Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2016

A RUÍNA DAS TERMAS

 

RSCN4533[1]

 No mês de Julho do ano de 2009 escrevia eu neste jornal sob o título 15.000 dormidas estoiradas, um artigo criticando  a má gestão que o município aligeirava em relação às Termas do Luso e à sua redução e transformação em clinica ‘de luxo’, isto a propósito do seu encerramento para obras  no começo daquela época termal, no mês de Junho desse ano  cortando, município e concessionária em conluio, a receita desse Verão aos agentes da hotelaria local e por consequência ao próprio município. E fazendo contas, ainda que simples e de receitas primárias, iam, como foram ao ar, só em dormidas, qualquer coisa próxima de um milhão e duzentos mil euros, o que me pareceu  um abuso de poder e de respeito para com os eleitores e industriais, pelo simples facto das obras poderem esperar até ao fim do Verão pelo seu inicio, o que, ironicamente, veio a acontecer de forma casual mas com as termas fechadas. Comprovava-se assim a péssima gestão, a irresponsabilidade e a ignorância das coisas de hotelaria e turismo que dominava no executivo de então, cujas consequências em nada perturbaram os eleitos reinantes, como era de esperar.

Hoje, relendo o texto, não só não lhe retiro uma vírgula, como constato a perversão da estratégia levada a efeito então, se é que havia alguma estratégia em relação a matérias de turismo e hotelaria para esta autarquia, coisa que, no meu entender não existia e que hoje, face á actuação do actual executivo, me parece não existir também. Como cidadão do município e do país, é-me difícil observar e perceber o descer do movimento termal duma população de aquistas que nos últimos anos da pré-transformação em clinica rondava os 1.600 utilizadores e que hoje, os luxuosos aquistas da nova clinica  a preços de revenda e ainda subsidiados pela Câmara com dinheiro dos nossos impostos,  não cheguem a atingir os  600.Na realidade  nem a novidade nem a subvenção alteraram em absoluto a frequência do ano anterior , como na história do chinês, deu-se o dinheiro mas não a cana de pesca.

Com a construção do SPA reduzindo a área das termas a um terço, tal como foi autorizado pela autarquia Câmara ( alguns sábios  edis até foram recompensados com tachos em órgãos de turismo ) não se edificou  o SPA prometido às Termas do Luso, ou ao município da Mealhada, mas  um SPA para um hotel que até deixou de se chamar  das termas para ser apenas hotel. Com dinheiro da Comunidade Europeia, com dinheiro do Estado Português, e uns restos da cervejeira concessionária! Para quê afinal? Para destruir as Termas e a Fisioterapia que lhe estava agregada, para destruir pensões e casas de hospedes que enchiam a vila na época termal, para reduzir nos cofres municipais os impostos respectivos, para retirar ao concelho receitas certas e escorreitas de gente que trabalhou no duro para realizar o sonho do sábio mealhadense que foi Costa Simões, o grande pai impulsionador das Termas do Luso. A ele se deve o seu início e os passos fundamentais dos primeiros tempos. A política actual não é digna desse passado nem o douto sábio mereceria semelhante acto póstumo!

Todas estas transformações foram fruto da curiosidade, amadorismo e displicência de políticas erradas, na defesa duma empresa cervejeira contra interesses da população, e do concelho. Hoje, as Termas do Luso não existem, ocupam um terço das extintas instalações e um Spa praticamente ao serviço dum hotel. Das mais de mil camas que existiam há dez anos atrás na freguesia, existirão hoje trezentas, se tanto, pois entretanto as pensões fecharam, o pequeno comércio sobrevive com imensas dificuldades e a câmara municipal actual, pode acompanhar-se pelos planos e orçamentos anuais, não possui qualquer estratégia turística para o município nem qualquer plano que conduza a uma reformulação do complexo termal que era uma esperança subjacente nas últimas eleições. Assiste-se sim  á inauguração duma loja de turismo na sede do concelho, cuja freguesia, como sabemos, não tem praticamente actividade neste campo. Tratando-se duma loja da Rota do Vinho ou da Rota de Leitão, até estaríamos de acordo, mas sendo um posto de turismo, trata-se dum absurdo, de falta de bom senso, dum disparate levado a cabo por alguém que não sabe  o que está a fazer, além de ser fraco sinal para o futuro do sector.

Li e reli o plano de actividades e orçamento para o ano corrente. Li e reli actas do executivo e da Assembleia Municipal. E fico espantado que , no meio daquele relatório de coisa nenhuma, não haja um eleito  nestes órgãos do poder  da gestão local que levante a voz , alguém que diga uma palavra  que seja certa ou menos certa ,  a favor da reabilitação das Termas e da Fisioterapia e da reposição do espaço que lhe foi retirado pela incompetência de muitos  e sempre a favor dos interesses da concessionária cujo cumprimento do contrato se torna obscuro e duvidoso.

Esse é o problema estrutural e fundamental do Luso de hoje e do próprio município. Esse e a falta duma estratégia  correspondente ,calendarizada e com metas e objectivos para cumprir a tempo e horas. Recuso-me acreditar que os autarcas estejam calados pelas esmolas dos concessionários !!! Há leis neste país, órgãos políticos e órgãos judiciais e ainda existe um tribunal da CEE onde se pode lutar  contra abusos e tiranias. Julgo que é para isso , para defesa das populações, da riqueza e do património que nos pertence, pela busca duma vida melhor para todos , que elegemos alguém a quem pagamos bem, nada lhes ficamos a dever, com impostos que nos saem dos bolsos !

Embora não acredite em mais ninguém, continuo a acreditar num candidato que fez obra anterior e se comprometeu, antes do acto eleitoral a lutar até ao fim pela reabilitação do património que são as Termas do Luso! 

É sua a obrigação e o seu dever!                                                     Gotenborg,11 de Janeiro,2016                               

 

publicado por Peter às 09:35

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Terça-feira, 12 de Janeiro de 2016

OS BANQUEIROS DO POVO

 

RSCN4532[1]

S e o ano que acabou acabou mal, o que entra, entra pior, com o estoiro do Banif, mais um banco que rebenta como castanhas na boca. Como o Bes, pouca gente sabe porque rebentam os bancos nas mãos largas um Povo que afinal nem é perdido nem achado nos negócios dos banqueiros nem nos desastres que se verificam entre essa laia de gente. Um povo que vive mal, com sacrifícios, dificuldades, fome até, a quem tudo tiram e nada dão, que nada sabe acerca da falência dos ricos mas que é a primeira e única vítima dessa coisa a que chamamos banqueiros, como dessa outra a que chamamos bolsa, outro brinquedo dos graúdos ou outras coisas como  duzentos e tal marmelos medalhados  que se divertem a brincar com aviões e tanques em guerras da Nintendo.  

Isto porque se tornou um uso do capital nacionalizar os bancos quando lhes falta o dinheiro. Se fossem comunistas a faze-lo cairiam o Carmo e a Trindade, porém, sendo os traficantes deste mundo é uma boa acção. Em qualquer dos casos o banco passa para o Estado com a única diferença do Estado fazer pagar ao contribuinte a recapitalização do banco para o restituir ao banqueiro falido, enquanto no caso dos comunistas o banco ficaria na mão do Estado. Tecnicamente a manobra é esta, depois acolitada por uma série de regras de democracia de obus, tecnocracia do chanfalho, justiça unilateral, de imoralidades, de roubo e de ética nem se fala. Vale tudo. Ao caso do Banif acrescenta-se a chantagem inadmissível dum banco comprador, que desvaloriza o banco que quer comprar através de notícias intencionais dum seu canal televisivo, uma operação descarada e quiçá fraudulenta.

Ora a verdade, desde que existe banca, os primeiros bancos europeus, vem dos tempos do San Giórgio da Republica de Gènova , criado em 1407, do Banco di Napoli  em 1539 o Monte Dei Paschi di Siena, 1568, do Berenberg da Alemanha, em 1590, entre outros, eles foram  instituições  do foro privado e sujeitas, como qualquer outro negócio ás regras do mercado , da oferta e da procura , dos danos e dos lucros. O genovês San Giorgio prestou os seus serviços aos reis de Espanha e Portugal com empréstimos para a epopeia das descobertas e não consta que os reis os tenham protegido para além do normal pagamento dum juro, algumas vezes apoiados, no caso de Portugal, por contratos de concessões por avanços para novas terras. Esta é aliás a normalidade do negócio bancário dentro do conceito ainda actual dos direitos de cidadania e da igualdade de tratamento e oportunidades entre o cidadão. O que se faz para além destes limites está fora da deontologia da actividade bancária e dos deveres institucionais das nações, que tanto tem a ver com compra e venda de dinheiro como com compra e venda de beterrabas ou açúcar. Não passará pela cabeça de ninguém que o Estado vá nacionalizar um carregamento de cana que se perdeu num naufrágio para salvar o importador da contingência ocasional. O mesmo não deverá fazer com bancos nem banqueiros.

Porque beneficia então este das mãos largas do cidadão para lhe pagar os prejuízos do negócio, talvez sujo, corrupto, criminoso? Apenas porque a promiscuidade entre dinheiro e política atingiu níveis intoleráveis de desonestidade, a especulação proporções criminosas, a circulação fiduciária o descontrole, a globalização anarquizou as relações e off shores ou paraísos fiscais servem de capa à sujidade da moeda, da droga, do roubo, do tráfico de escravos , de órgãos ou da prostituição, da fuga aos impostos e outros crimes comuns. O mundo tornou-se um casino, palavra que em língua italiana significa confusão e os Estados, com mais ou menos corrupção, deixaram de cumprir as leis constitucionais. O velho mundo do San Giorgio mudou como mudou o aval das barbas dum D. João de Castro ou as cordas familiares de Egas Moniz. Hoje compra-se a palavra, a alma, a honra e os altares. O que acontece em Portugal com os bancos é gravíssimo, quando o dinheiro injectado neles com o sacrifício e a dor de todos nós, desaparece sem rastos e a verdade dos negócios envolvidos nunca virá á tona, nem os actores serão julgados pelos crimes contra a Pátria, que é disso que se trata.

Que diferente dos últimos anos oitenta, quando uma pobre mulher, Maria Branca dos Santos de seu nome, montou banca em Alvalade para ingenuamente enganar alguns incautos, sob o letreiro pomposo de A BANQUEIRA DO POVO.

O que já era mau, mas à luz dos novos tempos, nem aprendiz de aprendiz chegava a ser !!!!!

 

 

 

 

 

publicado por Peter às 20:10

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