Domingo, 24 de Março de 2013

LUSO-TERMAS HEINEKEN

 

 

 Nos tempos da minha meninice as Termas eram para os naturais da vila do Luso um sítio vedado para lá do trabalho e do emprego que a todos estava reservado. Eram dois os mundos estivais, o mundo de quem estava destinado a prestar serviços e recolher alguns frutos do termalismo, o destinado aos locais, e o mundo de quem vinha. Para uns, trabalhoso, para outros, curativo e animado.

 A estância termal funcionava a cem por cento e as centenas de quartos que faziam o parque hoteleiro enchiam-se nos meses de Julho, de Agosto ou de Setembro, enquanto para nascente e para juzante desses idos tempos se prolongavam banhos numa dimensão mais singela entre os meses de Maio e Outubro. Relatórios e estatísticas existentes demonstram o movimento e a riqueza criada, extensiva a todo o meio envolvente com força e com pujança que dava para alimentar outra metade na estação invernal. De facto, nem a concessionária termal abdicava dos seus deveres de concessionária nem monopolizava ou restringia aos parceiros proveitos do termalismo. Nem a febre da água de mesa tinha conspurcado a mente dos exploradores, nem se sonhava que o recurso ultrapassasse as fronteiras para cair em mãos alheias. E assim o chamado Grande Hotel foi obra da empresa das águas e dum homem da Mealhada, apostado no desenvolvimento das termas e do meio, uma integração mais ou menos perfeita e assumida com seriedade.

   Esta filosofia, então ainda não destruída pelo capital que veio depois, o dos nossos dias e que apesar de tudo ainda existe hoje em alguns países da Europa, reservava para todos, maiores ou menores agentes da actividade, a sua justa parte e este equilíbrio permitia que a vila sobrevivesse nesta encruzilhada de interesses entre anos melhores e piores, mas certos.

  Nos dias que correm, perante a ganância e egoísmo do mundo, a posse tornou-se imoral, abusiva e descontrutiva das coisas e o que foram as termas pode resumir-se hoje a um furo artesiano donde brota a água e uns canapés apodrecidos fora das portas fechadas do que foi emanatório a quem um amigo tirou fotografias para o facebook , e deu assim origem á sua retirada dois dias depois. Há uma placa na porta fechada referindo a reserva exclusiva para clientes da clínica qualquer coisa e uns guardas privados, stwarts, de sentinela aos buracos, não vá algum louco ajuizado sabotar as centenas de metros até ao lençol comum do fabuloso liquido donde se enchem garrafas. Nem um cliente a beber água na saída radioactiva do seu poder curativo e para a amiga norueguesa que levei de visita ao sítio, nem uma entrada consegui para mostrar a bica a correr e uma prova da passagem.

-É uma turista norueguesa! È geóloga! Do metier ! E batia no vidro com insistência. Que não, proibição total de entradas ou visitas. Só para clientes da clínica!!! Está escrito!

 Mas qual clínica? Quais clientes? Ridículo! Tinham uma espécie de terror estampado no rosto e desapareceram além dos vidros no interior. São as Termas do Luso na sua actualidade, oito dias atrás, com ameaças de despedimentos nas mãos e o pagamento dos impostos em transferência para Cracóvia, bela cidade, mas na Polónia. Diz-se que sim e desmente-se quando é indesmentível! Pobre país, triste Pátria!

   Aparentemente trata-se duma má encenação destinada a demonstrar que há termas onde não há, mas que a escrupulosa concessionária tenta encenar em nome do contrato da concessão. Não compete a quem passa verificar se o faz ou não, só lhe compete ver, isso sim, que nem as termas são termas, nem a clínica é clínica como está escrito na tabuleta da entrada. Há ausência de aquistas, de doentes, de médicos, de enfermeiros, de dormidas, de refeições e remédios!!!! Pode existir tudo ensaiado, em lérias, mas em realidade nada existe e até o velho e acolhedor café do casino que nunca existiu se transformou num armazém de trastes velhos, paredes-meias com o mini estabelecimento médico clínico, transformado em chocadeira de ratazanas. É o mundo da concessionária! As espantosas termas o subtil spa! Quando há dias se foram embora para a freguesia vizinha, depois da Câmara da Mealhada lhes ter permitido enterrar condutas de águas por cinco quilómetros de estradas municipais, dado licenças para transferir bens e equipamentos, apoiado os desejos de desertificação da vila, mantendo sempre as óptimas relações com a empresa segundo a própria argutamente testemunhou um dia destes pelas cínicas palavras do mesmo ponta de lança, deixaram um mundo vazio.

 O mausoléu coube á autarquia fazê-lo para enterrar as termas e a vila. Está feito. Decidiram aquela espécie de políticos sem engenho nem estratégia e sem perspectivas para antecipar em tempo devido o que há muitos anos facilmente se previa, a destruição das termas e do Luso, como lhes era dito. Riam-se de opiniões diferentes, com a vista em cima duns patacos que alguém lhes arranjou. E depois, leviana e inconscientemente juntaram á desgraça a Mata Socrática do Buçaco. E colocaram os amigos, sem mostrar suas vergonhas!

  Mais que ninguém, os eleitos que agora vão sair merecem levar consigo o peso do mausoléu que mandaram erguer na Fonte de S. João! Que as pedras lhes sejam um dia pesadas com a esperança de que não voltem a surgir no município e freguesia gestores com tamanha ânsia de destruir a riqueza que é comum. E com tanta perspicácia para engolir o erro! E não ponho no trato interesses pessoais pois que acredito apenas na força da asneira!

  È o que acontece nas Câmaras, como nos países, quando aos sapateiros se dá, por artes e artimanhas partidárias, viola de tocador! Como poderiam as Termas do Luso sobreviver entre mãos de curiosos sucateiros?  

PS-De facto, a entrega nas mãos dos cervejeiros da HEINEKEN , holandeses de nascença e dos que não querem emprestar dinheiro a Portugal, mas que cinicamente vem explorar o que é nosso levando-nos  vida e alma, foi negociada com uma Cãmara da Mealhada comodamente instalada,apática, incapaz de compreender o fenómeno, desinteressada e incompetente para o assunto. Deixou-se enredar como uns anjinhos nos engodos dos vendilhões das promessas da  SAL. Mas nem Câmara, nem freguesia nem  ministério da tutela se preocuparam com a ida da riqueza por meia dúzia de patacos durantes estes anos todos e vão  mais de dez anos de total incapacidade para gerir a questão. Quizeram prejudicar o Luso? Fica a questão. O negócio vem de há uma dúzia de anos atrás, não é de hoje e como se vê a sua conclusão foi a pior para o Luso e municipio. Quando previ  isto nos tempos edil não quizeram ouvir e muito menos entender, mas venho-o repetindo  desde então na imprensa concelhia.E tudo se vem verificado como o previsto, desde aquela celebrada promessa do Luso 2007 !!!

                                                                          Luso,Março,2013         Àguasdoluso.blogs.sapo.pt        

publicado por Peter às 02:00

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