Terça-feira, 24 de Maio de 2016

ABRIL,42 ANOS DEPOIS

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 In Illo Tempore, diria Trindade Coelho, houve uma revolução que se chamou 25 de Abril. Revolução sem o ser efectivamente , á boa maneira portuguesa as coisas são e não são em simultâneo. Em 2016 passaram sobre o assunto quarenta e dois anos e se ainda há quem se lembre e comemore comodamente o movimento dos capitães, são aqueles que tomaram lugar no comboio da nova classe de políticos auto profissionalizados, de facto dos poucos que vieram a beneficiar do evento e a aproveita-lo a seu favor ao criar uma teia de partidos políticos de pouca qualidade a qual manipulam a seu gosto e interesse, uma espécie de sindicato sem lei ou uma corporação da nova era com os mesmos defeitos e malefícios duma antiga união nacional. A diferença, está no partido único oficial que a democracia substituiu por meia dúzia de novos partidos para ocupantes de idênticos lugares, os que colocam os interesses partidários e pessoais antes dos interesses do povo português. São por isso mesmo aqueles que, desde a Assembleia da República até ao mais pequeno dos municípios, se aprontam a festejar com os mesmos dinheiros utilizados pelo partido único antigamente, a efeméride, em formalidades oficiais que o cidadão vê de longe ou através das notícias das televisões. As coisas são o que são.

Mas a distância entre este cidadão e o poder é igual á distância que existia no 24 de Abril e se na demagogia da política actual a liberdade supera a civilização, eu lembrarei que a liberdade de hoje, sem liberdade económica, não existe. Quarenta e dois anos depois a fome e a caridade fazem parte dum universo que supera dois milhões de portugueses e isto é uma chaga insuperável nos festejos patrióticos que mostra á evidência o insucesso do nosso percurso político que culmina num ordenado mínimo assustador de quinhentos euros por mês, dois algarismos permanentes na taxa do desemprego, uma economia descapitalizada e frágil, um deficit público e privado que ultrapassam a razoabilidade do bom senso e bancos aspiradores dos dinheiros de todos nós, pagantes de todos os crimes de luva branca que se tem verificado nas últimas décadas. Em vez de manifestações talvez fosse preferível arregaçar as mangas para fazer melhor. E julgar alguns culpados.

Confesso que o 25 de Abril foi o sucesso mais importante da minha experiência politica como cidadão e o acontecimento pátrio que mais me emocionou enquanto vivi e acreditei no ideário herdado da generosidade dos capitães de Abril. Acreditei na democratização, na modernização da nossa sociedade, na justiça social, na honestidade política, numa transformação profunda que nos elevasse á condição da cidadania europeia na total dimensão do que era a comunidade em construção, a Europa de Jean Monnet, Schuman ou Dellors. De facto, á esperança e á bondade dos cravos juntava-se mais esta caminhada por uma integração no espaço europeu como veio a acontecer, do qual se tem recebido um substancial apoio financeiro cuja aplicação, pela parte que nos toca, tem sido mal orientada, o que nos levou á situação de bancarrota permanente que ameaça Portugal .

O amadorismo dos políticos, a corrupção, a venda e o aniquilamento do tecido económico, as negociatas escandalosas e impunes, a transformação dos partidos em seitas de clientelas e oportunistas sem capacidades nem competência, a desregulamentação duma banca que se tornou num tumor constante para a saúde financeira do país, o proliferar duma cultura do terceiro mundo por parte de canais televisivos e uma discrepância abismal cavada nos rendimentos entre ricos e pobres, atirou-nos para a mão de credores neo liberais inconsistentes e fundamentalistas.

Entre outros fenómenos da nossa sociedade como o desemprego, a nova e mais qualificada emigração para uma juventude qualificada e o impensável regresso duma sopa dos pobres para milhões de cidadãos, é o que há para comemorar? Será que se festeja o abismo, a corrupção e a falta de seriedade a que chegamos? A hipocrisia não tem de facto limites!

Luso,25 de Abril,2016                                  ÁguasdoLuso.blogs.sapo.pt

        

 

publicado por Peter às 18:28

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Terça-feira, 3 de Maio de 2016

PONTOS NOS iii

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Uma Maravilha  segundo o Municipio da Mealhada

A nossa tertúlia, pequena e emotiva, reúne-se na mesa do café. Lá rimos e choramos conforme a carga emocional dos nossos dias, o estado do tempo ou os acontecimentos que julgamos cruciais na ocupação das horas. São coisas paroquiais, do país e dum mundo de economia global que se encurtou em atos e distâncias e colocou na escala do directo as comunicações. Simulando com a televisão há quem nos chame já eixo do mal, porém, tertuliando os mesmos problemas não temos as mesmas audições nem auferimos rendimento da léria debitada, muita dela sobre nós e o sítio onde habitamos.

Ora recentemente apareceram nas notícias locais duas informações que me deixaram sérias dúvidas, uma delas referindo-se aos duzentos mil turistas que terão visitado no ano de 2015, a Mata do Buçaco, a outra, atribuindo á “cidade da Mealhada” o terceiro lugar em importância na comunidade intermunicipal da região de Coimbra, e dentro desta classificação o mesmo lugar no parâmetro que respeita ao turismo. Fiquei perplexo, simplesmente pela maneira fácil e irresponsável com que se faz jornalismo, se isto é jornalismo, nos círculos regionais e pela maneira como pretensos políticos a quem chamo intencionados, se aproveitam destas ferramentas para tirar partido das suas falaciosas promessas, produzindo de imediato pacóvios comunicados com fins eleitorais. Muito provavelmente tudo comprado e previamente afinado com bens do contribuinte que estas coisas, ao fim e ao cabo, compram-se como fatos por medida.

Num caso e noutro, vale a pena pensar cinco minutos e relembrar através da OTM  (Organização Mundial do Turismo) o que se tem por conceito de turista. De facto, para este órgão do turismo mundial, o turista é aquele que se desloca para fora da sua residência habitual para sítio onde permanece no mínimo por 24 horas em actividade não lucrativa, incluindo uma pernoita nessa estadia. Os outros, que se deslocam e passam umas horas aqui e acolá, não são turistas, são visitantes, excursionistas, romeiros, passantes ou pedintes, agora frequentes. Quem vem ao Carnaval depois de almoço e regressa ao seu lar ao fim da tarde, está, como se vê, bem longe de ser turista e quem vem comer leitão na região poderá estar ligado á gastronomia, mas não deixa de ser simples passante igualmente longe do nome de turista. Esta é a normal nomenclatura no espaço internacional da indústria. Na cidade da Mealhada, praticamente, não há turistas, o posto inaugurado é uma falácia, nulo, como nula é a estratégia turística para o município.

É aqui que as contas não batem certas, depressa o mentiroso, seja ele quem for, é apanhado na sua própria ratoeira. Em relação á Mata do Buçaco, as dormidas contabilizadas durante o ano perante o número de quartos existentes, está muitíssimo longe do número sugerido, isto se incluíssemos a cem por cento o hotel, casas da Mata e alguns quartos de hotéis da área da freguesia. Como a ocupação está longe dos cem por cento aqui levados em conta, fazendo as mesmas por metade, cinquenta por cento de ocupação, com muito boa vontade poderemos chegaremos a sessenta ou setenta mil turistas. A compra se for o caso desta avaliação independente, porque estas coisas compram-se nesta como em outras áreas, parece na verdade falsificada ou resulta do não se saber ou do não querer saber o que é um verdadeiro turista na perspectiva do investidor na matéria. Basta de amadorismo e basta de querer ser o que não é.

Quanto á cidade da Mealhada, onde recentemente foi inaugurado um posto de turismo, o rol  nem sequer tem ou merece uma explicação pois não há por onde pegar em tamanha classificação absolutamente inventada e sem qualquer correspondência com a realidade, pois turistas , juntando eróticos e ocasionais, em termos de quantidade os números são meramente residuais. Já aqui disse e repito que a política autárquica tem sido um desastre nesta matéria, e o apresentar estes dados com tal desfaçatez é uma tentativa infrutífera de tapar o sol com a peneira, para além de reconfirmar uma política paralela de destruição e ignorância consciente do património concelhio.

Não é desta maneira que se faz turismo. A saloiice caseira de se fazer duma pequena urbe uma grande cidade com o embicar das biqueiras na ponta dos pés, não resulta. Só com serenidade, com trabalho, criatividade, investimento público e privado, honestidade e tempo isso pode acontecer. São as únicas vias para se lá chegar, no caso do turismo, recursos naturais, culturais, patrimoniais, históricos ou outros itens que não existem na cidade. O excesso de tempo no poder e o desejo de continuar de qualquer modo a exercê-lo, pode ter destas coisas, mas não estamos propriamente na aprendizagem básica das regras democráticas, onde a opacidade dos fenómenos e a fuga á transparência podem ter resultados contrários áquilo que se pretende.

Recentemente a freguesia da Pampilhosa recusou as algemas que lhe querem meter nas portas do cinema pelo preço de cento e cinquenta mil euros. É um bom exemplo de como se não deve ir atrás das prepotências políticas de olhos arregalados! Não se vá vender a alma ao diabo por patacos tão pouco valiosos em relação á obra! Aqui, como no turismo,  a municipalização é prejudicial , Quanto a turismo que é uma industria de ponta que dá de comer a muita gente, cria riqueza e empregos, e potencia um país, não dá , ou não devia  servir para brincadeiras  de duvidoso gosto!

Luso,15 de Abril,2016                        Águasdoluso.blogs.sapo.pt

 

 

publicado por Peter às 20:33

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