições!!!

Por fim ligeiros e pesados, tratores, bicicletas,papa-reformas

e ciclomotores , regra geral apressados ,excedendo muito

as velocidades permitidas. Nunca cá vi um policia

controlador de velocidade e a Câmara da Mealhada, dona da

estrada, está-se  marinbando  para a vida dos peões.

Curioso, é que na vila da Pampilhosa, onde termina

a mesma via, há um largo passeio ... Vá-se lá saber porquê??

Descriminação?????? Fico-me por este intrelúdio. 

Porque é  preciso gritar antes que morra alguém.

  

publicado por Peter às 14:33

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Segunda-feira, 4 de Agosto de 2014

OS BOMBOS DA FESTA

 

 

Estamos em pleno mês de Agosto e esta fotografia

dos ex-escritórios da Àgua do Luso, ao abandono, dão

uma ideia da própria estância termal cencessionada a

uns cervejeiros holandeses da  Heinekan que

resolveram levar a matéria prima sem deixar nada no

terreno. Como o edificio aqui fotografado a vila e os

portugueses que nela moram, continuam á espera dum

milagre que não vai acontecer.

De autarquias e do Estado através do ministério

respectivo, que têm poder e legitimidade para alterar

as coisas, nada, não estão ricos nem banqueiros

em causa e assim, o Luso vai sobrevivendo de quem

vem á Fonte  pública encher garrafões de água . 

Este é o pouco turismo que ficou , na prática, de pé

rapado, para ao domingo vir á água .

No Verão, este Luso é uma festa, mas na realidade 

o bombo dessa mesma festa, são as pessoas que

viviam dela pelos negócios  que naturalmente

passam momentos dificeis.

Para lá deste abandono,a Câmara da Mealhada 

resolveu esburacar todo o centro com obras 

completamente desnecessárias , a iluminação

pública nocturna é para espantar transeuntes e um

odor rançoso untado por ólio de destilação do

caroço , de azeitona talvez, perfuma o ar ambiente

dando-lhe insuperavel qualidade.

E o Luso não tem um autarca que na Câmara politica

possa dar um murro na mesa e gritar pela razão!!!

Ah, parece ter um deputado em Lisboa, mas não se

dá por ele !

O prédio da  foto acima há-de ruir , para bem desta

terra onde o concessionário que explora a única

riqueza existente no subsolo não investe as

centigramas dum cêntimo!!O LUSO no Verão, é mesmo

uma festa,uma Festança!!!!

 

publicado por Peter às 22:48

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