Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

OS BANQUEIROS DO POVO

 

RSCN4532[1]

S e o ano que acabou acabou mal, o que entra, entra pior, com o estoiro do Banif, mais um banco que rebenta como castanhas na boca. Como o Bes, pouca gente sabe porque rebentam os bancos nas mãos largas um Povo que afinal nem é perdido nem achado nos negócios dos banqueiros nem nos desastres que se verificam entre essa laia de gente. Um povo que vive mal, com sacrifícios, dificuldades, fome até, a quem tudo tiram e nada dão, que nada sabe acerca da falência dos ricos mas que é a primeira e única vítima dessa coisa a que chamamos banqueiros, como dessa outra a que chamamos bolsa, outro brinquedo dos graúdos ou outras coisas como  duzentos e tal marmelos medalhados  que se divertem a brincar com aviões e tanques em guerras da Nintendo.  

Isto porque se tornou um uso do capital nacionalizar os bancos quando lhes falta o dinheiro. Se fossem comunistas a faze-lo cairiam o Carmo e a Trindade, porém, sendo os traficantes deste mundo é uma boa acção. Em qualquer dos casos o banco passa para o Estado com a única diferença do Estado fazer pagar ao contribuinte a recapitalização do banco para o restituir ao banqueiro falido, enquanto no caso dos comunistas o banco ficaria na mão do Estado. Tecnicamente a manobra é esta, depois acolitada por uma série de regras de democracia de obus, tecnocracia do chanfalho, justiça unilateral, de imoralidades, de roubo e de ética nem se fala. Vale tudo. Ao caso do Banif acrescenta-se a chantagem inadmissível dum banco comprador, que desvaloriza o banco que quer comprar através de notícias intencionais dum seu canal televisivo, uma operação descarada e quiçá fraudulenta.

Ora a verdade, desde que existe banca, os primeiros bancos europeus, vem dos tempos do San Giórgio da Republica de Gènova , criado em 1407, do Banco di Napoli  em 1539 o Monte Dei Paschi di Siena, 1568, do Berenberg da Alemanha, em 1590, entre outros, eles foram  instituições  do foro privado e sujeitas, como qualquer outro negócio ás regras do mercado , da oferta e da procura , dos danos e dos lucros. O genovês San Giorgio prestou os seus serviços aos reis de Espanha e Portugal com empréstimos para a epopeia das descobertas e não consta que os reis os tenham protegido para além do normal pagamento dum juro, algumas vezes apoiados, no caso de Portugal, por contratos de concessões por avanços para novas terras. Esta é aliás a normalidade do negócio bancário dentro do conceito ainda actual dos direitos de cidadania e da igualdade de tratamento e oportunidades entre o cidadão. O que se faz para além destes limites está fora da deontologia da actividade bancária e dos deveres institucionais das nações, que tanto tem a ver com compra e venda de dinheiro como com compra e venda de beterrabas ou açúcar. Não passará pela cabeça de ninguém que o Estado vá nacionalizar um carregamento de cana que se perdeu num naufrágio para salvar o importador da contingência ocasional. O mesmo não deverá fazer com bancos nem banqueiros.

Porque beneficia então este das mãos largas do cidadão para lhe pagar os prejuízos do negócio, talvez sujo, corrupto, criminoso? Apenas porque a promiscuidade entre dinheiro e política atingiu níveis intoleráveis de desonestidade, a especulação proporções criminosas, a circulação fiduciária o descontrole, a globalização anarquizou as relações e off shores ou paraísos fiscais servem de capa à sujidade da moeda, da droga, do roubo, do tráfico de escravos , de órgãos ou da prostituição, da fuga aos impostos e outros crimes comuns. O mundo tornou-se um casino, palavra que em língua italiana significa confusão e os Estados, com mais ou menos corrupção, deixaram de cumprir as leis constitucionais. O velho mundo do San Giorgio mudou como mudou o aval das barbas dum D. João de Castro ou as cordas familiares de Egas Moniz. Hoje compra-se a palavra, a alma, a honra e os altares. O que acontece em Portugal com os bancos é gravíssimo, quando o dinheiro injectado neles com o sacrifício e a dor de todos nós, desaparece sem rastos e a verdade dos negócios envolvidos nunca virá á tona, nem os actores serão julgados pelos crimes contra a Pátria, que é disso que se trata.

Que diferente dos últimos anos oitenta, quando uma pobre mulher, Maria Branca dos Santos de seu nome, montou banca em Alvalade para ingenuamente enganar alguns incautos, sob o letreiro pomposo de A BANQUEIRA DO POVO.

O que já era mau, mas à luz dos novos tempos, nem aprendiz de aprendiz chegava a ser !!!!!

 

 

 

 

 

publicado por Peter às 20:10

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